Arquivo para Feminismo - Daniele Barreto
19
maio
2016
Revelo porque Temer não nomeou mulheres para ministérios

Bom dia. Tudo certinho com vocês? Estão sobrevivendo aos solavancos do Governo Temer?

Pois então… vamos começar o dia falando dele…

Temer não nomeou mulheres nos ministérios (e agora tenta correr atrás do prejuízo fazendo convites que, na maioria, não estão sendo aceitos).

images-cms-image-000496867

Precisamos avaliar o assunto de forma mais madura, dada a sua complexidade. Não se trata de “ter mulheres” ou “não ter mulheres” ministras. Devemos refletir sobre:

  • a importância da diversidade para a democracia (comprovada cientificamente);
  • o espaço político das mulheres nos partidos da coalizão de Temer;
  • as parlamentares que são eleitas pelo capital político dos maridos/pais (reforçando o machismo) para burlar lei da ficha limpa etc…

O vídeo ficou um pouco longo, mas conto com a paciência de vocês para assistir até o final, tendo em vista a importância do tema.

Assista:

——————————————————– 

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram | Youtube


07
dezembro
2015
Feminismo capa de revista

Pessoal,

Ontem à noite (pra falar a verdade já umas 3h da manhã de hoje), dando uma olhada em um grupo do Facebook que faço parte, o Clube do Livro da Noelle, vi que Stephanie Noelle, a criadora da página, escreveu um artigo incrível no site Petiscos, da Julia Petit, no qual ela trabalha, sobre a capa da revista Elle de dezembro, que fecha o ano tratando do assunto mais falado de 2015: feminismo.

Super inspirada no post da Noelle (cujos blog e canal do Youtube adoro, leio e assisto diariamente, diga-se), resolvi compartilhar com vocês as capas, e as opiniões minha e a da Ste.

beyonce feminista

Explicando…

A Revista Elle

Elle é uma revista de moda feminina – a maior revista de moda do mundo em circulação desde 1945, em 60 países. A revista é uma referência no setor e lança modas e tendências.

As capas

Dia 30.11, a revista Elle Brasil divulgou as quatro capas de sua edição de dezembro. A revista publicou modelos com atitude e frases comuns entre as feministas. A campanha de divulgação será veiculada em 30 pontos de ônibus digitais de São Paulo – atingindo milhões de pessoas com os dizeres e a mensagem feminista. <3

Como engajamento nas redes sociais faz parte de qualquer boa campanha publicitária hoje, a revista criou hashtags #JuntasSomosMais e #MexeuComUmaMexeuComTodas que devem ser compartilhadas pelos leitores em fotos ou postagens sobre as capas – no Instagram, Facebook e Twitter.

Confira as quatro capas diferentes:

elle feminista elle feminista 2

As revistas já estão nas bancas e amanhã vou comprar para discutir com vocês sobre o conteúdo! Mas vamos aproveitar a oportunidade para falar mais de feminismo e empoderamento.

Como vocês puderam acompanhar aqui no blog, o feminismo em minha vida é algo bem recente. Até uns 18 meses atrás, eu reproduzia o machismo sem me dar conta do quão problemáticas eram minhas posturas e posicionamentos; assim como sem uma visão mais geral das consequências do machismo (inclusive, na minha vida). Foi a partir de problemas pessoais (incluindo profissionais) vividos por mim que, ao ler o texto de uma colega feminista no Facebook, eu me identifiquei e me abri à possibilidade de estudar mais, ler, interagir e desconstruir conceitos e padrões de comportamento que me limitavam, envenenavam e, e, acima de tudo, me feriam e silenciavam.

No início, eu não sabia se queria “aderir” e fiquei bem confusa, pela falta de base teórica.

Eu era a pessoa que dizia: “não sou nem feminista nem machista”, “eu concordo com muita coisa do machismo”, “feminismo é coisa de mulher mal resolvida”, “feminismo é o oposto do machismo”, “tudo que é radical é ruim”, “desnecessário ir para manifestações sem sutiã”, “isso é coisa de menina piriguete que quer se esconder atrás de militância”. Sim!, é uma vergonha que eu tenha passado mais de duas décadas dizendo isso. Só que eu confesso. Confesso e me envergonho. E confessar isso, me fortalece para eu seguir evoluindo (e pode ser que ajude você a encarar seus medos e receios de SE TORNAR FEMINISTA). E ter vergonha disso me faz perceber o quanto, em qualquer que seja o assunto, eu tenho que, SEMPRE, ler e estudar mais antes de me posicionar (para não me envergonhar posteriormente de outras posturas e comentários). Essa cautela vou levar para a vida!

Nesse processo de auto descoberta (vou falar mais num vídeo que vou gravar para o canal no Youtube) e de empoderamento, me deparei com várias meninas, coletivos, revistas, grupos do Facebook que, aos poucos, me ensinavam mais e mais com cada experiência, relato e texto.

Se identificar com o que cada menina escreve é inevitável.

E por aqueles desígnios do destino, abri muito minha percepção, em 2014, para a necessidade de me aproximar do feminismo – mas, infelizmente, não o suficiente para compreender conceitos e fortalecer-me.

Fechei o ano de 2014 mais confusa do que com novas convicções. É, galera, sair da zona de conforto dói. Por mais que nessa zona as coisas estejam ruins, sair dela exige muitos sacrifícios. E como lidar com a mudança do status quo? Como lidar com ouvir coisas que você sempre ouviu e concordou, mas que agora te machucam mais? Como lidar com a insatisfação em pensar: que bobagem está sendo dita, mas eu já pensei assim? Como lidar com trabalhar ou estudar obrigatoriamente com reacionários retrógrados enquanto você está em pleno processo de desconstrução. Sim!, porque não dá para viver numa bolha, o feminismo vem justamente para nos fortalecer possibilitando empoderamento para uma (sobre) vivência NESSA sociedade. E acredite: quanto mais você lê e estuda, mais frases problemáticas começa a identificar, e mais desagradáveis e repugnantes ficam os machistas ao seu redor (alguns que você até lidava sem tanto problema há uns meses atrás)… É doloroso! Há uma transição dolorosa. Mas é libertadora!

Mas aí veio 2015 (algo só comparado a um tsunami em minha vida hehehe), e numa bela coincidência das deusas, meu janeiro já começou ampliando a amizade com feministas baianas, frequentando novos e empoderadores lugares (sim!, encantos do Rio Vermelho, festas de blocos afro, palestras em Salvador, disciplinas como aluna especial do mestrado de Ciências Sociais no campus de São Lázaro / UFBA), para logo depois o tema virar manchete nos noticiários nacionais. Uma doce coincidência: a medida em que eu dava meus pequenos passos, via o assunto inundar páginas de revistas, sites e as redes sociais. Me proporcionando, assim, mais conteúdo sobre o tema.

Eu só não leria e aprenderia, só não refletiria sobre meus (pré) conceitos, só não redirecionaria meu posicionamento, só não desconstruiria SE NÃO QUISESSE, porque a cada dúvida que surgia, textos brotavam sobre o assunto, meninas postavam sobre o tema, garotas escreviam artigos. E eu caminhava devorando tudo. Algumas vezes sem entender direito o que elas escreviam, outras vezes mandando mensagem privadas para as autoras me ajudarem a compreender e outras varando noites lendo relatos (sozinha mesmo). Uma experiência muito agradável (a não ser pelo coletivo feminista que me impediu de entrar num evento porque… pasmem… presto consultoria para um político que elas simplesmente não gostam. AHÃ?! E elas me disseram isso. E me impediram… mas esse vai ser um outro post, ainda esse ano, tá?)

