Arquivo para Turismo Político - Daniele Barreto
24
agosto
2015
Turismo Político: Pelourinho – passeio guiado, história, economia e política

Oi, pessoal.

Mais cedo contei uma novidade do blog para vocês, não foi? Falei sobre as novas postagens de Turismo Político , gerando um novo olhar para os monumentos, prédios públicos e belezas naturais que nos cercam (tanto em viagens como no dia-a-dia na nossa cidade – leia post explicando tudo AQUI).

E foi nessa vibe que passei 30 dias de férias na Amazônia, estudando tribos indígenas, questões da economia local e política. Já estou louca para contar tudo para vocês no blog, mas tenho tanto material, tanto material (folhetos, livros, anotações, caderninho de informações, entrevistas) que estou ainda fazendo uma triagem para organizar melhor as ideias para vocês. E são muitas… ideias e postagens! rsrsrs

Mas no sábado passado fiz um passeio pelo Pelourinho e queria logo compartilhar com vocês, néam? Pra não ficar com mais esse acumulado. rsrs Vou publicar o passeio no Pelo e prometo que durante a semana pago minha dívida dos posts da floresta (um monte de gente mandando mensagem querendo saber mais sobre a aventura, acesso aos locais e hospedagem).

Olha, dando aquela curiada de lei no Guia de Sobrevivência do Soteropobretano (vejam o Face deles aqui, galera, é massa!), fiquei sabendo que no final de semana A Feira da Cidade (já somos frequentadores cativos) aportaria no Pelourinho com novidades: uma visita guiada pelo projeto Pelourinho Dia & Noite. Confesso que embora ame a feira, estava bem cansada da viagem para ainda topar atravessar a cidade. Só que quando soube da visita guiada e imaginei o quão rica seria a experiência de vivenciar uma galera que NUNCA frequenta o Pelourinho sendo atraída para lá, não pensei duas vezes e já me mandei pras bandas do Pelô.

Cheguei cedo e já almocei por lá! Depois, às 15h, iniciamos um passeio pelas ruas de casarões vivos e coloridos. Nosso guia, simpático e animado, iniciou o percurso pelo Terreiro de Jesus.

Terreiro de Jesus

Uma das mais importantes praças do centro histórico de Salvador, o Terreiro de Jesus fica diante da Catedral Basílica, localizada na parte mais antiga da capital. Ao lado, fica a Praça da Sé (o passeio não a incluiu). O guia deu explicações sobre a construção do Terreiro e falou sobre a Cruz Caída – obra do artista Mário Cravo, que visa protestar contra a demolição da Catedral da Sé que existia no local, para passagem de um bondinho da Companhia Linhas Circular de Carris da Bahia. Ele citou também o fato dos fortes da região possuírem nomes de santos: São Marcelo, São Pedro e Santo Antônio Além do Carmo – justificando-se por terem sido construídos no período em que a Igreja estava acima do Estado, portanto, fortificações de grande importância política levavam o nome de personagens da Igreja Católica.

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Guia do “Pelourinho Dia & Noite” iniciando as explicações

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Terreiro de Jesus, no Pelourinho, Bahia

Seguimos pela Igreja e Convento de São Francisco, Igreja e Ordem de São Domingos, Largo Tereza Batista e Largo Pedro Arcanjo.

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Recebemos informações sobre a Igreja e Convento de São Francisco

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Fachada da Igreja e Convento de São Francisco

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Belíssima escultura da Ordem Terceira Secular de São Francisco

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Frente da Ordem Terceira Secular de São Francisco

A Igreja e Convento de São Francisco estão diante do Largo do Cruzeiro e foram erguidas entre os século XVII e XVIII e são consideradas uma das mais singulares e ricas expressões do barroco brasileiro. Conflitando com a vida de São Francisco, como ressaltou o guia, a igreja ostenta quilos de ouro no seu interior, sendo uma das mais exuberantes obras portuguesas. As obras tiveram início em 20 de dezembro de 1686, e uma das curiosidades é que as imagens de santos pintadas e esculpidas pelos escravos são manifestações de resistência, pois nelas percebe-se expressões de sofrimento. Os escravos utilizavam a escultura e pintura como forma de protesto. Realizavam as ordens dadas, mas deixaram a marca de sua resistência e insatisfação cravadas no interior da igreja. Além disso, nas missas, os escravos entravam pelas portas laterais, separados dos demais, e ficavam isolados por uma grade que os impedia de circular na igreja. No momento do nosso passeio, a igreja estava fechada (como outras na região), mas vou fazer uma visita nela, para aprofundar as questões políticas e de resistência social que estão ligadas à sua construção.

Passeio pelas ruas, sons, artesanatos e cheiros

A viagem pelos calçamentos irregulares e seculares do Pelourinho segue com novas descobertas, nas fachadas de prédios e nas expressões de deslumbre de brasileiros e estrangeiros que transitam pelo local. O cheiro do dendê exala dos restaurantes, convidando a uma viagem no tempo; enquanto os artesanatos nas lojas enchem os olhos, especialmente os quadros que retratam a vida nas ladeiras do Centro Histórico. O batuque dos tambores propiciam a trilha sonora da viagem. O policiamento ostensivo resguarda os turistas e moradores (cada vez o Pelourinho se enche mais de moradores em seus casarões).

Veja algumas fotos das ladeiras e becos do Pelo:

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Largo do Pelourinho, onde situa-se a Casa Jorge Amado e a Igreja do Rosário dos Pretos

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Ruas do Pelourinho, seguindo com o guia do “Pelourinho Dia & Noite”

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O colorido que encanta ao som do Olodum

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Artesanato nas lojas do Pelourinho

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Lojas com artesanatos que movimentam a economia local e fortalecem centenas de famílias

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Casarões do Pelourinho

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Filtro dos sonhos, nas lojas do Pelô

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Grupo do Olodum pelas ruas do Pelourinho

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Sons do Pelourinho, visita deliciosa

Vídeo dos sons do Pelourinho

Aproveitei para fazer um mini vídeo com um pouco do que vimos da apresentação de componentes do Olodum nas ruas do Pelourinho.

