Arquivo para Mulher na política - Daniele Barreto
20
novembro
2014
Rompendo com a (minha) ignorância: Quem foi Lélia Gonzalez? – Dia da Consciência Negra

Oi,

Não entendo a ignorância como uma dádiva, mas pelo menos assumi-la e buscar mudar esse estado é de dignidade maior do que nela se manter voluntariamente, né?

Então… nesse início de tarde dessa quinta-feira, venho falar não de “consciência negra”, nem de “ícones da luta blábláblá”, mas da minha ignorância (e a de tantos outros que, em colégios e na vida política, por mim passaram).

Desde que vi o banner da Marcha da Consciência Negra 2014, que ocorre hoje em Salvador (concentração às 15h no Campo Grande), me deparei com a figura de uma mulher chamada Lélia Gonzalez – a homenageada. Nunca a tinha visto, nem ouvido falar seu nome. Achei logo que se tratava de uma daquelas quilombolas que só os movimentos negros conhecem e que são homenageadas pelas suas conquistas setoriais.

Mas porque cargas d´água dezenas de amigos passaram o dia postando o banner e louvando a escolha da Lélia? Sendo sensível e atento, não é difícil diagnosticar quando o problema está em VC, né?

Logo vi que não num suposto desconhecimento sobre a Lélia, mas EM MIM, residia o problema! Tipo: falta de atenção com a causa, falta de pró-atividade em pesquisar desde  o primeiro contato, ou mesmo falta de busca pelo conhecimento acerca de assuntos que, ingenuamente, julgo não estarem relacionados com minha realidade. (ressalte-se: ao contrário da sabedoria, a ignorância se nutre de “justificativas esfarrapadas”)

lelia-gonzalez-afroreggae

Como em tempos de Google só se mantem ignorante quem quer, aproveitei o horário do almoço para googar Lélia Gonzalez. De cara já tive uma surpresa, não pelo conteúdo sobre ela, mas pela quantidade de material. Mas como que nunca tinha tido contato com esse nome, gente?

Primeiro praguejei (enormemente) meus professores de história do ensino médio – aquelas pessoinhas que têm um mundo nas mãos, mas que por escolha individual ou imposição da diretoria nos limitam a livros forjados. Depois me perguntei em que planeta eu estava nos últimos 20 anos. Sim, porque existem figuras icónicas que ninguém (muito menos quem trabalha há 15 anos com política) pode se dar ao luxo de desconhecer.

Lélia é uma dessas figuras! A primeira intelectual negra do Brasil!

“O importante é procurar estar atento aos processos que estão ocorrendo dentro dessa sociedade, não só em relação ao negro, ou em relação à mulher.  Você tem que estar atento a esse processo global e atuar no interior dele para poder efetivamente desenvolver estratégias de luta.  …só na prática é que se vai percebendo e construindo a identidade, porque o que está colocado em questão, também, é justamente uma identidade a ser construída, reconstruída, desconstruída, num processo dialético realmente muito rico.”

Gente, minhas principais fontes de pesquisa foram o AfroKut , o Negros Negras Cristãos, Desafios, Memorial Lélia Gonzalez. Nas pesquisas, aprendi que ela foi uma mulher de luta, cujo exemplo norteia a postura contra o racismo. Nascida em Belo Horizonte (MG) em 1º de fevereiro de 1935, faleceu aos 59 anos (em 10 de julho de 1994), no Rio de Janeiro.

  • Família

Sua família se instalou no Rio, na favela do Pinto, bairro do Leblon; depois se mudou para o subúrbio, em Ricardo de Albuquerque. Estudou em colégios públicos e era a penúltima de 18 irmãos/ãs. Seu pai era um ferroviário negro e sua mãe índia.

  • Formação Acadêmica

Lélia se graduou em História/Geografia e Filosofia. Lia e falava em inglês, francês e espanhol. Riquíssima bagagem teórica: Filosofia, História, Teoria da Comunicação, Proxemia, Psicologia e Psicanálise, Antropologia, Sociologia, Teoria da Arte e Estética, Teoria dos Objetos, Política, Hermenêutica.

  • Desenvolvimento Profissional

Dava aulas em escolas de nível médio, quando o catedrático Tarcísio Padilha convidou-a para ser sua assistente, no curso de Filosofia, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e, mais tarde, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi professora e Chefe de Departamento da Pontifícia Universidade Católica.

Deu aula no Centro de Estudos de Pessoal, do Exército Brasileiro.

Em 1982, Lélia escreveu “Lugar de negro”, “Festas Populares no Brasil” (premiado na Feira Internacional do Livro, de Leipzig, Alemanha, na categoria “Os mais belos livros do mundo”). Seus escritos, simultaneamente permeados pelos cenários da ditadura militar e da emergência dos movimentos sociais, são reveladores de sua capacidade intelectual e identificam sua constante preocupação em articular as lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros, das mulheres e dos homossexuais.  A preocupação com os excluídos vai nortear suas campanhas para cargos públicos, em 1982 (PT, 1ª suplente como Deputada Federal) e em 1986 (PDT, suplente de Deputada Estadual), tendo como principais referências as liberdades individuais e as transformações sociais.

  • Referência do Movimento Negro

Não só na escrita, mas também na oralidade, Lélia se destacava e cada vez mais intensificava sua luta pela mulher negra. Discutia a questão da opressão e da exclusão, de forma teórica e intelectual. Se dedicava à leitura dos pensadores negros, da história do povo negro, das rainhas negras. Passou a ser a grande referência teórica do Movimento NegroParticipou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA.

  • Primeira intelectual negra do Brasil

É a primeira intelectual negra no País, tornando-se matrona para grupos de mulheres negras, bibliotecas, salas de leitura, prêmios, escolas, jornadas, seminários.

