Arquivo para Álvaro Dias - Daniele Barreto
19
setembro
2013
Dany Barreto Entrevista… o Senador Álvaro Dias

O segundo bate-papo do “Dany Barreto Entrevista” é com o senador Álvaro Dias, do PSDB do Paraná e maior opositor dos governos petistas de Lula e Dilma. Ex-vereador de Londrina (PR), ex-deputado estadual, ex-deputado federal (obteve a maior votação proporcional da história do Paraná, foi eleito Senador em 1982 (foi Vice- líder do PMDB), Álvaro foi eleito governador em 1986 com 72% dos votos válidos (apontado pelo Data Folha o governador mais popular do país). Em 1998, retorna ao Senado – desta vez com 65% dos votos -, oportunidade na qual presidiu duas Comissões Parlamentares de Inquérito: a CPI do Futebol e a CPMI da Terra. Membro titular das CPIs dos Bingos e dos Correios). Vence as eleições para o Senador em 2006, pela terceira vez. Foi escolhido pelo “Congresso em Foco” o melhor Senador do país. Foi eleito vice-presidente do Senado Federal e, em julho de 2007, recebeu em San Diego, na Califórnia, o diploma de Doutor honoris causa em Administração Governamental (Doctor of Government Administration) pela Southern States University. Recebeu o Prêmio do Mérito Legislador 2008. Em 2009, propôs a criação da CPI da Petrobras, passando a ser titular da comissão, assim como da CPI das ONGs e da CPI dos Cartões Corporativos. Em 2010, foi relator das mudanças na Lei Pelé. Hoje, Álvaro Dias conversa conosco sobre o Mensalão e as disputas internas do PSDB pela indicação do candidato a Presidente da República.

* Militância e trajetória política

Colunista: Senador, você iniciou a militância política ainda muito jovem, em Londrina – cidade na qual venceu seu primeiro pleito para vereador. Porque essa opção pela política?

Senador Álvaro Dias: A minha participação na política estudantil foi decisiva na definição dos rumos de minha trajetória. Ao presidir o Diretório Acadêmico Rocha Pombo na Faculdade em Londrina, digamos que foi inoculado o “vírus” da atividade política. Foi essa vivência ainda nos limites do campus universitário que selou meu itinerário na vida pública.

* O Planalto e Eleições 2014

Colunista: Em 1989, você disputou a indicação do candidato do PMDB à presidência da República com Ulysses Guimarães, Waldyr Pires e Íris Rezende. 21 anos depois, viveu alguns meses de indicado a candidato a vice-presidente, na chapa de José Serra, quando teve o nome substituído pelo do ex-deputado inexpressivo Índio. O Planalto é o propósito maior da sua trajetória política?

Senador Álvaro Dias: Não é crível que alguém que ingressou na vida política, detentor de mandato popular, renegue a pretensão de um dia ser alçado pelo voto popular ao cargo de 1º mandatário da nação. Não se trata de uma mera veleidade. É uma postulação lícita. Mas não posso afirmar que tenha sido esse o propósito que me guiou. Jamais atropelei o consenso em busca da imposição de meus eventuais objetivos. A esse respeito me permito invocar o Padre Antônio Vieira: “Mais fácil é unir distâncias e vontades, que casar opiniões e entendimentos.”

Não é crível que alguém que ingressou na vida política renegue a pretensão de um dia ser alçado pelo voto popular ao cargo de 1º mandatário da nação.

Colunista: No final de agosto, José Serra sondou alguns aliados – inclusive você – para discutir a realização de prévias no PSDB visando à escolha do candidato à Presidência da República e afirmou que “Quero conhecer logo o meu candidato a presidente, para que ele possa percorrer o país e mobilizar os nossos filiados.” Falar, em pleno 2013, em mobilizar filiados, com uma militância esquerdista tão aguerrida e há décadas organizada, faz o PSDB parecer um partido que sempre corre atrás de uma inserção na sociedade que ele não consegue alcançar. Está na hora de renovar os quadros do partido e adotar uma postura (mais do que um discurso) de efetiva aproximação com o povo?

Senador Álvaro Dias: Primeiramente, relembro que sou autor de um projeto para disciplinar a realização de eleições primárias para a escolha do candidato à Presidência da República.  Aprovado no Senado, seguiu para Câmara dos Deputados onde já foi apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça e aguarda inclusão na ordem do dia. A minha proposta não pretende obrigar os partidos a realizarem eleições primárias, mas, sim, propiciar as condições materiais e institucionais para que os partidos possam optar por fazê-las, mediante a assistência da Justiça Eleitoral que garanta aos partidos e coligações os meios e a lisura necessários ao processo de escolha do seu candidato a Presidente da República. Não há dúvida de que a nossa inspiração é o modelo americano que propicia, a cada quatro anos, o confronto de ideias entre os candidatos do mesmo partido para que possa ser escolhido um que concorrerá à Presidência da República, já tendo as suas idéias sido aprovadas pela maioria dos simpatizantes de sua legenda. (leia mais…)