Economia local

Além da importância histórica e cultura, o Pelourinho marca pelas lucros à economia local. Como o maior potencial turístico de Salvador, é responsável pelo desenvolvimento de centenas de micro e pequenas empresas, e pela manutenção de centenas de famílias, que vivem da música, artesanato, visitas guiadas, apresentações tradicionais, festas, shows, capoeira, dança afro-brasileira, culinária pelo Centro Histórico. O movimento não é sazonal, gerando renda todo o ano.

Mais informações políticas – Governo do Estado

Através da Lei nº. 12.212/2011 foi criado, pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – Secult-Ba, o Centro de Culturas Populares e Identitárias – CCPI, que, segundo o site do órgão, visa atender a uma necessidade de prezar pelas diversas manifestações populares que fortalecem a identidade do nosso estado. Assim, o CCPI executa proteção, promoção e criação de políticas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, inclusive no Pelourinho, como as culturas étnico-raciais como as de matrizes africanas, indígenas e ciganas, a cultura sertaneja, as culturas de gênero, de orientação sexual e de grupos etários. Ficou a cargo do CCPI dinamizar a gestão cultural de espaços públicos estaduais do Centro Histórico de Salvador.

Você também pode ter informações sobre funcionamento e localização de blocos afro, centros e espaços culturais, galerias de arte, museus, ong’s, instituições, no site do Governo do Estado.

Eu não conhecia o trabalho do CCPI e aproveitei para dar uma grande fuçada no site e ver o projeto. Mas acredito que o ideal seja marcar uma ida ao órgão para conhecer mais sobre o funcionamento e a dinamização que se objetiva promover na região, buscando informações, inclusive, sobre o envolvimento da comunidade local nesse processo. Acredito que vale um post no blog com uma ida ao CCPI e um bate papo com alguns funcionários.

Mais informações políticas – Prefeitura de Salvador

A Prefeitura Municipal lançou o projeto “Pelourinho Dia e Noite” no último dia 15, com show em frente à Fundação Casa de Jorge Amado, no Largo do Pelourinho. O programa visa a utilização de R$ 12 milhões para revitalização de praças, segurança, iluminação, projetos sociais, rotina de shows e atividades artísticas. Pelo que pesquisei, até agora só foi implementado o show de lançamento e a disponibilidade de guias, além da parceria com A Feira da Cidade (no último final de semana). Não consegui mais informações detalhadas em sites específicos, mas vamos aguardar para ver se as ações planejadas serão executadas até o Carnaval, como prometem. Também não sei como se dá o processo de participação popular na tomada de decisões sobre as obras prioritárias e os shows e revitalizações necessárias.

E então, galera, gostaram da ideia de discutirmos mais sobre o Turismo Político?

Vocês já visitaram o Pelourinho? Já tinham parado para avaliar mais sobre o significado político e a economia do local? Mandem mais sugestões de pautas no Pelourinho que vou adorar conhecer mais o local avaliando suas significações. ;)

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20
julho
2015
Férias: textos suspensos temporariamente

Olá, pessoal, bom dia. Tudo bem?

Hoje entro de férias do trabalho e vou viajar para a Amazônia. Nos próximos dias, não teremos postagens no blog, programas de rádio, nem a coluna “Política à Flor da Pele”. Assim que conseguir regularizar a questão da internet (a TIM não está colaborando), tento postar do Amapá.

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Navegando no Rio Oiapoque, chegando no restaurante, no meio da Floresta Amazônica

Ah, enquanto não faço as postagens sobre a viagem ao Oiapoque (meus 30 dias no meio da floresta Amazônica), você pode relembrar a aventura que fiz em dezembro, também no estado do Amapá, conhecendo o quilombo do Curiaú, a Fortaleza de São José, a orquestra no município de Tartarugalzinho e muito mais. Confira:

Confira a série sobre a viagem (em dezembro) ao Amapá:

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06
abril
2015
Natal: Conhecendo mais sobre economia, cultura, geografia e meio ambiente

Oi, pessoal!

Tenho tantaaa coisa para contar sobre o Curso de Formação de Lideranças para Mulheres, que aconteceu em Natal e eu pude participar a convite do partido Solidariedade (Bahia). Foram 2 dias e meio que valeram por muitos e muitos, porque pude aprender sobre um estado que nunca tinha visita, sua cultura, tradições, economia, meio ambiente, história, política!!! Muita coisa! :-) E estava ansiosa para dividir esse conhecimento com vocês, louca para sentar, me concentrar e elaborar os posts do blog. E vocês, estão gostando de conhecer um pouco mais desse estado?

Olha, uma das coisas que me deixaram mais impressionada na viagem foi a lista de atividades elaborada pela organização. Não sei dizer ao certo quais as responsáveis pelas escolhas dos temas estudados, mas parabenizo à presidente Eunice pela equipe. Mais do que aqueles cursos chatos teóricos que ninguém presta atenção e pouco apreende do conteúdo, o Curso promovido pelo Solidariedade foi de uma riqueza de aulas e conhecimento que me alegrou e me deu mais esperança em uma política diferenciada (sem nenhum puxa-saquismo aos organizadores ou ao partido, tá? hahahaha).

