Arquivo para Política Internacional - Daniele Barreto
07
dezembro
2015
Natal na Casa Branca

(calma! esse continua sendo um blog sobre política hahaha)

Aiai, vamos dar uma pausa nos noticiários policiais políticos para falar de outra coisa que amo: o Natal! Quem não se encanta com o brilho nas casas, a receptividade das pessoas, o clima de amor e bondade no ar, as lojas enfeitadas numa armadilha certa para levar todo o seu décimo terceiro. Natal é a época do ano que mais amo. Além de ter nascido em dezembro (oh, Graças a Deus), sou invadida por essa fraternidade que toma conta de todos, e pela possibilidade de – aproximando-se um novo ano – fazer um balanço das realizações e renovar os votos de esperança, força, determinação e criatividade consigo mesmo.

Mas, pelo visto, alguns políticos também se entregam ao clima natalino. Um deles é Obama, que teve a Casa Branca toda decorada nas cores e símbolos do Natal. E a Primeira Dama do mundo dos Estados Unidos Michelle Obama abre as portas da Casa Branca – conhecida pelas decorações fantásticas – para a imprensa especializada para apresentar a decoração de Natal – arte do designer e organizador de eventos Bryan Rafanelli, que ajudou os funcionários da Casa na decoração com o tema: moda! Imprensa e convidados em Washington D.C. puderam conferir a apresentação oficial.

First Lady Debuts White House Holiday Decorations

Michelle convidou três dos seus estilistas favoritos para assinar a ornamentação de espaços da Casa Branca.

Também colaboraram 120 voluntários de 35 estados dos Estados Unidos, que levaram 5 dias decorando a árvore e ornamentos.

Biblioteca

Com 2.700 exemplares, dentre eles raridades e manuscritos, a biblioteca foi decorada por Carol Lim e Humberto Leon fundadores da Opening Ceremony e diretores de estilo da Kenzo.

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Sala China

Assinada por Carolina Herrera, a sala China ganhou decoração bem tradicional, com muitas caixas de presentes. Além de pinheiros frescos de cada lado das portas para aguçar o olfato, e um perfumado adorno de eucalipto na lareira. Também foi usado canela em pau amarradas entre os enfeites das árvores para registrar os cheiros do Natal e deixar a sala ainda mais perfumada.

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Sala Vermeil

A sala Vermeil ganhou a assinatura do estilista nigeriano baseado em Londres, Duro Olowu. Apostando em ursinhos coloridos, criou uma bela festa para os olhos, com atmosfera, mágica e surrealista. Foram usados tecidos vintage para forrar ursos e bolinhas de Natal das árvores.

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Veja mais fotos da decoração natalina da Casa Branca, 2015:

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First Lady Debuts White House Holiday Decorations White House Decorations - Washington, DC

natal casa branca 12  First Lady Debuts White House Holiday DecorationsA decoração está linda, né? Não só na atitude e na política que Michelle arrasa.

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31
agosto
2015
Mujica: lições, simplicidade e indiretas

Oi, pessoal, bom dia!

Pra vocês não dizerem que só posto notícia ruim sobre a política (ninguém nunca disse isso rsrs), vamos começar a semana falando do DIVO da política da América Latina, Mujica, que está no Brasil a alguns dias e arrebatou os corações de mais de 10.000 jovens para os quais palestrou no final de semana.

Falando sinceramente, eu nem sabia que o uruguaio estava no Brasil; tomei conhecimento em uma a postagem, da palestra que ele proferiu junto com o Lula, no Facebook de uma amiga (Flávia) e só então pude correr para conferir as matérias sobre sua passagem por essas terras.

Eu, obviamente, morri de inveja por não ter tomado conhecimento antecipado dos eventos para participar e fazer a cobertura para o blog (oportunidade imperdível de ouvir o Mujica pessoalmente). Como não foi possível, dei uma geral nas matérias sobre a vinda dele ao Brasil, os eventos que participou para contar tudo para vocês. Ah, e uma breve biografia!

Se você não conhece Mujica, vamos às apresentações:

Quem é Mujica

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Pepe Mujica (foto: internet, sem autor)

José Alberto Mujica Cordano, conhecido popularmente como Pepe Mujica, é um agricultor e ex-presidente do Uruguai. Atualmente, Senador. Combateu a ditadura no país (1973-1885), como guerrilheiro (no Movimento de Libertação Nacional-Tupamarcos). Passou 14 anos na prisão, de onde só saiu no final da ditadura, em 1985. Já foi deputado, ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca.

