Arquivo para Opinião Política - Daniele Barreto
25
janeiro
2016
Música e Política!

Oi, pessoal!!! Bom diaaaa.

Segunda-feira linda de sol em Salvador e eu aqui na piscina labuta, já postando esse texto e correndo para preparar uns vídeos para vocês no canal do Youtube. Tá bom, eu sei das reclamações… Sei que vocês estão achando estranho passarmos 3 semanas sem vídeos. Mas precisei dar uma paradinha para analisar séries que gostaria de lançar agora e vídeos mais importantes. Sabe quando seu cérebro está cheinho de ideias novas e bacanas, mas você não consegue sentar e avaliar qual a melhor forma de colocar tudo isso em prática? Eu estava assim (vou explicar a vocês melhor em um vídeo). E resolvi dar uma paradinha estratégica para observar como realmente devo conduzir os textos, vídeos e séries a serem lançados esse ano no nosso canal. Já adianto a vocês que teremos cursos on line e muitas, muitas análises políticas. Ah, e que, cada vez mais, vou seguir a orientação de vocês de colocar mais vídeos sobre meu dia a dia, sobre estilo de vida de uma pessoa que trabalha com política.

espero, de coração, que vocês gostem! Vamos nos aproximar MUITO em 2016! Vai ser um ano maravilhoso!

E nessa vibe de novidades, resolvi começar nossa semana de uma forma diferente, no lugar do habitual look do trabalho, vamos falar de música. Não, não vai ser playlist das minhas favoritas de Ivetão, nem de Beyonce, mas sim músicas com conteúdo político. Olha, tem uma coisa que nunca contei pra vocês: como chocolate todo dia eu costumo ouvir música antes e enquanto escrevo textos para o blog. Ah, e também quando estou me arrumando para gravar vídeos (tomando banho, maquiando, organizando o cenário). E sempre são músicas que possuam cunho político.

Isso me ajuda a me concentrar no que preciso fazer, fico mais focada ouvindo letras com crítica social e que me levam a refletir ainda mais sobre os temas que me proponho a discutir – e a refletir mais também sobre a própria função do blog e do canal do youtube como instrumento de mudança em nós e de transformação.

Nas últimas décadas, a música tem sido uma poderosa arma política. Com suas melodias e frases bem colocadas (que sintetizam o que a gente gostaria de dizer, mas não tem capacidade de síntese, nem criatividade suficientes hahaha) compositores e músicos marcam momentos históricos e sentimentos nacionais com obras que nos fazem pensar, refletir e compreender melhor o momento político do país.

Confesso que a última vez que vi um rompante maior, com músicas mais bem elaboradas e reflexivas foi na Ditadura e logo após, mas não podemos menosprezar o conteúdo de muitas canções – EXCELENTES – que vêm sendo geradas nos últimos tempos.

Para muitos artistas, a palavra é a bala e a música a arma para falar sobre uma sociedade racista, preconceituosa (cada vez mais, com o crescimento de grupos religiosos fundamentalistas), desigual e que não prima pelo combate à corrupção.

Para pensarmos mais sobre a importância da música popular brasileira como instrumento de discussão política – papel extraordinário num país excepcionalmente musical -, eu selecionei minhas 5 músicas preferidas do momento – sobre política, obviamente – para compartilhar com vocês. Algumas delas me fazem pensar em temas que não são do meu cotidiano, mas nem por isso menos importantes nas nossas atuais discussões.

1ª música

Canção: Amanhã… Será?

Grupo: O Teatro Mágico

2ª música

Canção: Nunca Serão

Cantor: Gabriel O Pensador

3ª música

Canção: Pensadores Incomodam

Grupo: MC Garden e Cauê Moura

4ª música

Canção: Candidato caô caô

Grupo: O Rappa

5ª música

Canção: Tô Vendo Tudo

Grupo: Zé Ramalho

Pois é, música e política sempre andaram de mãos dadas!

Mandem sugestões de músicas e ideias para discutimos como a arte pode ajudar na compreensão política.

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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25
dezembro
2015
Política: Resumo das revistas da semana

Olá, pessoal. Tudo bem? FELIZ NATAL! 

Desejo a todos que o nascimento do Menino Jesus renasça nos corações o amor, paz, esperança, fé e força. Que possamos, nessa data, refletir sobre o significado dos bons sentimentos e pensamentos durante toda a vida. Um maravilhoso Natal para vocês.

E de presente (hahaha) o nosso vídeo de hoje é uma novidade no blog: um vídeo no qual mostro e resumo as revistas da semana, obviamente falando das matérias mais importantes, sobre política, que estamparam nossos principais periódicos. Para vocês não se preocuparem, nessa semana de correria e confraternização, em comprar todas as revistas do país para ler (e gastar dinheiro num mês que a gente já tem pouco sobrando, né? haha), fiz esse resumo bacana e espero muito que vocês gostem.

Falo da VEJA, Época, Isto É, Carta Capital, Piauí, Caros Amigos.

Vem ver:

Gostaram do formato do vídeo? Me contem para eu poder fazer mais! ;-)

Nas próximas semanas teremos mudanças no blog. Há algum tempo já vinha desejando novos formatos, novos quadros no canal do Youtube, novas ideias. E resolvi que nada melhor do que um ano novinho em folha para conseguirmos colocar muitos sonhos e desejos em prática! Esse janeiro de 2016 vai marcar um divisor de águas no blog, com muitos quadros novos sobre política, livros, marketing político, cidadania, consultoria política. As Eleições 2016 e o processo de impeachment serão acompanhados de perto por nós. Muitas novidades por aí. Mas enquanto 2015 não termina, ainda temos muitos vídeos esses dias, viu?! Fique ligado aqui no blog e no canal.

Curta o vídeo e mande suas sugestões para os próximos vídeos do canal.

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Batom – Vult / todas as lojas são do Shopping Salvador

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18
dezembro
2015
Verdade sobre bloqueio do WhatsApp

Oi, pessoal,

Ontem, à meia noite, o aplicativo WhatsApp foi bloqueado no Brasil, sem aviso prévio aos usuários (escrevi um post aqui comentando), causando transtornos para milhares de pessoas. O bloqueio se deu pelo Facebook não informar à Justiça dados que seriam importantes para investigações sobre quadrilha de tráfico de drogas (ligada ao PCC e com latrocínio na ficha criminal).

Em que pese o absurdo do Facebook não prestar as informações, é importante salientar que se tratou de uma decisão equivocada, completamente desproporcional e midiática, sem efeito prático eficiente/eficaz.

No vídeo abaixo, falo sobre:

  • importância do WhatsApp como instrumento de trabalho
  • penalização da sociedade por culpa do Facebook e do juiz
  • decisões judiciais desproporcionais
  • impacto na economia na véspera do Natal
  • problemas para o comércio eletrônico e micro e pequenos empresários
  • juízes que não enxergam um palmo a frente das quatro paredes do gabinete
  • desembargador Xavier de Souza acertou em derrubar a liminar

Essa confusão mostra o quanto empresas como o Facebook não cumprem ordens judiciais e nosso Judiciário adota medidas sem bom senso. O país foi exposto para o mundo, e pegou mal internacionalmente a falta de liberdade – que ficou patente.

E você, o que achou desse bloqueio? Comente aqui ou em nossas redes sociais.

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Brinco – Feranda / todas as lojas são do Shopping Salvador

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17
dezembro
2015
GANHE LIVROS

Oi, pessoal! Boa tarde!

Tudo bem? Que bom que você está por aqui porque hoje tenho uma grande novidade: vou mandar livros gratuitamente para sua casa.

É com muito carinho que venho dividir uma notícia maravilhosa com vocês, e que, espero, vocês gostem muito. Uma notícia para movimentar esse final de ano já animado na política. Ao longo desse ano, discutimos muito sobre política e foi uma enorme alegria contar com a companhia e ensinamentos de vocês durante todo o ano. Em agradecimento à participação em nossos debates políticos, vou mandar livros gratuitamente para vocês! WoW!!!! É MEU PRESENTE DE NATAL PARA VOCÊS! <3

Eu amo livros e devoro pelo menos um por semana – isso me ajuda muito na compreensão dos fatos políticos mais importantes do país. Paralelamente a isso, estava tentando elaborar uma forma de agradecer a TODOS vocês pela companhia diária aqui no blog e no canal do Youtube, me ensinando tanto e trocando informações e opiniões comigo.

Diante do cenário político nacional conturbado, confuso e eivado de corrupção para todos os lados, muitas vezes é fácil perder as esperanças e trocar a euforia de mudanças positivas pelo desânimo e mera aceitação. Eu entendo! Mas o que nós conseguimos provar aqui nas páginas nas quais interagimos (Facebook | FanPage | Twitter | Instagram Youtube), é que, apesar de todo os problemas, da crise financeira que afeta a todos, das dificuldades do dia a dia, e da possibilidade de desesperança, nós estamos dispostos a tirar um tempinho que seja do nosso dia para discutir política.

E que felicidade fico por vocês dedicarem um pouco desse tempo para acessar meu Facebook, blog e Youtube buscando informação; e, mais do que isso, dedicar as horas de vocês a me mandar mensagens e opiniões. Sei que o dia de todos nós não é fácil, então, valorizo cada segundo que vocês dispendem aqui no canal e no blog. Valorizo e agradeço por cada mensagem, cada incentivo e cada nova conquista.

Esse ano, pude me dedicar um pouco mais ao canal do Youtube e ao blog e, acreditem, o feedback de vocês me fez ainda mais apaixonada por essa história de exercício de cidadania que estamos construindo juntos.

Para agradecer, pensei numa linda ideia: realizar um concurso para enviar prêmios em livros para a casa de vocês! Para que todos nós possa começar o ano lendo mais e nos empoderando.

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Agradeço, de coração, a companhia, acessos, likes, curtidas, compartilhamentos, comentários diários de vocês. E prometo me empenhar para honrar sempre o tempo que vocês dedicar a ler as páginas nas quais escrevo e assistir aos vídeos que gravo. <3

Para concorrer aos 5 livros, a regra é simples:

Escreva um comentário NO CANAL DO YOUTUBE (AQUI NESSE LINK) falando qual o resumo da política brasileira em 2015 para você!

E boa sorte!!!

No vídeo abaixo, explico a regra, prêmios, como receber o presente, formas de participar… Lembrando que só vão valer os comentários postados no vídeo do Youtube. Assista para entender direitinho e participar:

Não é sorteio. É concurso cultural.

Algumas pessoas me perguntaram no Facebook por que não faço um sorteio no lugar do concurso cultural. A Caixa Econômica Federal proibiu os blogueiros e youtubers de realizar sorteios em seus blogs, youtube e redes sociais (proibiu empresas também), sem prévia aprovação do Governo. É necessário que o interessado faça um requerimento, pague impostos e aguarde a liberação – que nem sempre é tão rápida quanto gostaríamos, né? É um procedimento muito burocrático. Como não quero levar multa pelo não cumprimento da legislação (para ver as regras clica aqui ), resolvi realizar a modalidade de concurso cultural com critério de escolha aleatório, realizada por mim. Essa possibilidade não precisa dos trâmites formais na Caixa Econômica e fica mais fácil para eu mandar rapidamente os livros para vocês. Entenderam direitinho? Qualquer dúvida, é só me perguntar, viu? ;-)

Então, assista o vídeo! Participe e boa sorte!

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Brinco – Feranda / Bracelete – Camila Coutinho para Riachuelo / todas as lojas são do Shopping Salvador

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17
dezembro
2015
Vlog: Eduardo Cunha, Valmir Assunção, Aleluia, Bel Marques (parte 2)

Olá, pessoal bom dia.

Hoje acordamos sem WhatsApp e eu já estou gravando um vídeo para explicar para vocês como se deu a decisão judicial de bloquear o aplicativo, direito do consumidor e desembargador que reestabeleceu o serviço (já postei texto na noite dessa quarta-feira explicando o real motivo do bloqueio do Whatsapp no Brasil).

Como prometi para vocês, a parte 2 do vlog da semana passada ficou pronto. Eu havia gravado vídeo comentando os fatos mais importantes de uma semana que parecia não ter fim hahahaha ( veja a primeira parte aqui -> web programa 5 Minutos de Política) e hoje vim comentar sobre outros temas igualmente relevantes.

Os temas que comentei foram:

  • Eduardo Cunha – perigo do presidente da Câmara dos Deputados que interpreta o Regimento Interno à sua conveniência e manipula bem as palavras e seus significados;
  • Valmir Assunção e José Carlos Aleluia – falo sobre a eleição da comissão do impeachment e leio algumas notícias postadas nos perfis do Facebook de ambos;
  • Bell Marques – comento a polêmica música (de extremo mal gosto) que fez o cantor ir parar no Ministério Público.

Assista:

Espero que vocês gostem do formato! Curtam o vídeo para eu saber a sua opinião e gravar mais vlogs políticos nas próximas semanas.

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Brinco – Feranda / Bracelete – acervo pessoal / Batom: Velvet, da Quem Disse, Berenice? / todas as lojas são do Shopping Salvador

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16
dezembro
2015
Impeachment: o que o STF está analisando?

Oiii, vamos a nosso último post de hoje no blog!

É!, o cenário nacional agitado e não podemos nos furtar de discutir nenhum assunto, não é mesmo?

Daqui a pouco vou publicar vídeos sobre: 1. Bloqueio do Whatsapp no Brasil; 2. Depoimento de Cerveró; e uma surpresa que vocês vão amar (só digo uma coisa: vai rolar presente para leitores do blog e quem me acompanha no Youtube; yeeey). Mas nosso postagem derradeira dessa quarta-feira é um vídeo sobre a ação que o Supremo Tribunal Federal está julgando, acerca do rito do impeachment! Após sessão longa hoje, amanhã o STF continuará os trabalhos.

Vamos lá!

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No nosso canal do Youtube, você acompanha o quadro Diário do Impeachment no qual publico vídeos sobre os encaminhamentos do processo de afastamento de Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil. No vídeo de hoje, conto para vocês sobre a análise que o STF está fazendo dos procedimentos já realizados pela Câmara dos Deputados.

Inicialmente, é importante salientar que a interferência do STF (o chamado para que interfira, protocolado pelo PC do B) é absolutamente normal e necessário para o andamento dos atos de acordo com o devido processo legal. Tanto Eduardo Cunha, como alguns dos seus comparsas aliados e parte significativa da mídia trata o assunto como uma interferência negativa, levantando a desnecessidade de judicialização do processo. Não é bem assim. A interferência é legal e assegura os feitos.

Dessa análise promovida pelo STF, pode advir a anulação integral de todos os atos realizados na Casa Legislativa citada ou apenas a anulação da votação da comissão do impeachment. Mas esses não são os únicos assuntos que o STF discute, ele também analisa o rito a se seguir e o momento no qual a presidente deverá ser afastada de seu cargo.

Para entender tudo sobre esses assuntos, aperta o play:

Muito obrigada por acompanhar os vídeos e compartilhar comigo a sua opinião! Seus comentários são muito valiosos para continuarmos a discutir política com seriedade e ampliarmos o exercício da cidadania.

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Brinco – Feranda / Bracelete – acervo pessoal / Batom: Velvet, da Quem Disse, Berenice? / todas as lojas são do Shopping Salvador

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16
dezembro
2015
Vlog: judicialização do impeachment, voto secreto e baixaria na Câmara dos Deputados

Olá, pessoal boa noite.

Você pode substituir o Whatsapp (que está bloqueado) por meus vídeos no Youtube! O que acha? rsrs Olha, brincadeiras a parte (já postei texto na noite dessa quarta-feira explicando o real motivo do bloqueio do Whatsapp no Brasil), que bom que você está por aqui, porque tenho alguns temas importantes para conversarmos.

A semana passada quase não terminou, não foi? Com certeza foi uma das mais longas e polêmicas da nossa política nos últimos anos. E além dos vídeos “normais” que sempre publico discutindo, no web programa 5 Minutos de Política, os temas mais relevantes do cenário nacional, resolvi também gravar uma espécie de vlog-político (olha a gente inovando aí geeeeente hihihi). Vou explicar melhor ara vocês: como os escândalos e assuntos relevantes foram surgindo em cascata, não daria tempo de gravar o 5 Minutos de Política sobre cada tópico, então, a medida em que os fatos aconteciam, fui gravando minha opinião e citando a abordagem feita pelos maiores veículos de comunicação. No final da semana, juntei tudo em nosso vídeo que você assiste abaixo.

Os temas que comentei foram:

  • Judicialização do Impeachment – muito se comenta sobre a judicialização, mas o que a mídia e os contrários à presidente não dizem é que é absolutamente normal que o Supremo Tribunal Federal seja chamado a intervir durante todos os procedimentos, sendo, assim, o balizador do rito do impeachment;
  • Comissão do Impeachment – a comissão do impeachment foi votada após briga entre os líderes dos partidos (aqui você assiste vídeo no qual falo da deposição do Leonardo Picciani da liderança do PMDB na Câmara dos Deputados), agressões físicas (como cabeçadas) e urnas quebradas no Plenário da Câmara dos Deputados;
  • Brigas – enfatizo o comportamento nocivo dos deputados federais à Democracia;
  • Carta de Temer -o vice-presidente nos premiou no início da semana com uma carta para a presidente Dilma; embora de conteúdo patético e que explicita de forma clara o interesse do vice no toma lá dá cá, a carta foi feita para vazar, essa era a intenção de Temer;
  • Livros – livros novos sobre política que comprei na quarta-feira;
  • Voto secreto – uma das maiores polêmicas da semana foi a eleição da comissão do impeachment, que fez com que o Supremo Tribunal Federal paralisasse o rito para decidir sobre sua constitucionalidade.

Assista:

Espero que vocês gostem do formato! Curtam o vídeo para eu saber a sua opinião e gravar mais vlogs políticos nas próximas semanas.

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Créditos: Blusa – Riachuelo / Brinco – Feranda / Bracelete – acervo pessoal / Batom: Velvet, da Quem Disse, Berenice? / todas as lojas são do Shopping Salvador

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16
dezembro
2015
Whatsapp parou!

Olá pessoal,

Por aqui são 23h10 e não se fala em outra coisa em minha time line: o WHATSAPP PAROU DE FUNCIONAR! Se você não entendeu nada e acha que seu celular “deu pau”, calma, calma, que eu vou te explicar tudinho.

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Whatsapp foi bloqueado

A Justiça decidiu bloquear o Whatsapp por 48 horas em decorrência de uma investigação a respeito de um homem preso pela Polícia Civil de São Paulo em 2013.

A ação na Justiça

Um suspeito foi acusado de latrocínio, tráfico de drogas e associação ao Primeiro Comando da Capital (PCC), preso por ter trazido cocaína da Colômbia e maconha do Paraguai para o Brasil. Ele ficou preso preventivamente por dois anos, conseguindo liberdade em novembro deste ano. O STF concedeu liberdade ao investigado porque o prazo do caso teria sido excedido. Condenado a 15 anos e dois meses de prisão, ele ganhou o direito de responder ao processo em liberdade.

Embora em liberdade, o rapaz tem por obrigação permanecer no endereço indicado em juízo e informar às autoridades sobre qualquer mudança.Também deve se apresentar judicialmente.

E o WhatsApp?

Durante as investigações sobre o crime, a Justiça pediu que o Facebook, proprietário do Whatsapp, revelasse informações e dados pessoais de usuários relacionados ao investigado, para desvendar os crimes. O Facebook, ousado, se recusou a atender à determinação judicial, da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo, alegando que não quebraria o sigilo dos usuários.

Claro que o sigilo dos usuários é indevassável, mas a exceção é justamente quando há determinação judicial obrigando, no bojo de processo legal. O Facebook, portanto, deveria ter cumprido a decisão. Após a desobediência do Facebook, a Justiça, nessa quarta-feira, mandou as operadoras de telefonia fixa e móvel bloquearem o serviço de mensagens instantâneas WhatsApp em todo o país por 48 horas.

O prazo começa às 0h desta quinta-feira (17). Se você, como eu (moro em Salvador, Ba), mora em região na qual não tem horário de verão, o bloqueio começou às 23h. (genteeeeee)

Providências

Devido às dificuldades técnicas do bloqueio, a Oi entrou com pedido de recurso, mas a decisão ainda não saiu até agora (23h15). As demais operadoras não ingressaram com recursos. As operadoras de celular são obrigadas a atender à decisão judicial, obviamente!

Caso não cumpram, as operadoras se submetem ao risco de multa e os representantes da operadora podem ser presos.

Um caso parecido já tinha ocorrido no Piauí, quando um juiz determinou o bloqueio do WhatsApp no Brasil – visando coagir o Facebook a colaborar com investigações da polícia em casos de pedofilia. Na época, as empresas de telecomunicação ingressaram com mandado de segurança e a decisão foi suspensa por um desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí.

Vale lembrar que as teles não possuem interesse no desbloqueio imediato do Whatsapp e já vivem reclamando do aplicativo para o governo, exigindo uma regulamentação do serviço. Isso porque além de mensagens de texto, o zapzap também realiza chamadas de voz via internet, impactando os lucros das empresas de telefonia.

E o que eu tenho a ver com isso?

Nada! Mas está sem Whatsapp até segunda ordem da Justiça, amigo! hahaha

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Em tempo: eu concordo com a determinação da suspensão – independentemente do impacto nos direitos do consumidor! Em casos de investigações criminais (tráfico, pedofilia, como nos casos citados), a empresa deve colaborar com a polícia nas investigações, quebrar o sigilo dos usuários envolvidos e prestar informações à Justiça. Mas é extremamente controverso que se adote uma decisão como essa sem avaliar, por exemplo, o impacto na economia dos micro empresários. Milhares de empreendedores pelo país utilizam essa ferramenta para realizar vendas e num momento de baixa da economia e queda de vendas, em plena véspera de Natal, uma medida como essa diminui ainda mais os serviços e produtos vendidos.

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12
dezembro
2015
Picciani X fúria do PMDB

Olá, pessoal, boa tarde. Tudo bem?

Como está sendo o sábado de vocês? De boa, descansando? Ou agitado, ainda no ritmo da semana de trabalho? Mas tenho certeza de que você consegue arranjar um tempinho para assistir nosso vídeo de ontem do web programa “5 Minutos de Política”, falamos sobre a destituição do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, o deputado federal Leonardo Picciani.

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Cada bancada de partido político possui um líder na Câmara dos Deputados, com funções específicas. Eleito com 34 votos contra 33 (número de votos que seu oponente, Lúcio Vieira Lima, obteve), Picciani aproximou-se rapidamente do Planalto, compondo com as vontades da Presidente Dilma. Obviamente, desagradou um grupo da agremiação que acredita que emplacar o impeachment é uma forma uma forma rápida e fácil de chegar ao poder – especialmente por seu um partido que não investe nas bases, tampouco numa política séria, nem possui grupos pró jovens, mulheres etc – e também uma oportunidade de se vingar de Dilma por terem sido preteridos em processos eleitorais e nas distribuições de cargos.

Liderados pelo perdedor na disputa com Picciani, o grupo recolheu assinaturas e – essa semana – destituiu seu líder, que era uma carta na manga de Dilma contra o impeachment.

Quer saber mais sobre essa novela peemedebista onde vingança, hipocrisia e ódio são os elementos fundamentais?

Então assista nosso vídeo e comente com sua opinião:

Ah, e não esqueça que em outubro publiquei post contando um pouco da vida política do Leonardo Picciani e a ascensão da família ao poder (clique AQUI e leia).

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08
dezembro
2015
Desabafo na madrugada: impeachment, Cunha, opinião

Vídeo desabafo da madrugada.

Ontem fiquei indignada depois que Cunha mudou a data da eleição da comissão do impeachment, e resolvi gravar um vídeo DESABAFO falando sobre o fato e aproveitei para responder alguns questionamentos que os amigos me fazem aqui, sobre meu posicionamento a respeito do impeachment, o rumo do país, consequências… como foi um vídeo improvisado, aproveitei e falei tudo!

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07
dezembro
2015
Impeachment: Deputados instalam a comissão hoje

Oi, pessoal!

Bom dia! Sei, sei, são 5h da manhã de uma véspera de feriado e eu deveria estar dormindo mais um pouco, né? hahaha Sonho! Mas a política está pegando fogo e hoje mais passos importantes serão dados em Brasília visando o processamento e impeachment da Presidente Dilma, então, eu mal deitei para pesquisar tudo, analisar os assuntos do ponto de vista jurídico e político, e contar tudo para vocês aqui no blog, ok? Estão vendo como sou boazinha? hehehe

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Então, a partir de hoje você encontra minha opinião sobre os temas que envolvem o impeachment, além de lista das notícias mais relevantes veiculadas na mídia. Agora temos esse compromisso: e você pode acessar o blog várias vezes ao dia, para sempre ler as novidades da política em primeira mão e ter conhecimento de conteúdo imparcial e diversificado.

Mas vamos lá…

A Câmara dos Deputados tem uma sessão extraordinária marcada para hoje para eleger a comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.  O processo de impeachment foi deflagrado na quarta-feira da semana passada, num ato de vingança de Eduardo Cunha, presidente da Câmara, contra sua inimiga Dilma e o PT – partido com o qual trava guerra e é desafeto recente – já tendo, outrora, conciliado e obtido muitas vantagens (cargos, ministérios, contratos etc – tudo aquilo que seu partido gosta e sempre gozou nos governos petistas).

Eu trouxe algumas informações técnicas sobre essa comissão que se formará hoje, para que a gente possa entender melhor como o processo funcionará. Segue…

Quando será a reunião para instalação da comissão:

  • a reunião de instalação está marcada para 18h desta segunda-feira (7) no plenário da Câmara dos Deputados

A comissão do impeachment será composta por:

  • 65 integrantes titulares
  • e igual número de suplentes

Os nomes dos deputados federais integrantes da comissão serão indicados:

  • pelos partidos políticos

O critério para sabermos quantos integrantes da comissão cada partido político indicará é:

  • tamanho das bancadas (critério de representatividade) – ou seja, quanto mais deputados federais o partido tiver na Câmara dos Deputados, mais nomes poderá indicar para o colegiado.

Haverão reuniões preliminares para os partidos políticos decidirem os nomes que irão indicar:

  • os partidos da base aliada e da oposição têm até as 14h para definir os parlamentares que integrarão a comissão especial. portanto, essa manhã de segunda-feira será de reuniões dos parlamentares dos partidos para decidir os nomes

Quantidade de indicados de alguns dos maiores partidos políticos:

  • PT tem direito a oito assentos e ao mesmo número de suplentes; confirmou que o líder do partido na Câmara, Sibá Machado (AC), será um dos indicados para compor a comissão
  • PMDB também tem 8 assentos; o partido não vai divulgar nenhum nome antes de fechar a lista completa
  • PSDB – 6 vagas na comissão
  • DEM – 2 assentos
  • PRB – 2 vagas
  • SD – tem 2 vagas
  • PSC – 2 vagas
  • PDT – duas vagas
  • PROS – duas vagas
  • PP – 4 vagas
  • PSD – 4 vagas
  • PR – 4 vagas
  • PSD – 4 vagas
  • PTB – três vagas
  • As bancadas do PHS, PTN, PMN, PEN, PCdoB, PPS, PV, SOL, PTC, PTdoB, Rede e PMD, terão, cada uma, um representante na comissão.

Hoje a comissão será formada, e amanhã, terça-feira, haverá a eleição do presidente e do relator da comissão.

Funções da comissão:

Caberá à comissão:

  • proferir parecer pela continuidade ou não do processo, que depois precisará ser votado em plenário.
Após a instalação da comissão, Dilma será notificada e começará a contar o prazo de dez sessões da Câmara para que a presidente se defenda.
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Assim que a comissão for definida, você encontra aqui no blog vídeo falando sobre cada um dos escolhidos pelos partidos e seu histórico político (vou falar dos escândalos também, tá?) para a gente ter ideia de em que mãos estão os procedimentos referentes ao impeachment da presidente – um acontecimento que abala a economia do país, mitiga a credibilidade internacional e, caso se consolide, ocasionará anos de recessão para nos recuperarmos.
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03
dezembro
2015
Sob a luz de Eduardo Cunha

Boa noite, pessoal!

“A Câmara é a única que está verde e amarelo em Brasília.”

Se a política é feita de simbologias (e é!), Eduardo Cunha hoje criou uma, num momento nevrálgico da nossa história, mandando um recado luminoso para a população: somente a Câmara dos Deputados veste a bandeira do Brasil, somente a Câmara dos Deputados coaduna com os interesses do povo (divergindo da cor vermelha, símbolo petista).

Como toda simbologia, a criada pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha diz muito. Como toda simbologia, esconde muito mais do que diz!

Vale lembrar que o prédio do Congresso Nacional, assim como os demais edifícios da Esplanada (ministérios e Palácio do Planalto), estava com iluminação vermelha nessa quinta-feira, em referência à luta contra a AIDS. Eduardo Cunha – que acha que a Câmara dos Deputados é a casa dele e que lá tudo pode fazer – simplesmente mandou apagar a luz e, sem nenhum motivo aparente, mandou ligar holofotes verde e amarelo. Assim, como sempre faz, dá um golpe de mestre e manda à população um recado claro e direto – mas de conteúdo equivocado.

Com os demais prédios ao redor da Câmara iluminados de vermelho, a citada destaca-se na cor da bandeira. Simbolicamente, os demais encontram-se contaminados e voltados ao vermelho petista, diferentemente da Câmara dos Deputados.

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Foto: G1

A ação de Eduardo Cunha se dá um dia após deflagrar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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03
novembro
2015
Debates políticos no Facebook – Outubro de 2015

Oi, pessoal! Bom dia.

As redes sociais, cada vez mais, vêm se consolidando como instrumento de exercício da cidadania e grande plataforma de debates políticos. É o nosso púlpito! O púlpito de uma sociedade cujos políticos dão as costas e nunca ouve seus reais anseios. O púlpito de um país cuja representatividade no Congresso Nacional inexiste e que a cada voto de um deputado ou senador no Parlamento, se consolida a atuações dos mesmos em favor das empresas financiadoras de campanha e contra os votos da população – que hoje pouco recebe de retorno e nada recebe de respeito.

E esse púlpito tem sua importância aumentada quando, diante de escândalos e mais escândalos, conseguimos nos pronunciar, manifestar nossa indignação e bradar por mais responsabilidade por parte dos nossos gestores.

E todos os dias, no Facebook, debatemos vários assuntos do cenário político nacional, opinando livremente e discutindo com pessoas que possuem vivências, ideologias e compreensão da sociedade diferentes. Mas muitos de vocês quando entram em nosso Face, devido ao número de postagens e comentários, já me relataram dificuldade em acompanhar os debates anteriores (porque a timeline vai rolando e as postagens vão ficando para trás e de difícil acesso). Então, surgiu a ideia de colocar um post aqui no blog reunindo as discussões que rolaram no Facebook. Abaixo, transcrevo algumas postagens que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco. Não podemos deixar que as notícias e informações sejam perecíveis, né?

  • 01 de outubro (clique AQUI para ver no Face)

Tem gente reclamando do “toma lá dá cá” dos ministérios. Ou a pessoa é muito ingênua, ou está fingindo indignação! Siiim… Quando foi diferente? Qual prefeitura e governo do estado que não é assim? Gente, não temos NENHUM partido político programático no Brasil e NENHUM líder com projeto real para o país. Estamos vivendo uma crise de lideranças e de representatividade. Vale para os cenários nacional, estaduais e municipais. TODOS os prefeitos e governadores desse país loteiam secretarias para ter apoio na campanha, fazer coligações e ter maioria nas Casas Legislativas. Todos. TODOS. Sem absolutamente NENHUMA exceção. Isso independe de partido político, de ser direita ou esquerda, ou de você gostar ou não do cara.

É um absurdo? Sim. A gente está indignado? Sim. Revolta ver o dinheiro público indo pro ralo com a nomeação de um monte de incompetente? Sim. Só não dá pra uma galerinha aí ficar fazendo fita de surpreso, né? Indignação seletiva (por falta de conhecimento ou por interesses pessoais) e impunidade são os maiores males desse país hoje. Fazfavor…

  • 01 de outubro (clique AQUI para ver no Face)

O indicado do PMDB para assumir o Ministério da Saúde, Manoel Júnior, foi citado no relatório final da CPI que investigou grupos de extermínio como sendo um dos acusados.

Mas gente…

  • 01 de outubro (clique AQUI para ver no Face)

Duelo de gerações: registrar ou viver o momento? ( foto: visita do Papa aos Estados Unidos semana passada / internet )

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  • 02 de outubro (clique AQUI para ver no Face)

Por falar nisso, com a crise, paleta mexicana voltou a se chamar picolé.

  • 07 de outubro (clique AQUI para ver no Face)

Alckmin impõe sigilo e só vai expor falhas no metrô de SP após 25 anos. Perainda que vou pegar minha panela e já volto…

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02
novembro
2015
Bom dia! Revista Isto É: O PMDB está sem rumo?

Oi, pessoal. tudo bem?

O que era para ser um feriado pacato, vai virar um dia para conversarmos muito sobre política aqui no blog. Aproveitando o descansinho de segunda-feira (amamos feriado!), resolvi dar uma geral em algumas matérias que não consegui ler durante a semana. Acordei mais cedo do que se tivesse ido para o trabalho (pra você ver a empolgação que fico quando é dia de me dedicar exclusivamente ao blog hihihihi), e já tomei meu café-da-manhã lendo a Revista Isto É da semana passada (vai ter vídeo falando sobre a matéria de capa), que trouxe uma reportagem intitulada “PMDB sem rumo”, na qual ressalta a heterogeneidade do partido (eu não chamaria simplesmente de “heterogeneidade”) e elenca frases dos caciques e idas e vindas dos dirigentes do partido, que todo dia muda de posição.

Eu discordo de algumas questões levantadas pela revista, especialmente por saber que as “idas e vindas” do PMDB em nada podem ser interpretadas simplesmente como falta de rumo do partido. O PMDB tem uma direção clara e certa. O PMDB sabe o caminho que trilha porque possui os caciques mais pombos sujos sagazes do país. O caminho é: o que der mais lucros e dinheiro para o partido.

Conheço bem os bastidores do partido e vou explicando para vocês como seus caciques agem!

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Clicando no link abaixo, você lê a matéria “PMDB sem rumo” e em seguida temos os trechos da reportagem em azul e meus comentários em preto.

PMDB sem rumo

Depois de alcançar a unidade interna, partido volta a se dividir e coloca em risco o Congresso marcado para novembro

Conhecido por abrigar uma heterogênea federação de caciques regionais, o PMDB havia conseguido este ano algo inimaginável para os padrões do partido. No início do semestre, construiu uma unidade em torno do desembarque do governo. Estabeleceu até data para abandonar a nau governista. O dia “D” seria o Congresso do partido marcado para o dia 17 de novembro. Três fatos, porém, desnortearam a legenda nas últimas semanas: a decisão do TSE de tocar adiante a ação eleitoral que pode impugnar a chapa de Dilma e Temer, as denúncias envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros, na Lava Jato, e os novos pedidos de abertura de inquérito contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Agora, o PMDB avalia transformar o seu Congresso num mero encontro de comadres – ou seja, um convescote sem a ambição de produzir decisão alguma sobre o futuro do partido.

  • estratégia: heterogeneidade do PMDB e crescimento da legenda

De fato o PMDB abriga um grupo de pombos sujos caciques cuja heterogeneidade pode ser compreendida como uma das marcas principais. Mas, a princípio, a revista não esclarece (talvez por que não seja esse o foco da reportagem) os motivos que levaram a essa heterogeneidade. Não se trata, querido leitor, de opção do partido pela liberdade de posicionamento e de respeito às alianças regionais. O PMDB é heterogêneo por que tem uma opção clara por se aliar – a qualquer custo – com quem estiver no governo.

Então, os caciques nacionais não impedem nem se metem nas alianças locais, para que os comparsas correligionários possam lucrar o máximo possível com todo tipo de aliança e acordo espúrio. Vou dar exemplo: mesmo com o PMDB apoiando Dilma (governo federal), num estado (Bahia, por exemplo, para citar o meu), o diretório estadual do PMDB pode entender por apoiar o candidato que é oposição ao governo. Aliando-se, assim aos adversários da presidente e subindo no palanque destes. Numa cidade da Bahia, o diretório estadual deixa que a executiva municipal escolha seus aliados, podendo o líder político filiado ao PMDB no município se coligar com opositores do partido no estado. Assim, o PMDB consegue agradar SEMPRE os candidatos que mais têm chances de ganhar em qualquer eleição.

Se os caciques do PMDB num município percebem que o candidato do DEM vai ganhar, ele se alia. Mesmo que à nível estadual, os caciques maiores do partido sejam adversários do DEM. Isso faz com que, no município, o PMDB cresça mais, por que terá cargos, fará mais vereadores, terá vantagens financeiras, indicará diretores de órgãos, ganhará força política e ocupará mais espaço.

A nível estadual, seguindo o mesmo exemplo, os caciques podem entender por se aliar ao PT, partido adversário do DEM, utilizando os mesmos motivos e estratégias. Assim, cresce isoladamente em pequenos e grandes municípios, e aumenta seu poder de fogo no estado também. Sempre acendendo vela para os dois lados do processo. Isso, independentemente dos partidos envolvidos. Citei DEM e PT ao acaso, por serem adversários, mas poderia ser qualquer partido – desde que as pesquisas internas do PMDB indiquem que o candidato dessa agremiação possui condições mais plenas de lograr êxito nas eleições.

Na esfera nacional, a estratégia se repete. Cada um cuida de tirar o máximo que puder das prefeituras e governos dos estados, e o partido segue se enchendo de caciques endinheirados e de coronéis que mandam em suas regiões.

  • suposta unidade

Não se construiu nenhuma unidade no início do semestre. Nenhuma!

E nesse ponto a revista já deixa transparecer que se trata de matéria plantada por um dos entrevistados, interessados em mostrar que houve unidade por algum momento. Está claríssimo que não houve unidade e que, na época que a revista cita, quem dominada o cenário forjando a tal “unidade” seria um cacique grande da Bahia. A unidade não aconteceu, como ele queria. E ele não foi indicado ao cargo de ministro, como também almejava. Assim, volta a necessidade de matérias com “fogo amigo” dentro do próprio partido, para enfraquecer as alas que discordam dos posicionamentos daqueles que não estão conseguindo mais obter lucros da aliança PT-PMDB.

Irritada com a impossibilidade de voltar ao governo (pois os indicados do PMDB na mini reforma administrativa não são da sua ala), uma parcela dos peemedebistas se rebela e aumenta o ataque interno – com matérias, entrevistas e minando os bastidores.

Assim, enfraquecem a trupe que se mantêm mais próxima ao governo, fazendo parecer que não há rumo claro. Há! O rumo é a estratégia particular de cada cacique. O rumo são as brigas internas por poder que sempre estabeleceram a pauta e sempre nortearam as decisões do partido.

  • pior do que está, fica: é o que o PMDB quer

A decisão do STF, as denúncias contra Renan e a abertura de inquérito contra Cunha apenas são usadas por uma ala do PMDB como desculpas. O real motivo para destacarem a suposta “falta de rumos” é o fato de alguns caciques ficarem de fora da divisão de louros.

Eduardo Cunha, velho coligado dos caciques do partido, já sabia que, mais cedo ou mais tarde, a Lava Jato chegaria nele. E todos os seus correligionários da alta cúpula também sabia – inclusive por que ajudaram a eleger Cunha presidente da Câmara justamente pela sua habilidade em conseguir benefícios para os parlamentares. Não é novidade nenhuma – ao contrário do que a revista quer fazer parecer – que tenha sido envolvido nas investigações; assim como não é nenhuma novidade que os descontentes com a não nomeação agora plantem matérias e ampliem a briga interna – para ganhar força dentro do partido.

Na terça-feira 20, o vice-presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), chegou a anunciar o adiamento do encontro de novembro para março de 2016. Em seu lugar, aconteceria apenas um inofensivo seminário da Fundação Ulysses Guimarães. Raupp atribuiu a decisão a dificuldades logísticas para organizar o evento, cuja expectativa é de reunir cinco mil correligionários. “Não vai ter mais este ano. Não está fácil organizar o evento, até porque tem de juntar muita gente”, despistou o vice-presidente do partido. Convertido a governista, depois de acomodar apadrinhados políticos no novo Ministério de Dilma, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani, soltou fogos, ao tomar conhecimento do adiamento. “Acho que foi uma decisão acertada”, comemorou.

Leonardo soltou fogos pelos motivos que comentei com vocês no texto “Todo poder à família Picciani” (leia AQUI). No post, explico como os Picciani aliaram-se à Cunha para bater forte no governo e depois fazer uma composição na qual ganharam muito mais.

Em relação às declarações de Raupp, nenhum partido possui hoje dificuldades financeiras e de logística para reunir os membros em evento desse porte. Não poderia dar desculpa menos verossímil. Vou nem comentar!