Vou explicar porque: além de aula teórica (naquele formato data show e todo mundo dentro de uma sala prestando atenção e anotando tudo), tivemos a oportunidade de conhecer o que, na minha humilde opinião, falta, E MUITO, aos nossos políticos… Cultura! Educação! Novos projetos! Cidadania! História! Conhecimentos gerais! Então… Vocês sabem que aqui no blog o jogo é aberto, né? Pois é, vou ser sincera então: pra ficar sentado em uma cadeira ouvindo APENAS sobre prestação de contas, marketing político, administração pública, legislação… Não precisaria tirar as quase 60 mulheres que estavam lá e deslocar até outro estado, né? Aliás, sejamos mais honestos inda: em regra essas atividades, na prática, nem competem ao candidato. E mais: candidato endinheirado com condições para, sem nunca ter tido atuação política, pagar uma equipe para fazer tudo isso e bancar campanha milionária é o que não falta no país. O que falta são políticos que entendam de economia, de sociedade, de vivência prática, de integração local, de cultura (eitaaa, esse, então, é ponto nevrálgico), de realidade do país. Não que não tenha acontecido debate teórico. Houve sim! Mas a programação do curso se expandiu, e, ao lado de dois guias que se revezavam, pudemos ter aulas de BRASIL! Aulas sobre nossa GENTE! Aulas sobre O NORDESTE!

Nada de passeio, praia ou conversinha fiada. Cada segundo ao lado dessas mulheres era de conhecimento e a cada informação do guia, preciosa. E é disso precisamos muito: políticos (especialmente mulheres) que conheçam o país, que conheçam nosso povo, nossas desigualdades, nossa cultura, nossas condições diversas de desenvolvimento.

Então, vamos ao nosso 2º momento do curso: enquanto nos dirigíamos do hotel para a Assembleia Legislativa, como citei no post anterior, o guia nos dava informações sobre a cidade.

Conhecimento sobre cultura, economia, geografia e meio ambiente

Mais sobre Natal:

Fundada em 1599, às margens do Rio Potenji, tem importantes praias como Ponta Negra e dos Artistas.

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Segundo o IBGE em 2014, sua população é de 862 044 habitantes, sendo 19º município mais populoso do país.

Foi fundada em 25 de dezembro de 1599 e já foi habitada pelos índios tapuias.

Parque das Dunas

No caminho, também passamos pelo Parque das Dunas, não descemos no local, mas achei interessante algumas informações que o guia passou. O Parque Estadual Dunas do Natal ”Jornalista Luiz Maria Alves” possui uma área de 1.172 hectares e faz parte da reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira. É o maior parque urbano sobre dunas do Brasil e segundo maior parque urbano do país. Contribui para renovação do lençol freático da cidade (porque a vegetação ajuda a absorver a água). 5 Melhor Parque da América do Sul. No Parque das Dunas há centro de visitantes, biblioteca, centro de pesquisas, viveiro, unidade de mostra de vegetação, anfiteatro, lago artificial, posto de comando ambiental, parque infantil e anel viário para atividades físicas e caminhadas. Existem laboratórios e viveiros, onde são estudados e cultivados plantas nativas. 4 dunas 2 4 dunas 1

Vale lembrar que além das belezas naturais que citei, Natal possui bons índices socioeconômicos, sendo uma das menores desigualdades sociais do país.

Relevo:

  • constituído pela planície costeira
  • solo com baixo nível de fertilidade e excessiva drenagem

Clima:

  • tropical chuvoso quente com verão seco
  • temperatura média anual de 26 °C a 30 °C
  • Cidade do Sol porque o tempo ensolarado pode chegar a até quinze horas
  • ar natalense é o mais puro de todo o continente americano

Vegetação:

  • Mata Atlântica

Centro de Turismo de Natal

O Centro de Turismo fica sediado na antiga casa de detenção. Localizado no bairro de Petrópolis, faz parte do Centro Histórico de Natal (cuidado pelo Governo do Estado, cedido a uma cooperativa de artesanato). O prédio foi construído no século XIX. Já serviu de abrigo para mendigos, de orfanato e, posteriormente, cadeia pública. Em 1976 foi reformado e deu lugar ao centro de turismo. Nela, centenas de boxes dispõem de artesanatos, peças de vestuário, utensílios para casa e decorativos, bebidas e doces típicos. Se prioriza matérias-primas regionais como frutos e palha de coqueiro e palmeiras. Artesãos de diversos locais do estado do Rio Grande do Norte comercializam suas confecções, expondo e vendendo sua arte. Eu fiquei encantada com as cores e beleza das roupas, chapéus, saídas de praia, além de jogo americano e toalhas de mesa. Tudo feito à mão e vendido a preços justos. As cachaças, licores e doces não passam despercebidos, pelos sabores, cores e aromas. Destaco o de abacaxi com hortelã e doce de coco verde em lascas. Divinos!

É o melhor lugar para conhecer a cultura e tradições populares, em Natal.

Alimentos – doces típicos de leite, coco verde, de frutas tropicais (caju, goiaba, manga, banana, mamão).

Cerâmica – massapé (preto), tauá (amarelo) e caulim (branco). São Gonçalo do Amarante é o município de maior produção.

Cestarias e Trançados – de palhas.

Couro – de origem caprina ou bovina, empregados como matérias-primas.

Rendas e Bordados – Caicó é o mais tradicional pólo produtor de rendas e bordados.

Tecelagem – Acari, Jardim do Seridó, Florânia, Arez, Ipanguaçu, São Paulo do Potengi e São Tomé produzem utilizando o tear.

