Arquivo para Pesquisas Eleitorais - Daniele Barreto
21
outubro
2014
Comentando a matéria: Crescimento ajuda Dilma, mas abstenção pode atrapalhá-la

Oi, gente, ontem foram divulgadas algumas pesquisas e muitas especulações. De tudo que li, gostaria de compartilhar uma matéria com vocês, que recebi de Daniel Farias. É o artigo Crescimento ajuda Dilma, mas abstenção pode atrapalhá-la, de José Roberto de Toledo (jornalista, colunista do Estadão, diretor do Estadão Dados). Abaixo, para meu posicionamento ficar mais claro, comento o artigo. (matéria em vermelho, minhas observações em itálico)

Crescimento ajuda Dilma, mas abstenção pode atrapalhá-la

Na reta final da eleição os movimentos do eleitorado tendem a ser mais importantes do que os números. E o crescimento de Dilma Rousseff (PT) identificado pelo Datafolha é semelhante ao captado por outras pesquisas. Embora consistente, o movimento é lento – nada a ver com a rápida queda de Marina Silva (PSB) que acabou beneficiando Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno.

Nesse aspecto destacamos que o pequeno crescimento de Dilma reflete uma acomodação dos números que ocorre logo após um crescimento rápido de um candidato, como foi o caso de Aécio.

Com o crescimento do tucano, há uma tendência natural que a militância petista reaja, e isso incentive-os a lutar por mais votos. O PT tem uma militância consolidada, fruto da ocupação de espaços nos últimos 50 anos (sim, desde a década de 60 já se forjava o que hoje implementam) e que é muito boa (especialista, eu diria) em “chegada”.

O crescimento de Aécio no início do segundo turno tem como consequência óbvia uma recuperação (ainda que tímida) de Dilma.

Qualquer previsão sobre vitoriosos ou derrotados é precipitada. A diferença entre os dois candidatos a presidente é tão pequena que fatores não aferidos pelas pesquisas – como erro e abstenção do eleitor ou voto no exterior – podem decidir a eleição.

Essa é a eleição mais imprevisível dos últimos tempos.

A abstenção tende a ser maior nos Estados onde há mais população rural ou com dificuldade de chegar ao local de votação, como no Norte e Nordeste. Isso se agrava no segundo turno, especialmente nas unidades da Federação onde o governador já foi eleito em 5 de outubro. A abstenção pode crescer nos maiores Estados do Nordeste onde só se escolherá o presidente, como Bahia, Pernambuco e Maranhão. Isso seria problema para Dilma, que tem mais votos nesses locais. Ela pode ter compensações, porém.

Sabemos que no primeiro turno os interesses giram mais em torno do município. Candidatos a deputado estadual e federal negociam dinheiro e benefícios (cargos, emendas) com lideranças políticas do interior e a campanha tem uma proximidade maior com o eleitor. No segundo turno, boa parte dos deputados (tanto os que se elegeram como os não eleitos) lavam as mãos, ou participam apenas de eventos de grande porte, para aparecer ao lado do possível vencedor para o cargo do Executivo. Em regra, não mais acontecem seguidos eventos e comícios em cidades do interior, o que distancia o eleitor do candidato a Presidência.

Eleitores com baixa escolaridade tendem a errar mais na hora de votar, principalmente no primeiro turno, quando tem que marcar cinco números para cinco cargos diferentes na urna. Os votos nulos foram mais frequentes no Norte e Nordeste. No segundo turno, com apenas um ou dois votos, o erro é menor. Isso pode ajudar a presidente a crescer nessas regiões.

A diferença entre Dilma e Aécio é tão pequena que até feriados podem influenciar no resultado. Vários tribunais regionais federais, do Rio Grande do Sul ao Nordeste, estão antecipando a folga do Dia do Servidor Público para segunda-feira pós-eleição. Se os servidores de tribunais e seus familiares viajarem e não votarem, quem perde mais? Só as urnas dirão.

Na Bahia, prevendo isso, o governador Jaques Wagner modificou o feriado para a sexta-feira após as eleições. Isso diminui o número de pessoas que optariam por aproveitar o feriado prolongado para viajar.

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04
outubro
2014
Última pesquisa eleitoral coloca cenário mais realista

Oi, gente, saiu pesquisa nova!

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Vou explicar pra vocês o que aconteceu que o resultado da pesquisa Ibope de hoje deu TÃO DIFERENTE das demais feitas pelo instituto na Bahia, para Governador, pegando algumas pessoas (eu não) de surpresa: as pesquisas são encomendadas (muitas vezes) ao gosto do freguês, durante uma eleição. Por esse motivo, indicavam Paulo Souto com uma vantagem TÃO expressiva em relação a Rui Costa.