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A revista segue fazendo uma avaliação mais realistas das desculpas de Raupp:

Na verdade, a decisão da ala peemedebista mais próxima de Dilma de postergar o encontro embutia outros temores bem menos triviais: o de que a maioria das correntes internas aproveitasse a oportunidade para aprovar uma moção a favor do rompimento definitivo com o Planalto e isso incensasse as manifestações de rua contra o governo marcadas para a mesma data do Congresso do partido.

  • descontentes pela falta de benefícios pessoais

O receio do PMDB é justamente esse: que a ala descontente por que não recebe benefícios suficientes para se mantar na base aproveitasse a oportunidade para colocar o partido em situação ainda mais constrangedora.

Para evitar melar o jogo acertado lá atrás, os peemedebistas favoráveis ao divórcio com Dilma reagiram. Na última semana, pelo menos três reuniões ocorreram em menos de 48 horas na tentativa de manter a data inicial do evento. Comandou a reação o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), hoje um dos críticos mais ácidos ao governo.

  • a vingança é um prato que se come frio

Claro que foi Geddel que comandou a reação. Descontente com não manter os cargos que tinha no governo (muitos e muitos dos quais manteve mesmo depois que começou a criticar publicamente a presidente: ele mesmo afirmava que Dilma tinha que suportar obrigatoriamente sua presença no governo, mesmo ele a atacando duramente), e como não conseguiu mais espaço no governo – por ser considerado peso morto na política baiana pelos petistas – o cacique vem ocupando sua vida (lembre que ele não possui cargo eletivo nem cargo de destaque em nenhum governo, então está com bastante tempo livre) a confabular contra o governo nos bastidores. O que o move: os motivos que já citei anteriormente. Mesmo sendo responsável por grandes pastas no governo petista – quando não reclamava dos ditames e decisões do partido – e tendo ocupado o governo Dilma até pouquíssimo tempo antes das eleições 2014, o peemedebista se acha no direito de criticar o governo com ataques morais (não que o governo não mereça, mas quem fez parte dele silenciosamente, e louros IMENSOS obteve, tem que engolir igualmente silente seus arroubos morais).

O certo é que a birra de Geddel com Dilma tem um único motivo: acerto de contas entre ambos, por Geddel ter tido seu palanque preterido pela presidente em 2000, quando se avorou candidato a Governado da Bahia. Vingativo, o peemedebista. E sua ala ganha força na medida em que outros descontentes por não conseguir o que desejam do governo – em seus estados – se unem ao baiano.

“Não tem hoje no partido ninguém com autoridade política para tomar uma decisão dessas”, afirmou.

  • manda quem pode: nacionalmente e nos estados

Tem sim! A cúpula nacional tem autoridade política para adotar decisões desse calibre. Igualmente como o cacique as adota na Bahia, sendo candidato único (pode colocar quem for na chapa, quem manda é ele) e decidindo os rumos do minguado partido – hoje restrito a sua figura.

Aliás, o que todos percebem de negativo – a limitação do partido a um único nome – muitos caciques de diversos partidos espalhados por esse país vêem como positivo: domínio total sobre o território de seus feudos partidários.

Um dos alvos do presidente do diretório da Bahia foi o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves. “O Henrique trabalha contra porque quer transformar o PMDB numa agência de emprego público”, ironizou Geddel.

[ nota mental: toda vez que leio uma matéria cuja atribuição de frase ao político é norteada com o verbo “ironizar”, sei que ou a matéria saiu da assessoria do mesmo, ou foi plantada; só não acho que é o caso dessa matéria, por se tratar de uma revista com a credibilidade da IstoÉ – a publicação é séria demais e jamais faria isso, não é mesmo? ]

  • éramos amigos

Voltando à análise do conteúdo da matéria: me admira que Geddel se oponha tão brutamente ao Henrique Eduardo, amigo pessoal dele e para quem trabalhou duramente em campanhas para presidência da Câmara e liderança do partido. São grandes aliados e a vitória dele com Presidente da Câmara foi comemorada como uma vitória dos Vieira Lima. Como, de repente, Geddel profere acusações tão graves contra Henrique Eduardo Alves? Sim, por que transformar um partido numa agência de empregos é uma acusação que pesa. (embora não seja mentira, não seja novidade e nem Geddel possa reclamar disso) Quando aliados, já se elogiaram muito!

“Desejam que o PMDB garanta a sinecura para quem desaprendeu a fazer política fora do governo. Não sabem mais o que é militância. E não querem que o partido debata os problemas do Brasil real, que estão aí, diante dos olhos de todos”, acrescentou o político baiano.

  • militância? do que estão falando?

Pronto! Para dizer que não concordo com alguns tópicos: realmente o partido desaprendeu a fazer militância. Mas todos os caciques citados nessa matéria possuem culpa em igual dimensão no que se transformou o PMDB: num cacho de gente que só pensa em contratos e benefícios a qualquer custo. Por falar em militância: qual a militância do PMDB da Bahia? Quem são os nomes que despontaram na militância na última década? Quem têm destaque no partido? Quem exclusivamente ocupa a mídia no estado?

E faço perguntas que englobam (se assim vocês quiserem) outros partidos do estado: há mais do que currais partidários? Há boicote dos caciques às novas lideranças? Quais partidos no estado possuem as alas da Juventude e Mulher estruturados (para além de folhetos e banners fora da realidade prática do partido)? Quais as motivações aos jovens que ingressam no partido? Há mais do que filhos e parentes de caciques? Quem tem espaço na agremiação?

Ora, faça-me uma garapa falar de militância a essa altura do campeonato.

( ah, vai ter vídeo aqui no blog contando mais detalhes de como militantes jovens são boicotados pelos partidos políticos / e como caciques fazem para transformar a indústria de comissões provisórias municipais em um regime colonial de distribuição de sesmarias )

Ao encontrar as digitais do vice-presidente, Michel Temer, na decisão pelo adiamento, Geddel foi ao encontro do dileto aliado de outrora. Na conversa com o vice-presidente, o parlamentar do PMDB não baixou a guarda. “É inaceitável que o PMDB queira passar a imagem de que é dirigido por uma cúpula congressual que não corresponde à vontade do partido”, disse. Temer teria se comprometido a não agir para inviabilizar o Congresso, caso a maioria assim o quisesse.

Importante: vontade do partido? Corresponde sim! Corresponde à vontade de uma ala. Só não corresponde à vontade de outra. Criar um partido com liberdade para alianças locais visando crescimento, domínio, poder e ascensão financeira dos membros, para depois reclamar que é formado por alas muito divergentes e é heterogêneo demais não vale. É necessário compreender que a turma do “quanto pior, melhor” não vai aceitar nada menos do que a sua fatia do bolo. E se esse já estiver divido, vai criar problema para a ala que partiu o doce.

Temer sempre resolveu sua vida e deixou os correligionários na mão. Essa reclamação interna do PMDB sempre foi forte desde que ele assumiu a vice-presidência da República. Uma hora seu “egoísmo partidário” seria alvo de críticas pelos descontentes.

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Os descontentes contam com o apoio de outros caciques nacionais:

Cerram fileiras como já é público e notório o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e o deputado Jarbas Vasconcelos (PE). Nos últimos dias, uniram-se a eles diretórios como os do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Na sexta-feira 23, a manobra havia sido desfeita. O Congresso foi confirmado. Mas o desnorteado PMDB, capitaneado pela ala governista, planeja pregar outra peça nos próprios colegas de sigla. A ideia agora é tirar musculatura política do encontro, esvaziando-o.

  • ala sem legitimidade

Obviamente que não adianta a ala que quer o Congresso a impor por meio de ameaças e articulações no apagar das luzes. Se o Congresso for esvaziado (ou a mera tentativa), mostrará que se trata de ala ilegítima – que existe para atrapalhar articulações maiores, e na mera tentativa de se fortalecer baseada no “quanto pior, melhor”, visando outros acordos de bastidores: estaduais, especialmente.

Até lá, novas batalhas deverão ser travadas entre as correntes historicamente antagônicas do partido. A propalada unidade, do início de agosto, ruiu com um castelo de cartas.

  • era só uma ameaça

A unidade nunca existiu. Foi propalada às pressas para fazer parecer que se tratava de unidade do partido que enfraqueceria ainda mais o governo. Foi uma ameaça ao governo. Foi uma forma de parecer que o partido criaria ainda mais problemas. Foi um golpe de achaque, diria Ciro Gomes. Na prática, sabia-se que jamais se conseguiria a unidade em uma semana; por que os motivos da falta de unidade são forte demais para serem superamos do dia para a noite: são movidos à dinheiro, contratos, espaços de poder, brigas internas, destaque no governo, espaço nos estados, licitações, comando de estratégicos negócios do governo, nomeação para superintendência de órgãos federais. A unidade foi propalada às vésperas por que essa ameaça traria o que trouxe: mais ministérios e cargos. Só por isso.

A unidade foi um blefe!

Você já leu as últimas matérias que comentei aqui no blog? Vem ver:

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16
outubro
2015
Bom dia! Revista VEJA: Todo o poder à família Picciani

Oi pessoal. Bom dia!!!

Hoje vamos começar cedo, 5h30, com um post bem especial: o nosso “Bom dia!” de hoje será “Comentando a matéria” da Revista VEJA sobre uma família de pecuaristas e empresários que estão comandando espaços no cenário político do Rio de Janeiro. Li a matéria hoje quando acordei e resolvi correr para postar o texto para vocês com meus comentários.

Clicando no link abaixo, você lê a matéria “A ascensão dos Picciani” e em seguida temos os trechos da reportagem em azul e meus comentários em preto.

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Todo o poder à família

Como o pecuarista Jorge Picciani, patriarca de um clã político do Rio de Janeiro, conseguiu aproximar-se do Planalto, emplacar dois ministérios para o PMDB e alçar o sobrenome da família ao cenário eleitoral nacional.

Quando o tabuleiro do poder estremece, peças tombam, embaralham-se e se sobrepõe umas às outras. Nesses momentos, mesmo peões, desde que estrategicamente posicionados, podem ganhar relevância. Os Picciani sabem disso melhor que ninguém. O notório clã da política do Rio de Janeiro hoje tem como seu representante mais visível o deputado Leonardo Picciani, o atual líder do PMDB na Câmara. Mas o grande articulador da ascensão familiar é seu pai, o deputado estadual e pecuarista Jorge Sayed Picciani. Presidente do PMDB fluminente, ele é considerado há duas décadas um dos mais sagazes caciques políticos do estado. Agora, quer que também o resto do país conheça seus predicados.

Inicialmente, uma constatação de sempre: pecuaristas, fazendeiros, grandes mandachuvas do agronegócio mandam nos bastidores da política brasileira. Quando não  são os próprios candidatos, financiam as campanhas de seus rebentos e comparsas mais leais para ter poder de interferências nas decisões do Executivo e Legislativo; e, obviamente, interferir em demandas locais, elaboração de leis, contratações e gestão pública. Não é algo novo no país – pelo contrário, é prática desde que nos entendemos enquanto país (ainda que colônia)!

Ler as expressões “pecuarista e deputado federal” ou “pecuarista e senador” em matérias sobre políticos não é uma novidade e já nos acostumamos com a ideia de que: quem tem dinheiro, manda na política local e nacional. Aí na sua cidade, com toda certeza, tem um fazendeiro com filho vereador, aspirante a outros cargos, ou financiador de campanha (para gozar dos louros da possibilidade de interferir nas políticas públicas e legislação).

Difícil mesmo, gente, é encontrar político com legitimidade, e nos depararmos com histórias de ascensão mediante militância. Difícil e cada vez mais raro, raríssimo. Nunca foi a regra no nosso país – vide Câmaras de Vereadores e Prefeituras por esse Brasilzão. E não será!

Vivemos em um país no qual “fazer política” é tomar whisky (não sei escrever e nem vou procurar no Google) em jantares bancados com dinheiro público (da Prefeitura, Câmara de Vereadores, Câmara dos Deputados, Governadorias), em restaurantes de aliados políticos (que superfaturam as contas da comilança para tirar o dinheiro que deixou de ganhar na campanha, quando os correligionários do político comiam de graça no seu restaurante), discutindo sobre mulher, boi e como conquistar espaços de poder manipulando opositores, ameaçando com baixarias e sarcasmo (e nisso as redes sociais têm sido grandes aliadas) e comprando lideranças políticas (que, por sua vez, manipulam os pobres coitados que dependem de seus favores pessoais).

Pronto! Resumo do que significa fazer política no Brasil hoje.

Militância? Nascimento e crescimento em bases eleitorais? Disputa legítima de espaços em partidos políticos? Lideranças surgidas de embates e discussões produtivas e em benefício da coletividade? Elaboração de discursos? Levantar bandeiras?

Sinto muito, nobre leitor, mas você não achará políticos assim em Brasília em número suficiente nem para contar nos dedos das mãos.

Os sagazes caciques políticos não nascem da militâncias nem da disputa terrena de poder. Os caciques sagazes, influentes e que enriquecem na política (a imensa maioria – quase unanimidade, para ser exata), nascem da disputa baixa e mesquinha em espaços nos quais o dinheiro é rei e votos se conquistam com “cinco mil dilmas” na mão de cada cabo eleitoral – e não com ideias, projetos de governo ou outra bobagem que o valha…

Esse é o “chocadouro” e criadouro dos caciques sagazes!

Picciani pai fez carreiras construindo alianças improváveis e arregimentar fundos para campanhas milionárias, tanto as suas como as de colegas que lhe são eternamente gratos. Foi decisivo na eleição de um sem-fim de vereadores e deputados, além de ter dado sua fundamental contribuição aos governadores Sérgio Cabral Filho e Luiz Fernando Pezão. Nos últimos meses, mudou de patamar. Hábil nas costuras de bastidores, ganhou importância no cenário nacional ao se revelar um dos fiadores do mandato de Dilma Rousseff no Congresso.

Construir alianças improváveis é, por excelência, regra na política brasileira. Não importa o partido político – até porque carecemos de partidos programáticos -, as alianças são construídas, única e exclusivamente por critérios de afinidades… ahhhh, claro que não… rsrs Estou brincando com vocês! As alianças são construídas baseadas em alguns critérios:

* quantidade de dinheiro que o grupo político pode arregimentar com empresários para a eleição

* possibilidade de interferir nos contratos, compras e contratações; recebendo cargos, secretarias e ministérios com a “porteira fechada” para mandar, desmandar e roubar muito (objetivo maior dos políticos brasileiros)

* possibilidade real de ser prejudicado caso não faça a aliança. E aqui quero muita atenção de vocês: na política, você vale pelo mal que pode causar. Portanto, uma boa aliança sempre tem, por trás, um bom “cala boca”. Inimigos se aliam pela possibilidade de – separados – prejudicarem uns aos outros. Assim quem lidera pesquisas e sai na frente na opinião pública muitas vezes se vê obrigado a fazer alianças as mais espúrias com empresários ricos e fazendeiros, além de adversários políticos, para que esses fiquem calados (mediante, em troca, recebimento dos louros da administração pública)

Por isso, vemos tantas “alianças improváveis” no país.

O pragmatismo é a marca de Picciani. Herdou a característica, além de Leonardo, de 35 anos, o caçula Rafael, que, aos 29 anos, já é deputado estadual em segundo mandato, atualmente licenciado para tocar a poderosa Secretaria Municipal de Transportes. Um exemplo do estilo de atuação do patriarca se deu em 2014, quando ele amarrou o apoio de uma ala do PMDB à candidatura do tucano Aécio Neves, fato que resultou numa improvável aliança conhecida como Aezão (Aécio + Pezão, então candidato). Seu partido fincava assim os pés em duas canoas, já que, oficialmente, continuou fechado com a candidata Dilma. Vitoriosa, ela passou os oito primeiros meses de mandato mantendo distância dos Picciani – então unha e carne com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, inimigo jurado do Planalto.

Está vendo como as costuras sempre terminam em candidaturas de filhos e agregados mais próximos dos mandachuvas financeiros do estado? Foi o que falei para vocês. Isso não é novidade. Só pergunto: qual a legitimidade desses candidatos a cargos eletivos, se você compreender a política como a ocupação de espaços mediante bandeiras e disputa real de ideologias e projetos de nação? Nenhuma!

A política sai completamente do campo das disputas de ideias e debates, para o “quem dá mais”. Quem tem dinheiro, compra lideranças e  se elege. Compra aliados. Compra votos. Compra “cabeças”. Compra consciências. Compra alianças. E vai buscar retirar todo o dinheiro gasto em desvios de dinheiro dos cofres públicos.

Não estou necessariamente me referindo aos Picciani´s. Óbvio que não! Nem pesquisei sobre a existência de denúncias envolvendo a família (possivelmente o farei até o final do texto). Desconheço o assunto. Mas não tenho dúvidas em afirmar, por todos os políticos que conheço e pesquisei , que essa é a regra. (joga “Picciani” aí no Google para ver o que sai, e depois compartilhe seus achados conosco)

Quanto ao jogo duplo retratado pela revista, nada mais “PMDB”, né?

A situação mudou em 13 de agosto, em um café da manhã que juntou Jorge e Leonardo Picciani com Dilma. o encontro foi organizado por Pezão e pelo prefeito Eduardo Paes. Na ocasião, já de olho na barca governista, Picciani pai instituiu na importância de construir uma “coalizão de fato” na base de apoio à presidente e fez a análise do momento com uma metáfora bem a seu modo. É como tirar o burro do atoleiro. “É difícil, tem lama, mas é preciso avançar”, comparou, arrancando risadas da interlocutora. Dias depois, Leonardo Picciani desligou-se da ala Cunha e bandeou-se para o lado do PMDB pró-governo, com a árdua tarefa de garantir quórum para o governo nas votações decisivas – no que até agora fracassou redondamente. Da sua parte, porém, o clã já está no lucro: um mês depois do café com Dilma, emplacou os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde.

Lendo o início e o final do trecho, uma conclusão simples (nem precisa ler a história toda): café da manhã articulado para negociar cargos e apoio com Dilma.

Primeiro: não me admira que o Governo Dilma esteja degringolando. Desde o início, foi eivado de alianças dessa qualidade (no toma lá , dá cá). Ela herdou de Lula a tradição de pagar aos deputados em dinheiro e cargos (o que já faz parte da política brasileira desde sempre). Dilma não coibiu e terminou se “atolando” em alianças que visam achacar. Aliados do Governo que sempre receberam benefícios passaram a bradar para receber cada vez mais. Querem um “cala boca” maior. Não tem dinheiro e cargos que possibilite saciar a gula dos oposicionistas de araque – que querem mais e mais dinheiro público para se aliar e não pressionar a presidente. Ela cede! Redefine alianças. Mas a estabilidade momentânea e aparente não resiste ao primeiro vendaval. Logo, logo, os mesmos aliados estão achacando a presidente novamente, em troca de mais e mais e mais cargos e espaços no governo. Não há erário que resista!

Picciani fez o que, em política, a gente chama de “criar dificuldades para gerar facilidades“. Aliou-se a Cunha (unha e carne), para no momento certo chamar Dilma para a conversa.

Cunha – também do Rio de Janeiro – sempre possuiu fama de articulador sagaz e que muitos temem. Cunha iniciou sua carreira política da melhor forma para aprender o que faz de melhor: arrecadando dinheiro para a campanha de Collor. Ser aliado dele trás benefícios óbvios. O patriarca da família citada na revista foi inteligente. Manteve-se do lado de Cunha quando a crise política foi iniciada. Viu a presidente sangrar, assistiu pacientemente até que chagado o momento certo de agir.

Meu amigo leitor, veja bem que a lógica é simples e o cálculo matemático:

* Se a presidente vai bem, não tem porque comprar seu apoio. Você vale nada.

* Se a coisa começa a piorar para a presidente, um aliado passa a ter seu passe um pouco mais valorizado.

* No mesmo sentido, um não aliado começa a ser cortejado – ele passa de “desnecessário” à peça que pode ser útil no tabuleiro da política.

Mas se a presidente cai e está rolando ladeira abaixo, meu amigo, se prepare:

* Os aliados começam a ameaçar sair do barco – para conseguir convencer a ganhar mais pelo apoio (consequentemente, ele passa a ameaçar e a se achar no direito de exigir mais cargos e contratos pra se manter na trupe)

* Os não aliados que não possuem interesse em se aliar – por questões partidárias, de disputas tradicionais de poder – fazem das tripas coração para desgastar a presidente cada vez mais, e aparecer na mídia ganhando projeção.

* Os aliados que não possuem condições nenhuma de manter cargos e contratos (por falta de competência nas indicações ou por serem tão pombo sujo que nem em crise terrível você os quer do seu lado) correm pra oposição, para tentar aparecer na mídia e tirar qualquer louro que der da crise.

* Os não aliados que estavam “de espreita” se achegam pra vender o passe por um valor infinitamente maior.

Reconheceram os nomes?

Todos ganham! Menos você, que paga a conta da orgia no orçamento público.

Nascidos em Anchieta, subúrbio carioca, Jorge Picciani é filho de padeiro e doceira. Formado em estatística, comprou uma fazenda na cidade de Rio das Flores, interior do estado, e construiu a partir dela o grupo Monte Verde, produtor de gado. Atualmente, aventura-se no ramo da mineração.

Quem toca o império é seu único filho que está fora da política, Felipe, de 34 anos. A contar pela declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2014, os negócios da família vão bem, obrigada. Os três políticos Picciani possuem juntos 27,4 milhões de reais, quase o dobro do valor de 2010. O pai cultiva a fama de generoso em vários escalões: patrocina tintos de mais de R$ 1.000,00 reais a garrafa para o alto-comando da política e não se esquece de agradar, com lautas refeições, também os soldados das campanhas.

Eu não tenho a menor dúvida de que os negócios de uma família com patriarca tão articulado e sagaz estejam de vento em polpa. Especialmente depois que entraram na política, claro! Não se entra na política – quando se é um cara desses – para perder se dinheiro. Entra pra multiplicar por milhares de vezes. Então… juntem os pontinhos… rsrsrs

Preciso nem dizer que a própria revista relatou que em 5 anos o patrimônio da família dobrou, né? No mais, a generosidade do pai com os políticos é muito bem recompensada. Percebe-se!

A base do clã hoje é a Barra da Tijuca, onde o patriarca, de 60 anos, vive com a segunda mulher, Hortência, de 26. Picciani só ouve tango e bolero e se interessa por dois assuntos: política e boi. A família banca um leilão anual de gado no hotel Copacabana Palace, onde aposta alto. Uma vez, em Minas Gerais, eles uniram-se aos atores Alexandre Nero e Murilo Benício em um lance de 380.000 reais por uma cabeça. O filho Leonardo se encontra em fase de metamorfose: antes tímido, desenvolveu um fraco por ternos brilhantes e de cores vivas, cultiva um topete mantido a cera e não resiste a uma selfie – inclusive durante o trabalho. O caçula Rafael é o que tem mais verniz.

Desde que entrou na política, em 1990, pelas mãos do deputado federal Marcelo Cerqueira, Jorge Picciani sempre esteve ao lado do poder. Serviu aos governadores Marcelo Alencar, Anthony e Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Pezão. A todos prestou valiosos serviços na Assembleia Legislativa, que presidiu entre 2003 e 2010 e novamente agora. “Ele cumpre tratos”, resume Paes.

Não por outro motivo cresceu, enriqueceu e é filiado ao PMDB: serve a todos!

O embrião da atual ascensão de Jorge Picciani está na dura derrota que sofreu em 2010, quando perdeu a eleição para o Senado e ficou sem mandato pela primeira vez. A partir daí, dedicou-se com afinco à engrenagem partidária, tecendo composições e impulsionando o PMDB fluminense. Pensou alto. Quando apresentou o filho Leonardo como pré-candidato à prefeitura do Rio, sabia que mobilizaria Paes, que sempre planejou entregar a cadeira a seu braço-direito, Pedro Paulo Carvalho. Assim, para garantir o controle da própria sucessão, o prefeito cedeu uma secretaria ao caçula dos Picciani, Rafael, e se empenhou em alçar Leonardo à liderança do PMDB na Câmara. Agora, Rafael está cotado para vice-prefeito do Rio e Leonardo deve buscar o Senado. Quanto ao chefe do clã, ele admitiu a VEJA que não descarta uma candidatura a governador em 2018. O tabuleiro ainda treme. E os Picciani nem pensam em recuar nas casas.

Você já leu as últimas matérias que comentei aqui no blog? Vem ver:

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07
outubro
2015
TCU e Dilma: o que está em jogo!

Oi, pessoal,

Se a vida não está fácil pra você. imagine para a Dilma que está prestes a ter as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União, heim!?

Dilma-charge1-e1444287079325Nosso texto de hoje será menor do que de costume (coisa rara, hahahaha), vai ser jogo rápido, pingue-pong. Olha, muita gente tem mandado mensagens nas redes sociais perguntando sobre o julgamento das contas da presidente, o por que disso acontecer (até porque me parece que esse foi o ano que as contas mais ganharam destaque no noticiário, já que não é um tema corriqueiro), quais as implicações da rejeição etc etc. Então, resolvi fazer um post com as respostas rapidinhas. Vamos lá?

  • O que o TCU vai julgar?

Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) vão decidir se apoiam o voto do relator Augusto Nardes.

Augusto entendeu pela rejeição das contas. Os ministros do TCU vão decidir, entre outras questões, se as “pedaladas fiscais” form usadas como manobra para maquiar as contas públicas.

Vale lembrar que em 2014 as contas públicas tiveram o pior resultado da história.

  • Como acontece a sessão no TCU?

O Plenário do TCU se reúne e avalia o parecer prévio do relator Augusto Nardes. A sessão acontece em formato extraordinário, com os nove ministros e um representante do Ministério Público. Qualquer ministro pode pedir vista e suspender a sessão, alegando:

  1. conflito de interesse ou
  2. necessidade de mais tempo para analisar o caso

 

  • Do que vale a decisão do TCU?

Basicamente nada. O que o TCU faz é recomendar ao Congresso Nacional a rejeição ou aprovação das contas públicas.

O parecer do TCU é apenas técnico. Não tem efeito prático.

  • O que acontece depois da decisão?

O parecer técnico é encaminhado ao Poder Legislativo (Congresso Nacional).

  • O que acontecerá no Congresso?

O Congresso Nacional fará o julgamento político da atuação de Dilma.

Os parlamentares federais vão votar decidindo se o Governo descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal.

  • Qual o resultado mais provável?

O mais provável é que o TCU rejeite as contas de Dilma, para o ano de 2014. 

  • Consequências para a rejeição das contas?

Há três possíveis consequências:

  1. consequência política – responsabilização da presidente da República e de membros do Executivo
  2. consequência administrativa – restrições na transferência de recursos públicos
  3. consequência penal – perda de direitos políticos de membros do Executivo e outras sanções

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05
outubro
2015
Debates Políticos no Facebook – Setembro 2015

Oi, pessoal! Bom dia.

Quem não ama Facebook, né? E a rede tem sido uma das maiores ferramentas de divulgação de informação política e de discussões. E na minha página do Facebook – quem acompanha já sabe hihihi – todos os dias tem vários posts de debates sobre os temas mais importantes do cenário político – e dos menos importantes também. Setembro foi um mês atípico e um dos mais movimentados dos últimos tempos. Não faltaram polêmicas, escândalos, novas descobertas do Petrolão, delações e mais escândalos.

E se você já acompanha o blog sabe que todos os meses temos nosso post “O que rolou no Facebook”, no qual eu conto a resenha as discussões que nortearam nosso mês. Olha, num país no qual o povo não prima pela memória política e que a mídia não tem como forte acompanhar os desdobramentos de todos os fatos noticiados, é importante que a gente dê uma geral quando o mês acaba, para lembrarmos do que aconteceu de importante, do que não podemos esquecer, e, acima de tudo, do que temos (TEMOS!) que continuar acompanhando.

Mas vamos combinar que lá no Facebook não dá pra fazer isso, né? Porque a timeline vai rolando e as postagens vão ficando para trás e de difícil acesso. Juntando tudo isso, surgiu a ideia de colocar um post reunindo as discussões que rolaram no Facebook aqui no blog. Abaixo, transcrevo algumas postagens que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco.

Não podemos deixar que as notícias e informações sejam perecíveis, né?

Vamos aos posts:

  • 29 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Uma oposição que argumenta que a economia está em frangalhos e os cofres públicos foram assaltados por uma década precisa esclarecer onde ela estava enquanto isso acontecia. Não se esmigalha a economia de um país de uma hora para outra. Para um governo trapalhão se manter no poder, é necessário uma oposição idêntica.

  • 29 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

“Nós já descobrimos qual a causa dos nossos problemas. Não os efeitos que vocês nos fazem combater como causas!” Vou nem dizer mais nada! Ouçam!

  • 29 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

É curioso ver a oposição levantar a bandeira de que o “PT está destruindo o país há 13 anos”. E a oposição NÃO FEZ NADA PRA BARRAR ESSE TEMPO TODO?

  • 28 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Pronto! Se vc quer entender tudo sobre a crise econômica e política, como afeta nosso bolso, consequências da alta do dólar, medidas que pressionam a inflação pra cima… venha ver nosso quadro novo no Youtube.

Hoje falo sobre a alta do dólar, quem ganha (SIM!, há quem lucre com a desvalorização da moeda brasileira) e quem perde. De forma objetiva e simples. Assista pra entender

  • 26 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

A sequência de tiros (raiva) e o cigarro (desdém) deixam claro: Angel não amava Alex, ela estava envolvida numa relação com um cara mais experiente, acostumado a atingir seus objetivos a qualquer custo, vaidoso, que encarava as relações com uma possessividade doentia. Ela estava presa ao domínio que ele exercia sobre as pessoas, achando que podia tudo; viciado em ferir, comprar e manipular. A sequência de tiros de Angel vinga as milhares de meninas abusadas por pedófilos, envolvidas em relacionamentos abusivos, praticamente obrigadas a aceitar desrespeitos para seguir a profissão e realizar seus sonhos, enganadas por manipuladores covardes e ardilosos, perseguidas por doentes… ‪#‎verdadessecretas‬

  • 25 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Crítico, politizado e defensor de uma sociedade mais justa, o Papa Francisco é o artífice da reaproximação história entre Cuba e os Estados Unidos, tendo sido aclamado na ilha por milhares de fiéis nos últimos dias. De Cuba, seguiu para a terra de Obama, onde tenta convencer o Congresso a revogar o embargo econômico a Cuba.

Em respeito à autoridade moral do Papa, Obama e Raúl Castro – líderes dos dois países que possuem relações hostis a mais de 50 anos – aceitaram a conclamação ao diálogo.

  • 25 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Se usarmos o ‘deputado/senador padrão’ como referência para o conceito de família tradicional brasileira, a lei deveria trazer a formação homem, mulher, filho e amante.

  • 25 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Aqui pensando: imagine se fossem 700 católicos mortos no Vaticano…

Mas não foi!
Assim a gente não precisa ficar assistindo o plantão da Globo, nem o dia todo ao vivo direto do Vaticano, nem mil reportagens, nem Globo Repórter sobre as vítimas, nem entrevistas às famílias das vítimas, nem o surgimento de mais uma ONG em defesa das vítimas, nem chorar por semanas, nem manifestações de apoio em vários países, nem pronunciamento da ONU, nem reunião de líderes de todos os Planetas, nem luto intergaláxico, nem… ‪#‎comoçãoseletiva‬

  • 24 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Jogo duplo da zorra do PMDB na propaganda partidária.

Cada peemedebista que fala conduz o discurso – nas entrelinhas – para um sentido diferente (contra o governo, a favor do governo, contra o governo, a favor do governo, ajustar contas ajudando o governo, não aceitar aumento de impostos, rechaçar irresponsabilidades, ajudar o governo a se recuperar…). Um mosaico de frases conflitantes e contraditórias. Tentou agradar a população e o governo ao mesmo tempo. Tentou falar o que Dilma quer ouvir (pra sacramentar a nomeação de ministros do partido) e o que o povo quer ouvir (pra posar de paladino-mor da moralidade – até porque Temer quer assumir a cadeia de Dilma e vai precisar de apoio popular). Na propaganda, buscou ficar bem na fita com governistas e com a oposição (mas pelo menos mostrou estar mais ao lado do governo do que na propaganda anterior). É o PMDB fazendo o que melhor sabe fazer: confundindo e jogando com a plateia. Putszzz…

  • 24 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Não podemos nos omitir e deixar que a intolerância religiosa seja banalizada. Com o crescimento do número de fundamentalistas cristãos, precisamos refletir e coibir a ação de supostos pastores que incitam a violência, desrespeito às liberdades individuais e apedrejamento de templos de outras religiões.

O pastor que cito no vídeo de ontem (do “5 Minutos de Política”) escolhe seus adversários (em regra, minorias políticas: mulheres, homossexuais, usuários de drogas) e convence seu rebanho de que se tratam de inimigos de Jesus. Alienados por suas dores, fragilidades e vulnerabilidades pessoais diante do “líder religioso”, um exército de fiéis sem discernimento fazem tudo que ele manda e o aplaudem.

  • 23 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O PMDB afirmou que não aceitaria negociar cargos. 24 horas depois: aceitaram indicar 5 ministros! Conseguiram resistir 24 horas. Até muito tempo para os moldes peemedebistas, quando se coloca cargos, dinheiro e contratos na frente deles. Ulysses deve estar orgulhoso. kkkkkkkkkkk

( quando eu digo que o partido tem se colocado como oposição, desde janeiro, para atingir o único objetivo de achacar a presidente, tem gente que manda mensagem pra mim reclamando … olha aí, gente… )

  • 22 de setembro (clique AQUI] para ver no Face)

“Vai quebrar a cara quem apostar na alta do dólar”, Guido Mantega, 19.10.2014.

  • 21 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Reuniões com grupos da oposição, críticas ao governo… Temer sinaliza à oposição que quer assumir a cadeira de presidente da República.

  • 21 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

E o movimento dos europeus em direção aos outros países? Os mesmos que renegam os imigrantes querem ser (e são) muito bem recebidos em outros países, nos quais possuem mania de agir com superioridade e se comportar como “colonizadores”. ( assistam esse vídeo! demais! )

  • 20 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O PMDB finge que não tem a mesmíssima culpa do PT na situação que o país está. É o partido mais cínico da história!

  • 20 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Bruno Reis diz que só mora na rua quem quer.

‘Primeiramente’, nem deveria ser secretário municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza por que não tem conhecimento técnico, trabalho na área, nem legitimidade pra isso.

Mas pelo menos podia nos poupar de ouvir as opiniões playboyzisticas dele, né? Já faria muito…

(antes que comece o mimimi do povo do DEM: sei que Bruno vem de família humilde, mas a realidade dele é absolutamente outra. O grupo do qual faz parte e suas vivências mudaram desde a adolescência, quando passou a comungar da política, ideologias e práticas que em nada coadunam com o que se espera de alguém que assuma essa pasta. Não tem legitimidade e falou uma bobagem que demonstra falta de preparo e preconceito. Pronto!)

  • 18 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Você já ouviu falar da Bancada BBB? São deputados ligados aos setores evangélicos, ruralista e indústria de armas e munições, que se organizam na Câmara dos Deputados, em Brasília, por afinidade e votam defendendo pautas conservadoras. No vídeo trato algumas questões:

* partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados (pulverização e consequências)
* organização dos deputados em bancadas formais e informais
* formação de bancadas por afinidades
* bancada BBB: boi, bala e Bíblia (composição e principais representantes)
* votação unificada e fortalecimento da bancada BBB

  • 18 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Criança recebe alta depois de 1 ano no hospital e palhaços simulam fuga

  • 17 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Casal sueco dá a volta ao mundo de bicicleta.

Aí chegam numa estrada brasileira e são atropelados. A moça morre e o rapaz está internado com traumatismo craniano. É… Brasil… nossos motoristas, né? Quando é que vamos compreender que nosso trânsito mata mais do que uma guerra? Quando vamos assumir que a culpa não é das “estradas”, do “semáforo”, “dos buracos”, mas sim dos motoristas?

  • 17 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O governo não cortou na carne. Com seu pacote de maldades, jogou a conta para o contribuinte e os servidores públicos. Nenhuma das medidas propostas atinge diretamente sonegadores, banqueiros, parlamentares, prefeitos corruptos. E, para piorar, Levy, ao defender a alíquota de 0,2% para a CPMF como algo irrisório para o cidadão – mas importante para as contas do governo -, finge que não sabe que se trata de tributo que incide em cascata e que os valores pagos por nós serão infinitamente maiores.

Em um orçamento de R$ 1 trilhão, o governo mostra desequilíbrio em não conseguir cortar R$ 32 bilhões de seus gastos com cargos fantasmas, contratos superfaturados e gastos excessivos.

  • 15 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

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  • 15 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

De todas as entrevistas que assisti até agora, de políticos e especialistas, sobre as medidas de Levy-Dilma, me parece que só quem se manifestou favoravelmente foram Renan e os banqueiros. Daí vc tira…

  • 14 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Se a Federação Brasileira de Bancos se manifestou em apoio às medidas anunciadas por Levy, eu sou NECESSARIAMENTE contra! Não existe possibilidade nesse plano terreno dos banqueiros e o povo serem beneficiados pelas mesmas medidas. “Isso non ecziste”. (QUEVEDO, Padre) ‪#‎JornalNacional‬

  • 14 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Resumindo: nós já pagamos, mas roubaram; aí a gente vai ter que pagar de novo! ‪#‎JornalNacional

  • 14 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Sabendo que as investigações chegariam ao seu nome, Cunha tentou, no primeiro semestre, se antecipar e criar uma cortina de fumaça. Janot foi mais rápido!

  • 13 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Uma lei proibindo Thais Araujo de sair de casa pra humilhar a gente com esse corpo, cara e cabelo… Isso, que é importante, o Congresso não faz! ‪#‎DomingãoDoFaustão

  • 11 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O mundo falhou na proteção aos refugiados que saem de seus países fugindo da morte e dos horrores da guerra. Na Hungria, em campos nos quais estão sendo obrigados a ficar, os policiais jogam comida para os refugiados como se tivessem alimentando “animais” (o que nem deveria ser dessa forma tb)

  • 11 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Semana passada, um grupo de parlamentares entregou a Rodrigo Janot uma representação pedindo o imediato afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Casa. Eles acusam Cunha de usar o cargo para obstruir a Operação Lava-Jato. Antes disso, Janot havia protocolado denúncia contra o peemedebista, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em que pese todas as denúncias envolvendo o Cunha (e outras tantas que já o atingiram ao longo de sua vida pública), o cacique permanece inabalável, vendo seu poder na Casa Legislativa crescer. De onde vem esse poder de Cunha?

  • 11 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Alex é homofóbico, machista, nojento, pedófilo e perverso. Tem caso com a filha, mesmo casado com a mãe – embaixo do mesmo teto. Não ama a Angel, a quer por posse, desafio. Mas a “tradicional família brasileira” não reclama de nada disso… Pelo contrário, o personagem tem popularidade e o ator posa em campanhas publicitárias como o galã do momento – fruto da aprovação ao “desejado” Alex.

Porque o que CHOCA mesmo a sociedade é o beijo entre duas idosas casadas que se amam, né? ‪#‎VerdadesSecretas‬

  • 10 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Pessoal, ontem publiquei o vídeo do “5 Minutos de Política” igual ao PAC de Dilma: atrasadíssima! rs

Mas adiantei o vídeo de hoje pra compensar vocês que acessam diariamente o canal, ok? Já está no ar!!!!

  • 9 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

MOMENTO OSTENTAÇÃO

Você encontra o Senador Randolfe Rodrigues e ele, depois de olhar várias vezes com a testa franzida, diz: “lembro de você de algum lugar… ah, é do blog de política. Você tem um blog, desde a hora que te vi sabia que lembrava de vc de algum lugar. Muita gente lê, é conhecido em Brasília (etc)”. Eu fiquei tão boba que nem sabia o que dizer, enquanto ele falava coisas do blog que demostravam que ele realmente conhece a página! rs ‪#‎EscreviEssePostSóPraMeAmostrar‬ ‪#‎AtéRandolfeConheceOBlogEVocêAíSemAcessarHojeAinda‬

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  • 8 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O fogo amigo da militância petista contra Levy (somado ao fato do próprio PT minar o trabalho dele) pode ser a casca de banana que falta pra Dilma despencar de vez…

(a presidente escorregando e a militância caindo na estratégia da oposição… mas olha…)

  • 7 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Sem boneco não tem graça fazer manifestação, né? Hahaha Como o tempo seco parece que danificou a estrutura dos bonecos, a passeata foi cancelada por questões climáticas. Mas gente…

  • 7 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Dilma erra em não se pronunciar em cadeia nacional, hoje. Ela tem cometido “sistematicamente” esse erro. Em momentos importantes da crise, nesse 2015, ela ou silenciou ou se deixou representar por ministros sem expressão e desconhecidos do eleitor – isso aconteceu em pronunciamentos importantes. Ela tem uma equipe de gerenciamento de imagem fantástica, comandada pelo extremamente competente João Santana, que jamais a deixaria cometer um erro tão banal – e que custa tão caro – para uma presidente da República. Se estão deixando é intencional. Ou Dilma toma as rédeas, muda essa postura, perde esse receio de se pronunciar e vai pra cima (e dispersa, aos poucos, os panelaços), ou a apreensão popular vai aumentar e a situação ficar mais crítica… Ela tem que mostrar que ainda tem comando – já que diz ter – e passar segurança aos brasileiros. Em entrevistas e discussos menos importantes, ela diz que o país está sobre controle, mas num momento importante como esse, sua atitude mostra que não. Ela precisa concatenar o discurso com a ação! Logo!

