Arquivo para Picciani - Daniele Barreto
16
outubro
2015
Bom dia! Revista VEJA: Todo o poder à família Picciani

Oi pessoal. Bom dia!!!

Hoje vamos começar cedo, 5h30, com um post bem especial: o nosso “Bom dia!” de hoje será “Comentando a matéria” da Revista VEJA sobre uma família de pecuaristas e empresários que estão comandando espaços no cenário político do Rio de Janeiro. Li a matéria hoje quando acordei e resolvi correr para postar o texto para vocês com meus comentários.

Clicando no link abaixo, você lê a matéria “A ascensão dos Picciani” e em seguida temos os trechos da reportagem em azul e meus comentários em preto.

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Todo o poder à família

Como o pecuarista Jorge Picciani, patriarca de um clã político do Rio de Janeiro, conseguiu aproximar-se do Planalto, emplacar dois ministérios para o PMDB e alçar o sobrenome da família ao cenário eleitoral nacional.

Quando o tabuleiro do poder estremece, peças tombam, embaralham-se e se sobrepõe umas às outras. Nesses momentos, mesmo peões, desde que estrategicamente posicionados, podem ganhar relevância. Os Picciani sabem disso melhor que ninguém. O notório clã da política do Rio de Janeiro hoje tem como seu representante mais visível o deputado Leonardo Picciani, o atual líder do PMDB na Câmara. Mas o grande articulador da ascensão familiar é seu pai, o deputado estadual e pecuarista Jorge Sayed Picciani. Presidente do PMDB fluminente, ele é considerado há duas décadas um dos mais sagazes caciques políticos do estado. Agora, quer que também o resto do país conheça seus predicados.

Inicialmente, uma constatação de sempre: pecuaristas, fazendeiros, grandes mandachuvas do agronegócio mandam nos bastidores da política brasileira. Quando não  são os próprios candidatos, financiam as campanhas de seus rebentos e comparsas mais leais para ter poder de interferências nas decisões do Executivo e Legislativo; e, obviamente, interferir em demandas locais, elaboração de leis, contratações e gestão pública. Não é algo novo no país – pelo contrário, é prática desde que nos entendemos enquanto país (ainda que colônia)!

Ler as expressões “pecuarista e deputado federal” ou “pecuarista e senador” em matérias sobre políticos não é uma novidade e já nos acostumamos com a ideia de que: quem tem dinheiro, manda na política local e nacional. Aí na sua cidade, com toda certeza, tem um fazendeiro com filho vereador, aspirante a outros cargos, ou financiador de campanha (para gozar dos louros da possibilidade de interferir nas políticas públicas e legislação).

Difícil mesmo, gente, é encontrar político com legitimidade, e nos depararmos com histórias de ascensão mediante militância. Difícil e cada vez mais raro, raríssimo. Nunca foi a regra no nosso país – vide Câmaras de Vereadores e Prefeituras por esse Brasilzão. E não será!

Vivemos em um país no qual “fazer política” é tomar whisky (não sei escrever e nem vou procurar no Google) em jantares bancados com dinheiro público (da Prefeitura, Câmara de Vereadores, Câmara dos Deputados, Governadorias), em restaurantes de aliados políticos (que superfaturam as contas da comilança para tirar o dinheiro que deixou de ganhar na campanha, quando os correligionários do político comiam de graça no seu restaurante), discutindo sobre mulher, boi e como conquistar espaços de poder manipulando opositores, ameaçando com baixarias e sarcasmo (e nisso as redes sociais têm sido grandes aliadas) e comprando lideranças políticas (que, por sua vez, manipulam os pobres coitados que dependem de seus favores pessoais).

Pronto! Resumo do que significa fazer política no Brasil hoje.

Militância? Nascimento e crescimento em bases eleitorais? Disputa legítima de espaços em partidos políticos? Lideranças surgidas de embates e discussões produtivas e em benefício da coletividade? Elaboração de discursos? Levantar bandeiras?