A cada pequeno passo que eu dava, percebia o quanto tinha (tenho!) a aprender e o quão importante entrar nesse processo de desconstrução exatamente nesse momento do cenário político nacional. (especialmente por ser alguém que trabalha com política, escreve sobre isso e é considerada formadora de opinião – portanto, que maravilha passar pelo processo de mudança de opinião, passar por uma desconstrução tão salutar, podendo compartilhar com vocês e trocar informações, angústias, dúvidas, crescimento)

“O ano começou com ele (teve #askhermore, teve discurso da Patricia Arquette no Oscar…) e termina com ele, com a revista brasileira Elle fazendo um manifesto feminista em sua edição de dezembro, com quatro capas diferentes fotografadas por Nicole Heiniger e dizeres iguais aos que clamamos todos os dias, nas ruas ou em posts das redes sociais. O ano foi bem intenso.” Stephanie Noelle

Quando a Patricia Arquette fez seu discurso, eu mal sabia o que era sororidade – um conceito ainda pouco sedimentado em minhas relações. Mas a identificação sutil e sensorial indicava que deveria estudar mais sobre aquilo, ler mais, me abrir mais. E um misto de certeza e insegurança me indicava que muitas das soluções para problemas que vivo diariamente – que me adoecem, e que já me fizeram perder  posições profissionalmente, e que me deixam desesperançosa de alcançar meus objetivos e sonhos em um meio tão machista/misógino/homofóbico/racista – estavam (estão) no fortalecimento como mulher, como alguém que vivencia esses problemas não de uma forma individual (como eu achava antes, que se tratavam de problemas “meus”, direcionados a mim e que me faziam questionar meus comportamentos e competência), mas um problema de gênero.

E na área na qual trabalho isso, por si só, já é tão reconfortante. Saber que “não é culpa minha”, saber que “não dei motivo”, saber que “não vou conseguir certos benefícios não por ser incompetente, mas, justamente, por ter competência e dignidade”…

“Muita gente ‘saiu do armário feminista’ e se assumiu ativista, engajada, encontrou sua voz pra falar do assunto, pra reclamar seus direitos e apontar machismos do dia a dia. Muita gente parou de torcer o nariz e começou a entender que feminismo não é o oposto de machismo, muito pelo contrário. E a noção de que uma feminista é alguém que luta pela igualdade política, social e econômica de gêneros foi se espalhando, tímida no começo, sem vergonha nenhuma no final.” Stephanie Noelle

Feminismo foi a palavra do meu 2015! me assumi, encontrei minha voz, reclamei meus direitos, adotei outra postura na vida, compreendi o que significa a luta pela igualdade, identifiquei privilégios em relação às meninas negras/gordas.

Feminismo foi a palavra do meu mundo particular – e, como coloquei acima, vou gravar um vídeo falando das mudanças que implementei na minha vida pessoal, no meu trabalho (especialmente por trabalhar, ao longo da vida, para políticos reacionários, enquanto Consultora Política e Advogada). Se você não buscar um processo sólido de empoderamento, você pira!

E Feminismo foi a palavra dos debates políticos nas redes sociais, jornais, revistas, sites! Que bom!

“Foi pé na porta mesmo, tanto que semana após semana era uma polêmica nova. Também pudera: nossa sociedade é extremamente machista (homens e mulheres) e os comportamentos abusivos e que tentam naturalizar e perpetuar a desigualdade de gêneros estão intrincados ao nosso dia a dia. Da hora que a gente acorda até a hora que vai dormir, vivenciamos ou ao menos presenciamos -física ou virtualmente- algum tipo atitude, comentário, notícia que provam que sim, o feminismo tem muito que existir e muito o que fazer pela frente. Nós estamos só começando.” Stephanie Noelle

Noelle foi muito feliz com suas afirmações. Minha sensação é exatamente essa, de que o machismo permeia todo o nosso dia. No meu caso especificamente, não me dava conta de que uma série de problemas profissionais que vivia dava-se pelo fato de lidar – diuturnamente – com machistas (não raro, misóginos), cujos critérios de avaliação profissional e de crescimento são conduzidos por mentes perversas cujas atitudes e forma de pensar fariam corar qualquer coronel do século XIX. (sim!, Bahia)

E quando se trata de falar sobre política, analisar cenários políticos, posicionar-se, ter voz ativa, pensar… ah, aí realmente o incomôdo que causamos nos machistas é grande. Não vou colocar as dificuldades da minha área de atuação acima de qualquer outra: o machismo é muito democrático nesse sentido, não pouca nenhuma de nós, seja qualquer idade, classe social, profissão. Mas não é fácil lidar com reacionários assumidos (olha Cunha aí, geeeente!)

“Durante esse ano todo eu refleti bastante sobre ser feminista e sobre como esse movimento foi tomando a internet. De repente nenhuma pessoa pública estava livre de ser questionada sobre ser feminista. Uma pergunta que até dois anos atrás nem era cogitada se tornou praticamente obrigatória. Eu, você, os sites, as personalidades, a publicidade, a mídia, todo mundo se viu confrontado, meio que sem esperar, a se posicionar. A falar sobre. A ter uma opinião, a fazer alguma coisa a respeito. Todos esses birôs de tendência, que analisam o comportamento da sociedade, bateram o martelo: empoderamento é a palavra da vez. E todo mundo comprou a ideia.
Comprou.
Porque também tem a ver com vender.” Stephanie Noelle

E a partir daqui, a Noelle trás reflexões em seu texto que eu ainda não tinha pensado! Abordagens sobre as quais eu ainda não tinha me debruçado, então, vou escrever pouco (para esse post não ficar gigante) e deixar vocês na companhia dessa linda que levanta questionamentos importantes. Segue a Noelle:

“Se uma marca _seja de produto, seja de mídia_ vai contra a maré do feminismo, pode apostar que isso vai respingar na sua imagem. Ao menos na sua imagem online. Logo, as mais rápidas sacaram que quanto antes adotassem o discurso, menos problemas elas teriam. E aos trancos e barrancos, com muitas tentativas e alguns acertos, muita gente se embrenhou na selva feminista pra poder vender seu produto, seja qual ele fosse, com um pouco mais de paz.

Não me entendam mal: óbvio que é muito melhor uma propaganda ou uma revista que adote uma postura empoderadora do que o que estávamos acostumados a ver até então. De fato, muito mais legal ser tratada com respeito e como um ser pensante, múltiplo, do que apenas o famigerado sexo frágil que é apenas um objeto sexual e se importa apenas com sapatos e roupas.
Mas de novo, há todo um interesse por trás. E a gente sabe disso, não somos ingênuas.” Stephanie Noelle

Eu compreendo que é melhor uma abordagem publicitária visando a imagem da empresa, do que nada! Se dessa forma conseguirmos alcançar milhares de pessoas (como eu fui alcançada), excelente! Se fizermos homens refletir, mulheres se empoderar, ótimo que a marca tenha se engajado, ainda que, implicitamente, seu desejo seja a venda ou as meras curtidas e compartilhadas nas redes sociais para divulgação da empresa.

Só que precisamos ultrapassar essa visão simplista. E é isso que Noelle nos convida:

Quando bati o olho, gostei do que li. Fiquei feliz de ver quem eram as pessoas que escreviam o manifesto feminista, da Juliana de Faria, do Think Olga, passando pela Coletivo Blogueiras Negras até a Sofia Soter, da Capitolina.

Mas não me convenceu. E fiquei me perguntando por quê. O porquê de ultimamente eu estar -e mais um monte de gente com quem eu converso e convivo- com pé atrás com tudo que se apropria do discurso feminista.” Stephanie Noelle

Eu tive essa sensação de felicidade quando vi as capas, mas depois de ler o texto da Noelle, percebi que foi uma empolgação juvenil, e que a análise carecia de mais profundidade. Vocês também tiveram esse sentimento, de “preciso avaliar por outros ângulos?”. Eu tive! Aí vim dividir isso com vocês. Me contem aqui ou nas redes sociais o que vocês acham do texto, e desse momento em especial, no qual Noelle nos trás argumentos sólidos sob os quais precisamos :

“Por um lado é ótimo que as pessoas sejam expostas a um outro discurso, diferente daquele que sempre ouviram. E muitas a gente começa a se questionar e entender coisas a partir de iniciativas assim.