  • 7 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

A professora viu os hematomas e denunciou ao Conselho Tutelar. A criança foi para um abrigo. Devolvido pela juíza à família, foi assassinado pelos pais e colocado num frizer.

Dois irmãos, crianças, foram espancados, expulsos de casa e pediram socorro na guarda municipal. Foram encaminhados ao Conselho Tutelar. O juiz mandou de volta pra casa. O pai e a madastra esquartejaram os meninos e espalharam os corpos em sacos de lixo pela cidade.

Aí eu te pergunto: quando vamos começar a falar em responsabilização de juízes e conselheiros por esses crimes? É preciso haver uma punição, por menor que seja, ou que seja advertência… enfim, é necessário que haja uma consequência, para termos agentes públicos mais atentos e comprometidos. Uma vez realizada a denúncia, o Estado (Conselho Tutelar, Ministério Público e Judiciário) passa a ser responsável por essas crianças que só possuem o próprio Estado para salvar de suas vidas. E crianças não podem ser vítimas de conselheiros, promotores e juízes negligentes que não percebem o óbvio: que elas não podem ser devolvidas a notórios doentes (nenhum laudo psiquiátrico indica a periculosidade de pais que são agressores contumazes e frios o suficiente para esquartejar ou colocar o filho no congelador?!). ‪#‎BrasilUrgente‬

  • 7 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Sorte a nossa que a opção era entre independência ou morte, por que se alguém tivesse gritado, na beira de um rio, “independência ou cerveja” a gente era colônia até hoje.

  • 3 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O vídeo de hoje já está no ar:  falo sobre a reforma administrativa e a mea-culpa de Dilma sobre a crise política. Além de contar porque parei temporariamente de gravar os vídeos (mas agora VOLTEEEI)

  • 3 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

O sumiço da picada de Dilma… ops… A picada do sumiço de Dilma… ops… Enfim, no vídeo de hoje falo sobre sumiço, picada e Dilma – não necessariamente nessa ordem. rs Assiste aí pra saber do que estou falando!

  • 3 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

A pedido de MILHÕES de pessoas (na verdade foram só umas 3 pessoas mesmo hehehe), hoje a gente retorna com os vídeos do “5 Minutos de Política”. Êêêêêêêêê Vai ter vídeo às 20h no nosso canal do Youtube. Clica aqui, se inscreva e fique ligado nas discussões.

  • 3 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Como pode a construção de uma estrada iniciada em 1976 não ter sido finalizada? Absurdo. Falo sobre isso no vídeo de ontem sobre a viagem ao Oiapoque.

  • 2 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Genteeee, algumas pessoas me pediram para falar mais sobre como chegar no Oiapoque, a operação da Polícia Federal no “meu quarto” (sem malícia, tá, galera? kkkkkkk), a barreira epidemiológica (tive que assinar um documento antes de deixar o Oiapoque sobre meu estado de saúde) e o caso do estrangeiro ilegal que fez meu ônibus ficar retido no meio da floresta… eitaaaaaa… foi resenha, viu? hahaha

Gravei vídeo contando tudo e já tá no canal do Youtube!

  • 2 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

A CPI da Petrobrás realizou acareação entre réus e delator hoje em Curitiba. No comentário político de hoje, falei sobre dois institutos que pouco são utilizados quando a intenção é prender político no Brasil: delação premiada e acareação.

  • 2 de setembro (clique AQUI para ver no Face)

Sobre os produtos que compramos no supermercado e os orgânicos

  • 1 de setembro (clique AQUI para ver no Facebook)

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01
outubro
2015
Troca-troca de Ministérios e crise política

Oi, pessoal!

Hoje mais cedo comentei no Facebook sobre o “toma lá dá cá” que norteia a relação entre o Governo e o PMDB. Com sua reforma ministerial, a presidente Dilma contemplará o PMDB com mais pastas do que o partido já tem. Com isso, a agremiação passa a pressionar menos a gestão da presidente Dilma e o PT.

E tem gente reclamando do “toma lá dá cá” dos ministérios. Ou a pessoa é muito ingênua, ou está fingindo indignação! Siiim… Quando foi diferente? Qual prefeitura e governo do estado que não é assim? Gente, não temos NENHUM partido político programático no Brasil e NENHUM líder com projeto real para o país. Estamos vivendo uma crise de lideranças e de representatividade. Vale para os cenários nacional, estaduais e municipais. TODOS os prefeitos e governadores desse país loteiam secretarias para ter apoio na campanha, fazer coligações e ter maioria nas Casas Legislativas. Todos. TODOS. Sem absolutamente NENHUMA exceção. Isso independe de partido político, de ser direita ou esquerda, ou de você gostar ou não do cara.

É um absurdo? Sim. A gente está indignado? Sim. Revolta ver o dinheiro público indo pro ralo com a nomeação de um monte de incompetente? Sim. Só não dá pra uma galerinha aí ficar fazendo fita de surpreso, né? Indignação seletiva (por falta de conhecimento ou por interesses pessoais) e impunidade são os maiores males desse país hoje. Fazfavor…

———————————————

Reação da ala do PMDB que não está sendo contemplada com os cargos:

Em manifesto, 22 deputados do PMDB – um terço da bancada – posicionaram-se contrários ao partido assumir mais cargos em ministérios, assinando um documento no qual demonstram suposta insatisfação com o processo de reforma ministerial e a tentativa do governo de silenciar o PMDB atraindo-o com mais vantagens no governo (exatamente o que o PMDB gosta e quer).

Fisiologistas – tanto quanto os que aceitaram as benesses de Dilma – essa parcela de insatisfeitos (muito mais por rixas pessoais com a presidente do que por prezar pelo futuro da nação), tentam afastar o partido do governo e jogar com a opinião pública fazendo parecer que o parido nada tem a ver com as denúncias que são veiculadas e com as investigações recentes da Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Olha o manifesto dos fisiológicos “sem cargo”:

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21
setembro
2015
Vídeo – 5 Minutos de Política: Temer quer assumir a presidência da República

Oi, pessoal! Tudo bem?

Vamos ao nosso vídeo de hoje do “5 Minutos de Política”? Lembrando que todos os dias – inclusive nos finais de semana e feriados – temos vídeo novo às 20h no canal do Youtube no qual eu posto as análises políticas, dicas de livros e conto sobre a rotina de trabalho na política.

Com o cenário político agitadíssimo, não faltam assuntos para debatermos. E vamos agora falar sobre:

  • reuniões do vice presidente Temer com grupo da oposição
  • pronunciamentos de Temer criticando – abandonando a discrição – o governo
  • Temer sinaliza à oposição que quer assumir a cadeira de presidente da República
  • traições, lealdade e abandono aos correligionários
  • benefícios que o PMDB obteve nos governos petistas
  • PT e PMDB sabem o que o outro fez no verão passado

Assista o vídeo:


[ lembrando  que o “5 Minutos de Política” vai ao ar todo dia às 20h, no Youtube ]

Mande também sugestões para vídeo do nosso web programa “5 Minutos de Política”, ok? :-)

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15
setembro
2015
Comentando a matéria: Dilma quer CPMF para pagar aposentado e corte de R$ 26 bi (Folha de São Paulo)

Oi, pessoal, boa noite!

Ontem, os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa, respectivamente das pastas da Fazenda e Planejamento, anunciaram um corte de R$ 26 bilhões em gastos públicos, pré-anunciaram a volta da CPMF, e deram duas notícias que desagradam e acabam com os planos e sonhos de funcionários públicos e pretensos: o reajuste terá nova data e os concursos públicos serão suspensos.

Como base para discutirmos o assunto, vou usar a matéria da Folha de São Paulo (publicada hoje, no jornal impresso) em mais uma postagem da nossa série “Comentando a matéria” – que sempre faço aqui no blog, quando você encontra: abaixo em azul, o texto da Folha e em itálico preto meus comentários.

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Governo corte despesas e tenta recriar CPMF de novo

Maioria das medidas ainda depende de aprovação do Congresso para valer

Cortes atingem servidores federais ao adiar reajuste salarial; aumento de impostos contraria empresários

Depois de enviar há 15 dias uma proposta de Orçamento com déficit para 2016, o governo Dilma Rousseff, acuado pela crise política e econômica, deu uma guinada e lançou nesta segunda-feira (14) um pacote para tentar equilibrar as contas públicas e conquistar o apoio do mercado e do empresariado.

Dia 31 de agosto, o governo – como impõe a lei – entregou ao Legislativo um projeto de Orçamento que prevê mais gastos do que receitas, ou seja, um Orçamento com deficit – cujas contas não fecham. É a primeira vez que isso acontece. Estima-se um déficit de R$ 30,5 bilhões para 2016, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Dilma chamou sua atitude de “transparente”, pois supostamente ela estaria mostrando de forma clara o problema. Como se nenhum especialista já não tivesse previsto as dificuldades do governo de fechar as contas. 

Em entrevista no Palácio do Planalto, a equipe econômica anunciou R$ 26 bilhões de cortes de gastos, entre eles o adiamento do aumento salarial do funcionalismo, e R$ 40,2 bilhões em aumento de arrecadação, com a recriação da CPMF por um período de quatro anos – tributo que havia planejado recriar, desistiu e, agora, incluiu novamente no seu cardápio de ações.

Das 16 medidas anunciadas, que formam um esforço fiscal de R$ 64,9 bilhões, apenas uma, que deve gerar economia de R$ 2 bilhões, não precisa passar pelo Congresso – a que reduz um benefício fiscal a exportadores.

A peça orçamentária havia causado impasse no parlamento, isso porque os líderes da oposição pediram para Renan devolvê-la ao Executivo. Renan descartou a possibilidade, afirmando que é “papel do Congresso” melhorar o texto.

Diante do deficit e problemas para fechar as contas (afinal, por mais que se pague impostos nesse país, nunca será suficiente, devido à roubalheira nesse país), o governo compreendeu que as medidas são necessárias: cortar gastos públicos e evitar novas demandas.

Mas, como já era de se prever, o pacote de maldades atingirá especialmente o cidadão que cumpre suas obrigações e paga seus impostos. Nenhuma das medidas propostas atinge diretamente sonegadores, banqueiros, parlamentares, prefeitos corruptos. A conta será paga pelos contribuintes, servidores públicos e classe média.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou as medidas e disse que é “pouco provável” que haja consenso no Congresso sobre a CPMF. Em tom mais ameno, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), reconheceu que os cortes “são significativos”, mas disse que as medidas serão “melhoradas” pelo Congresso.

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) afirmou que a proposta é que a CPMF, que incide sobre movimentações financeiras, tenha alíquota de 0,2% e que os recursos fiquem integralmente com a União, que pretende usar os estimados R$ 32 bilhões para coibir o deficit da Previdência.

Sem dar detalhes, o governo anunciou que a medida será acompanhada por uma redução do IOF, tributo que foi elevado em 2008 para compensar parcialmente a derrubada da CPMF no Congresso.

“É uma contribuição de prazo determinado, com objetivo determinado, que é pagar aposentadorias e dar uma tranquilidade para a Previdência Social”, disse Levy.

Ele acrescentou que o governo conta com a aprovação de uma reforma nas regras da aposentadoria, mas que isso dependerá de discussão em um fórum criado para tratar do tema com os trabalhadores.

No mês passado, o governo cogitou propor a volta da CPMF, mas recuou diante das fortes críticas recebidas de políticos e empresários. Na noite desta segunda-feira, a presidente recebeu governadores de partidos aliados em um jantar no Palácio da Alvorada para buscar apoio à aprovação das mudanças. O problema é que, antes, sua intenção era dividir os recursos da CPMF com governadores para ganhar o apoio dos Estados. Na nova versão, porém, o dinheiro vai todo para a União.

Com certeza, a medida que mais causou polêmica foi o retorno da CPMF, com alíquota de 0,2% (podendo inciar maior, o ministro deixou em aberto em entrevistas posteriores) – antes, vigorava em 0,38%. Somada a redução do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), pretende conseguir R$ 32 bilhões em 2016.

“Essa é uma medida bastante central no esforço. Foi considerada que, diante de todas as alternativas de tributos, a prorrogação da vigência da lei original da CPMF seria um caminho que traria menor distorção à economia, seria o caminho com menor impacto inflacionário, seria melhor distribuído. Incide de maneira equitativa em todos os setores. E, na verdade, se a gente for pensar, tratam-se de dois milésimos do que [a pessoa] vai comprar. Você teria, por exemplo, dois milésimos de uma entrada de cinema que você comprar para diminuir o déficit da Previdência Social”, Joaquim Levy.

Aí eu te pergunto: a quanto tempo se discute o déficit da Previdência Social? Desde que me lembro assistindo e compreendendo os primeiros noticiários em minha vida. Só que nada é feito para evitar que o rombo (se é que ele de fato existe, alguns especialistas entendem que a situação não é como o governo coloca). O problema não é pagar dois milésimos. É que vamos pagar a conta dos desvios de dinheiro público, da incompetência e da falta de planejamento, dos gastos desenfreados em ano eleitoral e do populismo.

O ministro Levy informou que a CPMF será “provisória”, durando não mais que quatro anos. E o governo optou por ela por ser de fácil aplicação pelos bancos, rápida implementação, grande segurança fiscal (difícil de sonegar) e transparente.

No mais, o ministro finge não lembrar que a CPMF incide em cascata e que os valores arrecadados são infinitamente maiores. Ademais, impossível que em um Orçamento de R$ 1 trilhão não se consiga fazer cortes de R$ 32 bilhões.

Já pagamos 40% de impostos de tudo que é produzido no país, mas o governo quer mais. Rouba, faz pedaladas fiscais, e a conta fica para o trabalhador pagar e tentar ressuscitar o Estado falido. Enquanto isso, bancamos os parasitas de Brasília.

O governo anunciou a ampliação do Imposto de Renda sobre ganhos de capital superiores a R$ 1 milhão na venda de bens. Hoje, esse valor fica em 15%. Agora, haverá um aumento progressivo da alíquota até o teto de 30%, sobre ganhos acima de R$ 20 milhões.

Outra mudança sensível será no Sistema S, que reúne entidades como Sesi e Senai. O governo pretende usar parte da contribuição recolhida das empresas e repassada hoje a essas entidades para cobrir o rombo da Previdência. O valor direcionado ao Sistema S que pode ser deduzido pelas empresas o Imposto de Renda também vai ser reduzido por medida provisória.

O governo já estudou mexer no sistema S no ano passado, com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, mas esbarrou no lobby das entidades e desistiu da ideia.

Funcionalismo

Para somar os R$ 26 bilhões previstos em cortes, o governo anunciou que vai adiar de janeiro para agosto o pagamento do reajuste salarial dos servidores públicos e suspender novos concursos que estavam previstos para 2016.

O governo pretende, ainda, usar recursos do FGTS para financiar uma parcela maior das despesas do Minha Casa, Minha Vida, reduzindo assim a contribuição do Orçamento para o programa.

Também vai propor que parte dos recursos direcionados Às emendas parlamentares seja necessariamente gasta em saúde e em obras do Programa de Aceleração do Crescimento, reduzindo a parcela de despesas da União com esses itens.

Na proposta orçamentária enviada ao Congresso em 31 de agosto, o governo previa um deficit de R$ 30,5 bilhões para o ano que vem, o equivalente a 0,5% do PIB.

O projeto foi muito mal recebido pelo mercado e levou a agência de classificação Standard & Poor’s a rebaixar a nota do Brasil, retirando do país o selo de bom pagador.

Quem não lembra daquele amigo que perguntado sobre em quem votaria nas eleições, respondia sem titubear: “no PT para manter os concursos públicos”. Pois é, uma legião de “concurseiros” vota no PT desde o primeiro governo de Lula pela quantidade de concursos públicos que foram abertos e a possibilidade de ingressar no funcionalismo e conquistar a sonhada estabilidade financeira.

Só que no lugar de cortar cargos comissionados (um batalhão que engessa os órgãos públicos e serve, unicamente, como cabo eleitoral de político e moeda de troca), cortaram os concursos. Enxugar a máquina? Diminuir os mega salários? Cortar despesas? Cortar na pele? De jeito NENHUM! O corte foi na área proba e que poderia contribuir para uma Administração Pública mais célere.

A suspensão de concursos públicos poderá trazer uma economia de R$ 1,5 bilhão em gastos em 2016. (poderiam manter os concursos e fazer os ladrões pegos na operação Lava Jato devolver o dinheiro, teríamos pelo menos mais R$ 8 bilhões nos cofres públicos).

E o adiamento do reajuste do salário dos servidores públicos até agosto do ano que vem (os salários seriam corrigidos em janeiro de 2016) possivelmente trará um impacto MOMENTÂNEO de R$ 7 bilhões a menos nos gastos públicos.

Eu trouxe mais dois textos publicados na Folha de São Paulo, complementares ao nosso assunto. Segue:

Pacote improvisado depende do pavor de naufrágio econômico

Mesmo com os anúncios, Orçamento de 2016 continua com despesas superiores às programadas para este ano

Dada a debilidade política do governo e a sucessão de trapalhadas das últimas semanas, seria impossível apresentar um conjunto coerente e viável de propostas para o reequilíbrio financeiro.

Recapitulando: só na semana final da elaboração do Orçamento de 2016 a administração petista informou ao público que as contas não fechariam sem a ressurreição da CPFM – um mês antes, prometia-se saldo no caixa do Tesouro, sem o tributo.

Com a previsível rejeição generalizada à ideia, o Planalto decidiu apresentar um projeto orçamentário com deficit. O dólar disparou, e o governo decidiu fazer uma espécie de declaração retificadora do texto. No meio do caminho, uma agência de classificação de risco tirou do país o selo de bom pagador.

Restou a alternativa de voltar à CPMF, agora acompanhada de um pacote improvisado de medidas e a esperança de que, instaurado o pavor de um naufrágio econômico, o Congresso seja forçado a aprovar algo.

Resumindo: nós pagamos, mas roubaram; aí a gente vai ter que pagar de novo.

De tudo o que foi apresentado, só a contribuição “provisória” é palpável: o tributo encarece as transações financeiras e compromete a eficiência da economia, mas é fácil de cobrar e quase impossível de sonegar.

As providências listadas para redução das despesas estão lá porque, politicamente, exige-se do Executivo um ato de austeridade para legitimar mais uma conta passada aos contribuintes.

Para tanto, a principal iniciativa foi o adiamento de reajustes salariais negociados com o funcionalismo, o que deverá alimentar movimentos grevistas na Esplanada dos Ministérios.

Há cortes um tanto incertos nas obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e na saúde, com a expectativa de que deputados e senadores recomponham as verbas com recursos reservados às emendas parlamentares ao Orçamento.

Para o Minha Casa, Minha Vida, um artifício heterodoxo: repassar para o FGTS, composto por dinheiro dos assalariados do setor privado, parte dos gastos.

Para complementar, um potencial foco de conflito com as entidades empresariais: a transferência de quase um terço da receita do Sistema S para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Tudo somado, o Orçamento de 2016 continua com despesas superiores às programadas para este ano, e a tão cobrada redução do número de ministérios e cargos – não detalhada até agora – produzirá uma economia ínfima.

Chama-se a atenção para o deficit galopante da Previdência, novo destino do dinheiro da CPMF, e procura-se preservar os mais pobres. Mas  não se pode evitar que o aumento de impostos dificulte os investimentos e a geração de empregos.

Presidente foi avisada de que servidores preparam greve geral

Novo pacote deve aumentar a distância que já separa Lula e Dilma

Anunciado o novo pacote fiscal do governo Dilma Rousseff, um assessor palaciano desabafou: ficamos no “pior dos mundos”, sem o grau de investimento das agências de classificação de risco e, agora, também sem o apoio dos movimentos sociais. Fruto deste cenário adverso, o Planalto já foi avisado que os servidores públicos ameaçam uma greve geral contra a decisão de adiar por sete meses o reajuste do funcionalismo para economizar R$ 7 bilhões.

Ministros do PT que acompanharam as negociações do pacote afirmavam que, em três semanas, o governo migrou “da esquerda para a direita”, uma referência à primeira proposta orçamentária, apresentada pelo Executivo em 31 de agosto, que previa déficit de R$ 30,5 bilhões, mas preservava ganhos sociais.

Já o novo pacote anunciado nesta segunda-feira (14) foi classificado como uma tentativa de recuperar apoio empresarial e a confiança do sistema financeiro, mas deve aumentar a distância que já separava o ex-presidente Lula de sua sucessora. Até uma hora antes da divulgação das medidas, Dilma não havia falado com Lula.

Se não procurou os movimentos sociais, Dilma teve o cuidado de telefonar para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e encontrou-se co o chefe do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Dentro do governo, a avaliação é que Dilma atuou de forma errática. Primeiro, fechou com Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento) e optou pelo Orçamento com déficit.

O país então perdeu o selo de bom pagador da Standard & Poor’s. Acuada, Dilma deu uma guinada e fechou com seu ministro da Fazenda, anunciando os cortes e aumento de receitas, sem poupar a área social.

E você, o que acha do “pacote de maldades” de Levy-Dilma?

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15
setembro
2015
Debates políticos no Facebook (julho e agosto)

Oi, pessoal! Bom dia. Tudo bem?

Julho e agosto (mês infinito) já se foram, eu sei! Mas se promessa é dívida, então estou devendo para vocês nosso “O que rolou no Facebook?”, que coloco todo final de mês aqui num post do blog.

Se você é novo por essas bandas, primeiramente, seja bem vindo rsrsrs, já vou explicar do que se trata: realizamos vários debates no Facebook diariamente, com a postagem de frases que geram discussões políticas. Mas nem sempre elaboro textos sobre esses assuntos para publicar aqui no blog. Daí surgiu a ideia de colocar um post reunindo as discussões que rolaram no Facebook. Abaixo, transcrevo algumas postagens que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco. Geralmente as postagens no Facebook vão ficando para trás, mesmo sendo assuntos que ainda nos interessamos em debater, e não “descemos” a página principal ao ponto de ler textos mais antigos. E não podemos deixar que discussões importantes sejam perecíveis, né?

Pensando nisso, sempre faço nosso post com os links do Facebook aqui no blog, assim, podemos dar continuidade às discussões e vocês podem ler e escolher qual link que abrir e discutir especificamente. Clique nos links abaixo e dar sua opinião, ok?

1

Clique AQUI e leia no Facebook.

  • 26 de agosto

A crise econômica bateu na porta dos brasileiros. Paralelamente, vivemos um período de crise política. Diante disso, o ex-presidente FHC afirmou que a renúncia de Dilma seria um gesto de grandeza, ressaltando a desarticulação do governo no Congresso. Outro ex-presidente cujo destaque volta a crescer no cenário nacional é o Lula.

  • 22 de agosto

Almoço e tarde no Pelourinho. A Feira da Cidade foi no Terreiro de Jesus hoje, nos dando a oportunidade de vivenciar um dos locaismais vivos culturalmente no mundo. É uma riqueza nossa, precisamos valorizar. Além d afeira, participei de visita guiada com um profissional. Fantástico conhecer o Pelourinho com um novo olhar. Dia incrível. Ah, e ainda teve show de Marquinhos (Ilê Aiê) e Lazo. (para quem não pode ir hoje, amanhã tem mais)

  • 17 de agosto

Quando vc pegar um ônibus no Oiapoque calculando que chegará em Macapá (12h de viagem) apenas 5 horas antes do seu voo para Salvador, saiba que:

a) haverá um moço refugiado ilegal no ônibus; o veículo será retido pela Polícia Rodoviária Federal (porque a lei proíbe que a empresa venda passagem para quem não tem documentação, então não podem apenas retirar o rapaz e seguir viagem; o certo, pelo que me explicaram, é realmente reter o veículo e motorista) por horas, horas e mais HORAS, e TODOS os passageiros terão que esperar na estrada, no meio da floresta, enquanto o rapaz é conduzido de volta ao Oiapoque para a Polícia Federal, e o ônibus só será liberado depois da situação dele resolvida (sim, vc, se estiver com sua documentação, vc poderá ser liberado, claro, só que nessas horas e horas não vai passar carro/ônibus/táxi na estrada e Macapá fica a 650kms. Vc não vai andando, né? Portanto, tem que ficar esperando a liberação do ônibus pelas PRF e PF mesmo).

2) depois do ônibus liberado (a PF permitiu que o africano fique 3 meses no Brasil e ele seguiu conosco – ah, depois conto no blog a saga pra ele entrar no país), de madrugada, no meio da floresta fechada, seu ônibus vai furar um pneu num atoleiro.

Cheguei no aeroporto em Macapá e nem preciso dizer pra vcs que perdi meu voo pra Salvador, né?

  • 16 de agosto

Aquele tipo de gente que enquanto os policiais federais fazem uma ação no hotel onde está hospedada na fronteira (inclusive no seu quarto, com forte armamento, buscando estrangeiros ilegais e outras coisas), só consegue pensar: “MEU DEUS, QUAL A AGÊNCIA DE MODELOS QUE SELECIONA ESSES CARAS DA POLÍCIA FEDERAL… GENTEEEE?!?!?!” kkkkkkkk

‪#‎Superincera‬ ‪#‎VoltemSempre‬ ‪#‎QuasePeçoOWhatsappDeDois‬ ‪#‎ComoFazPraTerAçãoTodoDia‬? ‪#‎ComTodoRespeitoÀInstituiçãoClaro

  • 15 de agosto

Uma das melhores experiências da minha vida: morar exatamente um mês na fronteira do Brasil, bem na floresta Amazônica. Que maravilha ter tomado essa decisão de viver os hábitos, o dia a dia, comer e morar de acordo com a realidade local, transitar e conhecer as etnias e tribos indígenas, fazer mercado, aprender com pesquisadores de órgãos do governo, aprender a viver no limite do país (com outro país diante de minha janela), sentir as emoções e dificuldades de viver no meio da floresta Amazônica, não ter determinados alimentos que eu gostaria de comer, morar diante do rio onde o dia inteiro desembarcam centenas de índios e franceses, perceber como é viver num local com o Exército e polícias atuando tão próximo dos cidadãos, etc

(pena que a internet não me ajudou e não consegui compartilhar tudo em tempo real com vcs, mas vou postar no blog)

  • 7 de agosto

Dilma foi definhando por medo de fazer um “ajuste político”. As alianças firmadas para vencer as eleições e governar (desde o primeiro dia de governo de Lula), eram insustentáveis a longo prazo. Para mantê-las, seria necessário (como de fato foi), inchar o Estado a um tamanho cuja manutenção se tornaria impossível. Não haveria cargos, contratos e ministérios que dessem conta da gula dos “aliados”. O medo do ajuste político mata Dilma aos poucos.

Em tempo: vale lembrar que boa parte dessa “culpa” é do Lula, que vendeu governo e alma aos interesses ligados a sua manutenção fácil no poder. Dilma, refém das decisões do seu criador, passou da hora de romper e ajustar as alianças. E a cada dia a viabilidade desse ajuste diminui.

  •  4 de agosto

Sobre o Brasil 247: se botar um chocalho em todos os deputados federais e senadores que compram notinhas e matérias nos sites e jornais de seus Estados, ia fazer um barulho tão grande em Brasília que eu ouviria aqui do Oiapoque.

( escrevi isso só pra dizer que ainda estou no Oiapoque… hahahaha)

  • 3 de agosto

Dirceu é um fenômeno a ser estudado. Em prisão domiciliar por um escândalo (Mensalão), é preso tb por outro (Petrolão). Ah, e teria recebido valores enquanto era acusado no mensalão e enquanto já estava preso.

Galera do PT, sinceramente, não dá pra defender!

  • 15 de julho

Vocês sabiam que Arnon de Melo (pai de Collor) quando era senador matou outro senador dentro do Plenário? DENTRO DO PLENÁRIO!!! ‪#‎chocada‬

Pois é, e ainda tem mira ruim: atirou em seu desafeto, o senador Silvestre Péricles, mas a bala pegou no também senador Kairala – que morreu horas depois. Arnon e Péricles foram presos em flagrante e… adivinhe… absolvidos, claro!

E a gente reclamando de Collor, né?! kkkkkkkk

  • 15 de julho

Nunca vi a Globo se preocupar tanto em consertar um erro de informação: todos os jornais e o portal da emissora enfatizando que não houve busca e apreensão na casa de Arnon de Melo Neto (filho de Collor), como haviam noticiado inicialmente.

( das maravilhas de ser dono de uma afiliada e namorar uma das maiores e mais influentes diretoras da emissora )

  • 15 de julho

Quanto será que custa uma luminária dessas?

‪#‎CollorNãoTomaJeito‬
‪#‎ImpeachmentNãoTeveCaráterPedagógico‬
‪#‎CasaDaDindaEuJáViEsseFilmeAntes‬

  • 12 de julho

A luta do ‪#‎UFC‬ foi comprada! Um amigo meu falou que um primo da cunhada dele que trabalha com um cara que é irmão de um assessor do sócio do UFC falou sem querer pro tio da sogra dele que foi comprada… tem um negócio do Petrolão aí no meio… E parece que é verdade mesmo, viu? ‪#‎brinks

  • 11 de julho

Decididamente: nossa sociedade está regredindo!

Colocando de lado posicionamentos políticos sobre o candidato em questão (ACM), vamos falar sobre a chapa majoritária apresentar essa peça no programa eleitoral hoje: ele não teria nenhuma chance de vitória, estaria fora da disputa. Com o crescimento dos partidos políticos e bancadas compostos por indivíduos fundamentalistas, nenhum partido hoje ousa exibir uma propaganda eleitoral com esse conteúdo e mensagem. E mais, ainda que fosse exibido: uma parcela da população chamaria de sensacionalismo; outros diriam que ele quer fazer “média” com as religiões afro-brasileiras; outros tantos taxariam a peça de “polêmica” e “inovadora” (?); outros afirmariam que FINALMENTE alguém teve coragem de realizar uma propaganda assim…

Pois é… 25 anos depois, teríamos reações muito mais preconceituosas!
Alguma coisa está fora da ordem…

  • 10 de julho

Para quem defende Eduardo Cunha alegando gostar da postura que ele assume diante do governo, fica a dica:

O inimigo do seu inimigo não será, necessariamente, o seu amigo.

  • 10 de julho

Gente, com a correria, esqueci de avisar para vcs que saiu um artigo meu no jornal Tribuna da Bahia essa semana! Adoro o jornal e sempre fico super feliz quando o editor de política Osvaldo Lyra opta por publicar um texto meu! Emoticon wink Agradeço ao Osvaldo e a toda equipe do jornal pela moral! rs

O artigo segue abaixo! Falo de Eduardo Cunha e quem são os deputados que o seguem. ( ah, se vcs quiserem acompanhar as edições em pdf., podem acessar www.tribunadabahiavirtual.com.br, se cadastrar gratuitamente e ler. Massa, né? )

  • 10 de julho

Você já se perguntou pq e em que época decidiram que crianças e adolescentes não seriam punidas como adultos?

O país começou a discutir uma idade mínima quando Bernardinho (12 anos), engraxate, ao terminar de polir sapatos de um cara levou um calote. Enquanto o caloteiro se afastava, ele sujou a calça dele de tinta. A polícia foi chamada, Bernardino tentou explicar, mas não deixaram. Ele foi preso numa cela com 20 adultos, violentado, agredido e foi parar num hospital. Lá, ele e os médicos contaram tudo a um jornal e o país começou a discussão sobre o que crianças passavam dentro da cadeia.

  • 8 de julho

Eduardo Cunha despreza Dilma, tem gente que acha bonito.
Ele desrespeita o Regimento, tem gente que aplaude.
Ele corta o microfone de deputados da base do governo, tem gente que ri.
Ele debocha da Justiça e Lava-Jato, tem gente que se cala.
Vai vendo aonde vai chegar…

  • 8 de julho

Todos os deputados que são advogados ou bacharéis (pelo menos esses) deveriam ter se manifestado em relação a Cunha afirmar que a OAB é um cartel e não tem credibilidade. Tenho diversas objeções à falta de transparência das contas da OAB (pago minha anuidade contrariada) e não comungo com vários posicionamentos públicos da Ordem. Mas em nenhuma hipótese se pode permitir que um presidente de uma Casa Legislativa se refira a um órgão de representação profissional de forma tão desrespeitosa (sendo Cunha, então, a situação piora porque nem moral ele tem para isso). E a OAB precisa reagir, mais uma vez, como o fez em vários momentos nos quais nossa Democracia se viu ameaçada por políticos arrogantes, sem trato democrático e que flertam com a ilegalidade. ‪#‎DitaduraDeCunha‬ ‪#‎OAB

  • 6 de julho

Lembram que na encenação de Reforma Política, a Câmara dos Deputados aprovou alguns pontos (fim da reeleição, financiamento privado de campanhas, 5 anos de mandato, mudança na data de posse de governadores e presidente, e acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV)?

Então… tem que votar em segundo turno agora. Vai ser amanhã!
‪#‎ReformaPolítica

  • 5 de julho

Aproveita a tarde de domingo para assistir o “Nuvens de veneno” e saber o que ingerimos com a alimentação. Detalhe: o alimento que fica no Brasil é o que foi julgado inadequado para exportação e não foi aceito por outros países.

“A nuvem se espraia pelas plantações. Em vez de molhar, seca. Ela não traz a chuva, traz o veneno. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, algodão, milho e também um dos maiores consumidores de fertilizantes químicos e agrotóxicos.”

  • 4 de julho

Só pra lembrar que “então leve esses marginais para casa” e “tomara que aconteça com vc” NÃO são argumentos, tá?!

Obrigada, de nada.

  • 3 de julho

Eu queria ter uma ideia da divisão dos amigos do Face em relação à redução da maioridade penal. Quem não se incomodar em declarar a posição, poderia me dizer se é contra ou a favor?

(ah, pode justificar a posição tb, se quiser)

‪#‎Enquete‬ ‪#‎Política‬ ‪#‎MaioridadePenal‬ ‪#‎DêSuaOpinião

  • 3 de julho

Por falar nisso, a redução da maioridade penal foi aprovada em votação em primeiro turno, na Câmara dos Deputados. Eles ainda vão analisar a matéria em segundo turno. Depois vai para o Senado.

( não está decidido ainda não, viu? )

  • 3 de julho

Pra não dizer que não avisei:

O que Eduardo Cunha está fazendo (com a lei, com a Constituição e as regras do jogo democrático) é pra vcs sentirem o gostinho do que seria essa turma dele, por exemplo, na Presidência da República!

Vai vendo…

  • 2 de julho

Algumas pessoas questionando: “mas se o povo quer a REDUÇÃO, não estaria Eduardo Cunha correto em buscar uma forma de contemplar a MAIORIA?”
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Pois eu te pergunto: que maioria? A maioria da pesquisa da DataFolha? Uma pesquisa não precisa ser fraudada para indicar o resultado desejado por quem a encomendou. É muito fácil ficar por 30 dias passando matérias sobre violência, mostrando (o dia todo) menores de idade criminosos nos maiores jornais (comunicação em massa) e, na semana seguinte, fazer pesquisa e sair alardeando que, de acordo com o resultado, o povo quer a redução. Ninguém aqui é ingênuo! Pesquisas são feitas nos dias subsequentes à exposição (exaustiva) de um posicionamento do assunto na mídia.
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Qual o programa de TV que fez uma discussão mostrando os dois lados para que a população pudesse decidir?
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Faço um desafio a vcs: vamos passar 30 dias mostrando o ECA na TV, fazendo matérias com jovens que se recuperaram, mostrando a situação dos presídios, discutindo como o jovem negro da periferia é castrado dos seus direitos, mostrando entrevistas com professores da rede pública que lutam para não perder seus alunos para o crime e o caixão, mostrando exemplos de políticas públicas bem sucedidas em outras países… Aí na semana seguinte a gente repete a pesquisa e vcs me dizem qual o resultado.
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O grande problema é quando a mídia e os políticos conseguem nos convencer que estão defendendo o que o povo quer, quando na verdade é exatamente o contrário – o povo que se rendeu às suas vontades.

 

De um dia para o outro (literalmente), 28 deputados federais voltaram atrás no seu voto e resolveram apoiar a redução da maioridade penal.

 

Estou achando que rolou “contribuição para reivindicações corporativas”, se é que vcs me entendem…

  • 2 de julho

Eu já estava deitada, mas voltei aqui só pra dizer que independentemente da posição que vc adote sobre a redução da maioridade, vc precisa compreender que o que Cunha fez hoje é um golpe, uma manobra que atenta contra a segurança do Processo Legislativo, uma lesão à Democracia, uma condução de Poder Legislativo abusiva e sem precedentes em nossa história democrática. O Processo Legislativo tem uma função pilar num Estado de Direito, e nós precisamos refletir sobre o que isso significa para além de debates sobre o mérito do projeto, ou posicionamentos ideológicos.

Era só isso mesmo!

Boa noite, pra quem conseguir…

  • 1 de julho

Só digo uma coisa pra vcs: nesse momento, os deputados estão no Plenário analisando novamente a redução da maioridade penal. Cunha vai votar mil vezes a mesma coisa (rasgando a CF e o Regimento) até conseguir o resultado que quer?

O Legislativo está sendo conduzido na base do golpe! Tá difícil…

  • 1 de julho

BANCADA DA BALA
Hoje, falo sobre a rejeição da redução da maioridade penal nos casos de crimes hediondos. E explico para vcs o que é a “Bancada da Bala”, que, ao contrário do que alguns pensam, não quer diminuir a criminalidade, nem garantir mais segurança ao cidadão. Camuflados pelo discurso oficial de combate ao crime, os parlamentares da Bancada da Bala escondem que recebem dinheiro e têm suas campanhas financiadas pelo lucro que o crime proporciona para a cadeia que vive em torno dele (indústria de armas, programas ”mundo cão”, empresas de segurança privada, terceirizadas prestando serviços para presídios, obras em presídios etc).

Sintonize e ouça! Vc não pode perder de jeito nenhum. (vá por mim, rs)

  • 1 de julho

Estou fazendo uma pesquisa sobre a lista dos parlamentares da Câmara dos Deputados que compõe a “Bancada da Bala”. Curiosamente, boa parte dos nomes também compõe a bancada Evangélica.

Rhum!

  • 1 de julho

A Câmara dos Deputados rejeitou a proposta que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos, como estupro, latrocínio e homicídio qualificado. (mesmo com a pressão da bancada da bala e com Eduardo Cunha tentando impedir o ingresso de cidadãos e a manifestação democrática)

Mas a Casa ainda poderá votar em plenário a proposta original da PEC – que reduz a maioridade penal não só para crimes graves, mas para qualquer tipo de crime. Precisamos ficar atentos!

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14
setembro
2015
Vídeo – 5 Minutos de Política: Por que Cunha agiu tão rápido no 1º semestre de 2015?

Oi, pessoal! Tudo bem?

Final de semana de sol em Salvador, mas não rolou praia para mim não! hahaha Bem que eu queria, mas tenho prioridades, e uma delas (e principal, hoje) é transformar o blog em nosso maior canal de discussão política com qualidade, informação e imparcialidade. Fico feliz a cada mensagem nas redes sociais e cada vez que alguém me escreve ou me diz “passei a gostar de política lendo o que você escreve”. Uhuul!

Mas claro que segundos depois da explosão de alegria vem a indisfarçável sensação de responsabilidade redobrada. Assim como vocês confiam em mim, busco sempre dar o máximo e venho construindo outros projetos para nosso blog e canal do Youtube. Um deles, que aproveitei o findi pra me debruçar mais é uma série de vídeos (15 vídeos) fazendo toda a radiografia do Congresso. Siiiim!!!! Ninguém nunca fez isso por você, mas eu faço! rsrsrs #DaniFofa É uma web série inédita aqui no Brasil!

Baseada em algumas leituras e estudos, resolvi construir essa série no canal do Youtube, com toda a radiografia da composição das Casas Legislativas Federais. Você terá, em vídeos 15 vídeos de 15 minutos, todo o diagnóstico do Congresso Nacional, por exemplo: número de partidos políticos com representação, formação das bancadas, maiores e mais influentes bancadas, parlamentares mais ativos, participação da mulher na política, dados comparativos de outras legislaturas etc. Serão ofertadas a vocês não só a informação, mas a análise política dos dados.