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Maior cajueiro do mundo

O maio cajueiro do mundo é surpreendente. Eu achava que se tratava apenas de uma árvore com tronco grosso, mas é muito mais do que isso. (rsrs) Conhecido como cajueiro de Pirangi, é uma árvore gigante que fica no município vizinho, em Parnamirim (a 12 kms de Natal). Ele possui uma área de aproximadamente 8500 m², com perímetro de 500 m. É uma imensidão que ocupa mais de uma quadra. Produz cerca de 70 a 80 mil cajus por safra e equivale a 70 cajueiros. O que justifica o tamanho são anomalias genéticas pois seus galhos crescem para os lados e não para cima. Ao tocar o solo, crescem novas raízes e o cajueiro continua a ter sua dimensão ampliada. De tão grande, já invadiu a pista da Rota do Sol. e começa a crescer em outra quadra.

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Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

A Barreira do Inferno é a base da Força Aérea Brasileira para lançamento de foguetes, sendo a primeira da América do Sul. Como está localizada na beirinha da estrada da Rota do Sol, tirei as fotos abaixo, mas não descemos do ônibus para visitar não. Fiquei super curiosa e com certeza será minha escolha de passeio na próxima viagem ao estado, mas o guia que nos acompanhou passou algumas informações bacanas, e – devido a curiosidade que citei – pesquisei mais um pouquinho quando cheguei de volta a Salvador. Na Barreira do Inferno se concentram operações de lançamento de foguetes de pequeno e de médio porte. Questões climáticas como baixo índice pluviométrico e condições favoráveis d eventos foram fundamentais para a escolha do local. Além de ser próximo do equador magnético. A área que fica voltada para o mar é cuidada pelo Projeto Tamar, para reprodução de tartarugas marinhas. Nas fotos, vocês percebem a réplica de um foguete Sonda na Barreira do Inferno, de onde já foram lançados mais de 400 foguetes.

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31
março
2015
Dica da Dani: Batom “Vale Tudo” (404), da Maybelline

Olá, queridas, tudo bem? Bom dia!!!

Vamos começar o dia hoje com uma dica de batom especial para a mulherada (meninos, vale anotar a dica para presente, viu? se liguem que sou fofa com vcs também kkkkkkk). Olha, tô amarradona no “Vale Tudo” (404), da Maybelline.

Comprei antes da viagem para Natal para participar do Curso de Formação de Liderança para Mulheres, do Partido Solidariedade (sim, sou dessas que faz compras para viagem hahaha Tudo é desculpa pra gente correr para o shopping, né, meninas? Embora eu seja uma consumidora super-hiper-mega controlada, só compro quando realmente preciso e vale a pena). Minha compra foi no stand do Salvador Shopping (Salvador, BA). E, lá em Natal, aproveitei para usar e abusar do produto, mas antes tirei umas fotinhas dele para mostrar com detalhes para vocês. :-)  (as fotos foram no hotel mesmo, lindo)

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Ele é um vinho denso, com efeito molhado lindo. Eu estou amando batons mais escuros (tô nessa fase) e esse é da cor que está bombando no momento: a marsala (essa misturinha de vinho com marrom, sabe?). Adoro colocar uma sombra neutra, com pouco rímel (coisa rara em minha vida hahaha) e um bocão vibrante. O “Vale Tudo” é perfeito para essas ocasiões.

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Tem boa durabilidade e é fácil de aplicar, fica bem homogêneo. Dá para usar durante o dia (com uma make mais simples) ou noite (arrasando na balada).

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Ah, genteee, sem falar nessa embalagem luxuosa, linda, vinho transparente. Eu não tinha nenhum batom da Maybelline (comecei a usar a marca ultimamente) e adorei a primeira aquisição. Usei nessa segunda-feira (ontem) também e fotografei com o look do dia! ;-) (o look completo posto amanhã aqui no blog)

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Foto geral dos produtos usados na make:

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(já tem o review do rímel e da paleta de sombras aqui no blog)

Gostaram, meninas?

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30
março
2015
1º dia (conhecimento sobre política local) – Visita técnica à Assembleia Legislativa do RN

Oi, pessoal, boa tarde!

Como vocês sabem, na semana passada viajei para Natal a convite do partido Solidariedade (Bahia) para acompanhar os trabalhos do Curso de Formação de Lideranças para Mulheres. O curso visa empoderar mulheres com conhecimento acerca dos direitos, marketing político, liderança, gestão de pessoas, para uma melhor atuação política em suas bases eleitorais, contribuindo, assim, para melhoria da quantidade e qualidade da presença feminina nos cenários políticos.

Chegada ao RN

Cheguei em Natal no domingo no final da tarde, em um voo de Salvador para São Gonçalo do Amarante, onde fica localizado o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, inaugurado em 31 de maio de 2014 e o primeiro no Brasil administrado 100% pela iniciativa privada, o Consórcio Inframerica. Lá, fomos recepcionados pela agência responsável e viajamos uns 40 minutos até Natal.

Já em Natal, à noite, no hotel, tive oportunidade de conhecer algumas das participantes, mulheres de todos os estados do Nordeste. Interagimos num jantar descontraído, trocando experiências acerca de cada estado e dialogando sobre problemas e soluções locais.

1º momento do curso

Conhecimento sobre política local: estadual e municipal

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Na segunda-feira pela manhã, logo cedo, partimos para uma visita técnica à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A comitiva de mulheres do Solidariedade/Nordeste seguiu em ônibus fretado para a praça Sete de Setembro, onde se localiza o prédio do Poder Legislativo. No caminho, um guia especializado nos contava mais sobre a política local. Curiosa, também aproveitei para ir pesquisando no Google e complementando em minhas anotações na agenda.

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Esse primeiro momento do curso foi focado na absorção de conhecimento sobre política local. Então, antes de contar sobre a visita à Assembleia, vou situa-los sobre informações que recebi e o que aprendi no caminho.

Dados políticos

Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte (RN) é situado no Nordeste (isso é óbvio, né, minha gente? hahaha mas não custa lembrar) e quem nasce no estado é chamado potiguar ou norte-rio-grandense. O RN tem 167 municípios e sua área total é de 52 811,047 km², o que equivale a 3,42% da área do Nordeste e a 0,62% da superfície do Brasil. A população de 3.408.510 habitantes em 2014 faz do estado o  16° mais populoso do Brasil.