Mas acho que temos que ir além. Não queremos que eles peguem esse discurso de luta de um gênero que foi visto como menor durante boa parte da história da humanidade e usem pra ganhar nosso like e nossas palmas nas redes sociais. Na real, não é mais do que a obrigação da publicidade e da imprensa tratar mulher com respeito. Mas a gente ficou tanto tempo presa pelos paradigmas machistas que sim, qualquer coisa diferente parece algo grandioso. Todo mundo se sente assim. Respira aliviada quando uma marca, pra variar um pouquinho, não mostra a mulher como um ser sem cérebro. Mas isso é o mínimo.
A gente quer mais, muito mais.

O problema é estrutural, não superficial. É fácil se apropriar de um discurso que fala sobre poder feminino. Quem é que não quer levantar a bandeira do ‘girl power’ hoje?

Mas tem que falar disso. E falar das trans. E falar das negras. E falar do machismo. E falar dos padrões de beleza (reparou que só tem modelos magras na capa?). E falar das lésbicas. E discutir. E questionar. E aceitar quando tiver errado. E não calar. Não oprimir. Não tirar o protagonismo. E entender, até mudar. Não pontualmente. Não só pra vender mais absorvente ou mais revista na banca. Isso é demagogia. O pensamento feminista tem que estar na estrutura (de novo…) e não só como palavra forte pra chamar atenção porque, afinal, ‘estão todos falando sobre isso’. Na essência, não na aparência.

O caminho é longo e vai doer. Em todo mundo.” Stephanie Noelle

Uau! Como a gente tem um caminho longo pela frente ainda, né? Mudar o status quo, dissolver diferenças salariais e medos, ocasionar mudanças na estrutura de uma sociedade patriarcal… temos muito a fazer! Eu vou comprar a revista para ler os textos das feministas convidadas (uma delas eu não conhecia, então, justiça seja feita, a revista já me acrescentou rs). E vou compartilhar o conteúdo aqui com vocês (em post ou vídeo, aviso nas redes sociais assim que terminar de ler).

É isso, meninas. Deixem a opinião de vocês e vamos seguir o assunto!

Me encontre nas redes sociais para conversarmos sobre os acontecimentos políticos:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram


08
abril
2015
Sejamos todos feministas (vídeo do TEDxEuston) – dica mestrado UFBA

Olá, amigos,

Na semana passada, a professora Paula Barreto (sou aluna dela na disciplina Gênero, Gerações e Raça, que faço como aluna especial no Mestrado em Ciências Sociais na UFBA) exibiu um vídeo “Nós deveríamos todos ser feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie.

Confesso que embora me interesse cada vez mais pelo feminismo, tenho tido pouco tempo para me dedicar ao tema como gostaria. Estou acompanhando as aulas da disciplina, e tenho recebido uma alta quantidade de informações e nomes de autores que não estou dando conta de ler. Confesso! Os textos obrigatórios, tenho estudado com habitualidade e conseguido cumprir as obrigações, mas a cada texto que leio, recebo uma série de referências a outros autores e textos que não consigo acompanhar. Queria ler tudo!!! hahaha Férias, socorroooo, por favor apareça!!! hahaha

Eu já venho lendo algum material de Chimamanda na internet, embora não tenha lido nenhum dos seus livros ainda (pecado do qual não me perdoo), mas o vídeo dá uma dimensão clara dos posicionamentos da escritora nigeriana, uma das mais jovens e talentosas africanas.

Aperta o play:


Não deixe de interagir também nas redes sociais!!!

Me encontre nas redes sociais para conversarmos sobre os acontecimentos políticos do país diariamente:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram


03
março
2015
Curso “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres”, na UnB

Oi, gente,

Como comentei mais cedo, resolvi fazer um resumo do curso da UNB Modalidade A Distância “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres”.

Como muitas de vocês não conseguiram se inscrever ou não possuem tempo para um curso que exige bastante e tem avaliações, então, achei bacana dividir alguns aprendizados aqui no blog de forma resumida. Acredito que será importante para mim – para que eu possa fixar melhor o que estou estudando – bem como para passar o conteúdo e debatermos mais.

Empoderamos uma a outra debatendo, trocando informação, compartilhando conhecimento!

HD_20140916110829direitos_das_mulhere__1_

O projeto

O Projeto de Extensão de Atuação Contínua “Direitos Humanos e Gênero: Capacitação em Noções de Direito e Cidadania – Promotoras Legais Populares” foi criado em 2005 na Faculdade de Direito da UnB, e promove há 9 anos o curso “Promotoras Legais Populares do Distrito Federal” (inspirado num projeto que existe em São Paulo desde 1994).

Assim, em 2014 foi lançado o curso “Introdução ao Direito Crítico das Mulheres”, na modalidade a distância, que tem sua primeira turma em aulas agora. O objetivo, segundo o Guia do Estudante, é que tenhamos noção dos direitos para libertação de todas, seja em casa ou na rua. E possibilita formação mais crítica no enfrentamento à violência à mulher, com uma atuação de cada aluna de forma a constituir-se como uma multiplicadora (o que, inclusive, faço agora) dos conhecimentos trabalhados no curso.

Além disso, devemos inserir o conhecimento na prática cotidiana e atuar como fiscalizadora frente aos órgãos públicos de saúde, de segurança, e do Poder Judiciário, responsáveis pelo cuidado, segurança e garantia de justiça à mulher.

Eu achei excelente se tratar de curso a distância porque adapto as atividades a minha correria do dia a dia e tenho mais flexibilidade nos estudos (em regra à noite ou de madrugada), além de poder reler os comentários dos alunos, pesquisar sobre a opinião, livros e links indicados por cada um.

As avaliações valem nota e o curso é divido em módulos temáticos; é necessário também participar dos fóruns de discussão para obter boa pontuação. No último módulo, será exigida a entrega de um projeto de enfrentamento à violência contra a mulher, aplicável a sua realidade de atuação.

Dificuldades

Para mim, não tem sido fácil acompanhar esses primeiros 20 dias de curso.

Como já comentei aqui no blog, o feminismo em minha vida é algo muito recente e falta-me conhecimento básico sobre a matéria. Ao contrário de muita gente que teve os primeiros contatos na adolescência ou na faculdade. Eu não tinha ideia do que era o feminismo até agosto de 2014. E a primeira vez que ouvi a palavra “sororidade” foi em novembro de 2014. Imagine! rsrs Isso dificulta a compreensão de determinados raciocínios. Mas além das alunas ajudarem, os monitores tiram todas as dúvidas e interagem constantemente, facilitando o aprendizado.

Módulo 1

Apresentação

O primeiro módulo apresentou o tema e tratou da linguagem inclusiva.

Com o texto “Linguagem Inclusiv@: O que é e para que serve?” (de Rayane Noronha, Ana Paula Duque e Luana Medeiros), abordou a forma como comumente vemos textos escritos na internet, com palavras que substituem os radicais de gênero (letras ‘a’ e ‘o’ por ‘@’, ‘x’, ‘is’ etc). Eu já tinha visto e muitas vezes já escrevi assim, mas não sabia o que buscava com essa ação exatamente.

É que as palavras escritas dessa forma visam retirar o gênero ou incluir os dois. Partindo do princípio que a linguagem não é apenas  uma forma de comunicação, ela é a expressão cultural de determinada sociedade. E a forma como escrevemos guarda preconceitos arraigados em nosso contexto histórico.

A linguagem inclusiva de gênero visa desconstruir:

  • a ideia de masculino como universal
  • o sexismo estabelecido na linguagem

As mulheres sempre são incluídas nos termos masculinos (ex.: se vc entrar em um local e tiver 30 mulheres e um homem, vc irá se referir a “eles”) e acostumaram-se a se sentir assim. Os homens não se sentem a vontade com os termos femininos. Isso perpetua posições hierárquicas, o patriarcado e o machismo. Ou seja, além de demonstrar a forma de nos comunicarmos, a linguagem é importante para criar nosso imaginário e gerar papeis diferenciados na sociedade.

