Arquivo para Randolfe Rodrigues - Daniele Barreto
16
julho
2013
Dany Barreto entrevista… o Senador Randolfe Rodrigues

O primeiro bate-papo do “Dany Barreto Entrevista” é com o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL do Amapá. Professor universitário, formado em história e Direito, elegeu-se em 1998 e 2002 deputado estadual do Amapá. Em 2010 foi o senador mais votado do estado com 203.259 votos, o mais jovem integrante do Senado na atual legislatura. Desde que chegou à Casa, marcou presença com posicionamentos firmes e sua atuação o rendeu prêmios em várias categorias do “Congresso em Foco 2012“: “Parlamentar de Futuro” (eleito pelos internautas); Combate ao Crime Organizado; Defesa da Democracia; e da Segurança Jurídica e Cidadania (nas três categorias eleito pelos jornalistas).

Militância e trajetória política

Colunista: Eleito senador mais jovem da legislatura, em 2010, o senhor sempre esteve à frente de movimentos estudantis e sociais… Conta pra gente um pouco mais do início de sua trajetória política e quais as suas influências ideológicas. Porque se deu a opção, ainda jovem, pelo ingresso na política partidária?

Senador Randolfe Rodrigues: Nasci na cidade de Garanhuns, em Pernambuco. Depois, mudei-me para o Amapá e, logo no começo da juventude, participei do movimento estudantil, onde iniciei minha carreira política. No início dos anos 90, junto com a geração cara pintada eu comecei a dar os primeiros passos nas frentes de luta do movimento estudantil. No Amapá, eu ajudava a liderar as passeatas pelo Fora Collor, organizava grêmios nas escolas secundaristas e participava de todo tipo de debate político que aparecia pela frente.  Meu pai, Januário Martins, era urbanitário e sindicalista do PT, foi sempre meu incentivador e minha grande inspiração. Mas cedo rompi com a corrente dele e me juntei aos grupos mais à esquerda do partido. Sou formado em história pela Universidade Federal do Amapá e em direito pela faculdade Seama (Associação Educacional da Amazônia), também sou mestre em políticas públicas pela Universidade Estadual do Ceará. Pelo Amapá, fui eleito deputado estadual em 1998 e reeleito em 2002.

Deixei o PT em 2005 para fundar o PSOL no Amapá.

Colunista: Assim que chegou ao Senado, o senhor lançou sua candidatura à presidência contra José Sarney – marcando posicionamento firme contra acordos políticos espúrios quem mantêm caudilhos a frente da Casa que, no ano anterior, 2010, se viu envolta em escândalos que abalaram a já chamuscada imagem dos seus pares. Mas em 2013, você não concorreu e a disputa se deu entre Renan Calheiros e Pedro Taques. O que motivou essas duas decisões: a de concorrer em 2011 – recém chegado – e a de não apresentar seu nome em 2013 – quando já possui mais experiência na Casa? A motivação em 2011 teria sido meramente política, para afrontar seu inimigo histórico no Amapá José Sarney?

Senador Randolfe Rodrigues: Em 2011 existia um falso consenso estabelecido e ninguém queria se insurgir contra a candidatura de Sarney. Minha candidatura foi para denunciar esse falso consenso, e apresentar um contraponto ao que representava a candidatura de Sarney. Para dizer que não estava tudo bem. O senado tinha passado por uma gravíssima crise, notadamente com o que ocorreu relacionado aos atos secretos, e a sociedade brasileira não aprovava esse episódio. Eu, em nome do meu partido, o PSOL, apresentei um programa alternativo ao Senado. Esta minha candidatura do PSOL em 2011, encorajou outros senadores de outros partidos em 2013. Vi que o nome do Senador Pedro Taques, reunia as mesmas condições que eu em 2011. Por isso, entendi que a candidatura de Taques me representava.

Manifestações pelo Brasil

Colunista: Senador, com esse histórico de militância política, como você vê os protestos que tomaram as ruas do país num coro contra a corrupção e por melhores serviços públicos? (leia mais…)