Possui melhor IDH do Nordeste, maior renda per capita do Nordeste e a melhor expectativa de vida do Norte-Nordeste (74 anos).

Natal

Município do Rio Grande do Norte, Natal é a segunda capital brasileira com a menor área territorial e recepcionou o evento do Solidariedade. Fundada em 1599, é banhada pelo Rio Potenji (que margeamos no percurso de ida do hotel para a Assembleia Legislativa). É conhecida como Cidade do Sol, Noiva do Sol e Capital Espacial do Brasil. Sua população total é de 862.044, tendo 127.273 km².

Mulher na Política

Importância do Rio Grande do Norte para as mulheres na política

A realização do Curso de Liderança para Mulheres no Rio Grande do Norte tem um sabor especial, que deixou tudo ainda mais interessante: o estado foi o primeiro a conceder voto à mulher (primeira eleitora feminina: Celina Guimarães Viana). (vou contar mais sobre a história do voto feminino em um post amanhã)

Além disso, teve a primeira prefeita da América do Sul, Alzira Soriano, no município de Lajes.

Eu fiquei eufórica antes da viagem (hahaha e durante), por saber que teria uma oportunidade única: conhecer mais sobre a política, cultura, geografia locais, ao lado de mulheres que possuem forte atuação em seus estados e com sede de conhecimento, em uma terra que marca a história da mulher na política.

Praça Sete de Setembro

Sim, agora que contextualizei o estado e a capital, vamos à nosso “passeio-aula”.

Como comentei, logo cedo saímos do hotel rumo à Assembleia Legislativa. Tivemos muitas informações no caminho, e então chegamos na Praça Sete de Setembro, localizada no Bairro da Cidade Alta, que foi criada em 23 de março de 1914 e abriga:

  • Sede da Prefeitura Municipal, o Palácio Felipe Camarão
  • a antiga sede do Governo do Estado, o Palácio da Cultura (conhecido como Palácio Potengi)
  • o Prédio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte
  •  o Tribunal de Justiça do Estado

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Assembleia Legislativa

Exposição

Ao chegarmos na Assembleia, fomos recepcionados por funcionários do cerimonial. E ainda no saguão de entrada tivemos a primeira grata surpresa do dia: conhecemos uma exposição com obras de artistas locais, em homenagem ao mês da mulher.

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(sempre há exposições de artistas locais nesse espaço e cada um dos que têm a oportunidade de divulgar seu trabalho no local, doa uma obra para o acervo permanente, como uma forma de retribuir à sociedade, que passa a conhecer mais sobre sua cultura e desfrutar da arte)

Plenário

Seguimos para o Plenário, onde aconteceu 90% das nossas atividades no prédio da Assembleia.

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A estrutura física do Plenário não é muito espaçosa. Achei pequena comparada a outras Assembleias, mas é confortável e as galerias são envidraçadas e com grande quantidade de cadeiras para receber o povo nas sessões e audiências públicas. No telão ao lado da Mesa Diretora, pudemos acompanhar a exibição de vídeos explicativos mostrando a elaboração e execução de projetos inovadores da Casa Legislativa.

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Projetos

  • Projeto de Inclusão

Projeto que agregou ao quadro de funcionários da Casa três portadores de Síndrome de Down (desde agosto de 2011). Manu, responsável por anotar a presença e ausência dos deputados nas sessões, Felipe e Kalina, que fazem parte do cerimonial.

Inicialmente, os funcionários enfrentaram preconceitos e desconfianças, mas o trabalho que desenvolvem é elogiado na Casa por todos. A inclusão é fruto de um convênio entre a Associação Síndrome de Down (ASD/RN), a Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil (APABB) com a Assembleia.

Não é fácil para pessoas na nossa condição conseguir conquistar um emprego, experiência, ser aceito” – Manu, na Revista da Assembleia.

  • Parlamento Jovem

Um dos momento que me deixou mais FELIZZZ foi conhecer o projeto Parlamento Jovem. O projeto aproxima jovens de escolas públicas e privadas da vida política do estado, tornando-os deputado-mirins. Eles passam a conhecer o funcionamento da Casa, debatem temas e elaboram peças de comunicação oficial, além de projetos de lei. Tudo como “manda o figurino”.

Não se trata de mera simulação, mas de atuação real em prol de mudanças nas comunidades, escolas e meios em que os jovens vivem.

Os jovens são eleitos pelas suas escolas, depois, elegem a Mesa Diretora. Momento a partir do qual passam a receber cursos e aulas (oratória, cerimonial, elaboração de ofícios, requerimentos e projetos de lei) para se inteirarem dos procedimentos e processos que envolvem o Legislativo Estadual. Debatem sobre: saúde, segurança, transporte, educação, emprego e renda etc.

É sempre maravilhoso ver jovens que deixam o discurso pessimista de lado e partem para a prática, buscando soluções para mudar a realidade em que vivem, sejam seus bairros, suas escolas, suas comunidades… Os “deputados jovens” (até 19 anos, são eleitos em suas escolas, através do voto direto) aplicam rigorosamente o Regimento Interno e passam por um curso no Instituto do Legislativo.

Muitas das mulheres do Solidariedade solicitaram à Casa cópia da Lei que criou o projeto para que possam avaliar, adaptar às suas realidades locais e implementar nos municípios de origem.