A proposta, no entanto, não é impor o feminino como universal, mas construir socialmente espaços que não estabeleçam posições distintas entre homens (superiores) e mulheres (inferiores), prezando domínio de um sobre o outro.

Hoje, nossa linguagem estabelece que o universal é o feminino e esse pensamento sujeita as mulheres deixando-as à margem, respaldando uma sociedade patriarcal e sexista.

“A linguagem não é só símbolo, ela é mais, ela representa uma realidade criada por nós mulheres e homens. A reconstrução da linguagem apresenta-se como forma de buscar uma transformação no imaginário coletivo, mudança essa que permitirá as mulheres se ‘historicizarem’ e se ‘existenciarem’, gerando um novo tipo de consciência na população. O discurso que prega que não podemos escrever fora do padrão ‘culto’ é sustentado pelxa mesmxs que julgam que não podemos modificar a nossa realidade em busca de um mundo mais justo. Sempre que a parcela da sociedade insatisfeita com as ideias hegemônicas manifesta-se é comum este tipo de reação dxs satisfeitxs que as desigualdades são ‘naturais’ e não impostas injustamente.

Sabemos que não é fácil utilizar linguagem inclusiva, mas ninguém disse que mudar o mundo seria uma tarefa simples.”

Módulo 3

Fundamentos Sociopolíticos das lutas das mulheres

No terceiro módulo, tivemos como norte o texto “Feminismos e justiça social: as lutas das mulheres negras não cabem em uma única palavra“, de Ana Cláudia Pereira.

Ela inicia citando que  no século XVIII, negras alforriadas formavam, no Brasil, domicílios compostos basicamente por mulheres e deixavam suas heranças para escravas, ex-escravas e filhas. Mas para elas não existia a palavra “feminismo”, que só surgiu como termo mundialmente conhecido na luta das mulheres pela emancipação, a partir da mobilização de europeias e norte-americanas. Elas queriam melhor condição de vida e de trabalho nas fábricas; já as ricas brancas, queriam os privilégios sociais dos homens brancos.

Hoje o discurso anti racista já tomou conta da ideologia. Embora se admita que nunca haverá uma sobreposição total entre o feminismo branco e negro, ao menos enquanto houver racismo na sociedade.

Para a autora, é difícil levantar questões sobre raça diante do feminismo branco sem que surjam conflitos acirrados (possivelmente por medo de se identificar na situação da opressora). A autora destaca que muitas brancas afirmam que o racismo é um problema “da sociedade” e não do feminismo, o que resulta no privilégio racial em favor da mulher branca. Por isso, é importante pensar sempre como a cor da nossa pele nos confere privilégios ou nos subordina às dinâmicas de opressão.

Outro ponto abordado é a necessidade de visibilizar a produção política e intelectual das mulheres negras. E compreender a produção como conhecimento e não como vitimização. Aleta também que no discurso da democracia racial, as negras são colocadas como brutas, agressivas, feias, excessivamente sexualizadas.

“O feminismo que não combate privilégios raciais é o feminismo que tem como pauta de mobilização questões que invisibilizam as mulheres negras e reproduzem todas as formas de violência que o racismo gera. Como podemos concordar que os avanços das mulheres brancas no mercado de trabalho continuem a ocorrer com a exploração do trabalho doméstico das mulheres negras?”

E vocês, o que acharam dos textos e opiniões?

Não deixe de compartilhar suas impressões conosco.

Na próxima semana, trago mais resumo de textos estudados no curso da UnB e links com matérias importantes para nosso conhecimento.

Amigos, quem acompanha o blog sabe que dou palestras em escolas sobre cidadania, jovens na política e importância do engajamento político! Então, se você tiver interesse de levar as palestras para sua escola, associação de bairro, grupo de amigos, faculdade, entre em contato pelo e-mail: contato@danielebarreto.com.br. A Democracia avançará com nossa troca de conhecimento e com Educação Política! Aguardo você!

Não deixe de interagir também nas redes sociais!!!

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram


17
janeiro
2015
Comentário: clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar nariz

Oi, galera, bom dia, tudo bem? Animados para o final de semana?

Esses dias, zapeando no Facebook, me deparei com uma pergunta da Jade Almeida (veja aqui):

Clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar o nariz…… Mais bonitas ou mais brancas, meninas?

Sempre questionadora, a Jade levanta um tema nada simples, e sobre o qual precisamos refletir: padrões de beleza e o quanto se constituem em uma busca pelo embranquecimento.

Eu fiquei alguns minutos pensando sobre o assunto e o quanto somos, inclusive EU, vítimas desse processo de busca pela beleza e/ou embranquecimento que nos alienia desde muito pequenas.

Dove-Real-Beauty-Campaign-1024x544 (1)

  • Beleza X Política

Embora possa parecer um tema alheio à discussão política, não é. Não se trata apenas de discussão sobre beleza, mas de saúde pública (porque muitas garotas sofrem processos como depressão, baixa estima, pela necessidade de se adequarem à padrões estéticos) e porque também se trata de discutir racismo e negação da nossa história; além de objetificação da mulher e patriarcado.

  • Opinião

Vamos ao que penso, sobre a pergunta de Jade: em relação às axilas, acredito que muita garota clareia para não destoar da cor da pele, já que a depilação às vezes escurece. Eu não clareio por que não me incômodo com a minha e por que tenho mais o que fazer com meu (suado) dinheiro. rsrs

Em relação a afinar o nariz com técnicas de maquiagem, pra mim vale o mesmo que outras mudanças como alisar o cabelo, não tomar sol para ficar mais clara (muitas blogueiras, inclusive, estão nesse processo de clareamento), roupas que “emagrecem”… Acho que tem tudo a ver com a busca pelo ideal de beleza imposto como mais aceitável. Então , eu responderia que “afinar o nariz com maquiagem” é uma busca pelas duas coisas: ficar mais bonita e ficar mais branca.

  • Padrão de beleza branco

Isso por que os padrões de beleza impostos por propagandas , filmes, novelas, são, historicamente, ligados às características brancas.

Então, a tentativa de “ficar mais bonita” termina recaindo (consciente ou inconscientemente ), necessariamente, na busca por se aproximar das características físicas do branco. Se observamos, a maioria dos negros que são modelos ou são artistas, obrigatoriamente, têm traços mais “finos”, cabelo “menos crespo”. Salvo raríssimas exceções como Lázaro Ramos (um em um milhão), a maioria se assemelha aos padrões que não são maioria na raça. tanto que não raro ouvimos a frase racista: “ela é uma negra bonita”, “que negra bonita”. Como se a regra fosse não ser bonita e que aquela se destacaria. Dificilmente ouvimos “que branca bonita”, “essa é uma branca bonita”. Tudo fruto de um padrão de beleza europeu imposto e que há séculos predomina (sem nenhuma expectativa real de mudança drástica – o que seria necessário).

Sendo assim, acredito que os ideais de beleza perseguidos se confundem com os de “brancura” – numa sociedade que valoriza isso.

  • Falando de mim

Trazendo a discussão para meu exemplo, eu já quis operar o nariz – não pensava em outra coisa, foi uma obsessão que me acompanhou por, pelo menos 15 anos. Não aceitava ter traços mais grossos; e o nariz, especificamente, era motivo de mil traumas e dificuldades. Quanto à operar, não acredito que me submeteria a uma cirurgia para isso, hoje. Mas confesso que quando não estou com pressa ao me maquiar, costumo fazer contorno para afinar o nariz e o rosto (e parecer mais magra). Não faço para parecer “mais branca” de forma objetiva; mas para parecer “mais bonita”, o que implica em “afinar” e implica em “aproximar-se de um padrão branco”.