Estou animadíssima com a web série, gravando e editando tudo com o maior carinho para cada um de vocês. Vai ser tão importante conversarmos mais sobre a composição na Câmara dos Deputados, para que possamos apreender os caminhos que o Brasil seguirá nos próximos anos.

Mas aproveitando a animação do projeto novo aqui no blog, vamos antecipar nosso vídeo de hoje do “5 Minutos de Política”.

Sim, sei que o ministro Levy está – nesse momento – se pronunciando acerca de reajustes, só que nosso programa de hoje não será sobre esse tema. Como gravei mais cedo, antes das decisões do governo serem tornadas públicas, nosso vídeo terá outro assunto: Eduardo Cunha, Janot, denúncias e o PT. Vamos lá?

Assista o vídeo:

[ lembrando  que o “5 Minutos de Política” vai ao ar todo dia às 20h, no Youtube ]

Mande também sugestões para vídeo do nosso web programa “5 Minutos de Política”, ok? :-)

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09
setembro
2015
Vídeo – 5 Minutos de Política: O que (alguns) deputados federais lucram com a redução da maioridade penal?

Oi, pessoal. Tudo bem?

Que tal discutir mais sobre a redução da maioridade penal? Muito se fala sobre o tema, não é mesmo? Mas pouca gente encara o que há por trás dessa discussão e por que alguns parlamentares defendem com tanto afinco que se reduza a idade mínima.

Só que no vídeo de hoje do “5 Minutos de Política“, no nosso canal do Youtube, eu conto os verdadeiros motivos que levam deputados federais a bradarem irritados quando a gente se coloca contra a redução da maioridade e questiona-os! Muito desses deputados sequer são exemplo de combate ao crime, tampouco de luta contra a impunidade. Mas se acham no direito de clamar pelo fim da violência e pelos valores morais da família alegando argumentos que são falaciosos.

Além de sabermos que a possibilidade de punição não coíbe o crime – o que, por si só, já destrói qualquer chance de apoiarmos a redução da maioridade – é importante atentar para os LUCROS da maioria dos deputados federais que defendem a mudança:

  • aparecem na mídia, firmam uma bandeira e aumentam sua votação nas eleições
  • atraem financiadores de campanha de peso: indústria das armas e munições, empreiteiras, terceirizadas de serviços para presídios
  • se elegem utilizando a visibilidade de programas “mundo cão”
  • ajudam a enriquecer empresas de segurança privada
  • conduzem à privatização dos presídios, com lucros certos para a iniciativa privada

Clique no play e saiba os VERDADEIROS motivos que levam deputados federais de todo o país a fazerem coro à redução da maioridade penal.

[ lembrando  que o “5 Minutos de Política” vai ao ar todo dia às 20h, no Youtube ]

Assista o vídeo:

E você, o que acha da redução da maioridade penal e dos lucros das empresas relacionadas ao setor? Mande também sugestões para vídeo do nosso web programa “5 Minutos de Política”, ok? :-)

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26
agosto
2015
Entrevista de Dilma: velhos erros

Pronto! Vocês pediram e lá vamos nós comentar a entrevista que Dilma concedeu ao entrevista ao GLOBO e aos jornais “Folha de S.Paulo” e “O Estado de S. Paulo”, em mais um post da série “Comentando a matéria”, quando você encontra: abaixo em azul, o texto da Folha e em itálico preto meus comentários.

Dilma afirma que errou na avaliação da situação econômica

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A presidente Dilma Rousseff ensaiou um mea-culpa nesta segunda (24) e admitiu que errou na avaliação da situação econômica durante a campanha eleitoral do ano passado, demorando a perceber a gravidade da crise.

Em entrevista à Folha e a outros dois jornais brasileiros, a petista afirmou que as dificuldades só ficaram mais claras entre os meses de novembro e dezembro de 2014, depois da sua reeleição.

Não se trata de mea-culpa, nem assunção de erros pelo Governo. Já havia, ainda durante a campanha eleitoral de 2014, clara noção da situação política e econômica do país. Anos atrás, alguns políticos da oposição, como o Senador Álvaro Dias, discorriam em seus discursos sobre os riscos da Presidente da República maquiar contas públicas e expor o país a uma severa crise econômica. Obviamente que durante a campanha, com a economia dando mostras de estar aos frangalhos, a publicidade oficial (nunca se gastou tanto como no ano passado) e o marketing da campanha criaram ficções para levar Dilma ao resultado que esperavam: a vitória nas urnas. A situação econômica do país era diagnosticada por especialistas em jornais, programas de TV, centros acadêmicos, corredores de universidades… Nenhuma dúvida havia sobre isso! E Dilma sabia, até pela formação acadêmica que possui, e pela habilidade em lidar com números. Até porque, boa parte da situação se mostrava consequência de decisões adotadas por seu próprio Governo.

A presidente convidou jornalistas para explicar a reforma administrativa anunciada nesta segunda pelo governo, que promete cortar dez ministérios até setembro.

Não se sabe por que cargas d´água Dilma demorou tanto para fazer isso: convocar uma coletiva, assumir erros e mostrar controle da situação. Em outros momentos da crise,  Dilma se deixou representar por ministros inexpressivos – inclusive em pronunciamentos na TV – quando deveria ter mostrado aos brasileiros que estava no controle – pois eleita para tanto.

O mais impressionante é que Dilma possui ao seu lado um dos papas do marketing político, que jamais, em tempo algum, deixaria de se adiantar à crise que cerca a presidente e adotar providências de gerenciamento eficaz da imagem. Inacreditavelmente, o João Santana deixou  que transcorressem muito tempo e muitas denúncias, possibilitando, assim, uma aproximação perigosa entre as acusações e a imagem da presidente. Partindo de João Santana, não se pode considerar isso um erro. Ele jamais cometeria um erro dessa natureza. E como também não foi um acerto, só podemos interpretar como uma ação consciente do marqueteiro, que, extremamente hábil em gerenciar crises de imagem, negligenciou intencionalmente de sua pupila mor.

O atual grau de comprometimento da imagem de Dilma, e a ausência de providências oportunas, deixam claro a extemporaneidade da entrevista aos jornais que Dilma reuniu nessa oportunidade.

Admitir erros e cortar na carne são duas das principais cobranças feitas pela oposição e até por aliados desde a corrida presidencial. Dilma não quis falar sobre a crise política que enfrenta, e evitou responder aos críticos e àqueles que defendem seu impeachment ou renúncia.

Apesar da forte turbulência econômica e política, Dilma mostrou-se tranquila, e garantiu estar em fase “budista”, mas atacou aqueles que, segundo ela, tentam envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com corrupção e incentivam a intolerância: “É fascista”, disse.

*

REFORMA ADMINISTRATIVA

A presidente previu dificuldades políticas para mexer em redutos ocupados por aliados, mas disse que ninguém será preservado dos cortes, nem mesmo seu partido, o PT. “Vamos passar todos os ministérios a limpo”, disse ela.

Em entrevista à Folha em julho, porém, ela classificou como “lorota” a proposta de redução dos ministérios, defendida pela oposição, por não trazer “economia real” aos cofres públicos. Nesta segunda, disse que o objetivo principal não é arrecadar mais. “Quero tornar eficiente o gasto. E tenho, ao mesmo tempo, de fazer a composição política”. Alegou não ter feito antes um enxugamento da Esplanada porque tinha “urgências maiores”, como o ajuste fiscal. “Ninguém consegue brigar em todas as frentes.”

Não há qualquer dúvida sobre o motivo de tantos ministérios, né? Loteamento de cargos e  espaços, contratos e lobby norteiam as decisões sobre a criação e composição do alto escalão desses órgãos públicos.(escrevi post no blog falando sobre isso em abril, quando se levantou a possibilidade de diminuição dos ministérios)

O tema sempre gerou críticas ao governo e não era difícil perceber que, a cada crise, iam aumentando as pastas, afinal, nada como um ministério para “acalmar” os ânimos de partidos políticos ávidos por poder e dinheiro (e doidos para fazer um escarcéu midiático para conseguir seu intento). Na contramão, muita gente mais esclarecida (e que acompanha o cenário político mais e perto) sempre defendeu a desnecessidade das pastas em grande número, ressaltando os gastos para manutenção.

Dilma defendia as pastas não por uma convicção pessoal, mas por dois motivos menos republicanos: necessidade de agradar aliados e opção pelo aparelhamento do Estado.

CRITÉRIOS

Dilma argumentou que seus objetivos são ganhar eficiência de gestão, mas não quis antecipar quais cargos cortará. “Não posso dizer quem está marcado para morrer porque eu não tenho certeza, primeiro, se vai morrer”. Questionada se o PT seria preservado, disse: “Óbvio que não, querida. Não é por partido. O critério não pode ser o PT será preservado e todos os outros… Não será isso.”

O critério será reajustar os interesses dos verdadeiros aliados. Serão limados do processo aqueles que ocupam dezenas de cargos de primeiro e segundo escalão – mas que comandam o arsenal contra Dilma nos bastidores para angariar cada vez mais cargos, contratos e posar de oposição, quando foram alguns dos mais beneficiados pelo governo petista, como o PMDB da Bahia e do Rio de Janeiro.

A estratégia de Dilma será, obviamente, reposicionar as peças no tabuleiro. Com uma centena de aliados achacadores, a presidente usará a estratégia de tirá-los da zona de conforto, da qual eles, sentados convenientemente, colhem os louros de ameaçar a governabilidade, na mesma medida em que panfletam contra o governo. Vamos ver quem está disposto a pagar o preço de entregar seus cargos (cultivados e cultuados no apagar das luzes) para continuar bradando moralidade ao acender das luzes da Esplanada.

CORRUPÇÃO

Questionada se, em algum momento, imaginou que petistas estivessem envolvidos no esquema de corrupção descoberto na Petrobras, disse: “Não”. Quando um dos jornalistas quis saber se tinha sido “completamente surpreendida”, respondeu: “Fui. Acho, e lamento profundamente”.

Uma resposta previsível.

LAVA JATO

Dilma não quis tecer comentários sobre o juiz Sergio Moro. “Minha querida, me desculpa, se você me perguntar de qualquer pessoa, não vou dar opinião”. Sobre o futuro da Lava Jato, afirmou: “ninguém pode interromper esse processo”. Reconheceu, porém, que “as investigações, quanto mais rápidas, melhor”.

(aproveite para ler a matéria do Globo sobre a mesma entrevista)

SAÍDA

Dilma não quis responder sobre os pedidos de impeachment, feitos pela oposição, ou para que renuncie ao cargo, sugestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Não vou falar”, afirmou. “Não é fácil, né? Não é uma sugestão fácil [pedir para alguém que renuncie.”

Como estadista, julgo desnecessário o comentário de Fernando Henrique Cardoso. E também não haveria motivos para Dilma comentar a afirmação equivocada do ex-presidente. Como tal, ao contrário de Lula, que nunca desce do palanque, FHC deveria ter mantido o decoro mínimo exigido e não entrar em especulações (e espetacularização) sobre renúncia e impeachment.

ERRO 1

“Vocês sempre me perguntam: em que você errou? Eu fico pensando (…). Em ter demorado tanto para perceber que a situação podia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, talvez nós tivéssemos de ter começado a fazer uma inflexão antes”, disse. “Talvez porque não tinha indício de uma coisa dessa envergadura. A gente vê pelos dados”, justificou. “Nós levamos muito susto. Nós não imaginávamos. Primeiro que teria uma queda da arrecadação tão profunda. Ninguém imaginava”. Para a presidente, a crise só ficou evidente entre novembro e dezembro.

Mais do que uma avaliação equivocada, houve um menosprezo ao fato de se maquiar contas públicas, e a tentativa oficial de mascarar a crise. Não foi um erro, um equívoco ou uma decisão não administrada corretamente. Foi uma opção. Se tinha a certeza da dimensão da crise, mas era mais importante maquiar com a publicidade institucional e garantir a eleição.

ERRO 2

“Gasto público. Talvez o meu erro foi não ter percebido prematuramente que a situação seria tão ruim como se descreveu. Ela [dificuldade] começa em agosto. Só vai ficar grave entre novembro e dezembro. É quando todos os Estados da federação percebem que a arrecadação caiu”, disse.

MICHEL TEMER

Dilma fez um desagravo ao vice-presidente da República, que deixou parte da articulação política do governo nesta segunda. “O Temer, aquele dia estava inteiramente estressado porque percebeu que o país ia ter uma aprovação de uma medida provisória que impactaria em bilhões e bilhões”, contou. “Não acho que ele falou aquilo [sobre a necessidade de ter ‘alguém’ para ‘unificar’ o Brasil] com a intenção que atribuíram a ele. O Temer tem sido de imensa lealdade comigo”, “tem responsabilidade com o país”, defendeu. “O papel dele é a macro política, não a micro”.

Ao contrário da ala revoltada do PMDB, Michel Temer somrep foi tido internamente no partido como alguém que “resolve a vida dele” e abandona os reclames dos correligionários. Enquanto Temer deixava de lado os peemedebistas mais insaciáveis, a gula dos mesmos crescia, articulados, nos bastidores, pelos mais gananciosos e que não existam em inventar, plantar matérias e especular para manter-se – sem nenhum mérito – no cenário político. Temer tem sido, desde os governos Lula, de uma lealdade (aos presidentes petistas) que irrita o PMDB.

CONGRESSO

“Não dá para dizer que cada vez que você perde é uma crise. Não é. Se olhar o cômputo geral, a palavra é ‘exitoso’. Apesar de sofrer derrotas sucessivas no Legislativo, afirmou que, “mesmo com todas as turbulências, foi um período bastante tranquilo”. Segundo ela, a primeira fase da articulação política, que aprovou o ajuste fiscal, foi “um sucesso”.

LULA

Dilma defendeu o ex-presidente Lula. “Não acho correto o que fazem com ele. Quero manifestar em alto e bom som que não concordo”, disse. “Acho que tentam diminuí-lo, que tentam envolvê-lo. Não acredito que em algum momento no futuro dê certo. Eu acho que é uma coisa triste de ver isso sendo feito. Passam de todos os limites.”

INTOLERÂNCIA

Em seguida, sem citar nomes ou partidos, sinalizou que a oposição incentiva um sentimento de “intolerância inadmissível”. “De repente você começa a ver que isso é cultivado, incentivado. A intolerância é a pior coisa que pode acontecer numa sociedade, porque cria um ‘nós e o eles’. O ‘nós’ tem direto a tudo, e o ‘eles’, a nada. É fascista.”

Realmente, a intolerância vem sendo disseminada pela oposição (e posso afirmar por vários fatos envolvendo postagens que escrevo nas redes sociais e discussões presenciais com defensores do “Fora, Dilma”), mas se trata de velha estratégia de guerrilha virtual da esquerda – portanto, inegavelmente, inadmissível que ambos os lados utilizem essa estratégia.

CHANCELER

A presidente negou que sua relação com o ex-presidente Lula esteja arranhada. “As minhas relações com o Lula são as mais próximas possíveis”. Dilma afirmou, porém, não ter oferecido um ministério ao ex-presidente. “Jamais acharia que o presidente Lula, pelo tamanho dele, […] mas claro que, se houvesse esse interesse do país, eu não teria nenhum obstáculo”, afirmou. “Todos aqueles que tentaram ou tentam me afastar dele, não vai dar certo. Eu conheço certas coisas do Lula de olhar. E não acho correto o que fazem com ele. Quero manifestar que acho que todas as atitudes que tentam diminuí-lo não vão dar certo”.

EDUARDO CUNHA

Questionada sobre o que sentia em relação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ameaça patrocinar um processo de impedimento da petista no Congresso, afirmou, reclamando da pergunta: “Estou ficando budista, viu?”. O cara pode ter denunciado ele, mas não se faz isso, não se manifesta pessoalmente sobre ninguém. Eu não tenho comentários. Estou hoje uma pessoa Dilminha paz e amor.”

CRESCIMENTO

Dilma não quis projetar a evolução do PIB (Produto Interno Bruto) para 2016 nem dizer se haverá aumento de impostos.

“Vamos nos esforçar para que não ocorra [crescimento negativo]. Mas ainda não sabemos como fica o mercado internacional. Espero que a gente tenha um crescimento positivo. Eu espero, mas…”. Em seguida, reclamou: “Só jornalista acha que previsão é exata.”

DESEMPREGO

“Nos preocupamos imensamente com duas coisas. Primeiro é a queda no emprego. Segundo é a inflação.” A presidente previu que a desaceleração da economia da China “terá um efeito bastante acelerado”. Todo mundo pensa que é só commodities. Não é.”

PESSIMISMO

“Acho um perigo pessoas muito pessimistas em relação ao cenário, posto que uma das forças em relação à economia é a expectativa. Não dá para ficar plantando quanto pior, melhor”, disse. “Não temos bolha. Nossas instituições financeiras todas são estáveis. Ninguém aqui no Brasil usou o crédito para comprar ativos desbragadamente. Ou se endividou comprando ações. Não temos uma estrutura especulativa no Brasil.”

MAROLA OU TSUNAMI?

“Até eu voltar [da reunião] dos Brics [em julho], estava achando que [a situação da China] era superável. Só não contava com essa queda sistemática [das bolsas]. Estava achando que era superável por tudo que eu sabia. Ia ter dificuldade, mas não ia ter uma situação muito difícil. A partir de hoje, não sei. Ninguém sabe.”

LEVY

A presidente mostrou-se chocada com rumores espalhados no mercado financeiro nesta segunda de que seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixaria o cargo pelo fato de ter viajado para os Estados Unidos inicialmente sem compromissos oficiais. “Vou te falar uma coisa, é de assustar. Me disseram hoje que ele tinha saído daqui porque tinha brigado. É mentira. Ele foi ver a menina [filha] dele, que vai para a China passar um ano.”

FOFOCA

Avessa a vazamentos de ações do governo para a imprensa, Dilma disse ter lido “um livro muito interessante sobre fofoca”. “Daquele [Yuval Noah] Harari, ‘Sapiens – uma breve história da humanidade'”. “E uma das coisas que ele diz, sabe qual é? Que nós [humanos] criamos vínculos sociais. […] E uma das coisas que mais unia era fofoca. Uma coisa que nos distingue, que chimpanzé não faz. Orangotango não faz. Fazemos nós só.”

E você, o que achou da entrevista de Dilma?

Você já leu as últimas matérias que comentei aqui no blog? Vem ver:

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11
julho
2015
Respeito às religiões na política: estamos regredindo!

Olá, pessoal!

Na tarde de hoje vi um vídeo da campanha de ACM para o governo do Estado da Bahia, em 1990, no Facebook do professor Cláudio e resolvi compartilhar com vocês para levantarmos algumas reflexões sobre os nossos dias.

Decididamente: nossa sociedade está regredindo!

Colocando de lado posicionamentos políticos sobre o candidato em questão (ACM), vamos falar sobre a chapa majoritária apresentar essa peça no programa eleitoral hoje: ele não teria nenhuma chance de vitória, estaria fora da disputa. Com o crescimento dos partidos políticos e bancadas compostos por indivíduos fundamentalistas, nenhum partido hoje ousa exibir uma propaganda eleitoral com esse conteúdo e mensagem. E mais, ainda que fosse exibido: uma parcela da população chamaria de sensacionalismo; outros diriam que ele quer fazer “média” com as religiões afro-brasileiras; outros tantos taxariam a peça de “polêmica” e “inovadora” (?); outros afirmariam que FINALMENTE alguém teve coragem de realizar uma propaganda assim…

Pois é… 25 anos depois, teríamos reações muito mais preconceituosas!
Alguma coisa está fora da ordem…

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10
julho
2015
Século XXI e Michel Teló ainda faz black face

Gente,

É século XXI, mas tem gente que ainda faz Black Face, a exemplo de Michel Teló e o sertanejo Mariano. E não basta fazer, tem que colocar nas redes sociais e se expor ao constrangimento do ano.

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Eu não os culpo exclusivamente, por que muita gente realmente não conhece do que se trata, e ambos artistas não possuem obrigação (mas deveriam) de possuir conhecimento sobre história, cultura, preconceito. Mas que sua equipe não tenha conhecimento, isso é inadmissível. caberia aos que cuidam de sua imagem e redes sociais, pelo menos, fazer uma pesquisa no Google antes de deixar o assessorado se submeter a um papel extremamente vexatório desses. Jogando “racismo” como palavra de busca, já é possível encontrar fotos e textos, na internet, sobre a prática da Black Face.

Vou explicar!

  • O fato

Ontem, quinta-feira (9), Michel Teló publicou em seu perfil no Facebook uma foto onde aparece com o rosto pintado pela metade de preto. Acompanhando a imagem, a frase: “Contra todo e qualquer tipo de preconceito“.

Olha a foto:

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Cantor Michel Teló faz black face

O que o cantor possivelmente não sabia é que ao contrário de uma manifestação contra o preconceito, a black face se constitui em ação de racismo (conhecida historicamente). A tentativa de protesto do sertanejo acabou gerando uma torrente de manifestações visando o explicar que se trata de uma prática racista. Obviamente que nem todos os internautas foram “pacientes” em explica-lo o sentido equivocado de sua ação, e ele foi alvo – de forma justa – de todo tipo de crítica (além de ter sido ridicularizado). Ele se expôs a isso, né?

E antes que alguém me venha com o argumento de “tudo agora é racismo”, peço que leia mais sobre a história da prática, chamada black face, e como causa consequências deletérias na luta contra o racismo.

Como esse não é blog de “fofoca sobre famosos” (rsrs) e nem nossa intenção é criticar o cantor, vamos aproveitar a oportunidade para conhecer melhor sobre racismo, preconceito e história, né? O ocorrido deve servir para que possamos refletir sobre a desconstrução do racismo, sobre as formas que ele ainda se apresenta na sociedade e adquirir conhecimento diante do fato.

  • Black face – significado e história

O black face surgiu por volta de 1830 e era uma prática teatral muito popular nos Estados Unidos durante o século XIX. Atores brancos pintavam o rosto de preto para interpretar papéis de negros de forma debochada e ridícula. Eles se apresentavam para aristocratas brancos objetivando ridicularizar negros.

A prática ganhou popularidade e contribuiu para a proliferação de estereótipos em relação aos afro-americanos. Em 1848, eram produzidas óperas com grande audiência. Dos palcos, o black face invadiu as TVs e cinema.

Além do cunho racista, também há como consequência a exclusão, tendo em vista a negação de papéis a artistas negros. Os Estados Unidos conseguiram abolir a prática em 1960, com o Movimento dos direitos civis dos negros.

Abaixo, alguns cartazes e fotos (que peguei na internet) de artistas da época realizando o black face:

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Cartaz com black face no teatro

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Propaganda ridicularizando o negro

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Peças de teatro nos Estados Unidos propagaram a prática

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Além de ridicularizar, a prática tira emprego de atores negros

Tivemos casos recentes, como a uma revista francesa que dizia homenagear os negros pintando uma modelo branca de negra. Se tratava de um editorial intitulado “African Queen”. Aí nós perguntamos, em pleno século XXI: por que não contratar uma modelo negra?

O site Foudre, na época, resumiu na frase: “Por que contratar uma modelo negra quando você pode simplesmente pintar uma branca?”

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Modelo branca pintada de negra na Vogue francesa

Outro brasileiro se envolveu numa polêmica semelhante: o renomado estilista Reinaldo, que, em desfile, expôs sua coleção vestida em modelos com palha de aço (bombril) no cabelo. Qual criança de cabelo crespo não passou por ridicularização na escola, comparando seu cabelo com a palha de aço? Em regra essa característica física é atribuída aos negros, e o desfile foi de péssimo gosto.

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Desfile com modelos com bombril no cabelo

Caso você compreenda que se trata de uma homenagem (tanto a black face quando o cabelo bombril), te pergunto: porque não contratar negros para o teatro, cinema e colocar modelos negras com seus cabelos lindos e bem cuidados nas passarelas. Por certo que essa, sim, seria uma homenagem justa: retratá-los como de fato são, empoderados e bonitos. Isso, com certeza, contribuiria para desfazermos os padrões europeus de beleza que subjugam quem a eles não se adapta. Aumentaria a auto estima de milhares de crianças vítimas de não se sentem representadas pelas imagens que vêem nas TVs, desenhos, revistas; e contribuiria para a formação de gerações menos preconceituosas, com novos e belos padrões de beleza e menos, digamos, imbecis (nesse caso, quem sabe tenhamos menos cantores com black faces).

É isso, gente! A ideia do post é contribuir para que possamos reavaliar nossas próprias atitudes e desconstruir preconceitos. Para mim, tem sido muito importante refletir sobre essas questões. E para vcs?

Acredito que é um excelente momento para a mídia abordar o assunto. Não para expor o cantor, de jeito nenhum. Mas, veículos de comunicação em massa precisam parar de varrer esse tipo de caso para debaixo do tapete (visando não macular a imagem de celebridades) e escancarar assuntos que precisamos conversar. Que não se perca essa oportunidade de ajudar na divulgação de informações, no empoderamento e no combate ao racismo!

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04
julho
2015
Cunha é a diva que eles querem copiar!

Olá, pessoal, bom dia!

No início da madrugada de hoje, li o seguinte texto de Juca Kfouri, postado pelo Vinícius Alves no Facebook:

Cunha é bom de bastidores, de lidar com deputados sedentos por pequenas vantagens. Mas uma eleição presidencial é menos recomendada para quem tem telhado de vidro. Talvez alguém resolva falar do escândalo da Telerj, ou da corrupção na Cehab (companhia de habitação do Rio), do flat luxuoso pago por um doleiro, ou ainda dos negócios escandalosos de Furnas. Talvez alguém se recorde que ele é hoje um dos principais investigados na Lava Jato. Por enquanto, ele conta com o silêncio complacente da mídia. Nenhuma palavra sobre seu passado e seus procedimentos abusivos. Em relação a Lava Jato é como se seu nome não estivesse lá. Afinal, está prestando bons serviços aos conservadores de plantão. E segue como um trator, desmoralizando a democracia brasileira. Juca Kfouri

Eu, logo após, me pus a pensar sobre os motivos que levam Cunha a, em tão pouco tempo (embora seja raposa nos bastidores da política), alcançar destaque nacional e comandar a agenda política do país.

De onde vem o poder de Cunha? Como uma figura desconhecida do grande eleitorado – e envolvido em tantos escândalos – consegue chegar à Presidência de um Poder, terceiro na linha de sucessão presidencial, e ter seu nome cogitado em especulações para candidato a presidir uma nação?

Cunha conta com o apoio dos pares porque deles têm a admiração e idolatria.

Figura que sempre esteve envolvida em escândalos graves, desvios absurdos, mas sem nenhuma ameaça real da Justiça o punir, Cunha é o ídolo do baixo clero, é a celebridade que seus comparsas gostariam de ser, é a diva que eles querem copiar. Saiu ileso de grandes investigações (ainda que a imagem de seus superiores – na época – tenha sido maculada, a exemplo de Collor e Garotinho), e, assim, foi aprendendo a como articular e, esperto, percebeu rapidamente o óbvio: a Câmara é composta por caudilhos, velhos coronéis locais sedentos por qualquer benefício, dinheiro, jantares, comida boa e de graça, viagem com as esposas para o exterior, vantagens para suas empresas/agronegócio… Sedentos por pequenas vantagens, como colocou Kfouri. E – vaidosos e gananciosos – loucos por um interlocutor entre eles e o maiores empresários do país (e nisso Cunha foi habilidoso em institucionalizar as “contribuições para reivindicações corporativas” – R$).

Dessa forma, vai ficando cada vez mais fácil para Cunha, que se colocou entre os parlamentares-mendigos, que vivem atrás de boca livre, dinheiro e migalhas de poder, e a classe empresarial.

A tropa de Cunha é formada, majoritariamente, por coronéis que mandam em regiões dos seus estados, mas que nunca tiveram apito em Brasília (justamente por não gozar de poder para influenciar a agenda política nacional). No máximo, esses indivíduos conseguiam – depois de muito bajular algum ministro, do seu partido, nomeado pelo governo federal – indicar um superintendente de autarquia ou órgão público federal em seu estado de origem. Ou, em tempos de Mensalão, conseguiam receber dinheiro de intermediários com o governo para fazer número na garantia da tal governabilidade.

Hoje os componentes do Exército de Cunha podem mais… Conseguem sentar lado a lado na mesa com donos de TV e os maiores banqueiros e empresários do país, porque Cunha lá os coloca. Acostumados a serem tratados – ou aturados – como reis em seus estados, a eles era negado o brilho (que eles acham que merecem) e eram relegados aos porões do Congresso Nacional.

Cunha mudou isso. Conheço mais de duas dúzias de deputados que estão absolutamente fascinados pelo que Cunha tem os proporcionado, os olhos brilham contando sobre suas peripécias em jantares e reuniões que nunca imaginaram participar… Cunha os “valorizou”, os “ouviu”, faz o ego deles inflar, faz eles se sentirem mais poderosos, honrou o que eles são em seus estados, conferiu mérito ao que eles acham que são… Já imaginou a influência psicológica disso em uns caras vaidosos e acostumados a mandar e desmandar em seus feudos? Não seria difícil ver deputados de todo o país se rendendo a um líder como Cunha, né?!

Além disso, Cunha encarou o governo com arrogância e destemor – característica que a maioria deles possui em seus estados, mas que não manifestavam em Brasília por falta de “sangue no olho” (coragem) e espaço. Cunha grita com quem ousa desagradá-lo. Cunha manda demitir funcionário da Câmara dos Deputados. Cunha impede a entrada de cidadãos, que contrariam suas posições ideológicas e políticas, nas galerias (que maravilha para poder distanciar o povo que incomoda, né?, especialmente em se tratando de deputados que tratam seus eleitores como números e que, por comprar eleições, não acreditam ter satisfação nenhuma a dar ao povo). Cunha manipula o Regimento a seu favor e faz dele sua arma para conseguir aprovar as matérias que defende. Cunha rasga a Constituição Federal. Cunha brada em entrevistas com repórteres.

Cunha ameça (com palavras e gestos) o já fragilizado e impopular governo petista. Cunha inicia e encerra sessão ou a fala dos pares no momento em que deseja e os submete aos seus caprichos e humores. Cunha vinga os raivosos que se calaram durante anos de governo petista para conseguir indicar cargos e contratos na administração federal, mas que nunca engoliram Lula e sua trupe. Cunha desdenha do bom senso e realiza cultos religiosos dentro da Câmara dos Deputados. Cunha vinga os cristãos fundamentalistas (especialmente os evangélicos) que estavam silenciosos, mas que, no fundo, não toleram a possibilidade da implementação de políticas públicas voltadas para as minorias e maiorias submissas. Cunha é a revolta do patriarcado que vê crescer a presença da mulher na política e no mercado de trabalho. Cunha destila, pelos olhos, o ódio aos que o desagradam. Cunha materializa as vontades dos que acreditam que política é capital hereditário, partido político é patrimônio familiar e cargo eletivo é para alugar às empresas interessadas, através do patrocínio de mandatos. Cunha não aceita uma derrota política porque acredita na sua superioridade diante dos demais e na obrigação de todos servirem aos seus caprichos.

Cunha personifica, na Câmara, aquilo que seus os asseclas são nos seus Estados.

Cunha é tudo o que os parlamentares que o seguem queriam ser, no âmbito nacional! Cunha é o alter ego dos que ele lidera.

A tendência é que piore muito nos próximos meses. Mas não acredito que Cunha ambicione a Presidência. No entanto, vai articular para ter um candidato próprio (ocupando o vácuo de poder que Temer sempre deixou dentro do próprio partido por se preocupar em resolver sua vida e deixar os interesses dos companheiros da agremiação de lado – coisa que os caciques do partido viviam reclamando) , ou vendê-lo por um bom preço.

Levaremos tempo para ver Cunha perder o poder que está construindo e a ele terão que se render os próximos presidentes da República (pelo andar da carruagem).

Eduardo Cunha é o Sarney do século XXI. E, com a aceitação conveniente dos que o seguem, fez da Câmara o seu curral eleitoral.

(obs.: pesquisando no google, acho que o texto citado como de Juca Kfouri é de outro autor, olha aqui)

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01
julho
2015
Verdadeiras intenções da Bancada da Bala

Olá, pessoal,

A Câmara dos Deputados rejeitou, ontem, a proposta que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos, como estupro, latrocínio e homicídio qualificado. (mesmo com a pressão da bancada da bala e com Eduardo Cunha tentando impedir o ingresso de cidadãos e a manifestação democrática)

Mas a Casa ainda poderá votar em plenário a proposta original da PEC – que reduz a maioridade penal não só para crimes graves, mas para qualquer tipo de crime. Precisamos ficar atentos!

Hoje, na rádio 93 FM, falei sobre a rejeição da redução da maioridade penal nos casos de crimes hediondos. E expliquei para vcs o que é a “Bancada da Bala”, que, ao contrário do que alguns pensam, não quer diminuir a criminalidade, nem garantir mais segurança ao cidadão. Camuflados pelo discurso oficial de combate ao crime, os parlamentares da Bancada da Bala escondem que recebem dinheiro e têm suas campanhas financiadas pelo lucro que o crime proporciona para a cadeia que vive em torno dele (indústria de armas, programas ”mundo cão”, empresas de segurança privada, terceirizadas prestando serviços para presídios, obras em presídios etc).

Clique e ouça! Vc não pode perder de jeito nenhum. (vá por mim, rs)

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29
junho
2015
O que rolou no Facebook / Debates Políticos (junho)

Oi, amore, bom dia!

Sei que junho ainda não acabou, mas já foram tantas postagens e debates que resolvi colocar logo nosso habitual post com as discussões que rolaram no Facebook. Abaixo, transcrevo algumas postagens que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco. Geralmente as postagens no Facebook vão ficando para trás, mesmo sendo assuntos que ainda nos interessamos em debater, e não “descemos” a página principal ao ponto de ler textos mais antigos. E não podemos deixar que discussões importantes sejam perecíveis, né?

Pensando nisso, sempre faço nosso post com os links do Facebook aqui no blog, assim, podemos dar continuidade às discussões e vocês podem ler e escolher qual link que abrir e discutir especificamente. Clique nos links abaixo e dar sua opinião, ok?

Algumas das últimas postagens:

  • 03 de junho

Se vc acha que greve de professores não dá em nada, melhor dar uma olhadinha nesse material aqui, heim?

  • 07 de junho

O problema não é o que vira notícia, mas o que deixa de ser.”‪#‎TETO‬

  • 09 de junho

Redução não é a solução

  • 10 de junho

Nós estamos vivendo o momento mais perigoso de nossa história democrática. Um momento de retrocesso na legislação como nunca se viu da redemocratização até os dias atuais. Comandados por interesses pessoais, financeiros, empresariais, religiosos e amorais – e aproveitando que a atenção da população está voltada exclusivamente para o Poder Executivo -, a Câmara dos Deputados (há exceções, ok?) tem promovido a discussão, votação e aprovação de projetos de lei que se configuram em verdadeiros retrocessos. Será o tema que vou abordar hoje no programaOpinião, da 93 FM. Não perca!

  • 11 de junho

Ontem, os deputados federais aprovaram o mandato de 5 anos para TODOS os cargos eletivos. A gente nem viu a hora, não foi??? Os prefeitos e vereadores eleitos em 2016, e os deputados (distritais, estaduais e federais), governadores e presidente da República eleitos em 2018, ainda terão mandato de quatro anos. ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 11 de junho

Os deputados rejeitaram a proposta de COINCIDÊNCIA DAS ELEIÇÕES (graças a Deus, pq era uma péssima ideia). Como os mandatos serão de 5 anos (número ímpar), haverá pleitos a cada 2 ou 3 anos: em 2016 (municipais), 2018 (gerais), 2020 (municipais), 2022 (gerais), 2025 (municipais), 2027 (gerais), 2030 (municipais) e sucessivamente. Que confusão… E havia quem acreditasse que não tinha como ficar pior! ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 11 de junho

A Câmara dos Deputados acaba de aprovar a redução da IDADE para quem quer ser deputado (federal, distrital e estadual) dos atuais 21 anos para 18. Você já parou para avaliar quem se beneficia com isso? ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 11 de junho

A Câmara dos Deputados aprovou agora a redução da IDADE mínima para a eleição a governador, vice-governador e senador para 29 anos. Hoje, para ser governador e vice-governador é preciso ter 30 anos e, para se eleger senador é preciso ter 35 anos. Eu achei que a idade ficou muito baixa (especialmente para senador, cujo mandato é de 8 anos e exige muita experiência)! Quem ganha com isso? Quem? ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 11 de junho

A sessão na Câmara dos Deputados foi encerrada com a alteração da data de posse do Presidente e de governadores. O presidente tomará posse no dia 5 de janeiro; os governadores, no dia 4. O argumento para a mudança (atualmente se dá dia 1° de janeiro) foi possibilitar a presença de governadores na cerimônia de posse do presidente. Qual a relevância disso, gente? Mais gastos públicos com as viagens caríssimas a Brasília, né? ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 12 de junho

Tenho duas notícias para dar ao povo de minha amada Bahia (pra parar logo com esse tanto de postagem/matéria sem sentido que estou lendo por aí):

1ª – o PT NÃO vai acabar!
2ª – o ACM Neto NÃO vai sair do DEM!

O resto é especulação para vender notícia e gerar fato político.
Pela atenção, obrigada.
Boa tarde!

  • 12 de junho

Congresso Nacional do PT, em Salvador, e a reformulação da militância

  • 14 de junho

Playboyzinho agressivo reincidente = pó (MUITO PÓ) + família rica que mima + mulher retardada que ainda dá ousadia a esse tipinho em balada + justiça que só age depois que ele mata (ou quase mata) alguém (se a vítima for rica também, claro) + pó (MUITO PÓ). ‪#‎Fantástico‬

  • 17 de junho

Ontem, a Câmara dos Deputados aprovou a constitucionalização da FIDELIDADE PARTIDÁRIA, determinando a perda do mandato de quem se desligar do partido pelo qual foi eleito. Na verdade, fica como está na Resolução 22.260/07, do TSE.
Exceções: 1) casos de “grave discriminação pessoal, mudança substancial ou desvio reiterado do programa praticado pela legenda”; 2) caso de criação, fusão ou incorporação do partido político, nos termos definidos em lei. ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 17 de junho

Ontem, na Câmara dos Deputados, aprovou o VOTO IMPRESSO para conferência. Procedimento: o eleitor vota normalmente na urna eletrônica, após, o voto é impresso automaticamente pela urna, cabendo ao eleitor conferir e depositar em urna lacrada e inviolável. BENEFÍCIOS: 1) maior controle pelo eleitor; 2) possibilidade de recontagem e auditorias nas urnas eletrônicas; 3) evita/coibe fraudes, mantendo a agilidade da apuração. O que vocês acham disso? ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 17 de junho

A Câmara dos Deputados também aprovou mudanças na apresentação de PROJETO DE LEI DE INICIATIVA POPULAR. Atualmente: o projeto precisa da assinatura de 1% do eleitorado nacional (1,5 milhão de assinaturas), distribuído pelo menos por 5 estados, com um mínimo de 0,3% dos eleitores de cada um deles.
Mudança aprovada: necessário 500 mil assinaturas, em 5 estados, com adesão de 0,1% dos eleitores. Ficou mais fácil, né? Embora não seja hábito do povo brasileiro apresentar projetos dessa natureza! ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 17 de junho

Ah, lembram que a Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o mandato de 5 anos para os parlamentares? Então, teve que adaptar as eleições das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para que os eleitos fiquem igual tempo: 2 anos e meio na Mesa. Assim, ontem, aprovaram que haverá eleição para as MESAS DIRETORAS no primeiro dia de cada metade da legislatura (cerca de 2,5 anos). Que mangue! ‪#‎ReformaPolítica‬

  • 17 de junho

Texto sobre a criança do camdomblé que foi hostilizada e agredida

  • 17 de junho

A gente já percebeu que sempre que a coisa está indo pro buraco Neymar arranja um jeito de sair de fininho para: deixar a imagem dele dissociada da derrota (inevitável) no campeonato; e passar a sensação para a torcida de que se ele estivesse jogando o time teria melhor desempenho. Não cola mais, Neymar! Não mesmo!

  • 18 de junho

Ontem, a Câmara dos Deputados continuou a votação da ‪#‎ReformaPolítica‬:
* APROVOU: a criação de uma janela de 30 dias para que o político possa mudar de partido sem perda do mandato.
* REJEITOU: permissão do candidato disputar, simultaneamente, eleições majoritárias (prefeito, governador, presidente da República e senador) e proporcionais (vereador e deputado). Caso eleito para dois cargos, informaria à Justiça Eleitoral sua opção. Que bom que essa maluquice não foi aprovada, né?
* REJEITOU: obrigatoriedade dos candidatos às eleições proporcionais/majoritárias registrarem suas propostas na Justiça Eleitoral. Que propostas, gente? A maioria dos nossos candidatos sabem nem as funções dos cargos que concorrem! Iam “copiar/colar” do google. Me deixe, viu?!