  • Assembleia na COPA

Como o estado sediou 4 jogos da Copa de 2014 e recebeu cerca de 170 mil turistas, a Assembleia promoveu cursos, durante cerca de 3 anos antes do Mundial, nos quais 1.600 potiguares fizeram aulas de línguas estrangeiras, com ênfase para aspectos da história do Rio Grande do Norte e turismo religioso. Foram taxistas, camareiras, recepcionistas, garçons, enfermeiros (treinados nos próprios hospitais), seminaristas, médicos, psicólogos, policiais, que passaram a ter conhecimento de outras línguas (devido a necessidade de capacitação para atendimento ao público). Os cursos oferecidos: inglês, espanhol, segurança no trabalho, gestão pública, graduações e pós-graduações. Os cursos aconteceram no Instituto do Legislativo Potiguar (cursos disponíveis hoje) e se constituíram em importante legado da Copa do Mundo.

Memorial

O Memorial do Legislativo Potiguar é um espaço de preservação de Memória, possibilitando aos cidadãos revisitar e compreender fatos da história, em diversos momentos. Foi implantado pela Resolução 055/2009. Nele, é possível conhecer o papel dos Poderes Legislativos Estaduais e visualizar as transformações ocorridas no Rio Grande do Norte, pois o acervo dissemina e resguarda a história da Casa Legislativa. É projeto de grande contribuição para o desenvolvimento da cidadania.

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Também há a preservação da história oral (com gravações de depoimentos sobre a história da Assembleia), gravações com os ex-deputados (testemunhas de episódios que marcaram a história), Projeto de Ação Educativa (estudos do período do Império até os dias atuais, para educadores e alunos).

Acompanhe todos os posts sobre o Curso de Liderança para Mulheres:

Confira também a série sobre a viagem ao Amapá:

Chegada no estado e Balneário de Fazendinha, Riachuelo na viagem ao Amapá: abacaxi é a fruta do verão, Riachuelo na viagem ao Amapá: sapatilhas de verão, As parteiras do Amapá, Natura no Amapá: viagem a Tartarugalzinho e conhecendo a orquestra Florescer; Natura no Amapá: sessão de maquiagem e autoestima, Natura no Amapá: conhecendo a Orquestra Florescer, Viagem ao Amapá: escolhido batom da Natura, Fortaleza de São José e Rio Amazonas, 1° look Riachuelo, Marco Zero e Linha do Equador, Conhecendo o Porto de Santana, 2° look da viagem Riachuelo, 3° – look Negrif, 4° look Riachuelo, Mercado de Pescado Igarapé das Mulheres e Porto, CETA Eco Hotel

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27
janeiro
2015
Parteiras da Floresta: incentivo ao parto normal e parteiras no Amapá

Oi, galera, bom dia!!!!!!

Como vocês sabem, fiz uma viagem ao Amapá no mês de dezembro e venho contar mais sobre as descobertas que vivenciei por lá.

E hoje queria falar com vocês sobre um assunto que tenho enorme curiosidade, mas que só recentemente comecei a ler mais: as parteiras.

Claro que parece, a primeira vista, um tema ultrapassado, tendo em vista a tradição de partos cesárias em hospitais e a evolução da medicina convencional. Mas o tema volta ao cenário nacional depois que Dilma resolveu estimular os partos normais, através de ações do Ministério da Saúde.

Óbvio que se tratam de duas questões que não são idênticas. O estímulo ao parto normal e o parto com doulas e parteiras são coisas diferentes. Mas resolvi abordar no mesmo post por ser, em geral, questões relacionadas ao parto humanitário. Então, vamos conhecer, juntos, um pouco mais sobre o Amapá, as novas políticas adotadas pelo Governo sobre o parto, a função das parteiras e doulas, e a tradição do Amapá (onde as Parteiras da Floresta realizam milhares de partos).

Incentivo ao parto normal

No dia 07 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Complementar publicaram uma resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e diminuição das cesarianas (cujo número é considerado alto). Muito vem sendo discutido sobre os planos de saúde empurrarem as gestantes para a cesariana (cujo procedimento é mais caro e, portanto, o plano ganha mais dinheiro), num país em que cerca de 23,7 milhões de mulheres são beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no país.

O Governo, na apresentação das medidas, afirmou se tratar de uma epidemia de cesarianas. E não será fácil reverter a tradição de partos cesarianas.

Números divulgados pelo Governo Federal:

❋ o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar

❋ as cesáreas são 40% dos partos na rede pública

taxa recomendada pela OMS é de 15%

❋ a cesariana sem indicação médica aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe

❋ 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade

Obrigações das operadoras de saúde:

❋ dar acesso às consumidoras de planos de saúde às informações sobre cirurgias cesáreas e de partos normais, em 15 dias após a solicitação

❋ fornecer o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal (qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação)

❋ as operadoras devem orientar que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico que detalha como foi o parto, processo necessário para o pagamento do parto (com ele é possível saber quais complicações justificaram as decisões tomadas pela equipe médica)

Prazo para implementação:

❋ as regras passam a ser obrigatórias em 180 dias

“Não podemos aceitar que as cesarianas sejam realizadas em função do poder econômico ou por comodidade. O normal é o parto normal. Não há justificativa de nenhuma ordem, financeira, técnica, científica, que possa continuar dando validade a essa taxa alta de cesáreas na saúde suplementar. Temos que reverter essa situação que se instalou no país. É inaceitável a epidemia de cesáreas que há hoje e não há outra forma de tratá-la senão como um problema de saúde pública”, Arthur Chioro.

Parteiras do Amapá

Trouxe esse assunto do parto normal para falar mais um pouco da viagem que fiz ao Amapá, na qual, inclusive, aproveitei para conhecer cidades do interior como Santana e Tartarugalzinho.

Em Tartarugalzinho, numa viagem com a equipe da Natura, conheci algumas mulheres fortes e guerreiras que transformam a vida de milhares de pessoas no meio da Floresta. Dentre elas, algumas parteiras que já realizaram centenas de Amazônia.