Em 2009, Mujica venceu as eleições para presidente com uma porcentagem superior aos 52% dos votos válidos. Sua posse reuniu e políticos como Hillary Clinton, Cristina Krichner, Nestor Kirchner, Hugo Chávez.

Notabilizou-se por doar quase a totalidade dos 12.500 dólares mensais que recebia como presidente, para ONGs e pessoas carentes, morando numa casa em sua pequena fazenda. Afirmava que os R$ 2.800,00 que sobravam dava para viver bem, e costuma dizer que tem que bastar porque há outros uruguaios que vivem com bem menos. Mesmo presidente, não deixou de lado seus hábitos simples e a humildade. (marcas que os políticos brasileiros desconhecem)

Mujica se torna líder e guru de uma juventude sedenta por novos valores. Não filosofa ao vento, sua conduta pessoal e vida são reflexo do que prega. Por isso, fascina a juventude com sua sabedoria.

Mujica no Brasil

“Não há homens imprescindíveis. Há causas imprescindíveis.”

Evento em São Bernardo Do Campo, com Lula

Mujica participou inicialmente de evento promovido pela Prefeitura de São Bernardo do Campo, neste sábado. E começou seu discurso com uma indireta aos políticos personalistas – estando ao lado de Lula, maior figura do petismo e personalista-mor da política brasileira, soou como uma indireta.

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Mujica e Lula em evento em São Bernardo, dia 19.08

Pepe tocou em pontos nevrálgicos da política brasileira:

  • Partidos Políticos

Disse que os partidos são fundamentais em uma democracia, porque as siglas “lutam pelo amanhã”, enquanto os governos sói pensam no hoje. “Os partidos adoecem quando se transformam em agências de emprego. Porque são assim os seres humanos”, lamentou.

“Não há democracia sem partidos. Eles são a vontade coletiva dos grupos humanos para construir coisas melhores. Não há homens imprescindíveis, há causas imprescindíveis. Os dirigentes partidários precisam aprender a conviver com as maiorias e não [com] as minorias”, disse Mujica.

  • Ética e sonhos

O ex-presidente do Uruguai concluiu a fala mencionando valores como ética na política. “Não se pode separar a economia da alma, da ética e dos sonhos. Quando deixarmos de sonhar e crer num mundo melhor sobrará o egoísmo e o mundo individual”, disse. Mujica representa esse mundo. Ele confere esperança de que ainda será possível – e é -, que políticos vivam, como ele costuma explanar, como a maioria da população e não como a minoria.

  • Dinheiro e política

 Disse que quem busca dinheiro não deve se empenhar na política – de onde só deve se buscar o “o carinho das pessoas”. “Gente que gosta de dinheiro deve para o comércio, a indústria… e pagar impostos”, arrematou.

REAÇÃO INTERNA DOS NOSSOS POLÍTICOS kkkkkkkk

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No mesmo evento, Lula informou que decidiu “falar e viajar mais” pelo país. Citou que depois que deixou o governo resolveu falar menos (para não aparecer mais do que Dilma), buscando “aprender” a ser ex-presidente, mas que, como os adversários não o deixam em paz, ele voltou a voar novamente. Reclamou que a direita resolveu dizer que ele “está morto” e que ele vai voar. O ex-presidente disse sentir que há “um certo ódio emocional, uma irracionalidade emocional” no país que, para ele, faz com que se estabeleça uma “divisão nacional.”

“Um presidente não deve se confundir com um monarca”.

Mujica no Rio de Janeiro

Mujica lotou o anfiteatro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), dia 26.08, onde falou para 10.000 mil participantes. Devido à lotação do espaço, a universidade colocou um telão em um estacionamento, possibilitando que outras pessoas assistissem a palestra (o local também lotou hahaha). Foi aclamado como um pop star.

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Público espera Mujica na UERJ (Foto: Marcelo Elizardo/G1)

Pelo que li nos sites, o próprio Mujica sugeriu realizar o encontro com os estudantes e respondeu perguntas sobre diversos temas:  “movimentos golpistas” na América do Sul, os maiores desafios da América Latina, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), exemplos históricos e os livros que mudaram a sua percepção de vida.