Embora fisicamente (falando no sexo oposto kkkkk) me sinta mais atraída e ache mais bonito rapaz com traços mais fortes, menos padrão branquinho-mídia. Kkkk

  • Sair da zona de conforto

É… muitos questionamentos a pergunta de Jade me trouxe (relacionados à insatisfações pessoais , inclusive). E me faz refletir sobre determinados objetivos estéticos que perseguimos. Se seriam nossos ou impostos (e aí reagimos inconscientemente).

Rever nossos padrões (nem que seja para reafirmá-los) é sair dessa zona de conforto de aceitar o que é “bonito” por determinação da mídia, família, meio social etc e buscar se ouvir mais e descobrir o que a faz se sentir melhor consigo.

Aliás, acho que a fuga de algumas pessoas do debate ou a agressividade (o que aconteceu em alguns comentários de meninas no Face da Jade) às vezes se dá por se verem diante de perguntas que tiram da zona de conforto. Essa pergunta me tira dessa zona. Me faz refletir, avaliar (os outros, a “sociedade” e a mim).

Um ótimo final de semana a todos!!! Siga-nos nas redes sociais e debata política interaja conosco:

Facebook / FanPage / Twitter / Instagram

Bjo.


15
janeiro
2015
Seja você! #ComoUmaGarota

Olá, meninxs, queria falar com vocês sobre uma questão pessoal!

(post-desabafo-pessoal)

Olha, a partir de agora vão ter mais textos sobre feminismo e empoderamento feminino. Ainda não me sinto nem um pouco a vontade para escrever textos sobre o tema, pelo pouco (ou quase nenhum) conhecimento que possuo na área (fora o laaaaaaargo conhecimento prático de “machismo na pele”), então vou passar a dividir com vocês o que leio, textos, links, livros (na verdade ainda não comprei nenhum), páginas no Face para seguir (leio algumas beeem interessantes diariamente), canais no Youtube. Enfim, o que eu for descobrindo e me ajudar nesse processo, vou passar para vocês, tá? Quem sabe não conseguimos nos ajudar mutuamente, né?

Mas queria começar o ano mostrando uma campanha belíssima de Always Brasil (que talvez algumas de vocês já conheçam porque não é uma campanha recente) e que me fez refletir e sentir muita coisa relacionada à forma como ainda se encara a mulher no mercado de trabalho (especialmente em minha área de atuação: a política)!

Antes de postar o vídeo, explico o que me tocou: a campanha da Always mostra como, especialmente na adolescência, nossa concepção de “ser menina” muda. Não raro, somos vítimas (no colégio, com parentes e amigos) de frases e comportamentos que limitam nosso desenvolvimento. Dentre diversas formas de limitação, uma delas se dá mediante frases que imprimem desconfiança sobre as nossas capacidades e que se constituem em jargões muito comuns na adolescência.

Quem nunca ouviu, por exemplo, que não queria sua companhia no time (de futebol, basquete, o que for), porque você joga “como menina”? Essa expressão “como menina” vem sendo usada sempre pejorativamente para tentar passar a ideia de fraqueza, incapacidade, impossibilidade, delicadeza extrema (e limitadora).

Esses conceitos vão sendo arraigados em nossas cabeças. E com o passar do tempo, com o ingresso na faculdade e no mercado de trabalho, vamos, cada vez mais, tendo que ou se limitar aos espaços que são concedidos (ao “lugar de mulher”) ou lutar feito loucas para “mostrar que podemos”, “mostrar que somos competentes” etc.

Eu que lido com política escreveria um tratado aqui sobre as dificuldades que essa mentalidade imprimem no meu dia a dia, permeado pela misoginia e machismo típicos dessa área. E o quanto, inclusive, as mulheres reproduzem esse machismo também (e eu o reproduzia em alta até 1 ano e meio atrás). Não querendo vitimizar, mas nessa minha área, o assunto é, particularmente, ponto nevrálgico em meu desenvolvimento profissional (vou abordar isso em outros post mais adiante). Além de lidar com todo tipo de assédio e submissão, muitas ainda passam a existência tentando provar a sabe-se lá quem sabe-se lá o que. Siiim, porque nada que se faça é suficiente para provar sua competência em determinados círculos. Ah, e “assediar para constranger e limitar” tem sido uma máxima no meio político em nosso país (e ressalto a Bahia nesse cenário).

Mas nem vou falar apenas de trabalho prático no meio político… Vamos às questões relacionadas ao blog também.

Quando resolvi fazer o blog, não me identificava com o padrão preto-branco-azul/vermelho da maioria das páginas sobre política que leio diariamente. Nem me identificava com o formato e design das páginas de comentaristas e colunistas mulheres. Embora ame o conteúdo de algumas, a disposição da página não representava o que eu faria caso o blog fosse meu.

Mas aí, a partir do momento em que resolvi ter uma página própria, queria imprimir nela minhas vontades e personalidade! (aí começou o problema!!!) Isso porque amo outras cores, como o rosa, lilás, amarelo, azul também. Eu, no fundo no fundo, queria o óbvio: construir um blog pessoal que comunicasse comigo, que fosse minha cara e transmitisse o que sou. De aparências falsas já basta o que temos que viver por obrigações sociais; então não iria (em algo que deveria/deve me dar prazer) me esconder atrás de estereótipos e marcas impressas por outras pessoas. Se na vida já temos que omitir vontades, que pelo menos no nosso lazer, hobby, amor, possamos ser livres.

Então, pensei que se fosse para me adequar ao “politicamente esteticamente correto para uma página sobre política”, eu preferia não criar um blog!

Só gostaria de ter uma página se fosse para expressar o que sou e, inclusive, quebrar barreiras que impõem, por exemplo, que para ter “credibilidade” e mostrar “seriedade” devemos nos adequar ao que está imposto… No meu caso, a imposição social/profissional é: um blog com um layout clean, sério, cores neutras e esteticamente compatível com área (sem frufrus, basicamente).

Ou seja, nada de florzinha, rosinha, borboletinha, cores vibrantes, desenhos, sei lá mais o que.

Só que seguir esse padrão jamais seria possível, porque eu decidi por imprimir o que sou, independentemente das consequências. E passei a acreditar cada vez mais na necessidade de afirmar minha identidade diante da série de preconceitos, pré julgamentos e injustiças que ouvi de muita gente.

Na época, não comentei (apenas com alguns amigos pessoais), mas hoje resolvi falar sobre isso. Vocês não imaginam as centenas de e-mails, mensagens privadas que recebi com críticas terríveis a meu respeito. Falavam que “achavam que eu tinha credibilidade” até eu fazer “isso”. (“isso”, no caso, era ser eu mesma e lançar um blog de política feminino, com design delicado e com minha cara) (obs.: não sou delicada, não faço o tipo fofinha, não tenho paciência com frescura, falo alto e sou ‘meio’ grossinha e firme; mas amo cores vibrantes, brilho e design over. Vou fazer o que? Parece contraditório? Mas é assim que é.)

Na época em que lancei o blog, recebi centenas de mensagens de pessoas dizendo que não leriam mais meus textos (em regra homens), que eu não passava mais credibilidade, que meu blog não passava seriedade, que eu destruiria minha carreira profissional passando uma ideia muito infantil e delicada da política. Em detrimento ao conteúdo, as pessoas criticavam a forma e o design do blog.

Óbvio que eu sei (como boa estudante de marketing político) que o design é quase tudo numa página. Óbvio que sei que 90% dos leitores são atraídos pelo estímulo visual (e que muita gente que lê sobre política se atrai por outro tipo de estética). Óbvio que sei que existem cores que passam sensações como delicadeza, força, credibilidade e seriedade, e não por outro motivo as pessoas exigiam que eu me adequasse a esse padrão, até porque, no cérebro delas, ao entrar na página eram – inconscientemente – levadas a sentimentos e sensações diferentes do que uma página de política deveria passar. (e o design e as cores influenciavam diretamente nisso)

Eu tinha, portanto, após 2 ou 3 meses de blog, colecionado torrentes de críticas, caixa de entrada cheia de e-mails falando mal e uma porção de amigos pessoais que ou riam quando falavam do blog ou me ridicularizavam. Siiiim, isso mesmo! Vários amigos me ridicularizaram em rodas de política, em festas e encontros. Alguns escondidinhos (mas muita coisa chegava aos meus ouvidos) e alguns, PASMEM, falavam na minha cara (#chocada). Ouvi coisas que me fizeram corar em mesas de bares, restaurantes e reuniões. Fui ridicularizada pessoalmente por políticos conhecidos na Bahia, que, inclusive, em uma reunião, gargalhavam falando que jamais daria certo um “blog tão feminino sobre política” e que eu era “louca e ingênua”. Já chorei e já achei que desistiria.