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Foto Internet

Claro que o parto natural de que trata o Governo não é com parteira; trata-se, na recomendação visando o aumento de partos normais, em hospitais, por procedimentos médicos pagos por planos de saúde. Mas como eu já estava absolutamente encantada com as parteiras que conheci e também fiquei curiosa pelo assunto trazido à baila pelo Ministério da Saúde, aproveitei para juntar os dois assuntos nesse post, que, na verdade, reflete minha preocupação e interesse em saber mais sobre o parto humanitário (seja ele realizado por médicos com estrutura hospitalar ou mulheres em casas simples no meio da floresta).

A parteira é a profissão feminina mais antiga do mundo, surgiu com o nascimento dos primeiros bebês – quando mulheres passaram a auxiliar outras nesse momento. A profissão volta a ter visibilidade com o movimento em favor do parto humanizado. A parteira trás bons resultados nos partos sem risco e sua principal preocupação é o bom andamento do trabalho de parto.

Elas podem ser parteiras tradicionais (que são aquelas que não possuem estudo técnico e vivem em regiões rurais ou afastadas – o que é o caso das que conheci no interior do Amapá), enfermeiras obstetras ou obstetrizes, formadas em cursos específicos e reconhecidos.

As parteiras podem ter formação técnica ou conhecimento prático, e com sua experiência podem usar como: manobras e posições, chás e alimentos, medicamentos, banhos de ervas, massagens e rezas, usar oxigênio, medicamentos para conter hemorragias, fazer suturas e reanimações.

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

O Amapá é o Estado brasileiro onde mais se faz partos normais. As mulheres na Amazônia são responsáveis por ajudar milhares de outras mulheres a dar à luz. E assim povoaram o Estado por gerações. São pescadoras, donas de casa, agricultoras, extrativistas que são chamadas a qualquer hora do dia ou da noite para invadir ruas e florestas a dentro para auxiliar as parturientes. Algumas recebem como pagamento valores de R$ 10 a R$ 40 reais, ou cereais e galinha, mas a maioria se nega a qualquer auxílio pois acreditam que foram escolhidas por Deus para “puxar barriga” e “pegar menino”.

Eu conversei com uma das parteiras do município de Tartarugalzinho, veja o vídeo:

foto

Fonte Internet

Nas pesquisas que fiz na internet após voltar de viagem, me deparei com a figura da Mãe Luzia – uma uma mulher surpreendente, que nasceu em 1854; era descendente de escravos e pelas suas mãos nasceram milhares de crianças de várias gerações.

O coronel Coriolano Jucá (espécie de prefeito de Macapá em 1895) a convidou para trabalhar como parteira, com remuneração. Além de trabalhar como lavadeira e passadeira durante o dia. Lavava roupa com os seios expostos, como seus ancestrais, porque sempre aparecia um filho de parto para amamentar, e vestia uma bata branca quando autoridades chegavam a sua casa para receber conselhos.

Parteiras da Floresta, por Eliane Brum

Aproveito para compartilhar trechos desse texto lindo da Eliane Brum:

Parteiras da Floresta, Por Eliane Brum

Elas nasceram do ventre úmido da Amazônia, no extremo norte do Brasil, no Estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas.

Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocuruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.

Encarapitadas em barcos ou tateando caminhos com os pés, a índia Dorica, a cabocla Jovelina e a quilombola Rossilda são guias de uma viagem por mistérios antigos. Unem-se todas pela trama de nascimentos inscritos na palma da mão. Pegar menino é ter paciência“, recita Dorica, a mais velha parteira do Amapá. Aos 96 anos, mais de 2 mil índios conheceram o mundo pelas suas mãos. “Mulher e floresta são uma coisa só“.  “A mãe-terra tem tudo, como tudo se encontra no corpo da mulher. Força, coragem, vida e prazer.”

Das entranhas do corpo feminino Dorica nada arranca, apenas espera. “Puxa” a barriga da mãe endireitando a criança, lambuzando o ventre com óleo de anta, arraia ou mucura (gambá) para apressar as dores. Perfura a bolsa com a unha se for preciso e corta o cordão umbilical com flecha se faltar tesoura. Pegar menino é esperar o tempo de nascer. Os médicos da cidade não sabem e, porque não sabem, cortam a mulher.”

As parteiras da floresta comungam da religião católica. Algumas adotaram as pentecostais. Outras são espíritas, batuqueiras. Mas no coração vive uma religião antiga, em que a grande deidade era feminina. Aquela que governa o nascimento-vida-morte, presente-passado-futuro. Hoje, mesmo invocando um deus masculino, o Espírito Santo ou os orixás, elas guardam uma herança silenciosa em que o feminino é fonte de toda a vida, e cada mulher é a guardiã do mistério. Quando remam quilômetros por rios ou vão “de pés” para auxiliar uma igual a consumar o milagre da vida.

O parto é símbolo de resistência, uma lembrança subversiva de que cada mulher guarda um pouco da deusa.

O que essa mulherada sofre na maternidade é um golpe. Aqui, se o menino acomodou de mau jeito, a gente vai e dobra. Vou puxando até ele se ajeitar, botar a cabeça no lugar. Aí não precisa cortar. Médico, coitado, não sabe dobrar menino.” Parto é mistério de mulher. Feito por mulheres, entre mulheres.

Está além da compreensão das parteiras da floresta que a vida se desenrole no hospital, como se doença fosse. Parto não é sofrimento. É festa. Rossilda, 63 anos, do quilombo do Curiaú, pega o rumo de cada parto acompanhada de outra parteira, Angelina. Em espírito invocado, porque Angelina deixou este mundo há muito. Vencidas as nove luas, os homens são despachados para não fazer zoada. Parto é festa feminina. Rindo um pouco, rezando outro tanto, de branco dos pés à cabeça, Rossilda vai ajeitando a criança, vigiando a dor. Quando se vê, “lá vem o menino escorregando pro mundo“.