“O problema mais grave da América Latina é a desigualdade. Temos que ter recurso e isso se chama política fiscal. Na América do Sul o rico não paga quase nada. O mundo está se agrupando em gigantescas unidades. A União Europeia está criando uma fabulosa unidade de capital. Qual é nosso destino, ser compradores de conhecimento de ponta? Que a batalha para liberdade seja também no campo da investigação”.

  • Descriminalização das drogas

Sobre a descriminalização das drogas para uso pessoal, Mujica falou que o melhor combate será ao narcotráfico.

“Iniciamos essa experiência no Uruguai e não sabemos no que vai dar, mas o que estava sendo feito não dava resultados. O narcotráfico é pior do que a droga. O que queremos é regularizar o consumo, assegurar que o consumidor possa comprar uma dose sem ter que recorrer ao narcotráfico”.

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Ex-presidente do Uruguai José Mujica durante debate com jovens (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

Durante a tarde, Mujica almoçou no Bar do José, na esquina das ruas Barão de Ubá e Santa Amélia, na Tijuca, Zona Norte. No restaurante, foi servido feijoada, rabada com agrião, cerveja e caipirinha.

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Mujica bebendo cerveja no bar do Zé, na Praça da Bandeira (Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo)

A diferença de Mujica para qualquer outro político que estivesse nos mesmo lugares dizendo as mesmas palavras sensatas é uma só: ele é exemplo do que prega! De filósofos da ética estamos cheios. De bravatas proferidas em palanques também. De gestores populistas que enriquecem na política temos os montes (e continuam com o discursinho barato de moralidade e justiça social). Mujica é o que os jovens precisam: exemplo! Só se muda um país com exemplos, e hoje, no Brasil, não temos nenhum.

Mujica é a esperança na decência. Que celebremos o vizinho Mujica!

“A liberdade não se vende, se ganha fazendo algo pelos demais”, disse o ex-presidente.

Para que você possa ler mais sobre a passagem do Mujica pelo Brasil, selecionei algumas matérias dos principais portais de notícias! (sou fofa com vocês, leitores do blog, né? hehe)

E aproveite para ler uma entrevista imperdível do ex-presidente Uruguaio na Revista Fórum, clique AQUI! É uma das minhas favoritas do Pepe!

E vocês, o que acham da forma de viver e pensar do líder uruguaio Mujica? Deixe sua opinião aqui e nas redes sociais. ;)

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13
maio
2015
Como vivem estrangeiros presos no Brasil depois de cumprir a pena?

Olá, pessoal, bom dia!!!

Ontem, não tivemos atualização n blog porque eu estava muitooo doente, com a garganta super inflamada e só me restou ficar na cama e r para o médico, mas vou escrever sobre vários assuntos hoje para compensar, ok?

O primeiro deles é um tema pouquíssimo debatido:  situação de estrangeiros que cometem crimes e ao cumprir suas penas são soltos e não possuem condições de regressar aos seus países. Vi a notícia no portal UOL e fiquei bem motivada a pesquisar mais sobre o assunto e trazer informações para vocês para discutirmos o tema.

Então, vamos usar aquele formato “Comentando a matéria”, no qual eu transcrevo o texto (em azul) e vou tecendo meus comentários (preto itálico) sobre trechos. Vamos lá?

Condenados estrangeiros vivem limbo ao sair do Brasil na prisão

A cabeleireira Maria (nome fictício), de 60 anos, passou 3 anos e meio presa no Brasil, condenada por tráfico internacional de drogas, após policiais federais encontrarem 2 kg de cocaína em sua mala quando ela esperava no aeroporto de Guarulhos (SP) para embarcar de volta para casa, em um país do centro-sul da África.

Ela conta que veio ao Brasil comprar bolsas e extensões de cabelo, para revender em seu salão de beleza. Mas alega que foi enganada por seu contato no país, que teria colocado as drogas em sua mala sem o seu conhecimento.

Não raro a mídia relata casos de estrangeiros em situação de vulnerabilidade econômica ou com pouca instrução que são enganados por quadrilhas, companheiros ou amigos e levados a transportar, muitas vezes sem seu conhecimento, drogas ilícitas para outros países.