Mas o que mais me motivava a manter a página era que quando eu perguntava acerca do conteúdo, ouvia coisas como: criativo, bacana, importante, relevante, divertido, inteligente, maravilhoso etc. Ouvia demais: “o conteúdo é excelente, o problema é que o blog é rosa”, “o conteúdo eu adoro, mas o visual não passa credibilidade”, “eu gosto do conteúdo, mas o design me incomoda”.

Ou seja, as pessoas aceitavam/gostavam do conteúdo, mas se incomodavam porque se tratava de uma página que mexia com suas crenças e valores – ainda mais num meio complicado como o que eu sempre vivi.

Mas eu não tinha opção, tinha que encarar! Por dois motivos: primeiro porque não sabia ser de outro jeito (afinal, sou uma garota que tem esse gosto pessoal) e segundo porque os leitores sempre me mandaram tantas tantas tantas mensagens lindas e me deram tanta força que jamais eu desistiria de expressar meu entendimento sobre política de forma verdadeira e sendo eu mesma (e ser eu mesma perpassa por coisas como: não me vender, não alienar o conteúdo, pesquisar, virar noites lendo e estudando, ter um padrão estético que me identifica).

Minha sorte consistia no fato dos leitores do blog elogiarem muito (principalmente nas redes sociais) e me darem muito incentivo e força. Sem isso, acho que não teria prosseguido e chegado ao nível de segurança que tenho hoje!

Claro que num meio em que as mulheres têm que vestir com essa ou aquela roupa para não ser assediada, ou que tem que se comportar dessa ou daquela maneira porque senão será desrespeitada, encarar as críticas de frente não foi fácil.

Mas no fundo eu sabia que eu precisava encarar, por mim e por todas nós. Afinal, mais do que um julgamento acerca do design, o que estava em jogo era algo maior: a opressão, o machismo e necessidade de ‘masculinização’ da mulher para ser bem aceita no ambiente político (ressalto: não tô aqui cuspindo regra de feminilidade nem do que significa ser ou não masculina, ou sei lá o que… tô falando de uma experiência pessoal e de “ser eu mesma”, portanto, não quero impor qualquer tipo de regra, obviamente. Seja você mesma, da forma como quiser!). Um meio que exige que você se pareça com ELES para que ELES te aceitem. (ou então que tenha um “padrinho-de-cama” muito poderoso, que te banque no meio político.

Claro que, sendo feminina, será muuuuuito beeeem aceita, mas para outras finalidades (e falo bem mais da direita conservadora do que da esquerda), especialmente as sexuais (e não tenho nada contra quem faz disso um instrumento de crescimento profissional na política; APENAX não é minha pegada). Para a finalidade a qual eu me propunha, eu teria que mostrar algo mais aceitável aos olhos masculinos – tanto em roupas, como no design e cores – como premissa básica para que fosse considerada alguém com força, competência e personalidade. Resumindo: para ser aceita por eles, tem que se parecer o máximo possível com eles (e se submeter aos seus padrões de boa profissional).

Mas isso eu não queria. E segui do meu jeito. Porque uma hora teremos que acabar com tanto preconceito, abrir portas para uma nova mentalidade que possibilite que as pessoas não tenham suas “competência e credibilidade” mensuradas pela cor da roupa que usam, pelo decote do vestido ou pela cor do design de um blog.

Mas algo maravilhoso me incentivou (silenciosamente) a prosseguir dessa forma: o número de acessos aumentando a cada dia. E hoje, que temos aproximadamente 2 anos de blog, as estatísticas de visualização só aumentam, as curtidas, a interação e o apoio só aumentam. Então, vim aqui contar essa historinha para vocês e, com ela, AGRADECER a cada leitor do blog, que me faz prosseguir a cada dia e que não me deixa desistir de falar de política “do meu jeito”, do jeito que penso, que sou e que vivo. Vocês que me permitem viver a “política à flor da pele”, sem desistir de ser exatamente o que sou.

Nós, mulheres, não precisamos mudar nossa forma de ser para mostrar competência em áreas povoadas de machistas/misóginos, nem precisamos colocar nossa personalidade de lado para se adequar ao que o amiguinho preconceituoso ou a amiguinha que reproduz o machismo querem. E falo como alguém que, até 1 ano e maio atrás, reproduzia o machismo de forma brutal (aí é história para outro post… rsrs). (acredito que eu era uma das mulheres que conheço que mais reproduziam o machismo)

Então, quando vi esse vídeo da Always, logo pensei em compartilhar com vocês: o vídeo, minha história (da qual cada um de vocês faz parte) e minha alegria em, olhando para trás, saber como cada um de vocês contribuiu para que eu tivesse força e encarasse esse desafio de frente.

Obrigada a todos os leitores do blog e amigos das redes sociais; e saibam que para mim, vocês não são uma estatística do google analytics (rs), mas parte fundamental de minha vida e ferramenta basilar para que eu faça as coisas como sou: com dedicação, firmeza, empenho, disciplina, delicadeza e feminilidade. E que eu possa colorir a forma como falo de política, imprimindo no que faço o meu jeito de ser e viver.

E aos que não acham que o design da página, que minha aparência ou que usar o humor e a feminilidade não combinam com o conteúdo político, deixo alguns recados: vai ter análise política feita por uma garota; vai ter look do dia; vai ter dica de alimentação, esmalte e maquiagem; vai ter tudo que uma mulher que trabalha na política gosta; vai ter rosa e lilás; vai ter borboleta e Frida; vai ter fotinha em balada; vai ter crise de romantismo misturada com comentário político (porque mesmo quando faço uma análise fria, não deixo de ser quem sou e sentir o que estou vivenciando como mulher e ser humano no momento); vai ter indireta pro boy; e se reclamar eu deixo o cabelo do suvaco crescer, pinto de verde e posto aqui. Porque funciona assim, tá?

Então, vou seguir fazendo um blog “como uma garota”, falando de política “como uma garota”, escrevendo artigos políticos “como uma garota”, lutando “como uma garota”, crescendo “como uma garota”, estudando “como uma garota”, correndo atrás dos meus sonhos “como uma garota”, trabalhando “como uma garota”… porque eu sou uma garota!

Segue o vídeo:

#PolíticaComoUmaGarota #FaçaDoSeuJeito

E uma observação: estou relacionando o concento de “ser garota” à uma ideia mais feminina (em formas e cores), porque estou falando DE MIM. Mas não acho que uma coisa está atrelada a outra, obviamente. Quando falo sobre não me ‘masculinizar’ ou parecer mais velha ou mais séria, estou falando de minha experiência especificamente. Estou falando em ser obrigada a fazer o que não quero para me adequar a um meio no qual os homens (e as mulheres que reproduzem o machismo) exigem isso de mim. Se para você, ser garota tem um outro padrão estético, maravilha! Acho lindo qualquer padrão!!! Mas acho lindo nos outros… Em mim, acho lindo O MEU PADRÃO! O que eu quis com esse texto, em resumo, é explicitar o que é para mim “ser garota” é “fazer o do meu jeito”: ser aceita como você é e quer ser, é agir conforme suas vontades. Não estou aqui colocando como universal a forma como encaro meu corpo, minhas preferências, meu blog, minha profissão e minha vida, não. Estou apenas falando que estou aprendendo a fazer “do meu jeito” (aprendendo! aprendendo!)Faça do seu jeito!