  • 18 de junho

Vai vendo:

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou PEC que permite cobrança em universidades públicas. Querem mudar a Constituição Federal para que, no ensino superior na rede pública, sejam gratuitos apenas os cursos regulares de graduação, mestrado e doutorado – excluindo do princípio constitucional da gratuidade: as atividades de extensão, cursos de treinamento e aperfeiçoamento e cursos de especialização. Assim, as universidades PÚBLICAS, passariam a ter novas fontes de financiamento.

  •  19 de junho

Texto sobre a comitiva brasileira na Venezuela

  • 19 de junho

Foto e texto sobre a comitiva brasileira na Venezuela

  • 20 de junho

Crueldade! Nos últimos dias, muitos internautas do mundo todo protestaram contra a matança de milhares de cães num festival que acontece na China. Os animais são abatidos em público. Acho louvável que se levante contra a morte cruel desses cachorros, mas o que leva os manifestantes (alguns amigos aqui no Face) a achar que podem militar pelos “direitos dos animais” nas redes sociais e depois deitar confortavelmente suas cabeças no travesseiro – se achando o mais humano dos “terráqueos” – após comer gado, peixe, mariscos, galinha, peru (que morrem de forma igualmente cruel)?

  • 21 de junho

Criança fala sobre o racismo (vídeo)

  • 21 de junho

Esse MC cretino dos bailes funks que canta “é lança, é lança” incentivando jovens a “baforarem” o lança perfume certamente não usa o produto, né? Que ele não é otário – como seus fãs – ao ponto de baforar um troço que tem solvente de tinta e solvente de respingo de solda… Agora ficam os meninos e meninas perdendo a vida pelo efeito instantâneo que a mistura causa na corrente sanguínea e coração.

Ah, vou aproveitar para incluir no bolo esse tanto de cantor sertanejo, de axé e de pagode, que fala “beber” e “cachaça” a cada 3 palavas em suas músicas. E ainda tem quem fique endeusando esse povo. Com tantos jovens morrendo, tantas famílias destruídas… olha… ‪#‎Fantástico

  • 21 de junho

Poucas vezes me emocionei tanto com uma reportagem do Fantástico. Temos cerca de 25 mil pessoas escravas. Alguns salvos pelos fiscais: a maioria sem nem saber o que é escravidão, sem entender a chegada dos funcionários para libertá-los, sem compreender que existem direitos, um ser humano chorando ao contar que foi espancado ao pedir água, centenas de crianças (uma chega a cortar uma tonelada por dia)… queria abraçar essa fiscal que salvou milhares de vidas. Alguém decorou o nome dela? Fiquei tão perturbada durante a reportagem que não prestei atenção no nome… ‪#‎Fantástico‬ ‪#‎QueNojoDeQuemNãoRespeitaDireitosTrabalhistas‬

  • 22 de junho

Brasileira liberta 2,3 mil trabalhadores escravos no Brasil

  • 22 de junho

Teve gente dizendo que hoje não haveria República. São 12h35 e até agora parece que tá tudo em ordem por aqui, né?!

  • 23 de junho

A República não caiu!

  • 24 de junho

A causa do acidente pode ter sido pneu estourar, motorista adorcemer ou excesso de velocidade. Mas a causa da MORTE foi ausência do cinto de segurança! É necessário encarar essa realidade, por mais dura que seja, de frente. Essa é uma responsabilidade que cada um de nós PRECISA assumir. ‪#‎JornalNacional‬

  • 25 de junho

“Se a imagem do Governo está baixa, a dos demais políticos está rastejando” – Cristiana Lobo, sobre os deputados federais e senadores, e a crise de representatividade. ‪#‎MeninasDoJô‬ ‪#‎JôSoares‬

  • 25 de junho

Popularidade do Congresso é ainda menor do que a de Dilma. E olhe que a gente já viu Congresso ruim, heim?!

  • 27 de junho

“Todos os conservadores vão odiar o feminismo. O feminismo é para quem gosta de transformações sociais, de mudanças… o espírito de uma transformação na direção das liberdades individuais, que respeitem, ao mesmo tempo, a coletividade.” (vídeo)

  • 27 de junho

Recadinho para o pessoal que está escrevendo postagens de ódio aos homossexuais e aos que aderiram à campanha, e para os que chamam a ação de “modismo”: bem que vcs poderiam boicotar o Facebook, abandonar a rede e nos poupar do constrangimento de ter que ler o que vcs estão escrevendo, né?#‎ ficadica‬

  • 27 de junho

Disse alguém que certamente só hoje ficou sabendo que existe fome na África:
– Enquanto você tá celebrando a legalização do casamento gay, tem gente morrendo de fome na África.

Eu:
– OK! E o que vc tem feito por elas?

  • 28 de junho

“Eu até acho que eu sou afrodescendente de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham para mim: ‘Vamos bater nesse aí’. E começam a me bater, sem noção, sem nada”, disse Dunga.

  • 28 de junho

Que modismo te causa desconforto?

  • 28 de junho

Lula critica militância petista após Congresso Nacional do partido

  • 28 de junho

pesos e medidas

Não sei se vc faz parte dessa torcida que se divide em petistas e anti-petistas, se vc fizer, antes que venha a segunda-feira e, com ela, uma enxurrada de comentários sobre a delação de Ricardo Pessoa, já adianto: quem defender Mercadante (PT), tem que considerar inocente o Aloysio Nunes (PSDB); quem condenar Mercadante, tem que fazer o mesmo ao Aloysio. O balaio é um só!

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28
junho
2015
Que “modismo” te causa desconforto?

Olá, pessoal, bom dia!

Na sexta-feira, como comentamos, a Suprema Corte dos Estados Unidos aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo para todo o território nacional. Pelo mundo inteiro, milhões de pessoas trocaram sua foto do perfil do Facebook, acrescentando uma marca d´água em arco-íris. Alguns críticos afirmaram se tratar de “modismo”, buscando diminuir ou desmerecer a causa e os adeptos que mostraram sua satisfação e felicidade em ver uma decisão que, acima de qualquer ideologia política, valor pessoal ou discurso politicamente correto/incorreto, confere mais dignidade no exercício dos direitos civis no país.

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Vou escrever mais textos sobre esse assunto durante a semana, mas nessa manhã de domingo, gostaria de falar sobre ~ modismo ~.

Como citei, algumas pessoas estão alegando que colocar o arco-íris na foto é “modismo”. Ok. Óbvio que existem pessoas que colocaram o arco-íris pelos mais diversos motivos: por ser homossexual, por simpatizar e apoiar as pautas, por não aceitar a homofobia, por acreditar no amor acima de tudo, pela avaliação puramente jurídica da decisão, pela crença na não interferência de valores religiosos e convicções pessoais em decisões de governo, por mil razões diversas… e algumas pessoas por modismo também.

Mas eu lembro aos críticos: vivemos SIM num mundo de modismos. Modismos nos looks, modismos na música, modismos na estética, modismos na cultura, modismos nas postagens sobre “cor do vestido”, modismos políticos e ideológicos, modismos conduzidos pelas novelas, modismos em colocar foto da infância no perfil etc etc etc… Não conheço críticos dos “modismos em geral”; em regra, percebo que somos contra modismos específicos, né? Eu, inclusive, concordo com alguns; e outros não contam com minha adesão.

Por exemplo, eu super me jogo em modismos ligados à maquiagens, vestuário, música (adoro um refrão chiclete), mas não sou fácil de convencer quando o assunto são os modismos religiosos, ideológicos ou políticos – esses, raciocino muito antes de me convencer e não saio por aí compartilhando e me engajando no “obaoba” (ou seja: eu me justifico intimamente os motivos de concordar ou não, e sei as justificativas do meu incômodo com esses modismos).

Portanto, ainda que vc encare o arco-íris nas fotos como “modismo” (eu discordo e tenho uma leitura completamente diferente do fato), reflita sobre porque ESSE modismo especificamente o incomoda. E perceba:

1ª – que vc intitula algo como “modismo” baseado em vivências e conceitos pessoais, sendo que outras pessoas podem não considerar da mesma forma;

2ª – que não é vc quem define o que é ou não é modismo;

3ª – que o problema do “modismo” não está em quem adere a ele, mas em VC – que se incomoda com isso;

4ª – que se vc não for um crítico dos “modismos em geral”, é necessário fazer uma auto reflexão para perceber quais os motivos da sua seletividade em criticar esse “modismo” especificamente.

Que “modismo” te incomoda? Que “modismo” te causa desconforto?

É disso que estou falando!

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19
junho
2015
Comitiva de Senadores brasileiros causa constrangimento

Olá, meus amigos, tudo bem?

Essa semana, um dos assuntos mais debatidos foi a visita de uma comitiva de Senadores brasileiros a Venezuela. Liderada pelos tucanos Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes (PSDB-SP), a comitiva tinha o objetivo de visitar o líder opositor venezuelano Leopoldo López, detido há mais de um ano na prisão militar. A comitiva não foi bem recebida no país, e teve que voltar ao aeroporto por questões de segurança após o ônibus ter sido cercado por manifestantes que hostilizaram os parlamentares brasileiros. Eduardo Cunha obviamente criou uma comissão para acompanhar o desfecho da situação – que causou problemas diplomáticos – e a Câmara aprovou uma moção de repúdio. Ambos presidentes de Casas no Congresso Nacional pressionaram a presidente Dilma e o Governo brasileiro emitiu uma nota lamentando o ocorrido. Os senadores alegam que o impedimento ao cumprimento da agenda foi uma “arapuca” orquestrada.

Sobre a comitiva de senadores brasileiros na Venezuela: (interaja também no face)

1º – Eles poderiam ter optado por visitar o sertão nordestino onde desde sempre se morre de sede – indecência maior do que se possa constatar em qualquer presídio venezuelano; poderiam visitar o agreste da Bahia (onde nasci) e ver que toda semana bandidos explodem bancos e fazem cidadãos de escudos no embate com a polícia; poderiam ter ido para Rondônia, onde cidades INTEIRAS tiveram sua população evacuada por cheias em rios e famílias estão desabrigadas porque perderam tudo; poderiam visitar o Oiapoque, cuja população leva 2 dias de ônibus para fazer um percusso de 600 kms até a capital Macapá devido às condições (vergonhosa) da estrada; poderiam ir no Recôncavo da Bahia, onde cidades estão sitiadas pelo crime organizado; poderiam visitar abrigos que cuidam de idosas de rua que são estupradas nas madrugadas em Salvador (em número maior do que o de presos políticos na Venezuela); poderiam visitar o presídio de Pedrinhas, no Maranhão, no qual indivíduos são decapitados de forma medieval; poderiam visitar tribos que vem sendo dizimadas pelos orizicultores no sul do país que criaram milícias rurais (incentivadas por um parlamentar federal) para abater os indígenas; poderiam esbravejar pela criança apedrejada por ser do candomblé; poderiam protestar contra a encenação da Reforma Política e adotar providências, no Senado, contra essa palhaçada; poderiam visitar a família da criança que marginais tocaram fogo viva; poderiam se compadecer por sermos o país que mais mata no trânsito e realizar visitas para fortalecer ONG´s que cuidam das famílias das vítimas; poderiam visitar as grávidas que morrem diariamente em nossos presídios sem assistência médica (depois de serem usadas como mulas do tráfico, por companheiros nos quais confiaram); poderiam visitar as fazendas (de muitos membros do Congresso) onde há denúncias de trabalho escravo (aliás, foi aprovada na Câmara a flexibilização do conceito de “trabalho escravo”)… Mas os digníssimos Senadores Brasileiros preferiram ir discutir questões políticas da Venezuela. Ou aqui não temos problemas suficientes para ocupá-los, ou eles não conhecem o país o suficiente para com seu povo se ocupar. Gente, quando se ocupa um dos cargos mais importantes do país, tem que, no mínimo, saber escolher prioridades, né? No mínimo!

2° – se Aécio queria – e a intenção era EXATAMENTE essa – SOMENTE criar um fato político, parabéns aos envolvidos: conseguiram. Pronto! Não vou ficar tecendo mais comentários sobre a forma como os senadores foram recebidos na Venezuela “por motivos de”: acho que temos outras prioridades para discutir no país – no lugar de ficar dando força a ações panfletárias.

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( o Ministério da Saúde adverte: se vc viu nesse post um juízo de valor sobre o Governo venezuelano, um médico deve ser procurado se persistirem os sintomas )

E você, o que acha da visita dos Senador a Venezuela e o protesto que os impediu de visitar os presos políticos? Clique AQUI e dê sua opinião no Facebook!

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30
maio
2015
O que rolou no Facebook / Debates Políticos

 

Oi, genteeee!!!

Que sábado lindo de sol em Salvador, heim? Vamos aproveitar! rsrs Hoje mais cedo fiz até caminhadinha na orla, na Pituba. Coisa rara, mas de vez em quando arranjo um tempinho para caminhar, né? Aliás, estou muito sedentária e precisando adotar providências para melhorar minha alimentação e fazer exercícios físicos regularmente. É tão difícil quando se tem o dia a dia corrido, né? Mas vamos lá… rs

Agora à tarde aproveitei para fazer o nosso post quinzenal “O que rolou no Facebook / Debates Políticos”. Então, abaixo, transcrevo alguns dos posts que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco. Sei que quando acessamos a página de alguém no Face é super complicado acessar postagens velhas, porque as vezes temos que “baixar” muito a página e falta paciência, néam? kkkk Pensando nisso, faço nosso post com os links aqui no blog, dessa forma, os leitores podem acessar exatamente a postagem cujo tema interessa e colaborar com a discussão. Não deixe de clicar nos links abaixo e dar sua opinião, ok?

Algumas das últimas postagens:

  • 29 de maio

Texto novo no blog, PEC das Domésticas

  • 29 de maio

“A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão” – Aldous Huxley

  • 28 de maio

Câmara dos Deputados aprova o fim da reeleição para mandatos executivos (presidente da República, governadores e prefeitos). Não vale para os governadores eleitos em 2014 e os prefeitos eleitos em 2012.

  • 27 de maio

Pronto! Concluída votação sobre o financiamento de campanha: PRIVADO! Conseguiram aprovar o FINANCIAMENTO privado de campanhas com doações de pessoas físicas e jurídicas para os partidos políticos e com doações de pessoas físicas para candidatos.

  • 27 de maio

Em votação, a Câmara dos Deputados rejeitou o FINANCIAMENTO exclusivo de campanhas com recursos públicos. 343 votos contra; 56 a favor e 58 abstenções.

  • 27 de maio

Um planeta onde cartolas da FIFA são presos, é um planeta que está começando a virar um lugar legal pra morar…

  • 27 de maio

Galera, pasmem: os deputados vão votar o financiamento privado de campanha novamente.

  • 27 de maio

Eduardo Cunha não se deu por vencido e está tendo nova votação sobre financiamento de campanha na Câmara dos Deputados. Cunha ameaçou o Plenário que se nenhuma emenda sobre financiamento de campanha for aprovada, vai colocar em votação o texto principal da ‪#‎ReformaPolítica‬, que inclui na Constituição o financiamento privado. Os deputados alegaram que ontem ele decidiu que esse texto não iria a voto; aí Cunha retrucou que ontem fez um “comentário talvez equivocado” e desfez o acordo. Suspendeu a sessão e está reunido com os líderes no gabinete. Vem surpresa por aí… Um parlamentar com a experiência dele, com seu histórico de articulações e com parcela da Câmara fazendo parte de sua “rede de devedores de favores”, não ia se abater facilmente.

  • 27 de maio

AGORA!   Plenário da Câmara dos Deputados retoma votações da ‪#‎ReformaPolítica‬. Acompanhe ao vivo: http://goo.gl/qWvNJZ

  • 27 de maio

#textonovo‬ no ‪#‎blog‬

Vocês já ouviram falar da bancada BBB? Não, amigos, não é uma bancada formada por ex-participantes de reality show, refere-se à Bancada do Boi (ruralistas), Bala (apresentadores de programas sensacionalistas sobre crime e financiados pela indústria armamentista) e Bíblia (fundamentalistas religiosos). Eles formam um grupo de políticos conservadores, que criaram alianças e defendem uns a pauta dos outros. Ou seja, na hora de votar os projetos e defender as matérias, eles se unem em prol do auxílio mútuo. Hoje eles são 73% da Câmara e defendem, sem constrangimentos, retrocessos legislativos e os interesses de ruralistas, da indústria das armas e de grupos religiosos radicais.

  • 27 de maio

Estava na hora de Eduardo Cunha ter um freio! Ele vem votando o que quer, bota relator, tira relator, impõe as matérias e dia da votação… (tudo bem que essas são algumas das funções do presidente da Casa, mas ele as exerce de forma tirana, arbitrária e baseado em “toma lá, dá cá”). Boa derrota hoje na Câmara (por enquanto, porque ainda tem mais matéria para votar na madrugada)! Mas não achem que essa derrota terá efeito pedagógico; pelo contrário, ele vai ficar com mais raiva ainda dos deputados que votaram contra suas propostas (e virá revanche/vingança por aí), mas, de qualquer forma, já mostra que seu poder NÃO é ilimitado (como ele acredita que é).

É pra aplaudir de pé, Igreja! ‪#‎ReformaPolítica

  • 27 de maio

No ‪#‎JornalDaGlobo‬, o apresentador falou agora – ao vivo, da Câmara dos Deputados – que os deputados federais preferem a forma atual do sistema político e concluiu que os parlamentares não atenderam as reivindicações de mudanças que a população clama. Não é bem assim! O povo quer mudanças? Quer! Mas esses pontos votados até agora (00h20) nos condenariam a regras ainda piores e mais nefastas. Não se trata de simplesmente FAZER uma Reforma Política. Queremos uma reforma para MELHOR, e não é isso que os tópicos até agora votados (e derrubados – UFA!) nos trariam.

  • 26 de maio

#‎IMPORTANTE! Dá para assistir a sessão que acontece AGORA na Câmara dos Deputados, sobre a Reforma Política, pela internet.

  • 26 de maio

Collor criticando as medidas econômicas do governo!  Collor? Criticando? MedidAS ECONÔMICAS????

  • 25 de maio

#‎postnovo‬ no ‪#‎blog‬Quem ainda não viu a postagem sobre a palestra “Os protestos no Brasil e o momento político atual”, corre pro #blog para ver.

  • 25 de maio

#‎postnovo‬ no ‪#‎blog‬

Falo sobre a Reforma Política (os principais telejornais nem têm tocado no assunto) e conto pra vcs quem vem definindo a agenda política do país.

  • 25 de maio

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, vai colocar para votação amanhã uma parte da Reforma Política. E – por mais que pareça impossível – o que está ruim vai ficar PIOR. A ideia geral do Eduardo é, mediante mudanças em temas específicos na legislação, dificultar AO MÁXIMO o ingresso de novos quadros na política, com perpetuação do poder de quem já tem mandato. A Reforma que ele quer tem esse objetivo principal! Viveremos num país de feudos partidários (ainda mais arraigados)! Eu não sou pessimista (pelo contrário, eu acredito na educação política e num país melhor), mas vou dizer uma coisa muito séria pra vocês: EU ESTOU COM MEDO DESSA REFORMA!

  • 25 de maio

#‎textonovo‬ no ‪#‎blog‬
Participei do debate “Os protestos e o momento político atual”, na Universidade Católica de Salvador, a convite do professor Cláudio André Souza, com a participação de mais de 80 alunos! Aproveitei para escrever no blog sobre essa experiência e falar um pouco sobre os temas que abordamos! Vem ver: www.danielebarreto.com.br

  • 25 de maio

A culpa agora é da faca!!! [ bom dia pra vc que está acompanhando os noticiários sobre a nova forma dos criminosos agirem no Rio de Janeiro ]

  • 24 de maio

Ou seja, meses e meses e meses de ataques à ciclistas e nada foi feito,nenhum policiamento nem prisão dos criminosos. Aí tem que morrer alguém, né? Pra virar notícia internacional e o governo do Rio se sentir pressionado… “Mais um? Até quando?”, diz o ciclista funcionário da loja onde o médico assassinado consertava sua bicicleta. ‪#‎Fantástico

  • 21 de maio

Chegando em casa agora: cansada, mas tão feliz!!!
Hoje à tarde participei de um debate com uma turma de uns 70 alunos na UCSAL, aqui em Salvador. Mesmo com uma chuva acabando com tudo, com transtornos no trânsito e a proximidade do final de semestre e provas, os alunos compareceram em peso e a discussão foi incrível: cenário político do país, conjunta da Câmara dos Deputados, manifestações, reforma política, mídia etc. Obrigada, professor Claudio André Souza pelo convite. E depois, yakissoba e umas 4 horas de política com minha amiga Eila Rocha discutindo mais sobre os temas do debate e ela me dando uma aula sobre movimentos sociais. O dia de hoje encheu meu coração de esperança nesse país‪#‎educaçãopolítica

  • 19 de maio

Dia desses que o PSDB fazia “de um tudo” pra esconder FHC! Como o tempo passa rápido…

  • 18 de maio

E a gente achando que nunca mais ia ter que ver a cara (de pau) de Collor em tudo quanto é site e telejornal, né?

  • 18 de maio

“Todos nós deveríamos estar com raiva. Esse sentimento, a raiva, é importante historicamente para as transformações sociais positivas, mas além de estar com raiva eu também estou esperançosa porque eu acredito profundamente na habilidade dos humanos de se reinventarem e se tornarem melhores”.Chimamanda Ngozi Adichie

  • 18 de maio

Tem 2 vídeos novos no blog!
* um vídeo sobre o comportamento dos deputados durante o depoimento da doleira na CPI (eles riram de suas piadinhas, cantaram junto com ela, e receberam os investigados aos risos e abraços)
* outro vídeo sobre a demarcação das terras indígenas, que alguns deputados querem que deixe de ser uma competência do Poder Executivo e passe para o Legislativo, claro, para a bancada da motosserra e ruralista ter mais poder sobre o assunto.

  • 16 de maio

Paga/Pagaria R$ 100,00 para ver Pablo, mas reclama dos R$ 63,00 para o ENEM.

(obs.: eu acho R$ 63,00 caro pro ENEM, mas não gasto dinheiro com Pablo e Wesley Safadão. Não que eu esteja julgando quem faz isso… Mas estou sim! kkkkkkkk)

  • 15 de maio

E essa chuva fortíssima novamente aqui em Salvador, heim? A gente fica com o coração apertado pelas famílias em situação de risco!

  • 15 de maio

#‎textonovo‬ no ‪#‎blog‬
A Constituição Federal prevê perda da terra para ruralistas que forem flagrados mantendo trabalhadores escravos. Aí o que os caras fazem? Apresentam projeto de lei para mudar o conceito de “trabalho escravo”, claro! O PL 3842/2012 foi aprovado na Comissão de Agricultura, em abril, e visa modificar o conceito da expressão “condição análoga à de escravo, trabalho forçado ou obrigatório”. Eles querem retirar os termos “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho” da definição do crime, no Código Penal. É mole??? Quem quiser saber mais sobre o assunto, escrevi sobre o tema no blog.

  • 15 de maio

Estamos vivendo a “Era do Retrocesso da Legislação” no Brasil!

E você, o que acha desses assuntos? Clique no comentário e dê sua opinião no Facebook! Gostaria muito de saber a sua opinião!

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28
maio
2015
Comentando a matéria: Senado conclui votação de projeto que regulamenta PEC das Domésticas

Olá, pessoal, bom dia!

Um dos assuntos importantes discutidos esse mês no Senado, mas que não teve a devida atenção – mereceu apenas uma notinha rápida em alguns telejornais – foi a votação do projeto que regulamenta a PEC das Domésticas. Já se passaram dois anos da promulgação da Proposta de Emenda à Constituição, mas os profissionais do setor continuam sem poder desfrutar de parte dos benefícios pela ausência de regulamentação (aliás, problema que dificulta o gozo de outros direitos, como o de greve no serviço público, não regulamentado, embora conste na Constituição Federal).

Eu ainda não tinha parado para ler as decisões do Senado a esse respeito, e aproveitei para estudar mais um pouco sobre esse tema na madrugada e resolvi dividir algumas informações com vocês. Então, vamos a mais um post da série “Comentando a matéria”, quando você encontra, abaixo em azul o texto do G1 e em itálico preto meus comentários.

Senado conclui votação de projeto que regulamenta PEC das Domésticas

Senadores mantiveram contribuição de 8% do empregador ao INSS.
Com aprovação, texto seguirá para sanção da presidente Dilma.

Lucas Salomão Do G1, em Brasília

O Senado concluiu nesta quarta-feira (6) a votação do projeto que regulamenta a Proposta de Emenda à Constituição que ficou conhecida como PEC das Domésticas, que prevê benefícios trabalhistas para a categoria. Com a aprovação, o texto segue agora para sanção presidencial.

Vale lembrar que no último dia 17, a Câmara dos Deputados concluiu a votação do projeto que regulamenta a PEC das Domésticas. Agora o texto foi votado no Senado e posteriormente irá para a sanção presidencial (trâmite normal para esse tipo de projeto de lei).

A PEC das Domésticas foi promulgada em 3 de abril de 2013 e garantiu 16 direitos trabalhistas para a categoria. Do pacote de benefícios, sete deles estavam à espera de regulamentação para entrar em vigor: indenização em demissões sem justa causa, conta no FGTS, salário-família, adicional noturno, auxílio-creche, seguro-desemprego e seguro contra acidente de trabalho.

A PEC foi votada em 2013 com muita polêmica. Por estender aos empregados domésticos direitos já garantidos pela Constituição aos trabalhadores em geral, o texto encontrou resistência de quem temia o peso dos custos da mudança no orçamento doméstico. Mas, ao contrário do que alegavam os contrários à medida, não houve demissões em massa ou crescimento da informalidade.

O texto aprovado define como empregado doméstico aquela pessoa que presta serviço de natureza não eventual por mais de dois dias na semana. A matéria veda a contratação de pessoa menor de 18 anos.

O projeto aprovado no Senado confirma a jornada de trabalho diária de 8 horas, sendo que a semanal não poderá passar de 44 horas, conforme havia sido estabelecido na PEC. O empregado poderá fazer até duas horas extras por dia, mas desde que acordado entre as partes.

Uma das questões mais polêmicas é o controle da jornada de trabalho. Isso porque, em regra, muitos empregados domésticos não possuem duração do trabalho definida, e trabalham em regimes exaustivos, alguns, inclusive, morando na casa dos patrões, o que gera uma carga de trabalho ininterrupta e indigna.

“Eu penso que nós atenuamos e nós criamos as condições reais de aumentar a formalização do trabalho doméstico, porque hoje 80%, segundo cálculos da categoria, é informal. Com isso nós estamos criando um regramento que dá segurança ao empregador e ao trabalhador doméstico”, disse a jornalistas a relatora do texto, senadora Ana Amélia (PP-RS) antes da votação.

“Agora sim, acabamos de fechar a última senzala do Brasil”, afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao final da votação. “Se a ordem é igualdade, a igualdade deve começar nas nossas casas.”

INSS
Nesta terça, os senadores mantiveram o pagamento por parte do empregador de 8% ao INSS. A contribuição previdenciária foi ponto de polêmica entre os parlamentares. No texto que havia sido aprovado pela Câmara, os deputados haviam alterado a contribuição para 12%, percentual igual ao pago pelas empresas. Já no caso da contribuição feita pelo próprio trabalhador, o pagamento ao INSS continua igual ao modelo atual, que é de 8% a 11%, de acordo com a faixa salarial.

Eu penso que nós atenuamos e nós criamos as condições reais de aumentar a formalização do trabalho doméstico, porque hoje 80%, segundo cálculos da categoria, é informal. Com isso, nós estamos criando um regramento que dá segurança ao empregador e ao trabalhador doméstico”
Senadora Ana Amélia (PP-RS)

Trabalho noturno e multa de FGTS
O projeto aprovado no plenário considera trabalho noturno quando realizado entre as 22h e as 5h. Quanto ao repouso, o empregado terá direito a 24h consecutivas por semana e também em feriados. O período de férias será de 30 dias remunerados com um terço a mais que o salário normal. A empregada doméstica gestante terá direito a licença-maternidade de 120 dias.

O texto torna obrigatório o recolhimento de 8% de FGTS pelo empregador. Atualmente, o recolhimento do benefício é opcional.

Os senadores aprovaram ainda a obrigação de o empregador depositar, mensalmente, 3,2% do valor recolhido de FGTS em uma espécie de poupança que deverá ser usada para o pagamento da multa dos 40% de FGTS que hoje o trabalhador tem direito quando é demitido sem justa causa. Se o trabalhador for demitido por justa causa, ele não tem direito a receber os recursos da multa e a poupança fica para o empregador.

“Ou seja, todo mês a multa do FGTS de demissão sem justa causa será depositada em uma conta vinculada, garantindo que o empregado doméstico vai receber os 40% da multa [caso seja demitido sem justa causa”, disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Nos casos de demissão com justa causa, o valor depositado na conta será devolvido ao patrão.

Horas extras
O texto aprovado no Senado prevê que as primeiras 40 horas extras devem ser pagas em dinheiro para o trabalhador doméstico. A partir daí, cada hora extra deve ser compensada com folga ou redução da jornada em até um ano.

É importante atentar para as dificuldades no controle do gozo dos direitos do trabalhador, por que ao contrário de empresas, não se dispõe de ferramentas que possam controlar o cumprimento dos horários, como o registro eletrônico de ponto. Mas o controle deve ser feito pelo empregador, através de livro ponto assinado pelo empregado.

Adicional noturno, seguro-desemprego e auxílio-família
O texto prevê que a hora do trabalho noturno seja computada como de 52,5 minutos – ou seja, cada hora noturna sofre a redução de 7 minutos e 30 segundos ou ainda 12,5% sobre o valor da hora diurna. A remuneração do trabalho noturno deverá ter acréscimo de 20% sobre o valor da hora diurna.

O empregado doméstico que for dispensado sem justa causa terá direito a seguro-desemprego no valor de um salário mínimo por até três meses, conforme o período em que trabalhou de forma continuada. (Correção: ao ser publicada, esta reportagem errou ao informar que o seguro-desemprego seria pago por até cinco meses. O erro foi corrigido às 16h12 do dia 9/5.)

O texto também dá direito ao salário-família, que é um benefício pago pela Previdência Social. O trabalhador autônomo com renda de até R$ 725,02 ganha R$ 37,18, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido. Quem ganha acima desse valor R$ 1.089,72, tem direito a R$ 26,20 por filho.

Auxílio-creche e seguro contra acidente de trabalho
O pagamento de auxílio-creche dependerá de convenção ou acordo coletivo entre sindicatos de patrões e empregadas. Pelo texto aprovado no Senado, as domésticas passarão a ser cobertas por seguro contra acidente de trabalho, conforme as regras da previdência. A contribuição é de 0,8%, paga pelo empregador.

Leia outros textos do “Comentando a matéria”:

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27
maio
2015
Bancada BBB

Olá, pessoal, bom dia.

Ainda estão comemorando a derrota de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados ontem? hahaha Tem nem como não ficar feliz, né? Mas não só pela derrota dar um (certo) freio em Cunha, mas porque as propostas iriam deteriorar, ainda mais, nosso Sistema Político. Hoje, no programa Opinião da rádio 93 FM, vou comentar sobre a sessão de ontem de votação de tópicos da Reforma Política. Ah, e teremos postagem sobre o assunto ao longo do dia. (na verdade teremos vários posts para hoje, passei a madrugada escrevendo – como sempre rsrs – e agendei para entrarem durante o dia, fiquem ligados no blog que tem muita coisa para discutirmos hoje, tá?)

Mas agora vamos começar o dia falando da Bancada BBB na Câmara dos Deputados.

Não, amigos, não é uma bancada formada por ex-participantes de reality show, refere-se à Bancada do Boi, Bala e Bíblia.

Vou explicar!

A Câmara do Deputado possui bancadas formais, compostas por partidos políticos, e bancadas informais, compostas por parlamentares que pensam da mesma forma sobre determinadas matérias e que defendem bandeiras semelhantes. Como o número de partidos políticos com representação na Câmara é grande (28 partidos, até dezembro de 2014 eram 23), fica cada vez mais difícil conseguir consenso para votar determinadas matérias, e mesmo dentro dos partidos a discussão quase nunca termina em unanimidade (consequência de não serem partidos programáticos, mas apenas legendas de aluguel, em sua maioria). Com essa pulverização, é necessário que os temas reúnam parlamentares que – independentemente do estado da federação ou da agremiação partidária – pensem e votem da mesma forma. Daí surgem as bancadas com temas específicos, como a ruralista, sindicalista, empresarial, da bala, evangélica, ambientalista etc. Nessas bancadas, não importa o partido do cara, nem qual estado ele representa. O importante é que, juntos, pensem da mesma forma em relação aos temas específicos.

Algumas dessas bancadas tiveram crescimento nessa atual legislatura (em relação à legislatura anterior). E como o poder se exerce em espaços, quando um o ocupa, outro “desocupa”. Ou seja, se tivemos crescimento da bancada empresarial, alguma outra bancada caiu, porque o número de parlamentares (número total) se manteve o mesmo.

Nesse crescimento de algumas bancadas e diminuição de outras, aumentou – como um todo – o número de congressistas que compõe o que chamamos de “baixo clero” (tem vídeo explicando o que é o “baixo clero” AQUI). Isso majorou o custo de transação com o Executivo, porque são parlamentares que não possuem projeção nacional para criar fatos políticos relevantes e nem conseguem influenciar na agenda política do país. Assim, utilizam do mandato para negociatas e favorecimento pessoais. E não por coincidência, uma parcela significativa desse baixo clero compõe bancada BBB – defensores dos temas Boi, Bala e Bíblia.

Vamos à composição das bancadas resumidamente:

  • Bancada do Boi

A bancada do Boi é formada por ruralistas. É a ala mais numerosa das três. Era liderada por Kátia Abreu, agora a frente do Ministério da Agricultura, e hoje tem o oposicionista Ronaldo Caiado, do DEM, como grande referência. Luis Carlos Heize, do PP, mantém a liderança do grupo na Câmara (tem um vídeo aqui no blog onde explico um pouco as bandeiras que o Heize defende). Eles defendem o agronegócio e suas vontades.

  • Bancada da Bala

Composta por policiais, apresentadores de programas sensacionalistas sobre crime e financiados pela indústria armamentista. Defende, entre outras pautas, a redução da maioridade penal, o fim das penas alternativas e da permissão do porte de arma para todo cidadão. Tem seu expoente máximo Jair Jair Bolsonaro (PP-RJ) – capitão da reserva do Exército. Mas conta com o apoio expressivo do oposicionista Alberto Fraga (DEM-DF) – coronel reformado da Polícia Militar e líder da Frente Parlamentar de Segurança Pública.

  • Bancada da Bíblia

É uma bancada composta pelos fundamentalistas cristãos. Aumentou de 73 para 75 o número de deputados eleitos, além de preservar três senadores. Tem no pastor Marco Feliciano, do PSC, uma referência importante. Mas é o próprio presidente da Casa, fiel da Igreja Sara Nossa Terra, quem lidera o rebanho.

bancada-bbb-2

Essa bancada BBB (que circula em torno dessas três temáticas que citei acima) é formada por políticos conservadores, que defendem pautas que regridem nossa legislação e são fundamentalistas. Em torno de suas ideias centrais, eles criaram alianças e defendem uns a pauta dos outros. Ou seja, na hora de votar os projetos e defender as matérias, eles se unem em prol do auxílio mútuo.

É uma forte aliança dos setores conservadores na Câmara, cada vez mais unidos e articuladores, porque perceberam que assim ganham força e aprovam projetos que desejam (na defesa de uma sociedade patriarcal e patrimonialista).

Vamos a dois exemplos:

  • Discussão do Código Florestal, em 2012

Para aprovar seu nefasto Código Florestal (que deveria levar o nome de Código do Agronegócio), os ruralistas buscaram aproximação com os evangélicos. Assim, aumentaram a votação.

  • Discussão da maioridade penal, em 2015

Para se discutir e aprovar a redução da maioridade penal, os componentes da Bancada da Bala buscam o auxílio dos evangélicos e dos ruralistas.

Só que tem um fator que ajuda no fortalecimento desse grupo BBB: a eleição de Eduardo Cunha para presidente da Casa. Lembram que comentei aqui no blog que Cunha foi eleito majoritariamente pelo baixo clero? Então, sua presença à frente da Casa une essas três bancadas (boi, bala e Bíblia) e suas manobras os aproxima, numa “rede de favores”. Até porque Cunha faz parte das três bancadas, e da empresarial, que ele defende com “unhas e dentes” sem constrangimentos.

Consequências:

Como a bancada BBB elegeu o presidente da Câmara e possui dinheiro para seus lobbys e empreitadas nos bastidores, ela se constitui na união de três grupos de forte poder de pressão num só bloco. Dessa forma, defendem seus próprios interesses (são grandes pecuaristas, pastores de igrejas evangélicas, importadores de armas) e têm obtido vitórias graças ao apoio mútuo, e a forma unificada de votar.

  • Maioria na Câmara

Dos 513 deputados, pelo menos 373 fazem parte de uma dessas bancadas, totalizando 73% dos parlamentares.

  • Vitória de pautas conservadoras

Já conseguiram vitórias como aprovar a redução da maioridade penal na Comissão de Constituição e Justiça. Também criaram uma comissão especial para elaborar um texto final sobre a PEC que transfere do Executivo para o Congresso a demarcação das terras indígenas. Querem aprovar o Estatuto do Nascituro, barrar a descriminalização do aborto, aprovar o Estatuto da Família.

Direito de se articular:

É claro que os parlamentares possuem direito de se articular e defender bandeiras específicas, realizando o lobby criticado mas já institucionalizado desde sempre na Casa. Também é óbvio que é da essência do Poder Legislativo que se discuta temas buscando apoio e votos para aprovação de matérias. O questionamento que fazemos aqui não é esse. Mas sim: as pautas defendidas pelo grupo assusta por destoarem do século XXI e se caracterizarem retrocessos legislativos e medidas que colocam um Poder a disposição da perseguição a grupos minoritários. Além disso, são pautas financiadas pela indústria, pelo agronegócio, por igrejas e mercado de armamentos – com muito dinheiro que enriquece e sustenta parlamentares. Até que ponto a sociedade pode ficar refém de votações comandadas – nos bastidores – por empresas privadas?

E tem mais: não me venham falar de representatividade porque na Câmara eles representam interesses de grandes empresas/pecuaristas que em nada coadunam com quem os elegeu: em regra pessoas pobres, do interior dos estados, conduzidas ao voto por prefeitos e lideranças políticas compradas por esses parlamentares durante as campanhas eleitorais. Ou alguém aí acha que nosso país é majoritariamente composto por ruralistas, defensores da bala e evangélicos fundamentalistas?

O que vocês acham da atuação da bancada BBB?

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15
maio
2015
Deputados flexibilizam conceito de “trabalho escravo”

Olá, galera,

Olha, no início da semana eu escrevi sobre a retirada do “T” de transgênicos da embalagem de produtos alimentícios. E no texto, citei que o autor da proposta é um grande ruralista daqueles que – dentre outras características repugnáveis – defendem milícias contra índios e a flexibilização do conceito de trabalho escravo. Hoje, volto para explicar melhor sobre a questão do trabalho escravo.

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento Desenvolvimento Rural aprovou no dia 15 de abril a proposta que define o que é trabalho escravo no Brasil e altera o Código Penal (Decreto-Lei 3.689/41).

O projeto é do deputado ex-Moreira Mendes, e a ideia é modificar o conceito da expressão “condição análoga à de escravo, trabalho forçado ou obrigatório” – que hoje compreende o trabalho ou serviço realizado sob ameaça, coação ou violência, com restrição de locomoção e para o qual a pessoa não tenha se oferecido espontaneamente.

Íntegra da proposta:

O relator da Comissão de Agricultura é ninguém menos do que o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), cuja biografia coloquei no post de segunda-feira e sugiro você ler antes de continuar esse post. (já comentei aqui que pesquisar sobre o parlamentar, sua vida, seu passado e suas bandeiras explica muito porque ele foi colocado naquela relatoria por seus pares) Heinze é ex- coordenador da Frente Parlamentar Mista da Agropecuária e, obviamente, faz parte da bancada ruralista.