Maria ficou detida na Penitenciária Feminina da Capital, na zona norte de São Paulo, e em novembro passado ganhou o direito de cumprir o restante da pena – que acaba em dezembro de 2016 – em liberdade condicional.

Vale ressaltar  que 90% dos presos estrangeiros no Brasil cumprem pena por tráfico internacional de drogas. Atuam como “mulas” do tráfico. E em regra, as mulheres que traficam são enganadas por companheiros ou amigos, como citei acima. Dificilmente se trata, ela, de traficante com relevância na cadeia do tráfico, mas de pessoa usada para realizar atividades nas quais os homens não querem se expor.

O problema é que, sem falar português, sem conhecer ninguém, sem ter acesso a documentos ou formas de conseguir trabalho, Maria ficou à deriva na metrópole.

Segundo estudo, a maioria gostaria de cumprir pena em seu pais e reclama da demora os ritos processuais no Brasil. A grande dificuldade da Defensoria Pública para defende-los, é a língua. Outro entrave é a produção de provas que, geralmente, deveria ser feita no país de origem.

“Todo o dinheiro que eu tinha comigo usei para pagar aluguel de um quarto”, diz Maria à BBC Brasil, em inglês. “Não conheço ninguém aqui. Vou para lá e para cá procurar emprego e não consigo, porque me pedem a carteira de trabalho. Quero ir para minha casa.”

Maria recebe o auxílio jurídico da ONG Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, que averiguou que o inquérito de expulsão dela tramita desde 2011, mas não avançou.

Esse tipo de inquérito, instaurado para os estrangeiros condenados por crimes considerados graves (tráfico internacional de drogas incluído), passa pelo Ministério da Justiça e a Polícia Federal e pode demorar meses ou mesmo anos.

A etapa seguinte prevê que os estrangeiros aguardem a compra da passagem aérea (feita pelo governo brasileiro), sejam escoltados ao aeroporto e enviados a seu país de origem, sem poderem mais voltar ao Brasil. Esse trâmite também costuma ter prazo indefinido.

Em janeiro, o governo brasileiro regulamentou também a legislação que possibilita que os estrangeiros nessas condições residam no país. Mas a falta de celeridade do Judiciário brasileiro atrapalha as pessoas que necessitam de soluções para retornar aos seus países de origem.

Maria também aguarda, no momento, a emissão de um Registro Nacional de Estrangeiro que lhe permita buscar emprego enquanto cumpre o resto de sua pena e não pode sair do país. Sem ele, por enquanto, só lhe resta tentar bicos como cabeleireira.

Segundo especialistas consultados pela BBC Brasil, muitas histórias de presos estrangeiros têm semelhanças com a de Maria: depois de cumprirem suas penas e às vezes durante a liberdade condicional, eles vivem um limbo, por não terem direito (ou dinheiro) para voltar ao seu país por conta própria, ao mesmo tempo em que enfrentam dificuldades para obter trabalho ou moradia.

Além da língua ser um grande problema para a comunicação, para arranjar emprego, para conseguir se socializar.

Muitos sobrevivem em subempregos, e alguns acabam reincidindo no crime.

Resolução

O Ministério da Justiça informou à BBC Brasil que, no ano passado, foram instaurados 40 inquéritos de expulsão e 223 portarias de expulsão (fase anterior do processo) e ressalta que o procedimento envolve diversas etapas, desde a coleta de provas à manifestação da defesa.

Os dados mais recentes do Departamento Penitenciário, de junho de 2013, dão conta de 3.191 presos estrangeiros no país – a maior parte deles vinda dos continentes americano e africano -, e muitos deles possivelmente passarão por experiência parecida com a de Maria.

O defensor Daniel Chiaretti, da Defensoria Pública da União, explica que estrangeiros em liberdade condicional têm direito à regularização migratória, ainda que muitos aguardem meses pela expedição de documentos e carteiras de trabalho.

“E quem cumpriu a pena fica à deriva mesmo. Quando essa pessoa está detida ao final do cumprimento da pena, costuma ser expulsa do país mais rapidamente, em casos considerados mais prioritários”, diz ele.

Importante:

“Se ela está fora da prisão (por exemplo, em condicional) quando sua pena acaba, ela fica sem direito à regularização migratória até a expulsão, processo que pode levar anos ou (seguir) indefinidamente, já que a verba do governo para executá-las é restrita. Muitos vão para o mercado informal, em trabalhos degradantes como o de homem-placa. Os que constituem família no Brasil às vezes conseguem se naturalizar.”