  • Preservação da história

Ela ensinava a preservação da história, das origens e tradições, resgatando o orgulho de si mesmo para superar a condição de exclusão que havia sido colocado. Participou de seminários nacionais e internacionais. Foi indicada por Ruth Escobar (presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher – CNDM, do qual Lélia era membro) para ocupar a vaga do Ministério da Cultura, em 1985. (fonte: AfroKut)

Lélia acreditava no engajamento na luta política como necessário para uma sociedade solidária e fraterna, com excluídos do poder, especialmente da cultura negra.

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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Beijo.


28
janeiro
2013
Blog “Daniele Barreto” promove campanha de combate ao câncer de mama

Olá, amigos do blog,

Estou super feliz com a repercussão das campanhas divulgadas e promovidas pelo blog. E vocês? Toda segunda-feira vamos promover uma campanha para que, durante toda a semana, possamos refletir e alertar aos amigos acerca da necessidade da união em prol de uma sociedade mais saudável, humanitária e justa. Tenho recebido muitas mensagens que nos incentivam a continuar nessa jornada buscando sempre ajudar ao próximo! [=)]

Hoje vamos reeditar um assunto importantíssimo: o CÂNCER DE MAMA!

[brilha] A saúde da mulher tem que ser uma prioridade em qualquer governo – cuidar das mães do Brasil é importante para termos famílias organizadas, equilibradas e saudáveis. É necessário que cada um de nós exija políticas públicas para as mulheres e divulgue ações que contribuem para uma vida mais saudável e plena.

[brilha] Na página do INCA (Instituto Nacional de Câncer), você encontra dados médicos sobre e câncer de mama. Acesse aqui! Prevenção, sintomas e detecção precoce são informações importantes, que todos nós devemos buscar.

[brilha] A prevenção ao câncer de mama também é uma das preocupações do governo federal. Leia mais clicando aqui!.

[brilha] O conhecido Dr. Dráuzio Varella também mantêm informações sobre a doença em seu site.

[brilha] Dia Nacional de Combate ao Câncer de Mama: 29 de abril


25
janeiro
2013
Marketing Político: Mulheres na política!

Olá, queridos do blog,

como vocês já sabem, TODA SEXTA-FEIRA temos dica de MARKETING POLÍTICO. Já começamos com a primeira dica: Políticos utilizam o Flickr para divulgar fotos de bastidores.

Nossa dica de hoje é sobre campanhas de filiação de mulheres em partido políticos. É sabido por todos que a mulherada anda cada vez mais interessada na política partidária e é super importante que os líderes dos partidos (seja a instância nacional, estadual ou municipal) atentem que é importante mobilizar essa “fatia” da sociedade.

É óbvio que existe todo um interesse relacionado à cidadania e mobilização social; mas não podemos deixar de lado, quando avaliamos a Consultoria Política, que também muitos benefícios diretos decorrem de uma bem elaborada campanha de filiação de mulheres para a imagem do líder que promove a ação.

À parte as articulações políticas – que ficam a cargo do líder partidário – é importante ao Consultor Político avaliar, dentre outras coisas, o melhor momento político para a execução de uma campanha de filiação de mulheres. Discutida tal questão e realizadas as iniciais reuniões entre as lideranças, sugiro que o Consultor crie um check list organizado de tudo que vai compor a campanha: contratação de agência de publicidade; tipo de peças que serão geradas (banner, outdoor, balões, livretos, folhetos, e-mail marketing, artes para redes sociais do partido e do presidente…); premissas básicas do layout (peças simples e elegantes têm seu valor sempre); lideranças envolvidas e funções; organização do evento de lançamento da campanha; cidades base no estado que abrigarão eventos de lançamento; convites para lideranças políticas do partido, imprensa e formadores de opinião; releases para imprensa; material de divulgação no mailing; disponibilização dos banners para os veículos do interior (em formatos diferenciais e compatíveis com os sites/blogs).

Obs.: deve haver o envolvimento e integração das ações com os presidentes/representantes dos diretórios municipais, caso contrário não haverá um efetivo resultado – Insta observar que liderança não consiste em dar ordens e checar a obediência das mesmas, mas visar acima de tudo uma mobilização cidadã no bojo do partido políticos, na qual a militância tenha, efetivamente VOZ e VEZ em todas as ações elaboradas. A “imagem” de líder não se constrói com Marketing Político, mas com ações bem planejadas e envolvimento efetivo dos correligionários, com espaço para discussões – é disso que é construída uma agremiação política!

Peças encomendadas e aprovadas, hora de cuidar da assessoria de imprensa (previamente planejada por jornalista capacitado em conjunto com o Consultor Político). Sugiro releases segmentados na mídia da capital e cuidadosa elaboração do material enviado aos jornais/sites/blogs do interior, avaliando as peculiaridades de cada município e destacando as lideranças locais (especialmente mulheres que se destaquem na condução do partido). Com a internet cada vez mais presente nessa seara, indiscutível a importância de  gravar um bom vídeo, traçando o que partido vem valorizando na presença feminina e convidando as internautas para participar das discussões e filiar-se!

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Veja um exemplo de balão – na frente do partido, localizado no bairro do Costa Azul, em Salvador:

E vocês, possuem alguns exemplos de campanhas de filiação de mulheres para compartilhar conosco?

Veja outras campanhas:

Lembro-os que os posts sobre Marketing Político não têm caráter “professoral” tampouco visam abordagem aprofundada das questões; mas sim tão somente compartilhar algumas ideias.

Compartilhe conosco as suas ideias e experiências! Envie-nos também sugestão de tema: contato@danielebarreto.com.br

Bjs, Dani.