Os deputados da bancada ruralista estão preocupados com os efeitos da Emenda Constitucional 81, que prevê a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde for constado trabalho escravo. Os imóveis desapropriados por essa razão serão destinados à reforma agrária ou a programas de habitação popular, sem indenização ao proprietário. Óbvio que a bancada BBB (bala, Bíblia, boi) da qual a maioria dos ruralistas fazem parte em sua mais completa versão, não gostou da ideia de perder terras por conta de se utilizarem de trabalho escravo.

Mas ora, só se importa com as consequências de medidas contra quem comete o crime de manter trabalhadores em condições de escravo quem… mantem trabalhadores em condições de escravo. Ou não?

Pois é, a bancada ruralista se ouriçou logo! Por motivos que nem vou tecer muitos comentários. E já que possuem medo de perder suas terras, e na impossibilidade de conter a aplicação da Emenda Constitucional (que será aplicada pelo Poder Judiciário caso a caso), correram para mudar:

(     ) suas práticas de relações trabalhistas

(     ) a carga horária exaustiva dos trabalhadores de suas fazendas

(     ) as condições degradantes de trabalho as quais são submetidas centenas de trabalhadores vulneráveis nesse país

( X ) o conceito de “trabalho escravo”

trabalho-escravo4

A bancada ruralista teme que a atual redação do Código Penal – que não define o que é “jornada exaustiva” e “condição degradante de trabalho” – permita interpretações que levem à desapropriação de imóveis rurais das suas próprias terras ou daqueles que ele foram eleitos para defender.

  • Atualmente

O Código Penal define o crime de trabalho escravo como:

“reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto”

  • O texto aprovado

Querem retirar os termos “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho” da definição do crime.

Querem incluir a necessidade de haver ameaça, coação e violência para a caracterização do trabalho escravo. Mas gente, basta o Ministério Público do Trabalho (ou qualquer pessoa sensata) observar um local para saber se é degradante. Basta saber as horas de trabalho para compreender que é exaustiva a carga horária. Não há ciência nisso, são conceitos de senso comum. Mas os deputados querem que se prove que houve violência, ameaça ou coação. Mas aí fica muito mais difícil punir quem comete esse tipo de crime. É quase impossível que se comprove que na fazenda havia essa relação de ameaça, e a maioria dos ruralistas alegará que a pessoa se submetia ao trabalho exaustivo porque queria sem ameaça, sem que fosse obrigada ou violentada para tanto. Quando nós sabemos muito bem que as relações de trabalho são mais complexas do que isso e que a vulnerabilidade do trabalhador – muitas vezes desesperado pelas condições familiares ou enganado com promessa de emprego irreal – conta muito para a submissão a certos tipos de trabalho.

  • Tramitação

O projeto será analisado pelas comissões Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, será votado no Plenário.

Na próxima semana, vou escrever mais sobre o assunto, explicando cada artigo do projeto de lei, ok?

E você, o que acha da flexibilização do trabalho escravo?

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15
maio
2015
Rolou no Facebook / Debates políticos

Oi, gente, bom dia!

Estava me lembrando aqui que nunca mais coloquei no blog uma postagem “Rolou no Facebook”, quando transcrevo alguns dos posts que escrevi nas redes sociais e coloco o link para quem quiser debater mais o assunto conosco. É uma forma de ampliar a discussão política sobre os temas que nos interessaram num período! Como muitos de vocês são leitores do blog mas não necessariamente acompanham a nossa página no Facebook diariamente, com o resumo das postagens aqui você consegue ver os temas que te agradam e colaborar conosco dando sua opinião, né?

Então vamos a algumas das últimas postagens:

  • 14 de maio

O PMDB mandando e desmandando no projeto de Reforma Política, enquanto o povo bate panela! Acorda, minha gente!

  • 14 de maio

Os deputados brigando fisicamente na Câmara dos Deputados, hoje. Depois reclamam que a doleira – em depoimento na CPI, terça-feira – riu da cara deles, mostrou as nádegas e ainda os regeu enquanto, em coro, cantavam musiquinha e sorriam. Se os caras não se respeitam, não é uma doleira bandida que vai respeitá-los. ‪#‎JornalDaGlobo

  • 13 de maio

Foi divulgado, hoje, o mapa da violência no país. Simões Filho (BA) está no topo da lista (novamente) – município mais violento do Brasil. O Brasil fica em 11° lugar, entre 90 países.

  • 03 de maio

Tomara que o secretário do Rio de Janeiro que fez o “mergulho político” pra tentar provar que a água notoriamente imunda está “limpa” pegue hepatite e diarréia. ‪#‎fantástico‬

(não desejo mal a quase ninguém)

  • ‬01 de maio

[ minha carta para Marta Suplicy ]

Martinha,

A gente até concorda com algumas coisas que vc anda falando sobre uns caras do PT, mas a gente te conhece direitinho e sabe que vc também nunca foi flor que se cheire, tá, fofa?
“Aquete o facho”!
Beijo no coração.

  • 30 de abril

Renan Calheiros dando lição de moral, reclamando que articulação política não é só distribuir cargos… Renan! Mas veja só… esse mundo está perdido mesmo. ‪#‎JornalNacional

  • 30 de abril

Pra quem quer intervenção militar, Beto Richa está distribuindo amostra grátis no Paraná…

(se pedir com jeitinho, o Bolsonaro pode até pagar a passagem de vcs pra Curitiba)

  • 29 de abril

[ trocando a “conjunção coordenativa aditiva” pela “conjunção coordenativa explicativa” ]

Lendo sites de notícias mais cedo, vi a matéria “Em carta, Marta diz que foi isolada E critica envolvimento do PT com corrupção”. Eu mudaria para “Em carta, Marta diz que foi isolada, POR ISSO critica envolvimento do PT com corrupção”.

  • 28 de abril

15 pessoas mortas em Salvador, em deslizamentos de terra ocasionados pelas fortes chuvas de hoje. E não se sabe quantas ainda podem estar nos escombros. 600 áreas de risco foram mapeadas e 55 encostas ainda ameaçam deslizar. ‪#‎JornalDaGlobo

  • 27 de abril

Para variar, caos em Salvador por causa da chuva!

No meu caso, quase 6 horas de engarrafamento, e um pneu furado no meio do dilúvio. Muito pior para quem morreu no deslizamento de terra em San Martin (há 18 anos a terra desliza no mesmo local). Muito pior para quem está desabrigado (desde 1h da manhã) por causa do deslizamento em São Caetano (fecharam a BR porque não têm solução há anos). Muito pior para quem passou por medo e tensão na região do Iguatemi (que há anos assiste a região virar um rio quando chove). Pior para quem ficou ilhado em ônibus e carros enquanto a água sobia na Avenida Paralela. Quanto à força da natureza, nada podemos fazer. Mas quanto às (ir) responsabilidades do poder público, é inaceitável ficar calada.

E você, o que acha desses assuntos? Clique no comentário e dê sua opinião no Facebook! Gostaria muito de saber a sua opinião!

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13
maio
2015
Como vivem estrangeiros presos no Brasil depois de cumprir a pena?

Olá, pessoal, bom dia!!!

Ontem, não tivemos atualização n blog porque eu estava muitooo doente, com a garganta super inflamada e só me restou ficar na cama e r para o médico, mas vou escrever sobre vários assuntos hoje para compensar, ok?

O primeiro deles é um tema pouquíssimo debatido:  situação de estrangeiros que cometem crimes e ao cumprir suas penas são soltos e não possuem condições de regressar aos seus países. Vi a notícia no portal UOL e fiquei bem motivada a pesquisar mais sobre o assunto e trazer informações para vocês para discutirmos o tema.

Então, vamos usar aquele formato “Comentando a matéria”, no qual eu transcrevo o texto (em azul) e vou tecendo meus comentários (preto itálico) sobre trechos. Vamos lá?

Condenados estrangeiros vivem limbo ao sair do Brasil na prisão

A cabeleireira Maria (nome fictício), de 60 anos, passou 3 anos e meio presa no Brasil, condenada por tráfico internacional de drogas, após policiais federais encontrarem 2 kg de cocaína em sua mala quando ela esperava no aeroporto de Guarulhos (SP) para embarcar de volta para casa, em um país do centro-sul da África.

Ela conta que veio ao Brasil comprar bolsas e extensões de cabelo, para revender em seu salão de beleza. Mas alega que foi enganada por seu contato no país, que teria colocado as drogas em sua mala sem o seu conhecimento.

Não raro a mídia relata casos de estrangeiros em situação de vulnerabilidade econômica ou com pouca instrução que são enganados por quadrilhas, companheiros ou amigos e levados a transportar, muitas vezes sem seu conhecimento, drogas ilícitas para outros países.

Maria ficou detida na Penitenciária Feminina da Capital, na zona norte de São Paulo, e em novembro passado ganhou o direito de cumprir o restante da pena – que acaba em dezembro de 2016 – em liberdade condicional.

Vale ressaltar  que 90% dos presos estrangeiros no Brasil cumprem pena por tráfico internacional de drogas. Atuam como “mulas” do tráfico. E em regra, as mulheres que traficam são enganadas por companheiros ou amigos, como citei acima. Dificilmente se trata, ela, de traficante com relevância na cadeia do tráfico, mas de pessoa usada para realizar atividades nas quais os homens não querem se expor.

O problema é que, sem falar português, sem conhecer ninguém, sem ter acesso a documentos ou formas de conseguir trabalho, Maria ficou à deriva na metrópole.

Segundo estudo, a maioria gostaria de cumprir pena em seu pais e reclama da demora os ritos processuais no Brasil. A grande dificuldade da Defensoria Pública para defende-los, é a língua. Outro entrave é a produção de provas que, geralmente, deveria ser feita no país de origem.

“Todo o dinheiro que eu tinha comigo usei para pagar aluguel de um quarto”, diz Maria à BBC Brasil, em inglês. “Não conheço ninguém aqui. Vou para lá e para cá procurar emprego e não consigo, porque me pedem a carteira de trabalho. Quero ir para minha casa.”

Maria recebe o auxílio jurídico da ONG Instituto Terra, Trabalho e Cidadania, que averiguou que o inquérito de expulsão dela tramita desde 2011, mas não avançou.

Esse tipo de inquérito, instaurado para os estrangeiros condenados por crimes considerados graves (tráfico internacional de drogas incluído), passa pelo Ministério da Justiça e a Polícia Federal e pode demorar meses ou mesmo anos.

A etapa seguinte prevê que os estrangeiros aguardem a compra da passagem aérea (feita pelo governo brasileiro), sejam escoltados ao aeroporto e enviados a seu país de origem, sem poderem mais voltar ao Brasil. Esse trâmite também costuma ter prazo indefinido.

Em janeiro, o governo brasileiro regulamentou também a legislação que possibilita que os estrangeiros nessas condições residam no país. Mas a falta de celeridade do Judiciário brasileiro atrapalha as pessoas que necessitam de soluções para retornar aos seus países de origem.

Maria também aguarda, no momento, a emissão de um Registro Nacional de Estrangeiro que lhe permita buscar emprego enquanto cumpre o resto de sua pena e não pode sair do país. Sem ele, por enquanto, só lhe resta tentar bicos como cabeleireira.

Segundo especialistas consultados pela BBC Brasil, muitas histórias de presos estrangeiros têm semelhanças com a de Maria: depois de cumprirem suas penas e às vezes durante a liberdade condicional, eles vivem um limbo, por não terem direito (ou dinheiro) para voltar ao seu país por conta própria, ao mesmo tempo em que enfrentam dificuldades para obter trabalho ou moradia.

Além da língua ser um grande problema para a comunicação, para arranjar emprego, para conseguir se socializar.

Muitos sobrevivem em subempregos, e alguns acabam reincidindo no crime.

Resolução

O Ministério da Justiça informou à BBC Brasil que, no ano passado, foram instaurados 40 inquéritos de expulsão e 223 portarias de expulsão (fase anterior do processo) e ressalta que o procedimento envolve diversas etapas, desde a coleta de provas à manifestação da defesa.

Os dados mais recentes do Departamento Penitenciário, de junho de 2013, dão conta de 3.191 presos estrangeiros no país – a maior parte deles vinda dos continentes americano e africano -, e muitos deles possivelmente passarão por experiência parecida com a de Maria.

O defensor Daniel Chiaretti, da Defensoria Pública da União, explica que estrangeiros em liberdade condicional têm direito à regularização migratória, ainda que muitos aguardem meses pela expedição de documentos e carteiras de trabalho.

“E quem cumpriu a pena fica à deriva mesmo. Quando essa pessoa está detida ao final do cumprimento da pena, costuma ser expulsa do país mais rapidamente, em casos considerados mais prioritários”, diz ele.

Importante:

“Se ela está fora da prisão (por exemplo, em condicional) quando sua pena acaba, ela fica sem direito à regularização migratória até a expulsão, processo que pode levar anos ou (seguir) indefinidamente, já que a verba do governo para executá-las é restrita. Muitos vão para o mercado informal, em trabalhos degradantes como o de homem-placa. Os que constituem família no Brasil às vezes conseguem se naturalizar.”

Uma resolução publicada no ano passado pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), ligado ao Ministério do Trabalho, ajudou a unificar o tratamento jurídico dado a presos estrangeiros e a lhes garantir direitos concedidos a outros detentos, como liberdade provisória e progressão da pena.

Mas, segundo o ITTC, esse avanço trouxe consigo alguns efeitos colaterais.

“É ótimo poder recorrer de sua pena em liberdade, mas os estrangeiros não contam com nenhuma estrutura, com sequer uma política de albergues. A maioria fica sem seu passaporte (retido nas investigações). E, sem visto (de trabalho), como eles vão viver?”, aponta Isabela Cunha, advogada do ITTC.

A regulamentação da Resolução Normativa 110, do Conselho Nacional de Imigração (CNIG) supre uma lacuna e possibilita a regularidade migratória. Antes, o estrangeiro cumprindo pena não poderia regularizar sua situação e nem tinha garantido seu retorno ao país de origem. Com a regulamentação, facilita a concessão de progressão de regime ou liberdade provisória.

Também auxilia na ressocialização dos que pretendem obter residência provisória, que passam a possuir endereço – o que auxilia para conseguir emprego e melhor ambiente social.

Dificuldades

A ONG acompanha o caso de cerca de 400 mulheres estrangeiras no país, muitas em situação precária. O desalento é maior em casos de estrangeiros vindos de países pobres, que têm menos assistência consular.

Segundo o ITTC, entre as estrangeiras, muitas são presas ao se arriscar a transportar drogas internacionalmente para sustentar famílias pobres ou são usadas como “iscas” por traficantes para serem pegas nos aeroportos. Sem amparo no país após cumprir a pena, se tornam vulneráveis.

Aquela questão que conversamos acima, sobre a vulnerabilidade da mulher diante do crime. Mulheres de países pobres e com uma série de dependências (psicológicas e materiais) terminam se tornando iscas fáceis para traficantes.

“Acabam fazendo faxina por menos do salário mínimo; algumas se envolvem de novo com aliciadores ou acabam sendo presas novamente, por pequenos roubos ou envolvimento com drogas.”

Cunha recorda da história de uma egressa latino-americana que engravidou no Brasil.

“(Após cumprir a pena), ela vivia praticamente em situação de rua, e o bebê foi levado a um abrigo. A mãe acabou perdendo a guarda e a criança foi adotada. Ela não tem mais como recuperá-la.”

No CRAI (Centro de Referência e Acolhida para Imigrantes no centro de São Paulo), que dá abrigo e atendimento a estrangeiros no país, estão duas mulheres que, em liberdade provisória, tentam conseguir emprego enquanto aguardam o cumprimento de sua pena, explica Cleyton Borges, integrante da Sefras (entidade franciscana que administra o centro em parceria com a prefeitura).

Borges cita uma portaria de janeiro, emitida pelo Ministério da Justiça, que permite que o estrangeiro em condicional ou no regime semiaberto tire carteira de trabalho.

O ministério agrega que a portaria tira do caminho entraves administrativos que “provocavam graves dificuldades para os presos serem ressocializados em condições isonômicas no Brasil”.

Mas não é uma solução total, diz Borges. “Existe desde o contexto carcerário como um todo – tanto estrangeiros quanto brasileiros sofrem muito preconceito e violência institucional, o que os penaliza além da pena – até o excesso de burocracia envolvendo os estrangeiros.”

A Carteira de Trabalho apenas não resolve, quando se tem preconceitos por se tratar de ex-presidiário, dificuldades de comunicação, língua diferente, falta de qualificação adequada, nível de instrução muito baixo. É necessário que se ampare de forma mais realista os estrangeiros (especialmente as mulheres) nessas condições.

Reforma

Para Chiaretti, da Defensoria, a saída seria agilizar os processos jurídicos e burocráticos via reforma do Estatuto do Estrangeiro, atualmente em debate no governo, “com leis mais modernas de regularização dessas pessoas”.

“Até para os padrões latino-americanos, nossas leis são atrasadas (nessa questão)”, diz.

Os especialistas consultados pela reportagem defendem, também, a expulsão antecipada de alguns presos a seus países, enquanto ainda cumprem sua pena.

“Isso precisaria ser visto caso a caso, mas pessoas que já cumpriram parte da sua pena e não têm interesse em ficar no Brasil poderiam ser expulsas. O que elas vão ficar fazendo aqui?”, diz Cunha, do ITTC.

Se as pessoas querem retornar para seus países, por vínculos familiares, não vejo nenhum motivo para que não se defira o retorno imediato. inda que não cumpram pena lá, o custo social e financeiro para o Brasil é muito alto em mantê-los. Além de impactar o sistema penitenciário, aumenta o número de processos e deixa os cidadãos expostos a mais criminalidade. Se o Brasil não tem como amparar de forma séria, suprindo necessidades educacionais e profissionais dessas pessoas e garantindo direitos mínimo e vida com dignidade, não há motivos para mantê-las aqui.

Ainda é possível transferir alguns presos para seus países de origem, mas poucos países têm tratado com o Brasil para tal.

O Ministério da Justiça afirmou que existe um grupo de trabalho interministerial que desde 2014 “tem a finalidade de elaborar propostas e definir diretrizes quanto à situação de presos estrangeiros no país”.

E vocês, o que acham sobre o assunto? Já tinham lido a respeito?

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11
maio
2015
Transgênicos e a Ditadura Alimentar

Olá, pessoal, boa tarde!

Aproveitando essa tarde de segunda-feira para trazer um assunto que não foi muito abordado na grande (e tradicional) mídia e que impacta nossa alimentação, saúde e vida!

No finalzinho de abril (dia 28), o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que acaba com a exigência do símbolo de transgenia nos rótulos dos produtos com organismos geneticamente modificados (leia o projeto na íntegra aqui -> PL-4148/2008). 320 votos favoráveis, contra 135 contrários passaram o projeto pela Casa. Agora, segue para o Senado para discussão e votação.

Não vi muitas discussões com a sociedade sobre o tema, especialmente por se tratar de assunto que os deputados costumam “legislar em causa própria”. Digo isso porque fui pesquisar mais sobre os envolvidos na apresentação do projeto e não foi difícil descobrir o óbvio: que se trata, especialmente o autor do projeto, de latifundiários. (ops, esqueci que segundo a Ministra da Agricultura não existe mais latifúndio no Brasil)

O autor do PL 4148/2008 é o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS). Vamos ao perfil dele:

  • orizicultor gaúcho – grande plantador de arroz
  • membro da bancada ruralista – como se vocês não já desconfiassem disso, né?
  • afirmou que “quilombolas, índios, gays, lésbicas” são “tudo que não presta” (veja matéria)
  • em audiência pública sobre a demarcação de terras indígenas, orientou os agricultores a contratarem milícias rurais contra os índios (leia)
  • participou do Leilão da Resistência, promovido para arrecadar dinheiro para a formação de milícias privadas contra índios
  • é favorável ao Código Florestal – obviamente (leia)
  • defende a isenção de PIS/PASEB e Cofins sobre a comercialização de lãs de ovinos (veja) – claro, porque não tem motivos para grandes criadores pagarem impostos sendo que eles elegem seus representantes justamente para defender suas causas em Brasília
  • ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária
  • votou contra a PEC do Trabalho Escravo (saiba mais)
  • liderou 15 de abril a aprovação – pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural – uma alteração no Código Penal que dificulta a caracterização do trabalho escravo e a fiscalização deste tipo de crime
  • está na lista de suspeitos da Lava Jato – para completar!

Estou citando o perfil do parlamentar que propôs a matéria para que possamos perceber as intenções que existem e quais os interesses que ele defende do Congresso Nacional. Sempre que nos deparamos com um autor ou relator de projeto de lei, esse exercício é interessante, pois já responde muito sobre quais decisões (de gabinetes, conchavos, acordos, financiamentos de campanha, empresas particulares) norteiam a argumentação do parlamentar e o que ele quer normatizar usando o processo legislativo. Você não acha que alguém com essas bandeiras de luta tem qualquer interesse republicano no Congresso ou está preocupado com as consequências nefastas de seus atos para a saúde pública.

Mas vamos ao texto do projeto de lei:

O texto disciplina que:

  • não precisa mais o “T” de transgênicos nos rótulos das embalagens de alimentos
  • nos rótulos de embalagens para consumo final de alimentos destinados ao consumo humano ou vegetal, deve constar a presença de transgênicos apenas se em índice superior a 1% da sua composição final
  • mantem a regra que permite que alimentos sem transgênicos contenham a indicação “livre de transgênicos”

Na prática, o projeto revoga o Decreto 4.680/03, que já regulamenta o assunto e que impunha que o consumidor seja informado sobre a espécie do gene no local reservado para a identificação de ingredientes. O mega agricultor autor do projeto afirmou que “o transgênico é um produto seguro”. Sei…

A notícia boa é que o texto continua a exigir a comprovação por meio de análises, que custam caro para o latifundiário.

Consequências do Projeto de Lei:

Esse projeto priva sua liberdade de escolha, seu direito de saber se há ou não transgênicos e a quantidade exata. Informações passaram a ser privadas e viveremos uma ditadura alimentar na qual sequer teremos conhecimento sobre o que estamos realmente ingerindo. Lembrando que se tratam de alimentos que podem causar câncer e que não sabemos ainda os danos a longo prazo para a saúde humana. O projeto – assim como vários outros que vêm sendo aprovados enquanto o povo está inocentemente bradando nas ruas e batendo panelas – caracterizam o que eu chamaria de Era do retrocesso na legislação.

Opiniões de mais alguns deputados: (fonte: Site da Câmara dos Deputados)

* Alessandro Molon (PT-RJ): “É correto sonegar ao consumidor essa informação? Está certo tirar o direito de saber se tem ou não transgênicos?”.

* Darcísio Perondi (PMDB-RS): defendeu a medida, “Disseram que os transgênicos poderiam causar câncer. Agora renovam a linguagem.”

* Sarney Filho (MA): “O texto mexe naquilo que está dando certo. O agronegócio está dando um tiro no pé. Por que retroagir?”

* deputado Domingos Sávio (PSDB-MG): 90% da soja e do milho comercializados no Brasil têm organismos transgênicos. “O projeto é excelente, garantimos o direito do consumidor ser informado”, disse.

* Ivan Valente (Psol-SP): enquanto outros países proíbem completamente o uso de alimentos transgênicos, no Brasil se busca “desobrigar a rotulagem dos transgênicos e excluir o símbolo de identificação”.

* Bohn Gass (PT-RS): era necessário manter o símbolo da transgenia nos produtos. “Qualquer mudança vai prejudicar o consumidor.”

* Moroni Torgan (DEM-CE): “Por que a diferença entre corante, conservante, agrotóxico e transgênico na embalagem? Se é para colocar letra grande para transgênicos, por que estão usando dois pesos e duas medidas?”

* Padre João (PT-MG): a proposta só beneficia as grandes multinacionais do setor agropecuário que vendem sementes transgênicas. “Não podemos ficar a serviço das grandes empresas, devemos ter respeito ao consumidor”

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Vou pesquisar mais sobre onde comprarmos produtos orgânicos em Salvador, e alimentos industrializados que não possuem substâncias transgênicas na composição, para indicar para vocês, ok?

E vocês, o que acham da retirada do “T” de “transgênico” das embalagens dos produtos?

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06
maio
2015
Impeachment de Dilma: Aécio X PSDB

Bom dia, genteee!!!!

Vamos começar o dia com um assunto que não é novidade: o suposto pedido de impeachment de Dilma – tão clamado por alguns partidos políticos e líderes partidários. Devaneios a parte, venho falar com vocês sobre a discussão que envolve internamente o PSDB, maior partido de oposição à presidente Dilma (por que vocês não acham que eu considero o PMDB algo mais do que “oportunistas do momento”, né? Bondade demais da parte de quem chama o PMDB de oposição).

Então, vamos lá…

Desde o final das eleições 2014 que muitos cidadãos, grupos organizados e partidos políticos pedem o afastamento da presidente Dilma mediante processo de impeachment. Eu fico extasiada toda vez que vejo um líder partidário escrever frases de efeito nas redes sociais ou gravar vídeos bradando “Fora, Dilma!”. Não que não tenham esse direito. Tem! (bendita liberdade de expressão) Mas falta responsabilidade, né? E falta, acima de tudo, esclarecer às pessoas que curtem e compartilham esse tipo de informação  quais as verdadeiras motivações que levam esse ou aquele grupo político a chancelar essas ideias. (mas, anotem a regra: dificilmente os motivos que levam um político a se manifestar contraria ou favoravelmente a algo serão os mesmos motivos que levam VC a ter a mesma opinião)

Alguns partidos políticos vêm manifestando apoio explícito ao impeachment de Dilma. Outros, caso do PSDB, trabalham nos bastidores: incitando a população que adere a esse tipo de ideia, mas se escondendo quando se trata de declarar o apoio publicamente. Vão jogando! Na medida em que a população ganha cada vez mais as ruas, eles vão financiando grupos da sociedade civil (tipo o PT faz, sabe?), vão plantando notícias, e colaborando com o sangramento ininterrupto de Dilma. Assim fica fácil, ao se posicionar – posteriormente – colocar sua decisão sob a responsabilidade dos “anseios populares”. (anseios esses conduzidos previamente e manipulados próprio partido)

Não estou criticando quem corrobora a tese do impeachment.

Estou apenas levantando duas questões iniciais: 1. não se deixar conduzir por qualquer que seja o grupo partidário, sempre priorizando ouvir os dois lados e formar sua própria opinião; 2. a irresponsabilidade de grupos políticos que possuem extremo conhecimento jurídico e administrativo e que, por conveniência, apoiam medidas incapazes de solucionar os problemas – e, no caso do impeachment, de caráter jurídico duvidoso.

No PSDB, o presidente nacional da legenda vinha se posicionando favoravelmente ao impeachment e alguns parlamentares o apoiavam (acreditando muito mais na força das urnas e no levante de uma parcela da população, do que em tratados de Direito Público). Após o racha público – com as manifestações de José Serra e Fernando Henrique Cardoso dando conta de que o pedido não tinha cabimento jurídico e que não comungariam ao desatino aecista – o ex-presidenciável voltou atrás.

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Inicialmente, Aécio postergou a decisão sobre pedir o impeachment de Dilma Rousseff para o início de maio. O tucano foi pressionado por correligionários que queriam a imediata apresentação do pedido de impeachment da presidente. Alguns veículos de comunicação creditam a Aécio os super poderes de ter convencido a bancada a “pensar melhor” e aguardar a articulação com outros partidos. Por essa versão (divulgada, inclusive, pela Folha de São Paulo), Aécio é o “sensato” que espera os melhores momentos e “convence” os demais a aguardar o momento certo. Mas não é bem assim. Aécio viu que seu posicionamento radical e panfletário não encontrava guarida entre os mais experientes do partido, como FHC, Aloysio Nunes e José Serra. Assim, deu uma recuada estratégica e, argumentando aos demais parlamentares que faziam coro às suas ideias, conseguiu ganhar mais tempo (até hoje, prazo para o partido formular um posicionamento em consenso).

Hoje, com a clara divisão no PSDB, ele adiou a decisão para o final de maio, dia 20. A falta de consenso no PSDB é um sintoma claro de que não há indícios legais suficientes para formular o pedido. Mas, assim como a população que toma as ruas, uma parcela do partido acredita que conseguirá articular forças políticas para a medida. O que, em nosso entendimento, é uma gravíssima afronta à Democracia.

Não se pede o afastamento de uma presidente por indícios de envolvimento, sem provas ou por mero capricho político.

Notem que nem falo em “afastar a presidente”, mas em “pedir o afastamento”. O simples pedido ou manifestação pública de apoio a uma tese que não coaduna com os valores de uma Democracia já é um grave ato de um partido político. É preciso respeitar as regras do jogo.

Para adiar a decisão, Aécio usou como argumento as novas investigações e documentos sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas – que coloca Dilma como personagem fundamental das investigações.

Aécio vai se reunir com Miguel Reale Júnior – ex-ministro – para discutir o parecer jurídico que está sendo elaborado para dar base ao pedido de impeachment. Insistente, e decidido a convencer a parcela da cúpula do partido (mais racional, experiente, democrática e sensata), Aécio acredita que o parecer dará substrato para o pedido de perda do cargo de Dilma. Ele também conta com convencer outros partidos – já simpáticos à ideia – a se unir na sua empreitada.

Se tivesse dispendido tanta força, empenho e energia (que está dispendendo para fazer Dilma sangrar), articulando no Senado, realizando militância de verdade, percorrendo o Brasil nos últimos 10 anos, não compondo com o PT em seu estado, fortalecendo as bases do partido, organizando a juventude partidária, ouvindo os movimentos sociais, não silenciando diante do cenário político, se colocando diante da agenda nacional… ou seja, fazendo política de verdade e trabalhando, não estaria (porque não precisaria), em pleno 2015, tentando ganhar no “tapetão”.

Para quem se interessa pelo tema, fiz uma seleção de matérias. Vem ver:

E vocês, o que acham dessa história de impeachment? Concordam? Deixe seu comentário aqui ou nas redes sociais!

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30
abril
2015
Fundo Partidário: o que é, o aumento e a “pegadinha do malandro”

Oi, gente! Boa noite.

Um dos assuntos mais comentados na política desde a semana passada é o aumento do Fundo Partidário. Aí, para abordar esse tema que é meio chatinho e muita gente não sabe como funciona, resolvi escrever esse post com um Resumão das matérias que li e das articulações em torno da aprovação dessa medida.

Primeiro é importante a gente atentar para o que é o Fundo e porque ele existe.

Separei algumas notícias interessantes e conceitos jurídicos para que a gente possa debater melhor o tema.

Fundo Partidário

O que é?

O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, é um dinheiro mandado pelo Governo para os partidos políticos.

Quem recebe o dinheiro?

Partidos políticos que tenham seu estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e estejam com as prestações de contas regulares perante a Justiça Eleitoral. O dinheiro serve para o funcionamento das agremiações.

De onde vem o dinheiro?

A maior parte sai do nosso bolso. O Fundo Partidário é constituído por:

  • dotações orçamentárias da União, em valor nunca inferior, cada ano, ao número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco centavos de real (a conta é complicada, mas garanto a vocês: é muito dinheiro);
  • multas, penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis;
  • recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual;
  • doações de pessoa física ou jurídica, efetuadas diretamente na conta do Fundo Partidário.

Os valores são repassados mensalmente aos partidos políticos.

Os partidos recebem o mesmo valor?

Não, depende do partido.

Critério para calcular o valor:

– 5% (cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos aptos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral;

– 95% (noventa e cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão distribuídos a eles na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

A confusão envolvendo Dilma

A presidente Dilma sancionou o orçamento para 2015, nele, constam todos os gastos que o governo fará. Um desses gastos – previsto no orçamento porque a lei obriga – é o valor que será repassado pelo governo aos partidos políticos. No orçamento de 2015, a previsão é que se repasse aos partidos políticos 3 vezes mais  que no ano anterior: R$ 867,5 milhões. Dilma poderia vetar essa parte que fala do aumento aos partidos. Mas ela não vetou.

aumento do fundo partidário de R$ 327 milhões para R$ 867,5 milhões

Virou uma polêmica! E muita gente passou a criticar Dilma por causa do aumento.

Eu acho o aumento um absurdo sem precedentes, por vários motivos:

  • boa parte do dinheiro é desviado pelos partidos políticos (pois a fiscalização é pequena)
  • partido político no Brasil é, em regra, patrimônio familiar e de “patotinhas” que comandam a política nos rincões desse país
  • vivemos um momento de crise econômica e cortes nos gastos públicos

Mas eu compreendo que existem mais questões nessa história:

  • não dá para criticar apenas a Dilma porque a culpa não é exclusivamente dela
  • Dilma sancionou, mas a proposta já tinha sido aprovada pelo Congresso Nacional
  • os deputados e senadores não divulgaram que aprovaram o projeto, apenas jogam a culpa no colo dela

Você deve estar se perguntando porque Dilma aprovou uma barbaridade dessas então…

Gente, a sanção de Dilma (dando aos partidos o triplo do valor) era parte de um conchavo acordo com a Câmara dos Deputados (parlamentares e seus partidos políticos).

Foi assim: primeiro os alguns partidos se articularam para colocar o aumento no orçamento. Colocaram através de acordos nos bastidores – o que beneficia a todos eles. Em seguida, eles (comandados pelo PMDB) resolveram pressionar ainda mais e mandaram um ofício implorando que ela sancionasse, pelo bem dos partidos políticos (que exercem papel fundamental nos sistemas democráticos – que drama kkkkk).

Olha o documento:

documento-dos-partidos1

Dilma sancionou por pressão do seu partido (o PT), o PMDB (partido aliado que vem comandando uma baderna e chamando isso de oposição) e outros partidos (alguns nanicos, que servem para fazer coro a tudo que Eduardo Cunha quer e se beneficiar nas rabeiras – sabe “rêmoras”?) Mas, em que pese o documento enviado para Dilma, publicamente alguns partidos criticaram a medida.

PT e o aumento do Fundo Partidário

O partido que mais receberá dinheiro é o PT – investigado em denúncias de corrupção envolvendo justamente o tesoureiro recém afastado do cargo. A fatia destinada ao PT sobe de R$ 39 milhões (2014) para mais de R$ 100 milhões (2015).

Por que o PT defendeu o aumento do fundo:

  • o partido teme ter as contas bloqueadas a qualquer momento e vai precisar de dinheiro;
  • como proibiu que seus diretórios recebam doações de empresas (a decisão tem que ser referendada no congresso do PT, em junho, aqui na Bahia), conta com o recebimento do fundo partidário – agora aumentado;
  • critica a demora do STF em decidir sobre o financiamento público de campanhas, então o impôs por essa via.

PMDB e o aumento do Fundo Partidário

O segundo partido mais beneficiado – e que mais pressionou Dilma pela sanção – foi o PMDB.

Vivendo um momento de dupla personalidade – oposição diante da mídia; situação nos bastidores, cobrando cada vez mais espaço/cargos/ministérios/poder/contratos de Dilma (o que eu chamo de “dupla personalidade”, Cid Gomes chama de “achaque”) – o partido tratou logo de sair com mais uma daquelas pérolas do cinismo (especialidade da casa).

O presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, disse que Dilma “escolheu o pior, pois deveria ter vetado esse aumento, como muitos setores exigiram”. Ou seja, o partido pressionou Dilma pela sanção, mas diante da opinião pública mostrou-se indignado com a medida da Presidente. Nada de novo no comportamento do PMDB, né?

Dilma caiu na pegadinha do malandro

Óbvio que o PT é beneficiado pelo aumento do Fundo e isso possibilita a estratégia que traçaram para o Congresso do partido, mas não dá para ignorar que rolou uma “pegadinha do malandro” muito bem montada pelo PMDB.

Vamos ver os acontecimentos em ordem cronológica:

  • o PMDB queria o aumento do fundo partidário e defendeu-o nos bastidores
  • 2°  o aumento da verba para o fundo foi incluído pelo relator do Orçamento, senador Romero Jucá. Vocês imaginam de que partido ele é? Isso! Acertaram, do PMDB.
  • 3° Jucá argumentou dizendo que aumentar o Fundo valeria como um teste para a tese do financiamento público de campanhas eleitorais
  • 4°   com esse argumento, Jucá fez parecer que o PMDB estava aliado à tese do PT, de financiamento público
  • 5°  os partidos nanicos logo perceberam que sairiam beneficiados, com o aumento da verba para todos
  • 6°  o PMDB — que é favorável às doações de empresas — passou a pedir publicamente que Dilma vetasse a ampliação, alegando que os recursos triplicados para o fundo prejudicariam o ajuste fiscal defendido pelo governo
  • 7°  com o pedido público do PMDB para Dilma vetar, a presidente ficou numa situação complicada: não poderia desfazer o acordo que já estava firmado nos bastidores (com o próprio PMDB), mas ficou com o abacaxi no seu colo, pois se sancionasse a opinião pública a criticaria

Argumento do PMDB para mudar de opinião:

O PMDB argumentou na mídia que estava mudando de opinião e colocando-se – agora – contrário ao aumento numa tentativa de “corrigir” um erro. O PMDB adotou a estratégia de omitir nas declarações públicas que foram eles que inseriram o aumento do fundo partidário e negociaram diretamente com os outros partidos. Como a grande parte da população desconhece essa informação, ficou parecendo que o partido apenas refletiu melhor sobre sua postura acerca do aumento e voltou atrás, resolvendo não o apoiar mais. Toda a articulação do partido ficou escondida numa névoa muito bem criada.

O pepino agora estava nas mãos de Dilma, com a mídia falando o tempo todo no assunto e a população querendo o veto.

Se Dilma vetasse:

* inviabilizaria estratégias políticas do PT e diretórios por todo o país

* descumpriria o acordo com os partidos políticos envolvidos

* desagradaria partidos nanicos, que servem de legenda de aluguel e que são compostos pelo baixo clero conduzido por Eduardo Cunha (PMDB)

* daria mais munição para o PMDB alegar descumprimento do acordo e reclamar de dificuldades para o Congresso conseguir dialogar com a ela

* agravaria a crise com os parlamentares (relação já difícil)

Seguindo nossa ordem cronológica:

  • o PMDB critica Dilma e anuncia que abrirá mão de “parte” do Fundo Partidário, o que não significa nada diante dos custos do Estado.

Resultado:

  • Dilma ficou com péssima imagem diante da população
  • PMDB fingiu (bem) que era contra a medida APENAS diante da mídia
  • quase nenhum veículo de comunicação mencionou que a emenda que incluiu o aumento foi do PMDB
  • o povo nem sabe da existência do ofício (assinado pelo PMDB e outros partidos), pedindo a Dilma sancionasse o aumento do fundo partidário
  • a grande mídia enfatizou a incoerência de Dilma aumentar o fundo partidário num momento de crise e a boa ação do PMDB em abrir mão do fundo
  •  peemedebistas deram diversas entrevistas acusando a presidente de favorecer partidos num momento de crise e encenaram preocupação com o povo e as contas públicas

Dilma caiu na armadilha!

Momento político:

O aumento vem num momento em que o Governo cortou gastos áreas fundamentais, como a educação.

O aumento do dinheiro público dado aos partidos cria animosidades com o povo, em um momento no qual os partidos perderam a credibilidade.

Legislação:

Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, alterada pela Lei nº 11.459/2009
Dispõe sobre partidos políticos, regulamenta os arts. 17 e 14, § 3º, inciso V da Constituição Federal – Capítulo II.

Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997
Estabelece normas para as eleições.

Resolução-TSE nº 21.975, de 16 de dezembro de 2004
Disciplina o recolhimento e a cobrança das multas previstas no Código Eleitoral e nas leis conexas, e a distribuição do Fundo Partidário – em fase de alteração.

Resolução TSE nº 23.432/2014
Regulamenta o disposto no Título III da Lei nº 9.096/1995 – Das Finanças e Contabilidade dos Partidos – Prestação de contas partidárias.

Portaria-TSE nº 288, de 9 de junho de 2005
Regulamenta a Resolução-TSE nº 21.975/2004 – em fase de alteração.

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29
abril
2015
Deputada blogueira conta bastidores da Câmara (só que não)

Oi, gente!

Na segunda-feira passada, cedinho, vi no jornal Folha de São Paulo uma notícia: Deputada blogueira narra bastidores da Câmara na internet.

Durante o dia e ontem, com o caos que se instalou em Salvador, não consegui passar a informação para vocês aqui no blog, mas chegando em casa agora a noite corri para contar a novidade. Renata Abreu é empresária, advogada, deputada federal pelo PTN-SP, presidente estadual do Partido Trabalhista Nacional e vice-presidente nacional da legenda. Está deputada federal pela primeira vez e teve uma ideia inusitada: lançar um blog no qual conta o dia a dia do trabalho em Brasília, ressaltando os bastidores da Câmara – aquilo que ninguém em vê.

Colega de profissão – refiro-me a “blogger” -, e desconhecedora de que temos uma parlamentar blogueira, corri para a página da deputada para ler suas postagens e avaliar. Logo vi que desde o início do ano (fevereiro), Renata narra fatos que considera inusitados, em seu diário virtual dos bastidores da Câmara.