Uma resolução publicada no ano passado pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), ligado ao Ministério do Trabalho, ajudou a unificar o tratamento jurídico dado a presos estrangeiros e a lhes garantir direitos concedidos a outros detentos, como liberdade provisória e progressão da pena.

Mas, segundo o ITTC, esse avanço trouxe consigo alguns efeitos colaterais.

“É ótimo poder recorrer de sua pena em liberdade, mas os estrangeiros não contam com nenhuma estrutura, com sequer uma política de albergues. A maioria fica sem seu passaporte (retido nas investigações). E, sem visto (de trabalho), como eles vão viver?”, aponta Isabela Cunha, advogada do ITTC.

A regulamentação da Resolução Normativa 110, do Conselho Nacional de Imigração (CNIG) supre uma lacuna e possibilita a regularidade migratória. Antes, o estrangeiro cumprindo pena não poderia regularizar sua situação e nem tinha garantido seu retorno ao país de origem. Com a regulamentação, facilita a concessão de progressão de regime ou liberdade provisória.

Também auxilia na ressocialização dos que pretendem obter residência provisória, que passam a possuir endereço – o que auxilia para conseguir emprego e melhor ambiente social.

Dificuldades

A ONG acompanha o caso de cerca de 400 mulheres estrangeiras no país, muitas em situação precária. O desalento é maior em casos de estrangeiros vindos de países pobres, que têm menos assistência consular.

Segundo o ITTC, entre as estrangeiras, muitas são presas ao se arriscar a transportar drogas internacionalmente para sustentar famílias pobres ou são usadas como “iscas” por traficantes para serem pegas nos aeroportos. Sem amparo no país após cumprir a pena, se tornam vulneráveis.

Aquela questão que conversamos acima, sobre a vulnerabilidade da mulher diante do crime. Mulheres de países pobres e com uma série de dependências (psicológicas e materiais) terminam se tornando iscas fáceis para traficantes.

“Acabam fazendo faxina por menos do salário mínimo; algumas se envolvem de novo com aliciadores ou acabam sendo presas novamente, por pequenos roubos ou envolvimento com drogas.”

Cunha recorda da história de uma egressa latino-americana que engravidou no Brasil.

“(Após cumprir a pena), ela vivia praticamente em situação de rua, e o bebê foi levado a um abrigo. A mãe acabou perdendo a guarda e a criança foi adotada. Ela não tem mais como recuperá-la.”

No CRAI (Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes no centro de São Paulo), que dá abrigo e atendimento a estrangeiros no país, estão duas mulheres que, em liberdade provisória, tentam conseguir emprego enquanto aguardam o cumprimento de sua pena, explica Cleyton Borges, integrante da Sefras (entidade franciscana que administra o centro em parceria com a prefeitura).

Borges cita uma portaria de janeiro, emitida pelo Ministério da Justiça, que permite que o estrangeiro em condicional ou no regime semiaberto tire carteira de trabalho.

O ministério agrega que a portaria tira do caminho entraves administrativos que “provocavam graves dificuldades para os presos serem ressocializados em condições isonômicas no Brasil”.

Mas não é uma solução total, diz Borges. “Existe desde o contexto carcerário como um todo – tanto estrangeiros quanto brasileiros sofrem muito preconceito e violência institucional, o que os penaliza além da pena – até o excesso de burocracia envolvendo os estrangeiros.”

A Carteira de Trabalho apenas não resolve, quando se tem preconceitos por se tratar de ex-presidiário, dificuldades de comunicação, língua diferente, falta de qualificação adequada, nível de instrução muito baixo. É necessário que se ampare de forma mais realista os estrangeiros (especialmente as mulheres) nessas condições.

Reforma

Para Chiaretti, da Defensoria, a saída seria agilizar os processos jurídicos e burocráticos via reforma do Estatuto do Estrangeiro, atualmente em debate no governo, “com leis mais modernas de regularização dessas pessoas”.

“Até para os padrões latino-americanos, nossas leis são atrasadas (nessa questão)”, diz.

Os especialistas consultados pela reportagem defendem, também, a expulsão antecipada de alguns presos a seus países, enquanto ainda cumprem sua pena.