Sinto muito, nobre leitor, mas você não achará políticos assim em Brasília em número suficiente nem para contar nos dedos das mãos.

Os sagazes caciques políticos não nascem da militâncias nem da disputa terrena de poder. Os caciques sagazes, influentes e que enriquecem na política (a imensa maioria – quase unanimidade, para ser exata), nascem da disputa baixa e mesquinha em espaços nos quais o dinheiro é rei e votos se conquistam com “cinco mil dilmas” na mão de cada cabo eleitoral – e não com ideias, projetos de governo ou outra bobagem que o valha…

Esse é o “chocadouro” e criadouro dos caciques sagazes!

Picciani pai fez carreiras construindo alianças improváveis e arregimentar fundos para campanhas milionárias, tanto as suas como as de colegas que lhe são eternamente gratos. Foi decisivo na eleição de um sem-fim de vereadores e deputados, além de ter dado sua fundamental contribuição aos governadores Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão. Nos últimos meses, mudou de patamar. Hábil nas costuras de bastidores, ganhou importância no cenário nacional ao se revelar um dos fiadores do mandato de Dilma Rousseff no Congresso.

Construir alianças improváveis é, por excelência, regra na política brasileira. Não importa o partido político – até porque carecemos de partidos programáticos -, as alianças são construídas, única e exclusivamente por critérios de afinidades… ahhhh, claro que não… rsrs Estou brincando com vocês! As alianças são construídas baseadas em alguns critérios:

* quantidade de dinheiro que o grupo político pode arregimentar com empresários para a eleição

* possibilidade de interferir nos contratos, compras e contratações; recebendo cargos, secretarias e ministérios com a “porteira fechada” para mandar, desmandar e roubar muito (objetivo maior dos políticos brasileiros)

* possibilidade real de ser prejudicado caso não faça a aliança. E aqui quero muita atenção de vocês: na política, você vale pelo mal que pode causar. Portanto, uma boa aliança sempre tem, por trás, um bom “cala boca”. Inimigos se aliam pela possibilidade de – separados – prejudicarem uns aos outros. Assim quem lidera pesquisas e sai na frente na opinião pública muitas vezes se vê obrigado a fazer alianças as mais espúrias com empresários ricos e fazendeiros, além de adversários políticos, para que esses fiquem calados (mediante, em troca, recebimento dos louros da administração pública)

Por isso, vemos tantas “alianças improváveis” no país.

O pragmatismo é a marca de Picciani. Herdou a característica, além de Leonardo, de 35 anos, o caçula Rafael, que, aos 29 anos, já é deputado estadual em segundo mandato, atualmente licenciado para tocar a poderosa Secretaria Municipal de Transportes. Um exemplo do estilo de atuação do patriarca se deu em 2014, quando ele amarrou o apoio de uma ala do PMDB à candidatura do tucano Aécio Neves, fato que resultou numa improvável aliança conhecida como Aezão (Aécio + Pezão, então candidato). Seu partido fincava assim os pés em duas canoas, já que, oficialmente, continuou fechado com a candidata Dilma. Vitoriosa, ela passou os oito primeiros meses de mandato mantendo distância dos Picciani – então unha e carne com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, inimigo jurado do Planalto.

Está vendo como as costuras sempre terminam em candidaturas de filhos e agregados mais próximos dos mandachuvas financeiros do estado? Foi o que falei para vocês. Isso não é novidade. Só pergunto: qual a legitimidade desses candidatos a cargos eletivos, se você compreender a política como a ocupação de espaços mediante bandeiras e disputa real de ideologias e projetos de nação? Nenhuma!

A política sai completamente do campo das disputas de ideias e debates, para o “quem dá mais”. Quem tem dinheiro, compra lideranças e  se elege. Compra aliados. Compra votos. Compra “cabeças”. Compra consciências. Compra alianças. E vai buscar retirar todo o dinheiro gasto em desvios de dinheiro dos cofres públicos.