Assim como a criança, o dia nasce sem outra força que não seja a da natureza. Surge em hora precisa, sem que ninguém tenha de arrancá-lo do ventre da noite.

Do útero circular, a índia Nazira aviva a chama: “Índia, crioula, brasileira, é uma dor só. O mesmo coração de mulher“. Aos 92 anos, Juliana é a mais antiga parteira de Macapá: “Nasci em 20 de janeiro de 1908, dia de São Sebastião. Casei com 15 anos, por amor e mais nada. Comecei a partejar com fé em Deus e sozinha. Fiquei com as mãos aleijadas pelo sangue da mulher. Este sangue é muito forte, vai encaroçando sem que a gente faça fé. Minha única filha não quis que eu aparasse o menino, morreu de parto por sua vontade. Quando me chamaram já era tarde, minha filha estava perdida. Neste mundo fiz 339 filhos de pegação. Era importante a vida antiga porque de tudo se entendia. Agora não se entende é mais nada“.

Aproveitem para assistir o vídeo com entrevista de Eliana Brum com as parteiras! Aperta o play:

Sua opinião 

Ressalto que conheço muitooo pouco sobre o assunto. Não tenho formação na área de saúde, tampouco sou pesquisadora ou estudiosa do tema. Inclusive, nunca pari. O que despertou meu interesse inicialmente foi a conversa que tive com as parteiras em dezembro do Amapá. Voltei bem curiosa sobre o assunto. Como em menos de um mês, Dilma lançou as recomendações para estimular o parto normal, juntei as duas coisas e resolvi escrever esse post para dividir essa minha descoberta com vocês.

Se você é profissional de saúde, lê sobre o tema, ou é mulher e gostaria de contar sua experiência, fique a vontade. Mande suas dúvidas também, para discutirmos juntas. Será maravilhoso para mim poder conhecer mais!!! :-)

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03
agosto
2012
Pela Bahia… Casa Nova #Eleições2012

Localização de Casa NovaNas viagens pelo interior da Bahia, conheci também o município de Casa Nova. Localizado no extremo norte do estado, a cidade me surpreendeu pela animação e engajamento político do seu povo. Já estive lá em duas oportunidades: na festa da padroeira do distrito Lago do Alegre e na caminhada e comício das mulheres. No segundo evento, foram mais de 5.ooo pessoas caminhando junto ao candidato do PMDB, Wilson Cota, e ao deputado federal Lúcio Vieira Lima. O comício foi enorme e a alegria tomou conta de todos. (leia mais…)


21
julho
2012
Pela Bahia… Jacobina!

No início do mês, estive em Jacobina, conhecida como “Cidade do Ouro” e localizada no centro norte baiano, para uma convenção partidária. A vista é linda e o povo acolhedor. [clap]

Criado em 1722, o município tem 79.285 habitantes e é rodeado por serras, morros, lagos, rios, fontes e cachoeiras. Conhecida pelo turismo ecológico, fica a  330 quilômetros de Salvador e a atual situação administrativa da prefeitura tem rendido inúmeras críticas por parte da população. A temperatura é uma delícia, um friozinho daqueles que pedem um vinho… rs 

 

 

 

 

 

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20
julho
2012
Pela Bahia… Piraí do Norte!

Localização de Piraí do NorteAmigos, hoje começamos um novo projeto no blog. Desde que voltei a morar na Bahia que tenho o sonho/objetivo de falar um pouco mais do nosso estado e suas belezas e diversidade.

Depois de muito avaliar, resolvi criar o projeto “Pela Bahia…” que constará de posts aqui no blog tratando de viagens pelo interior do estado.

O nome, fruto de muito, muito pensar… (rs) tem sentido ambíguo: * “pela Bahia” no sentido de “viajar pela Bahia”, “sair pela Bahia a fora” (é uma expressão muito utilizada no interior); e * “pela Bahia” no sentido de “fazer pela Bahia”, de “ser pela Bahia”. Gostaram?

Olha, o “fazer pela Bahia” bolei porque acredito que podemos muito mais pelo nosso estado. Acredito que juntos, divulgando, levando informação a todos do estado.

Vamos fazer pela Bahia. Vamos fazer nossa parte.

E vamos a primeira viagem (das que inicio os relatos hoje – porque, depois vou contar sobre algumas viagens legais que já ocorreram):

Dia 09 de junho, viajamos de São Domingos para Valença, de avião e corremos para o hotel. Depois de um breve descanso de minutinhos (poucos minutinhos mesmooo – rs), seguimos para o município de Piraí do Norte pela BA-250.  Só que havia chovido muito e a pista, em péssimo estado, virou lama pura (super escorregadia e perigosa).  [medaOOs] Depois de mais de 40 minutos de viagem eis que acontece o inevitável: encontramos caminhões atolados na “pista” fechando a passagem para que ia ou voltava de Piraí do Norte. (leia mais…)


19
julho
2012
Pela Bahia… São Domingos

Localização de São DomingosA minha [brilha] primeira viagem para o sertão da Bahia, acompanhando o deputado Lúcio Vieira Lima foi hoje (06 de junho), para o município de São Domingos. Pousamos em Valente e fomos recebidos por comitiva da região (São Domingos, Santa Luz, Valente) e seguimos para São Domingos, onde Izaque Júnior, prefeito do município, foi filiado ao PMDB pelo presidente Lúcio Vieira Lima. Estiveram por lá Roberval Rios, vereadores Luizão e Paulão, de Santa Luz, Joelcio Martins, Gabriel Mota, Jorginho, Izaque Pinheiro Neto e Domingos Naftel. (leia mais…)