“Isso precisaria ser visto caso a caso, mas pessoas que já cumpriram parte da sua pena e não têm interesse em ficar no Brasil poderiam ser expulsas. O que elas vão ficar fazendo aqui?”, diz Cunha, do ITTC.

Se as pessoas querem retornar para seus países, por vínculos familiares, não vejo nenhum motivo para que não se defira o retorno imediato. inda que não cumpram pena lá, o custo social e financeiro para o Brasil é muito alto em mantê-los. Além de impactar o sistema penitenciário, aumenta o número de processos e deixa os cidadãos expostos a mais criminalidade. Se o Brasil não tem como amparar de forma séria, suprindo necessidades educacionais e profissionais dessas pessoas e garantindo direitos mínimo e vida com dignidade, não há motivos para mantê-las aqui.

Ainda é possível transferir alguns presos para seus países de origem, mas poucos países têm tratado com o Brasil para tal.

O Ministério da Justiça afirmou que existe um grupo de trabalho interministerial que desde 2014 “tem a finalidade de elaborar propostas e definir diretrizes quanto à situação de presos estrangeiros no país”.

E vocês, o que acham sobre o assunto? Já tinham lido a respeito?

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07
janeiro
2015
Ataque terrorista na França na manhã de hoje

Oi, gente,

O primeiro post do dia hoje seria outro, mas mudei…

Estava tentando (desde segunda-feira de tarde estou empenhada nessa missão) terminar o post sobre os ministros de Dilma, quando meu Twitter começou a ser inundado de mensagens sobre a revista #CharlieHebdo. Mais uma vez o mundo se choca com um ataque terrorista. E nessa tarde de quarta-feira, enquanto acompanho as notícias em tempo real no Google, não poderia deixar de falar com vocês do assunto.

Vu reproduzir abaixo a matéria do G1 e fazendo comentários sobre o ocorrido (como sempre fazemos por aqui: o conteúdo da matéria em negrito e itálico, comentários em azul).

 A matéria original foi publicada no G1, que você clicando AQUI

Ataque em sede de revista em Paris deixa mortos

Polícia francesa disse que 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas.
Alvo foi sede de revista satírica que já foi atacada por muçulmanos.

Homens armados são vistos saindo de um carro e apontando armas a um carro da polícia perto do escritório da revista satírica 'Charlie Hebdo', em Paris (Foto: Anne Gelbard/AFP)Homens armados são vistos saindo de um carro e apontando armas a um carro da polícia perto do escritório da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris (Foto: Anne Gelbard/AFP)

Pelo menos 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas em um tiroteio em Paris nesta quarta-feira (7). O crime aconteceu no escritório da revista satírica “Charlie Hebdo”, que já havia sido alvo de um ataque no passado após publicar uma caricatura do profeta Maomé.

Comentário: Importante lembrar que a revista satirizava outras religiões, além da mulçumana, já tendo exibido charges envolvendo otras autoridades religiosas, como o Papa Francisco, que, após a barbárie, expressou sua “firme condenação” ao que chamou de um “horrível atentado”.

Todos os mortos foram identificados. São eles: o editor e cartunista Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, o lendário cartunista Wolinski, o economista e vice-editor Bernard Maris e os cartunistas Jean Cabu e Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, além do também desenhista Phillippe Honoré, do revisor Mustapha Ourad e da psicanalista Elsa Cayat, que escrevia uma coluna quinzenal para a “Charlie Hebdo” chamada “Divan”.

Comentário: Vários veículos de comunicação da França colocaram-se a disposição do Charlie Hebdo para ceder material de trabalho para que mesmo após o atentado, a revista continue funcionando. Muitos compararam o atentado ao ocorrido em 11 de setembro nos Estados Unidos.

Cartunistas de vários lugares do mundo já se manifestaram sobre o atentado, condenando o fato e enfatizando a coragem dos profissionais mortos (alguns dos quais figuravam na lista dos maiores cartunistas do mundo). ‘Eu sempre temi por eles’, diz Ziraldo sobre cartunistas mortos em ataque.

Entre as outras vítimas fatais, segundo o jornal “Le Monde”, estão o policial Franck Brinsolaro, morto dentro da redação, e o agente Ahmed Merabet, que morreu já na rua, durante a fuga dos atiradores. No ataque também morreram um funcionário da Sodexo que trabalhava no prédio, Frédéric Boisseau, de 42 anos, e um convidado que visitava a redação, Michel Renaud.