Siga-nos nas redes sociais e debata política interaja conosco:

Facebook / FanPage / Twitter / Instagram

Bjo.


11
dezembro
2014
Curso à distância: “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres” – O Direito Achado na Rua

Opa, dividindo mais um achado por aqui:

Curso de Extensão “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres” – O Direito Achado na Rua

O curso é ofertado na modalidade a Distância, e executado pelo Centro de Educação a Distância (CEAD/UnB) em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

HD_20140916110829direitos_das_mulhere__1_

Mais informações:

O PEAC (Projeto de Extensão de Atuação Contínua) “Direitos Humanos e Gênero: Capacitação em Noções de Direito e Cidadania – Promotoras Legais Populares” foi criado em 2005 vinculado à Faculdade de Direito da UnB. Este projeto promove há nove anos o curso “Promotoras Legais Populares do Distrito Federal” (PLPs/DF) em Sobradinho/DF e no Núcleo de Prática Jurídica da Universidade de Brasília (NPJ/UnB) em Ceilândia/DF.

Este curso, numa perspectiva de ação afirmativa em gênero, possui como cursistas somente mulheres das mais diversas realidades e cidades satélites do Distrito Federal e Entorno. Este projeto foi inspirado nos demais cursos de Promotoras Legais Populares (PLPs) existentes em todo país desde 1994, em especial, naqueles organizados pela ONG Themis Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero e pela União de Mulheres de São Paulo. O projeto busca ser espaço de produção de um novo saber sistematizado a partir do diálogo entre o conhecimento acadêmico e popular, produzindo novas formas de conhecer o próprio Direito das mulheres.

O curso abordará as temáticas numa linguagem direta e acessível e é possível para quem já tem experiência no assuntou ou não. É destinado a estudantes, profissionais, gestoras/es públicos e militantes de movimentos sociais que atuam no enfrentamento a violência contra a mulher de todas as regiões do Brasil. 

Centro de Educação a Distância na Universidade de Brasília (CEAD/UnB)

Promotoras Legais Populares

 

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:

 


11
dezembro
2014
Livro gratuito: “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie

Oi, gente, tudo bem?

Dei uma sumidinha federal do mapa blog, não foi? hahaha Viajei para o Amapá num mergulho em descobertas e caminhos. Foi incrível!!! Incrível nível: INCRÍVEL MEIXXXXMO!!!!!! Vou contar tudo para vocês nos próximos dias, mas já adianto aos navegantes: teve búfalos, marabaixo, quilombolas, comidas típicas engordei horrores, passeio ao lado da Natura, orquestra na Floresta Amazônica, Rio Amazonas, quatis, macaco, indiazinha, viagem pelo interior do estado, porto de Santana, Fazendinha etc etc e muita reflexão (principalmente). Estava precisando me reconectar com muita coisa que ao longo da experiência nessa vida foi ficando para trás…

Não perca os posts de amanhã (sexta-feira) até semana que vem, serão vários por dia contando a aventura (só ainda não comecei a escrever sobre a viagem porque não tive tempo resolvi selecionar todas as fotos e editar os vídeos primeiro :-) ).

Mas vamos ao nosso assunto dessa tarde. Nesse instante, dando aquela passeadinha de lei no Facebook, me bati com uma dica bacana e já deu vontade de dividir com vocês (principalmente as meninas).

A Márcia Menezes postou o link para baixar gratuitamente o livro  “Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie. Eu que venho buscando referências na área para estudar e iniciar as leituras acerca do tema já corri para imprimir meu exemplar (não, eu não leio e-books no computador, eu os imprimo – ME JULGUEM! rsrs).

Já comentei aqui no blog no final do ano passado sobre o meu interesse (levada quase que obrigada por fatos da minha vida) em estudar mais o feminismo e de fato atuar mudando a minha realidade (sim, assumo que fui levada a esse caminho muito mais pro problemas pessoais do que por uma vontade irresistível de mudar o mundo). De lá para cá, conheci algumas meninas que militam e tenho aprendido bastante com elas (a cada papo sinto o MUITO que me falta para suprir perguntas e anseios que me tomam).

Nesse ano, não busquei obras formais, apenas zapeei em sites e acompanhei (diariamente e enlouquecidamente – isso vicia) o grupo do Coletivo Chute no Facebook. Tenho sido confrontada com tantas dúvidas pessoas, necessidades de mais explicações, questionamentos, confusões mentais que… que.. que… estou AMANDO! hahaha Eu me definiria como uma BAGUNÇA nesse quesito.

Sejamos todos feministas

Sejamos todos feministas

Sinopse:

O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo.

‘A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.’Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são “anti-africanas”, que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”.

Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Eu vou começar a ler a obra hoje, assim que finalizar faço um post aqui no blog com minha opinião, tá? (vai ser o primeiro livro que leio sobre o feminismo)

Clique aqui para baixar o livro!

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:


27
novembro
2014
Prefeitura de Curitiba: Busão Sem Abuso :)

Olá, gente,

Mais uma campanha que vale a pena a gente divulgar: a Prefeitura de Curitiba está conscientizando contra o abuso de mulheres em Ônibus.

10378954_799893553387784_3504519530555187324_n

Excelente campanha da Prefeitura de Curitiba. Saiba mais: bit.ly/busaosemabuso !!!!

Homens: o corpo de uma mulher pertence apenas a ela, não importa que roupa ela esteja usando. Mulheres: ninguém pode tocá-las sem o seu consentimento. Denuncie o abuso.

  • PARTICIPE DA CAMPANHA:

Faça sua foto com o gesto da campanha e poste no Instagram usando a hashtag #busaosemabuso.

Marque 3 pessoas no post e desafie eles a fazer o mesmo. Vamos participar?

imgHome

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram

Beijo.


06
novembro
2014
Eu estou falando é de machismo!

Olá, gente!

Nos últimos dias, várias matérias (que não vou reproduzir aqui) deram conta da bebedeira da atriz Letícia Sabatella, que terminou a noite deitada na rua em Brasília, sendo amparada por amigos. Ontem, no Facebook, a DIVA se posicionou sobre as críticas:

“Que auê por causa de uma noitada de cantoria e pisco sauer com os amigos! Deitar no chão de tanto rir, e beber do céu as estrelas! Quem não precisa rir de si mesmo de vez em quando? Me recuso a sentir vergonha com esta pedra (bosta) moralista com que tentam me atingir. A vocês, queridos acusadores, ofereço Um Brinde!”

Minha opinião: quanto machismo, quanta hipocrisia nas matérias que saíram sobre a atriz!!!!!! Vamos falar de vergonha? Então vamos falar do machista que encontra portas abertas nos mais diversos programas de TV para humilhar a ex-mulher física e psicologicamente. Vocês querem motivos para se ruborizar? Vamos nos ruborizar com as letras das músicas que incitam jovens a “beber, beber, beber” e depois agarrar as meninas. Vamos nos ruborizar com músicas que “orientam” garotos a dar muita bebida para a mulher que ele quer pegar. Vamos nos ruborizar com as músicas que estimulam a “rasgar dinheiro” pateticamente. Vamos nos ruborizar com homens e mulheres que compartilham no whatsapp vídeos não autorizados de meninas que confiaram em seus parceiros. Se é para nos envergonhar de verdade, essa sociedade machista tem nos dado um sem fim de motivos diariamente.

A Letícia, tim tim.

[ Antes que me venham com “o álcool causa mimimi”, já me adianto: 1° eu mal ingiro bebida alcoolica, então não estou militando em causa própria, 2° não faço apologia a nenhum droga; 3° a vida é DELA ; 4° estou falando é de machismo!!!!, se vc quer discutir drogas (lícitas e ilícitas), a gente debate em outro post ]

cantorabebidalege22

Me encontre nas redes sociais para conversarmos mais sobre política:

 Facebook | FanPage | Twitter | Instagram

Beijo.