Vou começar trazendo algumas informações que li na Folha de São Paulo. A deputada teve a ideia de se tornar blogueira para dar transparência ao mandato, e mostrar as dificuldades de um político. Segundo ela, não tem “amarras com ninguém”. Como exemplo, ela cita as votações simbólicas da Câmara dos Deputados, quando o painel de votação não é usado: “Têm vezes em que o presidente da Câmara ­­­­­­fala o costumeiro “quem está de acordo permaneça como está” e todo mundo se levanta. Mesmo assim, ele anuncia “aprovado”.

Segundo o jornal, os comentários são gravados em um aplicativo de voz em seu celular e a assessoria transcreve para o blog. No blog, ela reclama do broche de identificação dos deputados (“fura toda a nossa roupa; o apetrecho foi planejado para os homens, que têm lapela nos ternos”), do uso de manobras regimentais para travar a votação de matérias; e das combinações para o comando da comissão da Reforma Política.

  • O que achei do blog

Inicialmente achei a ideia super bacana: quem não acha interessante que um parlamentar conte os bastidores do Congresso, suas dificuldades e como se dão as votações e discussões internas, longe dos holofotes?

Mas quando fui ler para o blog percebi que não cumpre o que promete! Longe disso…

Primeiro, quem escreve é a assessoria. Isso era de se imaginar. A deputada apenas grava um áudio que é transcrito. Isso não é manter um blog. E tem mais, achei os textos muito superficiais e com temas beeem bobos. Pode até ser engraçadinho ler uma deputada falar que chegou meia-noite no gabinete sem ter noção de tempo avisando aos assessores que não despacharia mais naquele dia. Ok. Mas não tem relevância nenhuma, nem se presta a explicitar os “bastidores” da Casa.

Sem nenhuma informação de conteúdo relevante e prático, a deputada perde a oportunidade de escrever mais sobre o que de fato interessa ao povo. Em qual votação estava? Do que tratava a matéria? Qual a opinião sobre o assunto. Sem nenhum conteúdo e uma historinha bem sem graça, o texto ficou infantil, me senti lendo o diário de uma adolescente de 14 anos.

Não é exatamente o que esperava ao acessar o blog pela primeira vez. Em outro post ela reclama de quem reclama dos políticos generalizando-0s. Antes, havia escrito sobre as dificuldades de atender a todos, post que termina com um infantil: “Conciliar tudo isso não é fácil e as pessoas não são compreensivas. O mais engraçado é as pessoas querendo chamar a atenção, que estão vivas… Então, amigo que é amigo está sempre presente, independentemente de estar a seu lado fisicamente.” (???)

O blog não tem fotos da atuação parlamentar nem links de projetos, discussões, matérias, propostas. É bem simples e pouco informativo. Uma reclamação recorrente da deputada é sobre o dia exaustivo e o clima tenso. Não diga?!! (se fosse tão ruim, vocês não estavam todos se matando, abandonando família, brigando, fazendo conchavo, vendo a alma, pra conseguir uma vaga)

Nada no blog sobre articulações, nada sobre os nomes dos parlamentares de algumas historinhas que ela conta (sem nomes, não dá, deputada), nada sobre o posicionamento diante da agenda política do país. Sinceramente: embora seja favorável a todo e qualquer instrumento que aproxime o político dos cidadãos, não vi isso no blog da deputada. Sem interação, com poucas postagens, textos sobre uma ou outra curiosidade; o blog chama atenção pela ausência de posicionamentos claros (apenas cita um ou outro projeto), pela falta de conteúdo informativo e nenhum posicionamento relevante.

Algumas pautas gerais que sugiro à deputada:

  • acordos pelo apoio do partido nas votações de projetos;
  • conchavos nos bastidores de partidos políticos;
  • partidos políticos e feudos familiares;
  • concessão para emissoras de rádio e televisão;
  • ligação do parentes com José Dirceu;
  • parente procurador de empresa sediada no Panamá (que ninguém sabe quem é o dono);
  • suposto pagamento de governanta com dinheiro público;
  • pagamento de funcionários das empresas particulares com dinheiro público (nomeados na Câmara).

Não estou dizendo que é o caso da família dela, mas acho que vale a pena jogar no google para e pesquisar melhor.

É claro que sou super a favor da transparência pública e de mais instrumentos que possibilitem isso. Que a deputada continue em seu intendo, mas além de reclamações e enrolação, não vi mais nada. Pagar de “transparente” fazendo cara de surpresa ao descobrir que os deputados não leem projetos na íntegra, postar fotinha da Câmara escura depois de meia-noite e citar surpresa com a “correria” é fácil. Mas pagar de ingênua e inexperiente fazendo crer que os bastidores são o que não são, e que nada sabe dos bastidores nos quais sua família transita com toda facilidade do mundo não vai convencer nenhum leitor minimamente atento. É só conversa!

A Folha de São Paulo realmente forçou na amizade na matéria, viu?

Ah, a Renata entrou na política pelas mãos do pai, o ex-deputado José de Abreu (PTN-SP) e teve 86.647 votos.

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27
abril
2015
Terremoto no Nepal

Olá, pessoal, boa tarde!

Manhã de chuva e caos em Salvador, fiquei ilhada no trânsito e não tive como trazer novas postagens logo cedo. A Defesa Civil já registrou 114 ocorrências de deslizamentos, desabamentos, alagamentos e ameaças. A cidade passa por um momento difícil, com 7 mortos em um deslizamento de terra, desabrigados e ônibus e carros ilhados em diversos pontos da cidade.

Esse caos causado por apenas 3 horas de chuvas nos leva a refletir não só sobre dificuldades de nossas cidades e país, mas também sobre desastres ambientais de maiores proporções. Sem minimizar as mortes ocorridas em Salvador (porque independentemente da quantidade de vítimas, uma morte sempre é uma vida que devemos respeitar e lastimar), mas numa proporção infinita (e incomparavelmente) maior, já contamos com 4.000 mortos e 7.000 feridos nos terremotos no Nepal. E milhares ainda se encontram sem água e comida.

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O infográfico acima é retirado do site G1

As agências humanitárias internacionais ainda têm dificuldade de avaliar o alcance a devastação, mas os números são aterrorizantes:

  • dezenas de milhares de pessoas ficaram sem comida, água ou abrigo;
  • o terremoto é o mais violento dos últimos 80 anos;
  •  18 pessoas morreram no início da temporada de alpinismo;
  • 67 pessoas morreram na Índia em decorrência do terremoto;
  • quase um milhão de crianças precisam de ajuda urgente, segundo o Unicef.

Em meio a essa tragédia, alguns assuntos menos abordados bordados pela mídia chamam a atenção. Um deles é essa abordagem do colunista Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, que destaca a situação das mães barriga de aluguel o Nepal – e as famílias que se encontram ilhadas no país após irem buscar sus bebês. Eu não tinha atentado à gravidade do assunto. E em vi nenhuma outra matéria que borde esse tema.

Como sempre azemos na nossa série “Comentando a matéria”, artigo do colunista está baixo, em azul,  minhas considerações, em preto itálico.

Terremoto e misérias humanas

Clóvis Rossi, 27/04/2015

Em meio aos escombros de Katmandu, desenrola-se um segundo drama humano, menor, é verdade, mas revelador da miséria que predomina naquela parte do mundo.

Trata-se do caso de dezenas de casais israelenses que ficaram prisioneiros do terremoto quando estavam recebendo os bebês nascidos de barrigas de aluguel.

Centenas de casais de várias partes do mundo (incluindo casais gays) recorrem a barrigas de aluguel no Nepal. Em Israel, inclusive, há agências especializadas nesse tipo de “viagem” ao país devastado por terremotos. No Brasil, a empresa internacional Tammuz, com sede em Israel, promove a gays brasileiros a realização do sonho de ser pai (com serviços na Índia, EUA, Nepa…). Mas a maioria dos casais que procuram mulheres do Nepal são héteros com dificuldades para gerar filhos (oriundos de países mais desenvolvidos).

Segundo o jornal eletrônico “The Times of Israel”, há pelo menos 25 recém-nascidos nessas circunstâncias que estão recebendo tratamento médico. Há ainda mulheres prestes a dar à luz, sempre como barrigas de aluguel.

Alguns países asiáticos permitem a comercialização de barrigas de aluguel.

Em pelo menos quatro casos, os casais que “compraram” a gravidez delas estão pedindo a dispensa dos procedimentos burocráticos de forma a que possam rapidamente viajar para Israel para o parto, dadas as precaríssimas condições do que restou de vida em Katmandu.

Ontem, autoridades israelenses (ministério de Relações Exteriores) afirmaram que o país retirará prioritariamente 25 bebês nascidos de mães de aluguel e seus pais adotivos do Nepal. Os bebês estão em Katmandu, capital do país.

Algumas crianças são prematuras e precisam de cuidados que o país não dispõe nesse momento.

Aí é que entra a miséria naquela área do mundo: as mães são todas indianas, que vendem suas barrigas sob pressão da pobreza em um país que cresce em ritmo alucinado, mas que tem uma massa formidável de miseráveis. Suspeito que haja casais de outras nacionalidades que também “compraram” barrigas na Índia e levaram as gestantes para o Nepal. Mas o único noticiário a respeito desse aspecto da tragédia no Nepal está em “sites” israelenses, o que leva a crer que se trata de um procedimento com alguma tradição no país.

Soma-se, nesse caso, a tragédia do terremoto e suas consequências ao drama humano e à burocracia.

Apesar de Israel garantir que vai retirar os pais que se encontram no país para “pegar” seus filhos frutos e barrigas de aluguel, podem emperrar em procedimentos burocráticos.

O procedimento para barrigas de aluguel e para a confirmação da paternidade em Israel é complicado.

Um bebê nascido de uma mãe substituta nepalesa é cidadão do Nepal. Para autorizar o bebê a viajar para Israel, é preciso que se submeta a um teste de DNA para confirmar se o pai é israelense.

No caos que se instalou em Katmandu, a burocracia fica ainda mais emperrada, quando não está voltada, como é lógico, para atender a grande massa vítima do abalo.

Não é possível, no momento, a realização dos exames de DNA, por causa do caos e ínfimas condições hospitalares no país.

Tem-se, então, uma soma de tragédias em massa com casos individuais, uma e outros em parte pelo menos derivados da miséria.

Mães nepalesas e indianas não precisariam servir de barriga de aluguel para estrangeiros, não fosse pelas precárias condições de vida nos seus países.

E a tragédia maior ganhou dimensão extraordinária não só pelo vigor do terremoto, mas também pela precariedade das construções na cidade, conforme o texto de Igor Gielow na Folha de domingo, 26.

Reforça, na mesma data, o “Le Monde”:

“As construções mais vulneráveis são as velhas casas dessas cidades medievais antigas e magníficas do vale, assim como os imóveis de cimento de construção mais recente, nos quais os arquitetos sempre ignoraram as normas exigidas para minimizar os danos em caso de sismo”.

Parece claro que, também neste caso, a violência extraordinária da natureza foi amplificada pelas pequenas e grandes carências e misérias humanas.

Até a tarde dessa segunda-feira, a população continuava dormindo ao relento, sem água e luz, e com dificuldade de comunicação. Enquanto equipes de salvamento buscam sobreviventes (às vezes cavando com as próprias mãos pela falta de equipamentos) e hospitais atendem vítimas, a maioria com múltiplas fraturas e traumatismo craniano.

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23
abril
2015
PEC da Redução dos Ministérios

Oiiii, então, ontem tivemos uma notícia do “mundo político” que me chamou atenção: a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) entendeu pela constitucionalidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz de 38 para 20 o número de ministérios.

A ideia parece legalzinha, né? Mas é puro populismo barato. É mais uma arte do PMDB – que está jogando com a plateia. A proposta foi apresentada em 2013 pelo Eduardo Cunha (que na época era deputado federal, mas ainda não presidia a Câmara dos Deputados) e agora toma destaque pelo fato do parlamentar estar em linha de guerra com Dilma. O PMDB magicamente apagou da memória (passada e recente) que ocupou (e ocupa) ministérios e domina um sem fim de cargos de primeiro e segundo escalão, e partiu para o ataque, como se tivesse legitimidade para isso. Não tem! Como se tivesse moral para isso. Não tem! E como se alguém caísse nessa conversa do partido que compõe com qualquer governo e que só diante de holofotes adota posturas mais aprazíveis aos olhos da população – mas que longe deles comanda um arsenal bélico contar o Executivo de “toma lá dá cá” e cria dificuldades para gerar facilidades (para os seus).

Mas, vamos avaliar o assunto baseados numa matéria do G1, de ontem (fiquei com os dedos coçando para escrever sobre o tema ontem, mas o cansaço me venceu). Como sempre fazemos em nossa série “Comentando a matéria“, o texto original estará em azul e meus comentários em preto itálico.

Vem cá:

CCJ da Câmara aprova proposta que reduz para 20 o número de ministérios

Texto ainda precisa passar por comissão especial e votações no plenário.
Depois da extinção da SRI, governo Dilma passou a ter 38 ministérios.

 Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
CCJ da Câmara aprova PEC da redução dos ministérios (Foto: Lucio Bernardo Jr / Câmara dos Deputados)(Foto: Lucio Bernardo Jr / Câmara dos Deputados)

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (22), por 34 votos a favor e 31 contra, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz para 20 o número de ministérios. Atualmente, com a recente extinção da Secretaria de Relações Institucionais, o governo Dilma Rousseff possui 38 ministérios.

A redução do número de ministérios é algo que a gente sempre defendeu, né? Na última década, quase dobramos o número de pastas.

Número de Ministérios:

– Getulio Vargas – 13
– Juscelino Kubitschek – 13
– Ernesto Geisel – 20
– João Figueiredo – 16
– Sarney – 25
– Collor – 17
– Itamar Franco – 19
– Fhc – 24 / 26
– Lula – 24 /24
– Dilma Rousseff – 39 até um dias desses (entre ministérios e secretarias com status de ministério), mas aí extinguiu uma pasta

O tema sempre gerou críticas ao governo e não era difícil perceber que, a cada crise, iam aumentando as pastas, afinal, nada como um ministério para “acalmar” os ânimos de partidos políticos ávidos por poder e dinheiro (e doidos para fazer um escarcéu midiático para conseguir seu intento). Na contramão, muita gente mais esclarecida (e que acompanha o cenário político mais e perto) sempre defendeu a desnecessidade das pastas em grande número, ressaltando os gastos para manutenção.

A CCJ avalia apenas a “admissibilidade” das propostas, ou seja, se o texto não fere a Constituição e o ordenamento jurídico brasileiro. Agora, a PEC será analisada por uma comissão especial destinada a dar parecer sobre o conteúdo da proposta.

A CCJ opina sobre a constitucionalidade dos projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados. Após, o projeto será analisado por comissão especial. Só então vai para votação no plenário. 

Em seguida, o texto terá de ser votado em dois turnos no plenário da Câmara, onde são exigidos em cada votação, ao menos, 308 votos favoráveis, do total de 513 deputados. Depois, o projeto precisa passar pela CCJ do Senado e mais duas votações no plenário, onde são exigidos 49 votos entre os 81 senadores.

É o trâmite normal do projeto.

“Acreditamos que o número de 20 ministérios, que reduz em 50% o atual tamanho da administração direta, atende bem às necessidades do Estado moderno e alinha o país ao tamanho dos demais Estados em igual ou superior grau de desenvolvimento”, Eduardo Cunha

Apresentada em 2013 pelo atual presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a proposta altera o artigo 88º da Constituição, que passaria a vigorar com a seguinte redação: “A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios, que não poderão exceder a vinte, e órgãos da administração pública”.

Gente, óbvio que temos ministérios demais, minha crítica não é sobre a diminuição do número – de forma objetiva. Esse é um anseio dos brasileiros, mas temos que analisar algumas questões.

A primeira, relacionada ao funcionamento dos ministérios:

  • o maior número de pastas aumentou o número de servidores ativos do Executivo Federal (muitos deles, cargos comissionados indicados por apadrinhados políticos);
  • aumento no custo da folha de pagamento, leia-se dinheiro público para pagamento de pessoal (sem citar viagens, hospedagens, diárias);
  • o contingente de servidores passou de 809,9 mil para 984,3 mil;
  • os salários consumiam R$ 59,5 bilhões em 2002 (ou R$ 115,9 bilhões em valores já corrigidos), chegaram a R$ 154,5 bilhões

Você sabe quem são essas pessoas? Para onde vocês acham que essas pessoas vão? Esse batalhão, na sua maioria, não ingressou no serviço público através de concurso público, mas são ocupantes de cargos comissionados – em áreas que compõe os feudos dos aliados. Eles são apadrinhados de políticos poderosos que não vão abrir mão dos cargos e nem de ter esse bando de gente nomeada. Até porque, em seus estados de origem, não conseguiriam vagas com altos salários para todos. Mexer no número de ministérios desempregaria muitos desses apadrinhados, e os deputados não querem isso, né?

A segunda questão, relacionada a forma de divisão dos ministérios:

  • a criação de pastas ocorre em decorrência de acertos políticos nada republicanos
  • não se cria ministérios visando melhoria dos serviços públicos

Portanto, os partidos políticos aliados a Presidente não aceitaram a diminuição do número de pastas. Até porque isso iria ocasionar uma reforma administrativa de grandes proporções e o momento político poderia causar ainda mais desgaste a Dilma. Além disso, nenhum aliado aceitaria que “a sua” pasta fosse justamente a que sumirá, né?

Quando falo “aliados”, me refiro especialmente ao PMDB, que compõe a base do governo (sim, compõe / não, PMDB não é oposição) e que detêm uma legião de nomeados no governo federal – tanto em Brasília, como nos órgãos em diversos estados. Muitos desses “reclamosos” em relação a Dilma, indicaram superintendentes regionais e estaduais de órgãos, ministérios, autarquias, em seus estados.

Obviamente que o PMDB se aproveita do momento político de desgaste petista para dar um show de bizarrice: criticando atitudes do PT que sempre foram corriqueiras no PMDB, reclamando do número de ministérios (quando foi o principal partido a “obrigar” o aumento para acomodar interesses). O PMDB sempre jogou com a “governabilidade”, que nada mais é do que obrigar o governo federal a ceder para conseguir governar “em paz”. Essa “paz” sempre foi superficial e apenas aparente, mas no fundo sempre se imaginou que essa relação – mais cedo ou mais tarde – ruiria, porque não há cargos, vantagens, contratos e ministérios suficientes para a saciar a bancada aliada.

Com a tal “governabilidade” como meta principal, Dilma vendeu até a alma-administrativa para compor com os que agora querem fazer parecer que “nada têm a ver com isso”. Um dos maiores responsáveis pelo crescimento da máquina administrativa – e a, junto com os petistas, enterrar as finanças do governo devido a uma máquina inchada e inoperante – hoje quer posar de anti-corrupção e apressam-se em apresentar projetos que possuem como única justificativa: o populismo.

Na justificativa, Cunha afirma que o texto tem “o intuito de sinalizar para a sociedade que o gasto público com a máquina administrativa terá limite”. O peemedebista ressalta ainda que a PEC não fere o princípio da separação dos poderes, já que ficará “a critério do Poder Executivo o detalhamento da distribuição, composição e atribuição das pastas”.

Durante o debate desta quarta no plenário da CCJ, o deputado Giovani Cherini (PDT-RS) afirmou que a PEC viola a Constituição, dando poderes excessivos ao Legislativo. O parlamentar disse ainda que a proposta é fruto de uma “disputa entre dois grupos”, em referência aos atritos entre a bancada do PMDB na Câmara e o governo federal. Eduardo Cunha é considerado desafeto de Dilma.

Eu não avaliei ainda a PEC do ponto de vista constitucional, mas o deputado Giovani nos dá a luz da única motivação do PMDB: criar mais conflitos com Dilma. Sabe briga de vizinha? Aquela coisa infindável? Aquela relação em que nenhuma racionalidade impera? O diálogo foi cortado e qualquer chance é motivo para espezinhar o outro? É a relação que o PMDB faz questão de nutrir hoje com Dilma. E o partido arrasta uma legião de “baixo clero” vindos de partidos nanicos, que se encostaram no PMDB para conseguir pongar nos resultados do aliado. Interessados em espaço e poder – e vendo que Cunha é bom de criar briga para aumentar sua importância – esse baixo clero se sujeita a ser comandado por ele para receber benefícios na Câmara dos Deputados (contratos, cargos, aumento de verba de gabinete, passagem para esposas , presidência das comissões etc) e gozar de espaços que são negociados para sair a fúria e gula peemebista.

“É indefensável que o Poder Legislativo possa criar ou extinguir ministérios. Aí é melhor aprovar o parlamentarismo mesmo. A Constituição é muito clara em vedar que o Poder Legislativo crie ou reduza ministério. É uma briga de dois grupos, e nós do PDT não estamos nessa briga, votamos pela Constituição”, declarou.

O vice-líder do PT Alessandro Molon (RJ) concordou com a ponderação de Cherini e reforçou o argumento de que cabe ao presidente da República decidir sobre a criação ou extinção de ministérios. “Essa PEC viola a iniciativa reservada do chefe do Poder Executivo e viola a separação dos poderes. Vamos manter a tradição dessa CCJ de separar o que é paixão política.”

Já o relator do texto, deputado André Moura (PSC-PE), negou que a proposta signifique interferência em atribuição do Executivo. Ele também destacou que, durante a tramitação na comissão especial, os parlamentares poderão fixar para o futuro a validade das novas regras, para não afetar o governo da presidente Dilma Rousseff.

“Não estamos determinando quais os ministérios que devem existir no governo, estamos limitando para até 20. O projeto, depois que passar por esta comissão, pode ser aprovado para esta gestão ou gestões futuras, para 2018, 2028”, argumentou.

Economia de gastos

O deputado Célio Silveira (PSDB-GO) defendeu no plenário da CCJ que a redução de ministérios trará economia de gastos públicos e maior “eficiência” à máquina administrativa.

“Cada ministério é uma fonte de desvio de recursos públicos. É um projeto de grande relevância para a sociedade e para a presidente da República, mesmo porque ela tem muitos ministros incompetentes que teria vontade de tirar.”

Gente, vou enfatizar que realmente a diminuição é necessária. E que os ministérios são realmente fonte de desvio de recursos. Mas a intenção de Cunha não é diminuir – até porque ele sabe que no plenário os deputados vão votar contra o projeto (por interesses pessoais e partidários).

Seria muita ingenuidade achar que o Eduardo Cunha (PMDB) coloca esse projeto a tona num momento de crise política por zelo com a administração e finanças públicas.

As intenções de Cunha são:

  • tumultuar,
  • criar mais  problemas para Dilma,
  • desgastar a imagem do governo que terá que se manifestar contra a redução (inclusive porque uma parte dos ministérios está na mão do PMDB),
  • e posar de bom moço perante a sociedade.

Por sua vez, o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), questionou a motivação dos deputados em votar a proposta. “Essa PEC tem claramente o intuito de fazer confronto político, curiosamente, dentro da base do governo. O governo tem, muitas vezes, dentro de si mesmo a sua principal oposição. Essa PEC tem o intuito de dar uma estocada no governo Dilma, como se fosse necessário. Temos um governo debilitado, fraco, confuso, inoperante, contraditório”, disse o parlamentar do PSOL.

E você, o que acha do populismo que está definindo a agenda política nesse momento no país?

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16
abril
2015
É Seu Direito: PEC da demarcação de terras indígenas

Oii, gente!!!

A agenda política do país está pegando fogo. Mas enquanto alguns projetos de maior apelo popular chamam a nossa atenção e a monopolizam, muitos e muitos outros tramitam na Câmara dos Deputados longe dos olhos dos cidadãos e da fiscalização. Não podemos perder de vista duas questões:

  1. Muitos projetos estão sendo postos em pauta para votação aproveitando que o povo está focado nas manifestações. Além de desviar o olhar do Parlamento, os deputados aproveitam a onda de protestos para agilizar a votação de projetos que desagradam a presidente Dilma. Aproveitam o embalo do povo contra a gestora, e apressam-se em passar tais projetos: com o povo contra Dilma, fica mais fácil conseguir adesão popular para votações que desagradam a ela e ao PT. Atenção a isso, galera!
  2. A mídia tem interesse em determinados assuntos. Nem tudo a interessa. E os motivos do desinteresse são inúmeros. Um deles: a pauta prejudica interesses comerciais, financeiros, empresariais dos grupos políticos que as detêm. Então, não tem porque abordar o assunto e chamar a atenção do povo para tal projeto. Claro que não gostamos do mimimi de “mídia golpista” ou “mídia manipulada”. Acho isso muito demodê, (hahaha) mas não dá para fechar os olhos ao fato de que os veículos de comunicação também interferem na agenda política do país dizendo o que interessa ou não ao povo saber.

Estou dizendo tudo isso para lembra-los da importância de, pelo menos uma vez por semana, entrar nos sites da Câmara dos Deputados e do Senado para conhecer o que está sendo votado e discutido. Assim, você consegue informações técnicas, conhece sobre os temas e a tramitação de uma série de matérias que não ganham destaque na mídia, mas que podem interessar diretamente a você. (eu entro nesses dois sites todos os dias, mas se você não trabalha na área, sinceramente, não precisa tanto)

Depois da diquinha básica, vamos a um tema que me interessa muito e que não vendo abordado como eu acredito que deveria: a demarcação de terras indígenas. Inclusive, por causa do Dia do Índio, aconteceu uma sessão hoje na Câmara na qual o assunto foi debatido.

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(a foto é da Agência Câmara)

Vou explicar melhor aqui no nosso post da série “É Seu Direito“!!!

PEC 215/00

A PEC 215/00 transfere do Poder Executivo para o Legislativo a decisão sobre a demarcação de terras indígenas. Pela legislação atual a demarcação é competência do Poder Executivo e é feita pelo Ministério da Justiça (com auxílio da Fundação Nacional do índio – Funai).

Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha recebeu caciques e pajés para numa audiência no gabinete, na qual afirmou que não tem pressa para a aprovação dessa proposta. O cacique baiano Nailton Muniz Pataxo disse que os índios vão protestar pacificamente pela não aprovação e que estão preparados para o enfrentamento.

Hoje, deputados e lideranças indígenas pediram o arquivamento dessa PEC. Os índios estão acampados a semana toda no gramado do Congresso Nacional, protestando contra esse projeto de emenda à CF. O debate, segundo representantes dos índios, não deve se ater à disputa entre o governo e oposição, mas sim conscientizar sobre a vida e existência desses povos.

Inconstitucionalidades

Há quem defenda que a PEC tem inconstitucionalidades:

  • porque a demarcação de terras indígenas gera despesas para a União, e só quem pode criar essas despesas é o Poder Executivo;
  • porque o direito dos povos indígenas seria cláusula pétrea (estamos falando tanto em cláusulas pétreas esses dias que vou terminar gravando um vídeo explicando melhor o que significa isso).

População indígena

A população indígena tem um crescimento médio maior que a população brasileira. Isso se deve às conquistas de terras. Retroceder seria colocar em risco a diversidade cultural e tradições indígenas. Por isso, alguns deputados e índios pedem para que se vote contra a PEC.

Bancadas no Congresso

A bancada que defende os indígenas é pequena, mas a bancada da motosserra é grande. Por isso, se entende que os direitos e garantias individuais dos índios estão ameaçados pela votação que pode acontecer ainda esse semestre na Câmara dos Deputados.

Arquivamento

A PEC poderá arquivada, mantendo a legislação como se encontra atualmente e a concentração – isso seria o ideal – poderá se voltar para a demarcação imediata das terras cujos processos estão pendentes.

E você, o que acha desse assunto?

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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14
abril
2015
Maioridade Penal

Olá, pessoal, boa noite! Chegando por aqui para lembrar que temos vídeo novo no “5 Minutos de Política“, no nosso canal do Youtube (veja todos os vídeo AQUI). No comentário de hoje, avalio alguns motivos para não concordarmos com a redução da maioridade penal.

Vídeo de hoje: 5 Motivos para ser contra a redução da maioridade pelal

postei vídeo na semana passada (da coluna “Política à Flor da Pele“) falando do populismo penal que norteia a discussão do assunto. Como vários de vocês mandaram perguntas no Facebook e pediram para aprofundar no tema, achei que deveria gravar mais vídeos, tratando os argumentos de cada lado e levantando algumas questões jurídicas. Espero que ajude a esclarecer e formar a opinião. Aí hoje separei esses 5 motivos para nos posicionarmos de forma contrária à redução.

Aperta o play:

Nos próximos vídeos, trarei mais informações, com argumentos de especialistas e discussão sobre as questões penais e constitucionais sobre o tema. Há muito a ser discutido! Ah, mandem seeeempre as sugestões, adoro gravar comentando temas que são sugeridos por vocês. Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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13
abril
2015
Comentando a matéria: “Movimentos não têm futuro sem partidos, afirma historiador”

Amigos, ontem, o historiador José Murilo de Carvalho deu entrevista ao portal do Estadão, na qual comentou sobre as manifestações e a forma como a oposição tem se comportado diante do cenário político. Li a matéria hoje cedo, e venho dividir com vocês a entrevista do Estadão e algumas considerações minhas.

brasil-cara-pintada

Como sempre fazemos na série “Comentando a matéria”, vou colocar o texto em vermelho e minha observações em negrito itálico.

Movimentos não têm futuro sem partidos, afirma historiador

Sem partidos fortes nem líderes nacionais, o movimento de rua contra a presidente Dilma Roussef não tem futuro, afirma o historiador José Murilo de Carvalho.

Já de início, acredito que muito mais do que a ausência dos partidos políticos e líderes nacionais (o que também discordo parcialmente), o movimento é natimorto pela falta de pautas objetivas e por que a maioria dos manifestantes desconhecem os motivos pelos quais se encontram ali. (tem vídeo com minha opinião sobre isso)

“O drama é que não há oposição que consiga dialogar com ele”, diz o autor de Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, entre outras obras.

“O grosso da oposição (partidária) adotou uma tática oportunista”, critica. Para o pesquisador, “a oposição formal apenas espera que o governo e o PT supostamente ‘sangrem’ até a derrota”. Seria necessário, opina, preparar já uma nova agenda para o país.

“Méritos e deméritos” dos governos petistas geraram a oposição de rua que agora prega o fim do ciclo do PT no Palácio do Planalto, avalia José Murilo. Ele lembra que os governos federais do partido desde 2003 melhoraram a renda de milhões de brasileiros e ampliaram o acesso à universidade.

Esses fatores, diz o historiador, aumentaram a capacidade crítica e de mobilização da população, que agora reage a outros efeitos que teriam sido gerados pelo petismo. Problemas como a corrupção, avalia, ajudaram a juntar nas mobilizações antigos e novos descontentes, que agora querem despachar a legenda do poder. “A incompetência, a arrogância e a corrupção quebraram o encanto”, declara o pesquisador. Ele ressalta que a esquerda perdeu a rua e “terá de se repaginar” se não quiser “ficar para trás”.

Para o historiador, os setores médios da população que se mobilizaram contra o governo Dilma vão às ruas “desde os anos 50” do século passado, com a campanha “O Petróleo é nosso”.

Ele avalia também que o conceito de “classe média” causa confusão nas análises, já que, para perceber quais são os seus interesses e lutar por eles, as pessoas precisam de certo grau de instrução e organização. Essas são características de setores intermediários. As críticas a isso, ironiza, vêm de intelectuais do mesmo extrato social que atacam.

Para José Murilo, a mobilização de 2015 tem a mesma “marca” da movimentação de setores médios que tiveram as Diretas-Já, em 1984, o movimento pelo impeachment de Fernando Collor, em 1992, e as passeatas contra a Copa do Mundo no Brasil de junho de 2013. Dessas, diz ele, o atual movimento são continuação. Mas faltam ao País, afirma, políticos com a estatura de estadistas. “Que saudade de Ulysses (Guimarães) e Tancredo (Neves), Petrônio Portela, e mesmo de (Leonel) Brizola.” Leia a entrevista concedida por e-mail ao Estado.

Estadão – Em 15 de março, centenas de milhares de pessoas foram às ruas contra o governo Dilma. O senhor espera que esse público se repita no dia 12 de abril?

José Murilo de Carvalho – Não me arriscaria a prever. O mal-estar continua, se não aumentou. Mas marchas muito frequentes podem também cansar. As demonstrações de ontem (terça-feira passada, promovidas pela CUT contra o projeto que amplia as terceirizações) já caíram muito em relação à anterior organizada pela mesma turma.

Com certeza, depois de deixar de ser “novidade”, as manifestações vão atrair cada vez menos gente. A não ser que surja um fato político novo muito relevante. Militar exige disciplina e dedicação, organização e constante trabalho. Não dá para achar que os que estiverem engajados por “obaoba” vão sustentar suas ações por muito tempo.

Estadão – Um dos pontos sobre esse movimento é que é basicamente de classe média, com poucos pobres. Isso ocorreu em outros momentos da história brasileira?

José Murilo de Carvalho – Esse conceito de classe média confunde mais do que ajuda. Refere-se a grupos complexos e mutáveis de pessoas. De modo geral, desde os anos 50 vão para a rua pessoas que têm condições de perceber seus interesses e de lutar por eles. Isto exige certo grau de educação e de organização: associações, sindicatos, internet. Grupos intermediários têm essas condições. O povão, quando se manifesta, em geral é sob formas menos pacíficas: invasões, quebra-quebras. Diretas-Já, Impeachment (do então presidente Fernando Collor em 1992) e junho de 2013 tiveram a marca de setores intermediários. Sob o nome de classe média, causam urticárias em intelectuais orgânicos da chamada esquerda, todos eles, naturalmente, de classe média, ainda presos a definições superadas. Mas no mundo de hoje, com a diluição das barreiras entre as classes pela dinâmica social, eles (esses setores) serão cada vez mais decisivos.

Rolou uma indireta para Marilena Chauí. hahaha Mas vamos lá: eu concordo que seja um movimento de classe média, e diria mais: muito voltado para o eleitor de Aécio. Não temos visto muitos partidários da presidente, ainda que contrários à corrupção, participando dos protestos. Não adiantar tentar encaixar a pecha de que não é um movimento político e de que não tem vinculação com os eleitores de Aécio, porque o movimento é exatamente ligado a isso. Especialmente por acontecer após a eleição, podemos ver mais claramente que se trata de manifestação política partidária (ainda que a maioria que ali esteja não perceba isso). Veja bem: o fato de você não perceber que está participando de um movimento partidário com interesses claros e que tem servido para aumentar o poder de barganha de um grupo político frente ao governo, não significa que não seja. É. Cabe a você perceber e saber se está ou não se deixando conduzir.

Estadão – Há quem compare a mobilização, pela composição social e por algumas bandeiras, como saída da presidente constitucional, intervenção militar, críticas a programas sociais, às Marchas da Família que precederam o golpe de 64. Esse paralelo é justo?

José Murilo de Carvalho – Em 1964 houve grande polarização e ameaças de golpe vinham dos dois lados. Venceu quem conseguiu o apoio majoritário das Forças Armadas, com a ajuda da Guerra Fria e da histeria anticomunista, que uniu setores médios e povão. Hoje, o golpismo é residual nas marchas e só serve para fornecer combustível ao establishment governamental.

Estadão – Trata-se de um movimento sem líderes de massa, sem partidos, sem entidades, com base nas redes sociais. Isso tem futuro?

José Murilo de Carvalho – Não tem. O drama é que não há oposição que consiga dialogar com ele. O grosso da oposição adotou tática oportunista de ver o governo e o PT sangrarem, sem preparar uma nova agenda que atenda as demandas atuais.

Há, sim, presença de partidos políticos nas manifestações. Seja de forma explícita ou implícita. Explicitamente, na Bahia, pelo menos na primeira manifestação do dia 15 de março, vários políticos (inclusive alguns com passado e presente questionáveis) participaram, colocaram fotos nas redes sociais, postaram mensagens convocando a população. E implicitamente, muitos. Além de comandarem redes de TV locais que convocam para as manifestações, alguns grupos organizados são financiados (nas redes sociais) por políticos da oposição. Não resta dúvidas para mim – observando o comportamento dos manifestantes e a postura da oposição – que boa parte dos participantes servem de massa de manobra política.

Mas concordo que a falta de agenda da oposição tem sido um problema. Inerte durante 12 anos, a oposição vê no desgaste natural do PT uma forma de obter dividendos políticos. Além disso, uma parcela desses que hoje se intitulam oposição (a exemplo do PMDB), possuem um exército de cargos e diversos contratos, como parte do seu espaço. Não dá para concordar/defender uma oposição silente e oportunista.  

Estadão – Pode-se dizer que março/abril de 2015 é uma continuidade de 2013?

José Murilo de Carvalho – Sem dúvida. A única diferença é que, vindo após a eleição, (o movimento atual) agregou um conteúdo mais político. Mesmo assim, o antipartidarismo ainda era forte e a oposição foi suficientemente sábia em não tentar participar das marchas.

Em 2013, efetivamente, se coibiu a presença de políticos nas manifestações (alguns, inclusive, foram expulsos) e não se permitiu que partidos políticos capitalizassem os protestos. Ao contrário de 2015 que muitos partidos conseguem não só comandar a agenda política de Dilma, como ganhar mais espaço, através da utilização do “povo nas ruas”.

Estadão – Não é estranho, depois de tudo o que o Brasil passou na Ditadura, ver tanta gente, inclusive jovens, pedindo intervenção militar no País?

José Murilo de Carvalho – Ainda não vi pesquisas que indiquem que essa tendência tenha um significativo. Será mesmo “tanta gente”?

Pelos vídeos e fotos que vi das manifestações, é gente suficiente para eu ficar alarmada.

Estadão – Por que os governos petistas geraram passeatas que pedem sua saída?

José Murilo de Carvalho – Por méritos e deméritos. A política social de melhorar a renda e ampliar as matrículas nas universidades resultou em aumento de expectativas e da capacidade crítica, portanto da mobilização. A incompetência, a arrogância e a corrupção quebraram o encanto e levaram antigos e novos descontentes às ruas.

Estadão – Muitos manifestantes, ao atacar o governo, pedem “o seu Brasil de volta”. O que tem mais peso nas manifestações: as denúncias de corrupção ou as mudanças na sociedade, como cotas, programas sociais, redução de desigualdades?

José Murilo de Carvalho – As coisas estão ligadas. Os governos do PT, sobretudo o último, dilapidaram o patrimônio que tinham construído.

Estadão – Para ter fôlego, um movimento como esse precisa de um projeto político mais bem definido que avance em relação ao “Fora Dilma”?

José Murilo de Carvalho – Esse é nosso problema e nossa desvantagem em relação à Espanha. O “Fora Dilma” só leva a (Michel) Temer (o vice-presidente). A tradução das manifestações em instrumento político de intervenção eficaz e duradoura será conquista difícil, se vier a ser.

Algumas pesquisas mostram que boa parte dos manifestantes desconhecem o vice-presidente que assumiria no lugar de Dilma. E não possuem clareza sobre as consequências das manifestações e da saída da gestora do cargo. (sobre isso, escrevi texto aqui no final de semana, LEIA AQUI)

Estadão – Como a oposição tem tirado proveito da insatisfação com o atual governo?

José Murilo de Carvalho – Ela se tem beneficiado, mas, como disse, de maneira oportunista, sem novas propostas. Falta-lhe imaginação, grandeza política e cívica. Aliás, a falta geral de estadistas hoje é dramática. Que saudades de Ulysses e Tancredo, Petrônio Portela, e mesmo de Brizola.

Concordo e acredito que é o motivo que mais me motiva a não participar das manifestações. Oportunista, a oposição capitaliza as manifestações. Uma parcela da oposição história como DEM e PSDB, não apresentou, em 12 anos, nenhuma proposta nova de governo; além de ter feito oposição pífia, vagarosa e inerte. Outra parcela não possui legitimidade, por ser composta por partidos da base aliada que muito se beneficiam de cargos e contratos, inclusive indicaram o vice e possuem ministérios. E, como o historiador bem colocou, nos faltam líderes, estadistas, especialmente com o crescimento do chamado baixo clero, que vem aumentando o custo de transação com o Congresso.

Estadão – A classe média conservadora aprendeu com a esquerda a se mobilizar, copiando algumas das formas de organização esquerdistas?

José Murilo de Carvalho – Quem é a classe média conservadora? Quem é a classe média não conservadora? Os setores médios estão nas ruas desde a década de 1980, com a campanha “O Petróleo é Nosso”.

Estadão – A Esquerda perdeu a rua?

José Murilo de Carvalho – Se você chama de esquerda o PT, o movimento sindical, o MST e semelhantes, a evidência do momento é que perdeu. Ela também vai ter que se repaginar. O Brasil está caminhando, quem não perceber vai ficar para trás.