Ainda de acordo com o jornal, o jornalista Philippe Lançon é uma das vítimas gravemente feridas. Crítico literário do jornal “Libération”, ele escreve crônicas para a “Charlie Hebdo”. A agência Reuters, citando a polícia, diz que 11 pessoas ficaram feridas, sendo quatro em estado grave.

A cartunista Corinne Rey, que afirma ter sido forçada a deixar os atiradores entrarem na redação, diz que eles falavam francês fluentemente. Em uma entrevista ao jornal “l’Humanite”, ela contou que conseguiu se esconder embaixo de uma mesa durante a ação, que durou cerca de cinco minutos.

Segundo fontes policiais, os autores do ataque gritaram “Vingamos o Profeta!”, em referência a Maomé, alvo de uma charge publicada há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo muçulmano.

Os jornais franceses “Le Monde” e “Metro News” dizem que três suspeitos foram identificados, mas ainda não há informações oficiais.

Comentário: Já há confirmação, mas não se sabe ao certo se mais de 3 terroristas participaram da ação.

De acordo com fontes policiais ouvidas pela agência Reuters, dois dos suspeitos seriam irmãos que moram em Paris e o terceiro seria de Reims.

Vigília pelas vítimas
Mais de 100 mil pessoas foram às ruas de várias cidades da França em uma vigília às vítimas da “Charlie Hebdo”.

Comentário: Alguns veículos de comunicação alertaram para o perigo da mobilização na França, tendo em vista que os terroristas também têm por método agir em locais com grande concentração humana, como homens bomba – o que põe em risco os manifestantes. (mas milhares de pessoas continuam nas ruas na França)

Em Paris, convocados por vários sindicatos, associações, meios de comunicação e partidos políticos, cerca de cinco mil pessoas se reuniram a partir das 17 horas (14 horas de Brasília) na praça da República, centro da capital, perto da sede do semanário.

Comentário: Em vários lugares do mundo estão sendo realizadas manifestações pelas vítimas do atentado e contra o terror. No mapa disponível na internet, você fica sabendo em quais locais haverá a manifestação para participar.

Alguns usavam adesivos e cartazes onde se podia ler a mensagem “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”), que também circula nas redes sociais.

Manifestantes se reúnem na Praça de la Republique, em Paris, para protestar contra o atentado à sede da revista (Foto: Christophe Ena/AP)Manifestantes se reúnem na Praça de la Republique, em Paris, para protestar contra o atentado à sede da revista (Foto: Christophe Ena/AP)

O procurador da República, François Molins, precisou os detalhes dos acontecimentos em coletiva de imprensa.

Segundo disse, dois indivíduos entraram na sede da revista e perguntaram a dois funcionários da manutenção onde era a entrada. Em seguida, atiraram em um dos funcionários e renderam o outro no segundo andar do prédio, onde acontecia a reunião de pauta dos funcionários da publicação. Lá, atiraram e mataram 10 pessoas, sendo 8 jornalistas, um convidado e um policial encarregado da segurança.

Comentário: Eu achei estranho o fato  dos terroristas (até onde se tem informações) saberem o andar e/ou sala onde se encontravam os jornalistas reunidos. E o fato de, coincidentemente, estarem todos os cartunistas mais importantes da redação reunidos naquele momento em um único espaço. Como obtiveram essas informações de horário e local?

Molins confirmou a informação de fontes policiais de que os autores do ataque afirmaram “vingar o profeta” durante o atentado. Segundo ele, os suspeitos fugiram de carro em direção ao norte de Paris, bateram em outro veículo e então abandonam o carro em que estavam. Depois, renderam um motorista e fugiram em outro carro.

O número de suspeitos envolvidos no crime ainda é incerto e não foi confirmado pela polícia. Eles ainda são procurados e são perigosos, segundo as autoridades.

O Ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse que três suspeitos são procurados.

Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista ‘Charlie Hebdo’ mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut – o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier – o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)

Mais cedo, Rocco Contento, porta-voz do sindicato dos policiais local, disse a jornalistas que três suspeitos fugiram em um carro dirigido por um quarto homem, segundo informações do jornal “The Guardian”.