É perceptível que existe uma onda popular anti-petista na Bahia e que Paulo Souto esteve na dianteira durante a campanha. Assim como é absolutamente perceptível que, de fato, Rui Costa deu uma boa crescida na reta final (o PT sempre foi bom de “chegada” em campanhas eleitorais), e quem trabalha com política percebeu isso claramente, no dia a dia. Mas também é verdade que Rui nunca esteve ruim como as pesquisas do Ibope indicavam. Havia algo errado nos números (que refletiam um cenário melhor para Souto do que eu achava que estava).

Trabalho com política e durante toda a eleição falei – imparcialmente (até porque não gosto de um tanto quanto não gosto do outro) – que ambos não estavam tão bem quanto seus militantes diziam, e que o resultado não estava compatível com o DataDany (rsrsrs), fruto de “pesquisa” entre amigos, olhômetro nas redes sociais, pergunta às lideranças políticas e muita gente que não trabalha na área (taxistas, lojistas, caixa de supermercado etc rsrs).

Souto tinha vantagem na corrida (menor do que achava, mas tinha), e Rui se aproximava perigosamente (fruto de uma campanha cada vez mais cara e de uma militância incitada a todo momento a reverter o cenário).

Desde o início apostei em um equilíbrio entre Paulo e Rui.

E hoje vejo claramente acontecer nas pesquisas da Bahia um fenômeno ABSOLUTAMENTE comum em eleições: pesquisas durante a campanha encomendadas e divulgadas para influenciar o eleitor e, às vésperas, a pesquisa é “consertada” para, no outro dia (o DIA DA ELEIÇÃO), o instituto – no caso, o Ibope – não ficar desmoralizado.

O resultado da pesquisa de hoje, na minha opinião, foi um “ajustar de números” para o resultado de amanhã não pegar mal para o Instituto (que agora sairá incólume seja qual for o resultado das urnas).

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17
setembro
2014
Legislação Eleitoral: O que são e como são feitas as Pesquisas Eleitorais

Oi, gente!!!

Vamos a mais um post sobre “Legislação Eleitoral”! Nessa quarta-feira, vamos falar sobre as Pesquisas Eleitorais – que, diga-se, aqui na Bahia está causando o maior rebuliço nessas Eleições. O que são as pesquisas eleitorais? Para que servem? Precisa registrar? Influencia o eleitor? Existe arcabouço jurídico que as limite?

O que são e como são feitas as Pesquisas Eleitorais?

Algumas das maiores polêmicas que envolvem candidatos numa eleição, dizem respeito às Pesquisas Eleitorais. Instrumento necessário para aferir a opinião pública num determinado cenário, as pesquisas costumam suscitar debates acalorados acerca de sua veracidade e ajudam a formar o convencimento popular sobre as chances de vitória de um candidato – influenciando, assim, grandemente no resultado das urnas.

As pesquisas podem não retratar uma realidade absoluta – tendo em vista a própria dinâmica da política -, mas norteiam decisões de partidos políticos, coligações e candidatos, servindo de parâmetro para acordos político-eleitorais e decisões de campanhas.

A Resolução 23.400 disciplina os procedimentos relativos ao registro e à divulgação de pesquisas de opinião pública para as Eleições 2014.

  • Situação que obriga o registro da pesquisa

As pesquisas de opinião pública podem ser realizadas para uso interno por partidos políticos, empresas, candidatos. Servindo como precioso auxiliar na tomada de decisões. Caso se objetive divulgar (dando conhecimento público) em ano eleitoral, deve a pesquisa ser registrada no órgão competente.

  • Onde registrar a pesquisa

As pesquisas que serão divulgadas para conhecimento público devem ser registradas no Tribunal Eleitoral ao qual compete fazer o registro dos candidatos. Devem proceder  registro no mínimo 05 dias antes da divulgação.

O pedido de registro de pesquisa deverá ser dirigido:

I – aos Tribunais Regionais Eleitorais, nas eleições federais e estaduais;

II – ao Tribunal Superior Eleitoral, na eleição presidencial.

O registro das pesquisas que englobem, em uma mesma coleta de dados, a eleição presidencial e as eleições federais e estaduais, deverá ser realizado tanto no Tribunal Regional respectivo como no Tribunal Superior Eleitoral.