Não estou necessariamente me referindo aos Picciani´s. Óbvio que não! Nem pesquisei sobre a existência de denúncias envolvendo a família (possivelmente o farei até o final do texto). Desconheço o assunto. Mas não tenho dúvidas em afirmar, por todos os políticos que conheço e pesquisei , que essa é a regra. (joga “Picciani” aí no Google para ver o que sai, e depois compartilhe seus achados conosco)

Quanto ao jogo duplo retratado pela revista, nada mais “PMDB”, né?

A situação mudou em 13 de agosto, em um café da manhã que juntou Jorge e Leonardo Picciani com Dilma. o encontro foi organizado por Pezão e pelo prefeito Eduardo Paes. Na ocasião, já de olho na barca governista, Picciani pai instituiu na importância de construir uma “coalizão de fato” na base de apoio à presidente e fez a análise do momento com uma metáfora bem a seu modo. É como tirar o burro do atoleiro. “É difícil, tem lama, mas é preciso avançar”, comparou, arrancando risadas da interlocutora. Dias depois, Leonardo Picciani desligou-se da ala Cunha e bandeou-se para o lado do PMDB pró-governo, com a árdua tarefa de garantir quórum para o governo nas votações decisivas – no que até agora fracassou redondamente. Da sua parte, porém, o clã já está no lucro: um mês depois do café com Dilma, emplacou os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde.

Lendo o início e o final do trecho, uma conclusão simples (nem precisa ler a história toda): café da manhã articulado para negociar cargos e apoio com Dilma.

Primeiro: não me admira que o Governo Dilma esteja degringolando. Desde o início, foi eivado de alianças dessa qualidade (no toma lá , dá cá). Ela herdou de Lula a tradição de pagar aos deputados em dinheiro e cargos (o que já faz parte da política brasileira desde sempre). Dilma não coibiu e terminou se “atolando” em alianças que visam achacar. Aliados do Governo que sempre receberam benefícios passaram a bradar para receber cada vez mais. Querem um “cala boca” maior. Não tem dinheiro e cargos que possibilite saciar a gula dos oposicionistas de araque – que querem mais e mais dinheiro público para se aliar e não pressionar a presidente. Ela cede! Redefine alianças. Mas a estabilidade momentânea e aparente não resiste ao primeiro vendaval. Logo, logo, os mesmos aliados estão achacando a presidente novamente, em troca de mais e mais e mais cargos e espaços no governo. Não há erário que resista!

Picciani fez o que, em política, a gente chama de “criar dificuldades para gerar facilidades“. Aliou-se a Cunha (unha e carne), para no momento certo chamar Dilma para a conversa.

Cunha – também do Rio de Janeiro – sempre possuiu fama de articulador sagaz e que muitos temem. Cunha iniciou sua carreira política da melhor forma para aprender o que faz de melhor: arrecadando dinheiro para a campanha de Collor. Ser aliado dele trás benefícios óbvios. O patriarca da família citada na revista foi inteligente. Manteve-se do lado de Cunha quando a crise política foi iniciada. Viu a presidente sangrar, assistiu pacientemente até que chagado o momento certo de agir.

Meu amigo leitor, veja bem que a lógica é simples e o cálculo matemático:

* Se a presidente vai bem, não tem porque comprar seu apoio. Você vale nada.

* Se a coisa começa a piorar para a presidente, um aliado passa a ter seu passe um pouco mais valorizado.

* No mesmo sentido, um não aliado começa a ser cortejado – ele passa de “desnecessário” à peça que pode ser útil no tabuleiro da política.

Mas se a presidente cai e está rolando ladeira abaixo, meu amigo, se prepare:

* Os aliados começam a ameaçar sair do barco – para conseguir convencer a ganhar mais pelo apoio (consequentemente, ele passa a ameaçar e a se achar no direito de exigir mais cargos e contratos pra se manter na trupe)

* Os não aliados que não possuem interesse em se aliar – por questões partidárias, de disputas tradicionais de poder – fazem das tripas coração para desgastar a presidente cada vez mais, e aparecer na mídia ganhando projeção.