‘Ataque terrorista’
O presidente francês, François Hollande, acrescentou que “40 pessoas foram salvas”. Ele classificou o caso como um “ataque terrorista”, e disse que a França está em estado de choque. Os autores do ataque são procurados pela polícia.

Hollande reconheceu que o governo sabia que a França “estava ameaçada, como outros países do mundo”, e afirmou que “foram desbaratados vários atentados terroristas nas últimas semanas”.

Comentário: O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou o ataque terrorista e expressou solidariedade com a França na luta contra o terrorismo. “Os assassinatos em Paris são revoltantes. Estamos ao lado do povo francês na luta contra o terrorismo e na defesa da liberdade de imprensa”, declarou Cameron em sua conta no Twitter.

Uma reunião emergencial do gabinete da presidência foi convocada para as 14h locais (11h de Brasília). Após o ataque, a França elevou para o nível máximo o nível do alerta terrorista em Paris.

“Cerca de meia hora atrás dois homens usando capuz escuro entraram no prédio com duas armas”, disse a testemunha Benoit Bringer à rádio France Info. “Alguns minutos depois nós ouvimos os barulhos dos disparos”. Ele acrescentou que os homens foram vistos deixando o prédio.

Pessoas se abraçam em frente à sede da revista satírica 'Charlie Hebdo', após ataque terrorista em Paris (Foto: Remy de la Mauviniere/AP)Pessoas se abraçam em frente à sede da revista satírica ‘Charlie Hebdo’, após ataque terrorista em Paris (Foto: Remy de la Mauviniere/AP)

Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um pedestre com o carro roubado.

“Ouvi disparos, vi pessoas encapuzadas que fugiram em um carro. Eram pelo menos cinco”, declarou à AFP Michel Goldenberg, que tem um escritório vizinho na rua Nicolas Apert, onde fica a sede da revista.

Revista
A sede da revista foi alvo de um ataque a bomba em novembro de 2011 após colocar uma imagem satírica do profeta Maomé em sua capa.

Comentário: A Revista, pelas informações que li, me parece que não tinha um esquema de segurança compatível com as ações que poderia motivar pelas suas publicações polêmicas (envolvendo não só religiões, mas celebridades e políticos).

Coincidência ou não, a Charlie Hebdo fez a divulgação em sua edição desta quarta-feira do novo romance do controvertido escritor Michel Houellebecq, um dos mais famosos autores franceses no exterior. A obra de ficção política fala de uma França islamizada em 2022, depois da eleição de um presidente da República muçulmano.

“As previsões do mago Houellebecq: em 2015, perco meus dentes… Em 2022, faço o Ramadã!”, ironiza a publicação junto a uma charge de Houellebecq.

A revista de humor tem sido ameaçada desde que publicou charges do profeta Maomé em 2006.

Em novembro de 2011, a sede da publicação foi destruída por um ataque criminoso, já definido como atentado pelo governo na época.

Em 2013, um homem de 24 anos foi condenado à prisão com sursis por ter pedido na internet que o diretor da revista fosse decapitado por causa da publicação das caricaturas do profeta muçulmano.

Comentário: A luta que deve ser travada é a daqueles que defendem a liberdade de expressão e à Democracia (principais conquistas ocidentais) contra o fanatismo e o terror implementados pelos que não raciocinam a existência humana e a paz, sem conseguir dissociar de valores atrasados e de cunho fanático e fantasioso.

Vale lembrar que muitos, inclusive no Brasil, pregam a não banalização ou ridicularização de religiões por veículos de comunicação (como ocorreu com o Porta dos Fundos), numa dimensão de críticas extremamente menor, mas também lamentáveis.

O mundo precisa reagir ao atentado terrorista de hoje, que matou 11 pessoas na revista “Charlie Hebdo”, na França.

O mínimo para honrar a morte dos profissionais: os maiores jornais/revistas de cada país que se considera minimamente civilizado publicar charges do “Charlie Hebdo” (que motivaram a barbárie). Os “terroristas” precisam entender que ‘o mundo’ NÃO TEM MEDO e que eles não intimidarão a(o)(s) imprensa/povos/governos/Democracia/liberdade pela violência e fundamentalismo! (e que isso valha para todo e qualquer radical, de toda e qualquer religião)

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Bjo.