  • Início da obrigatoriedade do registro das pesquisas

A partir de 1º de janeiro de 2014, entidades e empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos candidatos, para conhecimento público, são obrigadas a registrar no Tribunal Eleitoral.

  • Informações que devem ser registradas

Quando do registro no órgão competente, deve-se indicar as seguintes informações:

– quem contratou a pesquisa;

– valor e origem dos recursos despendidos no trabalho;

– metodologia e período de realização da pesquisa;

– plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado, área física de realização do trabalho, margem de erro e nível de confiança;

– sistema interno de controle e verificação, conferência e fiscalização da coleta de dados e do trabalho de campo;

– questionário completo aplicado ou a ser aplicado;

– nome de quem pagou pela realização do trabalho;

– nome do estatístico responsável pela pesquisa e o número de seu registro no Conselho Regional de Estatística competente;

– indicação do Estado ou Unidade da Federação, bem como dos cargos aos quais se refere a pesquisa.

As entidades e empresas deverão informar o valor de mercado das pesquisas que realizarão por iniciativa própria.

  • Como registrar a pesquisa

O registro de pesquisa será realizado via internet, através do Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, disponível nos sites dos Tribunais Eleitorais. O registro de pesquisa poderá ser realizado a qualquer hora do dia, independentemente de funcionamento do Tribunal Eleitoral.

As empresas ou entidades poderão utilizar dispositivos eletrônicos portáteis, tais como tablets e similares, para a realização da pesquisa, os quais poderão ser auditados, a qualquer tempo, pela Justiça Eleitoral.

  • Publicidade do registro

Os Tribunais Eleitorais publicarão, até 24 (vinte quatro) horas após o cadastramento da pesquisa no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais, aviso comunicando o registro de todas as informações dela constantes, colocando-as à disposição de qualquer interessado, que a elas terá livre acesso pelo prazo de 30 (trinta) dias. Será livre o acesso à pesquisa registrada nos sítios dos Tribunais Eleitorais.

  • Divulgação dos Resultados

Na divulgação dos resultados de pesquisas, atuais ou não, serão obrigatoriamente informados:

I – o período de realização da coleta de dados;

II – a margem de erro;

III – o nível de confiança;

IV – o número de entrevistas;

V – o nome da entidade ou empresa que a realizou e, se for o caso, de quem a contratou;

VI – o número de registro da pesquisa.

Podem ser usados, inclusive, no Horário Eleitoral Gratuito.

  • Pesquisa de “Boca de Urna”

A divulgação de levantamento de intenção de voto efetivado no dia das eleições somente poderá ocorrer:

I – nas eleições relativas à escolha de Deputados Estaduais e Federais, Senador e Governador, a partir das 17 (dezessete) horas do horário local.

II – na eleição para a Presidência da República, tão logo encerrado, em todo o território nacional, o pleito.

  • Fiscalização de Pesquisas

Mediante requerimento ao Tribunal Eleitoral, os partidos políticos poderão ter acesso ao sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades e das empresas que divulgaram pesquisas de opinião relativas aos candidatos e às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes, confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos entrevistados. Também tem acesso ao modelo do questionário aplicado para facilitar a conferência das informações divulgadas.

  • Impugnações das Pesquisas: quem pode impugnar

São parte legítima para impugnar o registro da pesquisa e/ou a divulgação:

– Ministério Público Eleitoral,

– os candidatos,

– os partidos políticos e

– as coligações.

A defesa da impugnação deverá ser feita em 48 (quarenta e oito) horas. Considerando a relevância do direito invocado e a possibilidade de prejuízo de difícil reparação, o Relator poderá determinar a suspensão da divulgação dos resultados da pesquisa impugnada ou a inclusão de esclarecimento na divulgação de seus resultados. A suspensão da divulgação da pesquisa será comunicada ao responsável por seu registro e ao respectivo contratante.

  • Multa para quem divulgar sem registrar

A divulgação de pesquisa sem o prévio registro sujeita os responsáveis à multa no valor de R$ 53.205,00 (cinquenta e três mil e duzentos e cinco reais) a R$ 106.410,00.

Legislação básica sobre o assunto:

[star]  Resolução 23.405,

[star]  Lei 9.504,

[star]  Código Eleitoral

MANDE SUAS SUGESTÕES DE TEMAS:

Qual a sua opinião? Caso você tenha mais dúvidas sobre a escolha dos candidatos, registros e convenção partidária, nos envie por e-mail (contato@danielebarreto.com.br) ou comente no blog, Youtube ou redes sociais.

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