* Os aliados que não possuem condições nenhuma de manter cargos e contratos (por falta de competência nas indicações ou por serem tão pombo sujo que nem em crise terrível você os quer do seu lado) correm pra oposição, para tentar aparecer na mídia e tirar qualquer louro que der da crise.

* Os não aliados que estavam “de espreita” se achegam pra vender o passe por um valor infinitamente maior.

Reconheceram os nomes?

Todos ganham! Menos você, que paga a conta da orgia no orçamento público.

Nascidos em Anchieta, subúrbio carioca, Jorge Picciani é filho de padeiro e doceira. Formado em estatística, comprou uma fazenda na cidade de Rio das Flores, interior do estado, e construiu a partir dela o grupo Monte Verde, produtor de gado. Atualmente, aventura-se no ramo da mineração.

Quem toca o império é seu único filho que está fora da política, Felipe, de 34 anos. A contar pela declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2014, os negócios da família vão bem, obrigada. Os três políticos Picciani possuem juntos 27,4 milhões de reais, quase o dobro do valor de 2010. O pai cultiva a fama de generoso em vários escalões: patrocina tintos de mais de R$ 1.000,00 reais a garrafa para o alto-comando da política e não se esquece de agradar, com lautas refeições, também os soldados das campanhas.

Eu não tenho a menor dúvida de que os negócios de uma família com patriarca tão articulado e sagaz estejam de vento em polpa. Especialmente depois que entraram na política, claro! Não se entra na política – quando se é um cara desses – para perder se dinheiro. Entra pra multiplicar por milhares de vezes. Então… juntem os pontinhos… rsrsrs

Preciso nem dizer que a própria revista relatou que em 5 anos o patrimônio da família dobrou, né? No mais, a generosidade do pai com os políticos é muito bem recompensada. Percebe-se!

A base do clã hoje é a Barra da Tijuca, onde o patriarca, de 60 anos, vive com a segunda mulher, Hortência, de 26. Picciani só ouve tango e bolero e se interessa por dois assuntos: política e boi. A família banca um leilão anual de gado no hotel Copacabana Palace, onde aposta alto. Uma vez, em Minas Gerais, eles uniram-se aos atores Alexandre Nero e Murilo Benício em um lance de 380.000 reais por uma cabeça. O filho Leonardo se encontra em fase de metamorfose: antes tímido, desenvolveu um fraco por ternos brilhantes e de cores vivas, cultiva um topete mantido a cera e não resiste a uma selfie – inclusive durante o trabalho. O caçula Rafael é o que tem mais verniz.

Desde que entrou na política, em 1990, pelas mãos do deputado federal Marcelo Cerqueira, Jorge Picciani sempre esteve ao lado do poder. Serviu aos governadores Marcelo Alencar, Anthony e Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Pezão. A todos prestou valiosos serviços na Assembleia Legislativa, que presidiu entre 2003 e 2010 e novamente agora. “Ele cumpre tratos”, resume Paes.

Não por outro motivo cresceu, enriqueceu e é filiado ao PMDB: serve a todos!

O embrião da atual ascensão de Jorge Picciani está na dura derrota que sofreu em 2010, quando perdeu a eleição para o Senado e ficou sem mandato pela primeira vez. A partir daí, dedicou-se com afinco à engrenagem partidária, tecendo composições e impulsionando o PMDB fluminense. Pensou alto. Quando apresentou o filho Leonardo como pré-candidato à prefeitura do Rio, sabia que mobilizaria Paes, que sempre planejou entregar a cadeira a seu braço-direito, Pedro Paulo Carvalho. Assim, para garantir o controle da própria sucessão, o prefeito cedeu uma secretaria ao caçula dos Picciani, Rafael, e se empenhou em alçar Leonardo à liderança do PMDB na Câmara. Agora, Rafael está cotado para vice-prefeito do Rio e Leonardo deve buscar o Senado. Quanto ao chefe do clã, ele admitiu a VEJA que não descarta uma candidatura a governador em 2018. O tabuleiro ainda treme. E os Picciani nem pensam em recuar nas casas.

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