17
agosto
2014
Só para mulheres

Oi, gente, domingo de sol em Salvador e vamos para a praia discutir o tema “vagão rosa”.

Quem assistiu o programa “Na Moral”, na última quinta-feira, viu que Anitta é feminista de carteirinha um dos temas abordados pelos especialistas foi o tal vagão – que vem sendo alvo de polêmicas em alguns estados, especialmente em São Paulo, onde o governador vetou Projeto de Lei acerca do assunto essa semana.

O que é o “vagão rosa”:

Em cada composição, haveria um vagão para uso exclusivo das mulheres nos trens da CPTM e do Metrô de São Paulo, nos horários de pico. Crianças e adolescentes também poderiam usar o vagão.

Objetivo do “vagão rosa”:

Tendo em vista o número de casos de assédios dentro de vagões do metrô, o objetivo do projeto seria evitar mais casos.

 Projeto de Lei em São Paulo:

O projeto, de autoria do deputado Jorge Caruso (PMDB/SP), havia sido aprovado pela Assembleia Legislativa em julho deste ano e o governador tinha até esta terça para vetar ou sancionar o projeto.

Alckmin vetou e justificou que haverá maior investimento na segurança das mulheres no sistema metroferroviário (contratação de seguranças mulheres e câmeras de vídeo nos trens e plataformas).

Protestos:

Movimentos feministas promoveram protestos contra a sanção da lei em São Paulo, questionando que a separação causaria segregação das mulheres, restringindo o direito de ir e vir (embora o uso do vagão não fosse obrigatório) mas não proteção. Acreditam as feministas que muito mais eficaz seria a realização de campanhas de conscientização e punição mais rigorosa para os assediadores.

Onde há “vagão rosa”: 

No Rio de Janeiro, há 7 anos tem um vagão exclusivo para mulheres no metrô. Esse ano, o governo do DF adotou a mesma medida. Já foi implementado no Japão, Egito, Índia, Irã, Indonésia, Filipinas, México, Malásia e em Dubai.

Em Salvador, com o recém-inaugurado metrô, as discussões acerca do vagão já começam a invadir o meio acadêmico e de discussões de políticas públicas para as mulheres.

Reforço do machismo:

 

Em regra, o vagão existe em países de cultura predominantemente machista, onde, por vezes, as mulheres são encaradas com as “culpadas” pelo assédio – especialmente devido ao uso de roupas consideradas provocantes. A ideia do vagão vem nesse mesmo sentido, muito mais de punição do que de proteção da mulher.

Assediadores que se aproveitam da superlotação dos trens e metrôs continuariam agindo – pela ineficiência do estado em assegurar segurança e proteção – com o aval da sociedade perversa que encararia a vítima como alguém que “deveria estar no vagão”. 

Óbvio que a ideia de um local com maior proteção para a mulher é eivada de boas intenções e aprovada por muitas. Mas essas mesmas “boas” intenções estão por trás de princípios machistas que aceitam como normais cantadas bizarras nas ruas, abordagem masculinas que limitam o direito de ir e vir de uma mulher nas ruas e em transportes públicos, impõe padrão de vestimentas para ser mais bem aceita em “ambientes masculinos” no mercado de trabalho.

 

Aceitar que hajam vagões exclusivos para mulheres, é culpabilizar as vítimas pelo próprio assédio, pois as compreende como o problema. Na mesma medida, ficam livres aos algozes, que continuam a agir nos trens, metrôs e em outros ambientes sociais sem a educação necessária para a convivência em sociedade. Não se pode aceitar essa inversão d e´papeis, com a limitação da liberdade da vítima e manutenção/ampliação da liberdade do criminoso.

E digo “ampliação” porque a partir do momento em que se implanta um vagão exclusivo para mulheres, como citei acima, aquelas que forem assediadas em outros vagões logo se culparão por “não terem procurado seu lugar”, ou terão que ouvir do próprio algoz (e da sociedade em geral, que é machista e sexista) que se não quisesse ser assediada se dirigisse ao vagão destinado à quem se sente ofendida com tal comportamento.

Compreender o vagão como algo necessário é também afirmar que os homens não controlam seus desejos e é encarrar o problema muito mais como uma questão sexual como o que de fato é: um crime aceito pela sociedade. Além disso, pressupõe que toda a sociedade é heterossexual e que todas as vítimas são, necessariamente, mulheres; assim como parte da premissa que homens e mulheres só sentem desejo – e só poderiam ser assediados, portanto – uns pelos outros.

Portanto, o vagão exclusivo para mulheres segrega e se apresenta o reforço do machismo, trazendo um retrocesso a um campo que já avança a curtos passos devido à cultura machista e sexista que predomina em nossa sociedade.

Deixem sempre a opinião de vocês no blog ou redes sociais (ou enviem para o e-mail contato@danielebarreto.com.br) para que possamos discutir os temas com mais profundidade.

Siga-nos nas redes sociais e acompanhe os comentários políticos em tempo real: FacebookFanPageTwitter e Instagram.


TAGS:
03
abril
2014
Texto alheio: “Toda feminista é mal amada”

Olá, amigAs,

desde o final de 2013 estou lendo mais sobre o feminismo e procurando textos, autores e militantes que sejam referência para compreender mais e me aprofundar. Na verdade, nunca dei importância a esse movimento e achava que pouco tinha de feminista.

Com o passar do tempo (e, diga-se, devido a acontecimentos no trabalho com a política e políticos no dia a dia), resolvi buscar as primeiras leituras e confesso que a cada dia me surpreendo com o tanto de “abrigo” que tenho encontrado em algumas ideias e argumentos.

Não me considero uma feminista… ainda! Mas já dá para dividir com vocês algumas belas descobertas. (e mais pra frente vou contar no blog o que me motivou emocionalmente a essa busca).

Como primeiro texto feminista do blog hahaha, trago a “Cronicamente Carioca” Luíse Bello, cuja escrita emociona e encanta (sugiro o site: www.cronicamentecarioca.com.br). Não me aventuraria a escrever (ainda nessa fase de engatinhar sob os primeiros conceitos feministas) um texto meu, claro. Mas o dela diz tudo que penso. É uma boa e agradável leitura, que nos desperta a estudar mais sobre o tema.

Segue abaixo:

Toda feminista é mal amada

(Inspirada pelo meu texto publicado  no incrível Think Olga, compartilho com vocês uma pequena introdução à minha faceta feminista. Enjoy!)

O título alarmante é pra chamar atenção mesmo e dizer que eu concordo com este que é o argumento mais batido daqueles que querem atacar o feminismo. É verdade. Toda feminista é mal amada. E ela só é mal amada porque é mulher. Sou uma delas e posso dizer que sou, sim, muito mal amada.

Sou mal amada desde criancinha quando me ensinaram que o meu mundo era um tanto quanto limitado. Na escolinha onde estudei até a quarta série (não sei o equivalente no mundo atual), o único brinquedo que havia no pátio era uma mesa de totó. Muito velha, muito capenga, mas era um sucesso – e exclusiva para os meninos. Eu já não gostava de futebol, mas tinha tanta vontade de brincar naquilo! E o fato de não poder me angustiava. Era a primeira de muitas experiências do tipo.

Conforme fui crescendo, descobri que a mídia também não me amava. Não fui amada por todas as novelas que retratavam somente mulheres que não se pareciam em nada comigo (ou com a maioria das mulheres que eu conheço); não fui amada pelos noticiários que tratam mulheres poderosas com desdém, focando por vezes em seus atributos físicos em detrimento de sua intelectualidade e conquistas alcançadas; não fui amada pelas revistas que me davam 101 conselhos para enlouquecer um homem e nenhum para me manter sã em meio a tanta pressão; não fui amada pelas receitas de emagrecimento que me adoeceram em busca de um ideal que só satisfaria aos outros; não fui amada pelas dicas de maquiagem que esconderiam as minhas imperfeições – e que me apontaram muito bem quais são elas. (leia mais…)