Estadão – As redes sociais são a base para as mobilizações. Essas manifestações seriam um fenômeno típico da internet, sem maiores consequências?

José Murilo de Carvalho – São um fenômeno da internet, que mudou a dinâmica e a natureza da participação política, fenômeno que as instituições ainda não conseguiram absorver.

E vocês, o que acharam das questões levantadas pelo historiador?

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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11
abril
2015
Manifestações de amanhã (12/04): brasileiros não possuem conhecimento sobre as consequências

Oi, gente, a oposição ao Governo Dilma convocou mais uma manifestação para amanhã. Vocês estão sabendo, né?

É a segunda manifestação, esse ano, com o intuito de bradar contra a gestão de Dilma. Liderados por partidos de oposição, cidadãos de diversas idades, classes sociais e interesses políticos saíram às ruas para protestar no dia 15 de março. Na época, eu gravei vídeo falando os motivos pelos quais não participei e não acho que as manifestações se prestam ao que alguns dos participantes acreditam.

E não se prestam a solucionar por dois motivos:

  • É muito pouco!

Eu obviamente concordo com as passeatas, caminhadas, manifestações de todos os tipos, mas não posso me eximir de criticar o fato de muitos participantes acreditarem que isso mudará o país (ou que isso basta para mudar o país).

Eu faço uma pergunta: do dia 15 de março até hoje, quais as medidas que vocês (caso tenha participado das manifestações) adotou para combater a corrupção?

Essa é a pergunta que cada um tem que se fazer antes de pintar o rosto de verde e amarelo e comprar blusa do Brasil nova para sair de casa acreditando que isso basta. Não basta! A luta pela corrupção é constante. Exige esforço, dia após dia. Exige que encaremos livros para compreender como funciona a Administração Pública. Exige que se tenha convicção de que não se pode dar ao luxo de não ir à Câmara de Vereadores assistir sessões, tampouco de nunca ter colocado os pés num Tribunal de Contas. Dizer frases de efeito, gritos de guerra e segurar cartazes não resolverá os problemas do povo brasileiro.

Claro que já é muito, vindo de uma parcela da população que não tem por hábito o campo de batalha político. É importantes, mas precisamos que cada um tenha consciência de que cidadania se exerce a cada dia exigindo mais de si e fazendo mais pelo país. É necessário estar de olhos abertos não somente nos dias das manifestações, mas a cada passo.

  • Admitiu a participação de corruptos acusados em outros escândalos

Outra questão que me faz descrer da força dessas manifestações é o fato de terem permitido a participação de políticos. Ainda que se dizendo apartidária, a manifestação de 15 de março não teve esse condão. Foi convocada por políticos de várias legendas, e contou, inclusive, com a participação de muitos. Boa parte deles, corruptos envolvidos em outros casos tão graves quanto os denunciados pelos manifestantes.

Aí, pergunto: vocês realmente se sentem bem ao militar contra a corrupção ao lado de corruptos notórios?

Pois é, vi fotos, selfies, declarações de amigos nas redes sociais ao lado de diversos políticos que já se envolveram em graves casos de corrupção. Todos usando politicamente um exército de “desavisados” que, seja por falta de memória, seja por obaoba, se permitiu bradar contra algo que os ladeava: corruptos.

É importante que cada um de nós possa perceber com clareza o cenário político que nos encontramos hoje e que se tenha convicção do que significam as manifestações convocadas pela oposição e o que se quer de fato como resultado.

cara-pintada

Pesquisa:

Uma matéria que li hoje na Folha de São Paulo informa que a maioria dos entrevistados querem o afastamento de Dilma, mas não sabem o que aconteceria depois.

  • 75% são favoráveis aos protestos (favorável aos protestos eu também sou, sempre, isso não significa acreditar que são o melhor caminho ou o único caminho, nem significa concordar com as pautas dos manifestantes)
  • 63% acham que, pelo que já se sabe da Lava Jato, deve-se abrir impeachment contra Dilma
  • 12% sabem que se Dilma sair, Temer assume

Ou seja: não há qualquer análise fundamentada, por parte dessas pessoas, quando se manifestação pelo afastamento da gestora. Desconhecer as consequências faz com que o ato perca a credibilidade. Como bradar por algo que vocês não sabe o motivo? Para se exigir o afastamento de uma presidente você tem que no mínimo dizer porque seria melhor sem ela (para justificar a retirada do poder). Tirar por que? Porque seria melhor sem ela? Se a maioria não sabe o que acontecerá se ela sair, não tem qualquer valor a estatística que informa o percentual que apoia o impeachment. Esses dados só mostram o quanto somos um povo desinformado e que se constitui – como consequência – em massa fácil de manobra.

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11
abril
2015
Comentando a matéria: “Mito: Os adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios”

Gente, essa semana li algumas matérias sobre a redução da maioridade penal e não pude postar aqui por falta de tempo. Textos de formadores de opinião que influenciam, principalmente, as novas gerações, os jovens e adolescentes que acompanham a política e que se vêem representados ou traduzidos em textos e posicionamentos dos novos colunistas.

maioridade-penal (1)Dois textos que me chamam muita atenção são Rodrigo Constantino e Leandro Narloch. Leio-os diariamente, embora tenha algumas posturas diferentes, sobre temas mais controversos e que, em regra, dividem a opinião pública.

Essa semana, o Rodrigo publicou comentários ao texto do Leandro no qual ele desmistifica o argumento de que apenas 1% dos homicídios são praticados por adolescentes entre 16 e 18 anos.

Abaixo, transcrevo os comentários de Rodrigo (em vermelho) e o texto de Leandro (em azul), e teço minhas observações (preto itálico).

O furo de Narloch: estatística de homicídios por menores de idade é fantasma. Ou: O mito do 1%

Os adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios no país. Essa é a grande bandeira dos que são contra a redução da maioridade penal.

Rodrigo já abre seu texto com uma imprecisão: o percentual de homicídios cometidos pelos adolescentes não é a “grande bandeira” de quem se coloca contra a redução da maioridade penal. Numa tentativa de demonstrar, certamente, a importância de seu texto e a enorme descoberta do Leandro Narloch, Rodrigo exagera colocando o argumento da esquerda como norteador do discurso anti-redução. Obviamente que o argumento dos 1% é usado pelos contrários à PEC, e ainda que não o fosse, o texto do Narloch mantem seu valor em informar e orientar sobre o equívoco dos números. Mas para engrandecer a “descoberta” e para mostrar que por si só ela já põe fim aos argumentos dos que se posicionam contra a redução, Rodrigo exagera.

Ora, mesmo que fosse isso mesmo, e daí? Ninguém defende a redução porque acha que a grande parte dos assassinatos é cometida por menores, e sim porque aqueles que cometem tais crimes devem pagar por isso como adultos, já que são cientes de seus atos.

Eu concordo com Rodrigo, quem defende a redução, não se coloca a favor de tal medida argumentando que são em grande número. Mas o Rodrigo se esquiva de citar que quem se põe do lado contrário (contra a redução) também não o faz meramente por questões estatísticas. Aliás, a tirar pelos textos do Rodrigo e do Leandro, parece-me que ambos são os que mais conferem importância a essa estatística (que se afigura apenas como um dos argumentos de quem levanta a bandeira contra a redução). Mas, em todo caso, se não se trata de verdade, cabe-nos concordar com a desmistificação.

Mas mesmo assim esse dado é incorreto, ou ao menos impreciso. Foi o que descobriu meu colega de Veja, o jornalista Leandro Narloch. Seu furo mostra como a tal estatística, tão citada, não existe, é fantasma, é o repetido porque alguém disse, mas ninguém sabe quem.

É um furo? É. Mas ainda não consegui descobrir qual a relevância disso diante de argumentos muito mais sérios que são levantados por ambos lados.

Diz o jornalista:

Mito: “Os adolescentes cometem menos de 1% dos homicídios do Brasil e são 36% das vítimas”

Ainda não sei qual é a minha posição sobre a redução da maioridade penal.

Nem eu!

Concordo que há um problema de impunidade de adolescentes violentos, mas o projeto parece mais uma manifestação do mesmo populismo penal que motivou a lei do feminicídio. O que eu sei é que os dois lados da discussão precisam ter mais cuidado com os números e argumentos que apresentam.

Ok. Precisam ter mais cuidado com os números, mas continuo afirmando que colocar isso como centro do debate é muito pouco.

Nas últimas semanas, o Globo, a Folha de S. Paulo, o Diário de S. Paulo, a revista Exame, o portal Terra, a edição impressa de Veja e quase todas as ONGs e políticos contrários à redução disseram que menos de 1% dos homicídios no Brasil são cometidos por adolescentes. A Folha reproduziu o dado num editorial e em pelo menos dois artigos, de Vladimir Safatle e Ricardo Melo.

Havia razão para publicar a porcentagem, pois ela parecia vir de órgãos de peso – o Ministério da Justiça e o Unicef. Acontece que a estatística do 1% de crimes cometidos por adolescentes simplesmente não existe. Todas as instituições que jornais e revistas citam como fonte negam tê-la produzido.

O MITO DO 1%

Numa nota contra a redução da maioridade, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) reproduziu a estimativa e deu a Secretaria de Direitos Humanos como referência. Mas a Secretaria de Direitos Humanos diz que nunca produziu uma pesquisa com aqueles dados.

O Congresso em Foco, hospedado pelo UOL, afirma que “segundo o Ministério da Justiça, menores cometem menos de 1% dos crimes no país”. Um punhado de deputados e sites do PT diz a mesma coisa. Mas basta um telefonema para descobrir que o Ministério da Justiça tampouco registra dados de faixa etária de assassinos. “Devem ter se baseado na pesquisa do Unicef”, me disse um assessor de imprensa do ministério.

Seria então o Unicef a fonte da estimativa? Uma reportagem do Globo de semana passada parece resolver o mistério: “Unicef estima em 1% os homicídios cometidos por menores no Brasil”. Mas o Unicef também nega a autoria dos dados. Fiquei dois dias insistindo com o órgão para saber como chegaram ao valor, até a assessora de imprensa admitir que “esse número de 1% não é nosso, é do Globo”. Na reportagem, o próprio técnico do Unicef, Mário Volpi, admite que a informação não existe. “Hoje ninguém sabe quantos homicídios são praticados por esse jovem de 16 ou 17 anos que é alvo da PEC.” Sabe-se lá o motivo, o Globo preferiu ignorar a falta de dados e repetir a ladainha do 1%. O estranho é que o Unicef não emitiu notas à imprensa desmentindo a informação.

Os órgãos citados, ao terem a credibilidade colocada como aval para os dados citados, já que não os tinham produzido teria obrigação de emitir nota desmentindo os veículos de comunicação.

Também fui atrás da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, mas nada: o governo paulista não produz estimativas de faixa etária de assassinos, somente de vítimas. Governos estaduais são geralmente a fonte primária de relatórios sobre violência publicados por ONGs e instituições federais. Se o estado com maior número absoluto de assassinatos no Brasil não tem o número, é difícil acreditar que ele exista. Resumindo: está todo mundo citando uma pesquisa fantasma.

Mais sério do que a estatística errada publicada, é o fato dos governos não monitorarem as faixas etárias dos crimes. Para mim, o texto tem seu maior valor me revelar (sim, eu não sabia/imaginava) que nossos órgãos de segurança pública não possuem dados sobre esses crimes e quem os comete. Estamos num estágio tão embrionário no processo de segurança pública que sequer sabemos quem comete delito no país.

Como discutir políticas públicas sem a existência desses dados? Como saber quais as medidas (educação, programas sociais) que devem ser adotadas se sequer sabemos a idade dos infratores (imagine então dados mais precisos como evasão escolar, locais de moradia)? Como discutir redução da maioridade se nem sabemos a idade daqueles que delinquem? Como executar projetos eficientes (de diminuição da violência) se os Governos não sabem nem qual o público alvo das medidas governamentais.

Muito sério isso.

Na verdade, uma estatística parecida até existiu há mais de uma década. Em 2004, um pesquisador da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo lançou um estudo afirmando que menores de idade eram responsáveis por 0,97% dos homicídios e 1,5% dos roubos. Foi assim que nasceu a lenda do 1% de crimes cometidos por adolescentes.

Mas a pesquisa de 2004 tropeçou num erro graúdo. Os técnicos calcularam a porcentagem de crimes de menores em relação ao total de homicídios, e não ao total de homicídios esclarecidos. Sem ligar para o fato de que em 90% dos assassinatos a identidade dos agressores não é revelada, pois a polícia não consegue esclarecer os crimes.

E os demais estados, nada possuem sobre isso? Estão fazendo segurança públicas às escuras? Estão “chutando” soluções? Estão forjando medidas que em nada contribuem para solucionar um problema, pois eles sequer sabem dimensionar o mesmo?

Imagine que, de cada 100 homicídios no Brasil, apenas oito são esclarecidos, e que desses oito um foi cometido por adolescentes. Seria um absurdo concluir que apenas um em cada cem homicídios foi praticado por adolescentes. Um estatístico cuidadoso diria que menores foram culpados por um em cada oito crimes esclarecidos (ou 12,5%).

Adotando esse método, os números brasileiros se aproximariam dos de outros países. Nos Estados Unidos, menores praticaram 7% dos homicídios de 2012. No Canadá, 11%. Na Inglaterra, 18% dos crimes violentos (homicídio, tentativa de homicídio, assalto e estupro) vieram de pessoas entre 10 e 17 anos. Tem algo errado ou os adolescentes brasileiros são os mais pacatos do mundo?

Sim, tem algo errado: a estatística.

A FALHA DO ARGUMENTO

Alguém pode dizer que o número de jovens homicidas continua baixo. Mesmo se for 1% ou 10%, a redução da maioridade não resolveria muita coisa.

Isso! Até porque se a tipificação de uma conduta ou a possibilidade de punição do agente fosse motivo suficiente para não o não cometimento de crimes, não haveriam criminosos maiores de idade.

Acontece que os brasileiros entre 15 e 18 anos são, segundo o IBGE, 8% da população. Afirmar que adolescentes respondem por uma pequena parte dos crimes faz parecer que eles não são culpados pela violência do país, quando provavelmente são tão ou um pouco mais violentos que a média dos cidadãos.

Não há aí nenhuma novidade. Quem já passou pela adolescência sabe que essa é a época da vida em que mais nos sujeitamos a brigas, perigos e transgressões. Não é preciso ser um grande estudioso do comportamento humano para concluir que a juventude é a época de fazer tolice.

Além disso, a estatística compara uma faixa etária muito estreita – jovens entre 15 e 17 anos – com uma muito ampla – qualquer adulto com mais de 18 anos. É claro que o segundo grupo vai ficar com o maior pedaço. Mas se confrontarmos faixas etárias equivalentes, a violência é similar. Brasileiros entre 35 e 37 anos também são responsáveis por uma pequena porcentagem de assassinatos. Deveríamos deixar de condená-los, já que a prisão deles não resolveria o problema de violência no Brasil? Não, claro que não.

Os opositores da redução da maioridade penal ainda têm uma boa lista de razões para lutar contra o projeto de lei. Argumentos não faltam. O que falta é cuidado com os números.

Esses dois últimos parágrafos do Narloch, concordo. A faixa etária avaliada é muito restrita e comparativamente não se sustenta esse argumento, embora tenham vários outros relevantes. O que acho curioso é que o Rodrigo Constantino apenas publicou uma parte do texto que embasa sua argumentação pró redução. Não transcreveu os demais trechos nos quais Narloch deixa claro que não se trata de argumento principal que deve nortear o debate. Rodrigo leva seu leitor (que não venha a buscar o texto do Narloch na íntegra) a um equívoco no raciocínio, desprezando a bandeira contra redução, por um argumento que o próprio “desmistificador” compreende pouco relevante para a avaliação mais profunda do tema.

Atualização: depois da publicação deste post, fui procurado por Tulio Kahn, autor da pesquisa de 2004 da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ele me esclareceu que foi a reportagem da Folha que chegou ao número de menos de 1% de crimes, cometendo o erro que descrevi acima. Segundo Kahn, em seus dados originais, os homicídios cometidos por adolescentes seriam 3,3% do total de homicídios esclarecidos. 

Sim, as estatísticas podem ser a arte de torturar números até que confessem qualquer coisa. Podem mostrar muita coisa, como sabia Roberto Campos, mas esconder o essencial, tal como os biquinis. Manipuladas por gente “esperta”, as estatísticas produzem uma base empírica para a narrativa ideológica, dando ares de ciência àquilo que é puro desejo e crença.

Rodrigo ignora que existem argumentos muito mais relevantes e coloca sobre a pecha da descrença uma argumentação muito maior e mais fundamentada.

A lógica já mostra o óbvio: a inimputabilidade dos menores gera um clima de impunidade, o que certamente representa um convite ao crime.

Pera, pera, pera!!! Eu trocaria as palavras “inimputabilidade” por “impunidade” e “menores” por “maiores”. O que convida adultos, jovens, crianças, quem quer que seja ao crime nesse país é a “impunidade”. E ela continuará a ser um convite aos que passarem a ser responsabilizados criminalmente pelos seus atos. Lei não resolve. O número de brechas legais usadas e abusadas por advogados criminalistas fazem com que valha a pena delinquir nesse país. Os adolescentes entre 16 e 18 anos continuaram ingressando no crime pela absoluta certeza da impunidade (já regra em nosso sistema criminal). Dependendo da raça ou classe social, então, nada mudará. A não ser os que, uma vez ingressando no sistema penitenciário (como exceção, pois os casos realmente elucidados são poucos e os que são efetivamente punidos menores ainda), saiam ainda piores.

Eles são aliciados pelos bandidos, ou então resolvem por conta própria entrar no mundo do crime, pois sabem que a punição, caso pegos, será suave. Negar que isso seja um estímulo ao crime é ignorar a natureza humana em troca de uma visão romântica do homem. Valeu, Rousseau!

O maior estímulo ao crime no país vem de uma corja de políticos que nunca são punidos, do fato do crime organizado ter convênio com políticos (em campanha nem se fala…), da impunidade ser lei no país, do Judiciário não dar conta da quantidade de processos, do Sistema Penitenciário estar falido (e o cara saber que, dentro dele, continuará a comandar seus negócios), dos promotores de Justiça terem que atuar em várias Varas não conseguindo dar conta dos prazos processuais, da legislação que possibilita brechas enormes (até porque alguns dos mais interessados em “brechas” legais são os próprios “fazedores de lei: nossos deputados federais, que boa parte responde processos por crimes comuns em seus estados; aliás, não é contar nenhuma novidade dizer que a Câmara dos Deputados e Senado é refúgio para quem quer viver sob o foro privilegiado). E citaria aqui mais tantos motivos para delinquir nesse país.

O leitor tem o direito de ser contra a redução da maioridade penal, claro. Precisa, porém, apresentar bons argumentos para isso. Apelar ao sensacionalismo não vale.

Possivelmente por isso a minimização que Rodrigo faz dando às estatísticas – conferindo-as a importância que não possui, diante de outros argumentos – possa ser considerada também sensacionalismo.

Tentar monopolizar as boas intenções para com nossos jovens pobres não vale. E usar falsas estatísticas vale menos ainda.

——————-

E vocês, o que acham da redução da maioridade penal e dos textos e argumentos citados pelo Rodrigo e Narloch?

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30
março
2015
“Por que deixaram a crise se aproximar tanto de Dilma?” – 5 Minutos de Política

Oi, amores, tudo bem? Gostaram do post com a visita à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte?

A partir de amanhã, vem muito mais informação sobre a viagem, ok? Espero que vocês gostam e seja útil.

Mas vamos a nosso vídeo de hoje da série “5 Minutos de Política“. Gravei o vídeo cedinho, quando ainda estava em Natal, no hotel, 6 horas da manhã… hahaha Correndo!

DSC07968

O tema de hoje do nosso vídeo é o intrigante comportamento do PT e do Governo de deixar que a crise se aproxime perigosamente da presidente Dilma (ao contrário da blindagem fortíssima que sempre fizeram com Lula, em momentos mais críticos, como a CPI dos Correios e Mensalão, afastando a imagem do presidente – no imaginário popular – das denúncias).

Aperta o Play:
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17
março
2015
Manifestações de 13 de março: “fim da corrupção” não se pede (5 Minutos de Política)

Oi, gente!

Após as manifestações do dia 15 de março (domingo passado) fiz um vídeo comentando um dos aspectos: o fato das pessoas estarem pedindo o fim da corrupção aos políticos. O vídeo é o segundo de nossa web série 5 Minutos de Política.

Aperta o play:


Aproveitem para ver também o primeiro vídeo da nossa web série 5 Minutos de Política:

Compartilhe os vídeos em suas redes sociais!!! E se inscreva em nosso canal do Youtube!

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15
março
2015
Manifestações contra Dilma e o PT tomam conta do país

Como comentei no post anterior, o país ferve hoje com manifestações que estão reunindo quase 2 milhões de pessoas pelas ruas de capitais e cidades do interior em todo o país.

Nas redes sociais, as discussões estão acaloradas e vim dividir alguns posts nossos com vocês que acompanham o blog para que, clicando nos links, vocês possam acessar os comentários do Facebook e dialogar conosco.

Post 7

Michel Temer, todo danadinho, colocou essa postagem no Twitter mais cedo. Aí depois tirou. Ato falho da zorra!!!

(Ele me ligou agora pedindo para eu agradecer a vcs, disse que tá orgulhoso da galera que foi para as manifestações, perguntou se vcs querem mais panelas e falou que tá assistindo tudo de bouas na mansão rindo e bebendo wisk, com a galera do PMDB que tem várias diretorias e centenas de contratos milionários no Governo. PS1: mentira que ele não me ligou. PS2: eu não sei escrever wisk e tenho mais o que fazer do que procurar a grafia no google)

Post 6

Eu, no lugar de Dilma, faria um pronunciamento em horário nobre amanhã.

Post 5

Pra os militantes do PT

Ó, só porque sou muuuuito gente boa, vou dar uma dica para meus amigos do Face que defendem Dilma e/ou são da esquerda, tá?

Tomem nota: não vai adiantar fazer vista grossa; não vai adiantar fazer a egípcia; não vai adiantar ignorar; não vai adiantar fingir que nada está acontecendo; não vai adiantar achar que não vai dar em nada (como as manifestações de 2013); vai adiantar tentar deslegitimar um movimento que levou (muito) mais de 1 milhão para a rua. Esse discurso não dá! Faliu! Já era! Vocês precisam partir de uma constatação óbvia: vocês estão com problemas sérios de militância e mobilização. Sérios! Encarem que as ruas do país estão tomadas de gente e vocês vão precisar mudar o discurso, vão ter que rever a forma de se organizar, vão ter que se refazer, vão ter que refletir sobre suas práticas diárias de militância… Os últimos 13 anos foram massa, foram fáceis (num país sem oposição) e foram “mamão com mel”… Mas AGORA vcs vão TER que sair da zona de conforto, tá? É sério, gente… (confiem em mim)

Post 4

É bonito de ver o povo nas ruas protestando por um país melhor!!!! Eu também quero um país melhor. Mas, para isso, não achei necessário participar das manifestações de hoje. E não fui por que não me sinto contemplada com o conjunto das pautas levantadas pelos manifestantes e também por que não me sinto representada pelos políticos que – numa disputa de espaço e poder – convocaram e apoiam essas manifestações.

No mais, espero que TODO esse povo (uma imensidão de gente) tenha feito essa reflexão antes de sair de casa. Eu sei pelo que estou me manifestando? É nessa manifestação que sinto minhas demandas acolhidas? Quais os objetivos que quero alcançar? A quem favoreço com cada ato meu? Quem é fortalecido com minha manifestação? O que eu tenho feito, na prática, para exercer minha cidadania? Quais as consequências de’u me juntar a uma imensa multidão que possivelmente não tenha claro o que quer? E como fica um país após a saída de uma presidente (uma das pautas)? O que eu fiz nos últimos anos (na prática) para alcançar as pautas que reivindico (especialmente o fim da corrupção)? Estou cercada de pessoas que pensam a política com os mesmos objetivos que eu? Queremos as mesmas melhorias para o país?

Espero que as pessoas tenham feito pelo menos alguns desses questinamentos antes de sair de casa hoje. Acredito que quem refletiu (em Salvador, muita gente que conheço) e, assim, concluiu por participar, está coberto de razão em exercer sua cidadania dessa forma.

Eu me fiz esses questionamentos, os respondi intimamente, e por isso não fui!

A quem acha desnecessária essa reflexão antes de participar de um ato público, eu deixo uma informação: EU não nasci pra ser conduzida como massa de manobra, nem pra um lado, e nem pra o outro…

Post 3

O problema é que quem defende o impeachment precisa compreender, SÓ PRA COMEÇAR, que ser contra o impeachment não significa ser a favor da corrupção. Não significa defender bandidos. Pelo contrário, significa respeitar as regras do jogo democrático e buscar soluções reais e verdadeiras (em detrimento do obaoba). Eu posso me “gabar” de combater a corrupção (se a questão for essa) através de vias legítimas e dentro da lei (pagando, inclusive, um preço pessoal caro), ao contrário de muita gente que defende uma medida (saída de Dilma) sem qualquer avaliação sobre as consequências para o país e sem, sequer, assumir que, em relação ao combate à corrupção, isso não mudaria rigorosamente NADA.

Post 2

Pronto! A Globo agora acaba de explicar o que eu tentei explicar sexta-feira e muita gente não entendeu.

Sexta-feira, ao assistir o Jornal Nacional, reclamei que as matérias sobre as manifestações foram péssimas e que se resumiram a falar sobre as inconsistências em relação ao número de manifestantes, em detrimento da pauta do protesto (que não ficou clara na matéria). Agora, nessa manhã de domingo, a emissora faz uma cobertura FANTÁSTICA (parabéns) dos protestos, mostrando os cartazes, entrevistando, colocando o áudio das passeatas (gritos de ordem, hino nacional), citando os pedidos. Isso SIM é uma matéria!!! Era isso que EU esperava TAMBÉM na sexta-feira. Mas…

Post 1

Toda vez que vejo uma placa, cartaz ou texto pedindo Impeachment, tenho cólicas de vergonha. Muita, muita vergonha!!!

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08
março
2015
Pronunciamento de Dilma, Dia da Mulher

Oi, pessoal.

Noite de domingo, e a presidente Dilma acabou de fazer um pronunciamento na TV, falando sobre a crise econômica, seca, falta de abastecimento e combate à corrupção.

Foi organizado nas redes sociais um movimento para que, durante o pronunciamento, se realizasse um “Panelaço” pelo país, como forma de protesto. Aqui em Salvador, não ouvi uma única panela bater na região que moro (Pituba/Itaigara), e perguntando nas redes sociais, tive a mesma confirmação da maioria dos internautas que responderam. Mas em outros lugares do país, a ação bombou. Em São Paulo, pelos vídeos que assisti, foi onde a movimentação mais vingou. Também há vídeos no Youtube do panelaço em Brasília, Belo Horizonte, e cidades do interior. Alguns veículos de comunicação noticiaram que a ação foi percebida mais efetivamente em 4 capitais pelo país.

Eu achei a ação desorganizada (especialmente no Facebook) e só soube na tarde do domingo, vendo postagens no Twitter. Não houve engajamento e se essa for a turma do dia 15 de março, melhor se dedicar mais para o evento não ficar esvaziado. #ficadica

Aperta o play

O que mais movimentou o domingo foram as discussões travadas durante e depois do pronunciamento nas redes sociais. Inclusive, fiz duas postagens no Facebook nas quais discutimos bastante trechos do pronunciamento, vem participar: POST 1, POST 2.

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06
março
2015
Comentando a matéria: Lista de Janot no Jornal Nacional

Oi, pessoal,

Voltei para uma notícia rapidinha: saiu a lista do Procurador Geral Rodrigo Janot. E acabou de ser noticiada no Jornal Nacional.

Eu estava me arrumando para a night soteropolitana (hahaha), mas não poderia deixar de vir aqui correndo dar a notícia mais esperada do momento: o Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou  lista completa dos nomes que o Procurador Geral da República solicitou que abertura de inquérito para investigação por – Operação Lava Jato.

No Jornal, foi lida a lista a medida em que o STF liberava, em tempo real: ASSISTA!

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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04
março
2015
Comentário político hoje na 93 FM! Não perca!

Olá, pessoal, bom dia!!!

O dia hoje começou cedo, mas como quarta-feira é um dia mais tranquilo para mim, consigo dedicar mais tempo para a maquiagem e os cuidados com a pele logo pela manhã. Então, fotografei um produto incrível que comprei no final de semana e estou amando e daqui a pouco venho dar uma super dica para vocês no blog.

Mas o dia já começou e vamos a um recadinho que sempre amo dar: hoje tem comentário político na 93 FM, no programa Opinião. Não perca, tá! Ainda não sei exatamente qual será nosso assunto a ser abordado, porque o cenário político está pegando fogoooo!!! hahaha

Divulgação

Amigos, quem acompanha o blog sabe que dou palestras em escolas sobre cidadania, jovens na política e importância do engajamento político! Então, se você tiver interesse de levar as palestras para sua escola, associação de bairro, grupo de amigos, faculdade, entre em contato pelo e-mail: contato@danielebarreto.com.br. A Democracia avançará com nossa troca de conhecimento e com Educação Política! Aguardo você!

Não deixe de interagir também nas redes sociais!!!

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02
fevereiro
2015
Comentando a matéria: Ministros usam o Facebook para conquistar a opinião pública

Oiii, genteeee!!!

Antes de voltar ao Rio Vermelho para saudar Iemanjá (rompi o dia lá, mas vou para a festa à tarde e noite), venho comentar uma matéria bem bacana da Carta Capital, de hoje, sobre o governo utilizar uma nova ferramenta de aproximação com a população e tentar, assim, conquistar a opinião pública.

Trata-se da ferramenta Face to Face do Facebook, que permite que usuários entrevistem os ministros.

Abaixo, a matéria completa da Carta Capital (em negrito e itálico), com minhas considerações (em azul).

Vejam só quem aparece no Facebook

A moda do verão em Brasília? Autoridades serem entrevistadas por cidadãos comuns em uma das mais populares redes sociais da web, o Facebook. Desde o início do ano, quatro ministros passaram pela experiência e já há outros com planos de encarar o chamado Face to Face. Até aqui, as conversas abordaram temas delicados, como as novas (e duras) regras de pagamento de seguro-desemprego e abono salarial e o aumento de impostos. Não importa. O governo vê a internet como um palco em que se sai melhor na luta pela conquista da opinião pública e prepara um gasto recorde com propaganda nesse tipo de mídia, uma decisão que ajuda na sobrevivência financeira de sites e blogs.
Olha, vou nem começar a falar do tema sem antes citar algo já conhecido em nossos debates: a capacidade do PT de sair na frente quando o assunto é mobilizar, se aproximar do povo e promover engajamento popular. Tem nem comparação com os partidos como DEM, PSDB, PMDB, que embora grandes (caso dos dois últimos), não possuem a mesma rapidez e capacidade de mobilizar, militar e mexer com a opinião pública. Enquanto os demais partidos citados tentam transpor os 30 anos que os separam do PT nos quesitos militância e marketing político. (aliás, nem tentam, a verdade é essa).
Agora, o governo, com sua tropa especialista em publicidade institucional, monta novas estratégias para diminuir os abalos à imagem da presidente Dilma (fruto de escândalos repetidos exaustivamente pela imprensa) e aproximar os ministros do povo.
Os bate-papos virtuais têm ocorrido nos gabinetes dos ministros, com duração de uma a duas horas e uma estrutura simples: um computador e um celular capaz de gravar depoimentos da autoridade sobre a experiência. Como as perguntas chegam aos magotes, o ministro pinça as que responderá conforme sua conveniência. Podem ser assuntos de seu interesse ou que exigem uma posição do governo. Eles ditam as respostas e em geral quem as digita é um assessor. Apesar de a internet ser fértil em baixarias, predomina o tom respeitoso.

O último ministro a enfrentar a sabatina virtual foi Ideli Salvatti, dos Direitos Humanos. Na tarde da segunda-feira 19, ela condenou a pena de morte, ao falar da execução de um brasileiro na Indonésia, e a redução da maioridade penal, tema cercado de “mitos que precisam ser derrubados”. Prometeu tirar do papel mecanismos antitortura. E defendeu criminalizar a homofobia, apesar de o Congresso ser um obstáculo a “legislações referentes ao ódio, à violência e à discriminação”. Para tentar dar charme à “entrevista” e fazê-la correr a web, a equipe de Ideli procurou a apresentadora Xuxa para informá-la a respeito. Deu certo. Porta-voz da lei antipalmada, a ex-global participou da conversa e perguntou o que o governo faria para a lei “pegar”.

Joaquim Levy, da Fazenda, também já encarou internautas e foi uma exceção: digitou as próprias respostas. Deixou claro que a alta de impostos recém-anunciada estava a caminho. Parecia à vontade para uma doutrinação ortodoxa. Convidou os internautas a conversar com amigos e parentes sobre a importância de o governo não gastar mais do que arrecada. O que já acontece, aliás, pois o País só cai no vermelho quando a despesa com (altos) juros da dívida entra na conta. Ao ser questionado sobre ser um “Chicago Boy”, foi bem humorado e disparou: “Ninguém come realmente de graça”. 

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Carlos Gabas, da Previdência Social, e Manoel Dias, do Trabalho, passaram pela sabatina com a missão de explicar e tirar dúvidas sobre as indigestas mudanças no pagamento de benefícios como seguro-desemprego, abono salarial e pensão por mortes, com as quais o governo espera economizar 18 bilhões de reais. A ida dos dois para a trincheira foi estimulada pelo Planalto, ao considerar que o abacaxi requer ser descascado com extremos cuidados para ser digerido no Congresso.

Nelson Barbosa, do Planejamento, e Alexandre Tombini, do Banco Central, demonstraram interesse em participar do Face to Face e podem ser os protagonistas dos próximos capítulos. Um deles inclusive enviou um assessor para acompanhar a conversa de Levy.

A crescente opção do governo pelo uso da internet como meio de comunicação tem duas explicações. A primeira é a propagação da rede mundial no País, com números e aplicações capazes de chamar a atenção internacional. A quantidade de pessoas a navegar na web diariamente no Brasil subiu de 26% em 2013 para 37% no ano passado, segundo uma pesquisa do Ibope encomendada pelo Palácio do Planalto. Em 2014, os navegantes gastaram, em média, cinco horas por dia na rede, 30 minutos mais do que o público da tevê, principal veículo do País, passou grudado à telinha. A vantagem anterior era de apenas dez minutos.

As redes sociais, além de terem grande adesão dos brasileiros (um dos povos que mais as utiliza), é também uma das grandes responsáveis por um maior interesse dos jovens pela política e pela disseminação de informações anti-Governo.

Especialmente pela oposição não ter bases sólidas em movimentos sociais e nem primar pela realização de eventos de empoderamento e de mobilização social, utilizam da internet como grande arma contra Dilma e espalham notícias sobre seu governo. Com certeza, criar estratégias que aproximem a gestão federal do povo e que  

Arena dos Face to Face ministeriais, o Facebook é apontado como fonte de informação por 83% dos internautas brasileiros, um índice que impressionou a direção da empresa, por quase não ter paralelo em outros países. Rede social do momento, o WhatsApp é fonte para 58%. Foi explorado de forma tão intensa e pioneira na recente eleição presidencial, que estrategistas políticos norte-americanos já procuraram envolvidos na campanha brasileira para se informar a respeito, de olho na sucessão do presidente Barack Obama em 2016.

Pois é, com a disseminação de informação através das redes sociais, o Governo investe cada vez mais nessas mídias. E, como citei acima, dão um show de competência. Inclusive, destaque especial para a campanha de Dilma que desbancou de longe estratégias de marketing de Aécio (que até obteve um bom resultado se considerarmos a sua falta de legitimidade como suposto representante máximo da oposição).

 Além da disseminação, a internet caiu nas graças do governo por ser um terreno com mais espaço para as autoridades expressarem suas ideias e políticas, sem a seletividade imposta pela limitação e pela linha editorial das mídias tradicionais. Não é de se estranhar, portanto, que o Planalto prepare um gasto inédito de propaganda na internet este ano, um investimento com o qual ajuda a sustentar sites e blogs. A intenção é aplicar 18% da verba publicitária dos ministérios, 20% a mais do que em 2014. Algo como 135 milhões de reais, de um total estimado em 750 milhões.

A ampliação da fatia da internet na publicidade federal não ameaçará a liderança da televisão. As emissoras levaram cerca de 60% dos recursos no ano passado e devem ficar com o mesmo quinhão agora. Apesar de a audiência estar em declínio, o recente levantamento do Ibope apurou ter subido de 65% para 73% o número de brasileiros que, em 2014, declararam ver tevê diariamente, talvez por causa da eleição presidencial. E é essa pesquisa que orienta a distribuição das verbas. Conclusão: rádios, jornais e revistas vão perder dinheiro em 2015.

Claro que as TV´s são as mídias que recebem mais investimentos e continuarão. Mas a possibilidade de falar diretamente com cada cidadão é muito mais fomentada e promovida através da internet. Esse diálogo aproxima o governo e gera melhor impressão, embora não tenha ainda o alcance de uma Tv aberta.

E vocês, o que acharam do tema? Já acompanharam algum Face to Face?

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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29
janeiro
2015
Novos Ministros: Os escolhidos de Dilma – quem são!

Oiii, galera!!!!!

Finalmente saiu o post sobre os ministros de Dilminha. Uhuuuullll!!! kkkk Olha, gente, que situação, viu? Levei quase um mês pra pesquisar o currículo de vida de cada um dos abençoados pela petista, mas eis que consegui e post do blog ficou pronto! (eu ouvi palmas? foram palmas?) Eu não conhecia a maioria dos ministros (já me disseram no Face que “nem ela” kkk) e aí que aprendi muito com a pesquisa e agora vai ser bem mais fácil a gente fiscalizar essa galera, né?

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Então resolvi dar uma geral nos nomes e no passado condenável dos iluminados, escolhidos pela Diva-Mor (por falar em Diva, que bafão sobre a roupa da posse, viu? kkk), e, claro, compartilhar as informações aqui com vocês porque sou uma blogueira fofa <3 !!!

  • Quantidade

Na primeira quinta-feira de janeiro, a Presidente Dilma assinou os termos que dão posse aos 39 Ministros escolhidos. Todo mundo que tem sã consciência reclama de que a quantidade é grande demais. E é! Mas eles defendem que a quantidade é necessária. Tá, então…

  • Velhos conhecidos

Vale lembrar que dos escolhidos, 15 já ocupavam o posto e quatro apenas trocaram de pasta. Sendo que 20 ministros é só fazer as contas kkk chegam agora à Esplanada dos Ministérios.

  • A galera de Dilma

Vamos às pastas e aos nomes dos ministros. Ahhh, mas antes, uma sugestão pra se divertir nessa noite de quarta-feira: acesse ESSE LINK da Folha e tente acertar os nomes dos ministros antes de ler esse post! Rapaz, eu fiz e amei! (final do post conto meu resultado hahahaha). É muito divertido, gente, SÉRIO!!! Eu coloco vocês em cilada não. hahahahaha

Advocacia Geral da União

luis inacio adams

Luís Inácio Adams

  • Já é o Ministro da pasta.
  • Idade: 51
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: Herança de Lula para Dilma que permanece até hoje (milagre!)
  • Formação Técnica: é advogado, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  • Histórico na área: Procurador da  Fazenda concursado, desde 1993. Entre 2001 e 2002 foi Secretário-Geral de Contencioso do Gabinete do Advogado-Geral da União. Também desempenhou funções no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, chegando a Secretário Executivo Adjunto do ministério. Em 2006 foi nomeado Procurador-Geral da Fazenda Nacional até ser escolhido, pelo presidente Lula para ocupar a Advocacia-Geral da União, em 2009.

Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Senadora Kátia Abreu (PSD-TO) comemora ampliação do seguro agrícola no Plano-Safra 2012/2013

Kátia Abreu

  • Idade: 52 anos
  • Partido ao qual é filiada: PMDB
  • Curiosidade: recebeu o prêmio “motosserra de ouro” concedido pelo Greenpeace “por sua defesa ferrenha de mudanças no Código Florestal, em prol de mais desmatamentos no Brasil”. De extrema direita (PFL, DEM), passou a vida defendendo os grandes latifundiários e o agronegócio, uma vez no PMDB e tendo se aproximado pessoalmente da presidente Dilma, virou ministra, mesmo contra boa parte da militância da legenda da presidente
  • Formação técnica: psicóloga.
  • Histórico na área: fazendeira riquíssima, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil; primeira mulher presidente da bancada ruralista no Congresso Nacional.

Banco Central

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Alexandre Tombini

  • Idade: 51 anos
  • Formação técnicaFormou-se em economia pela Universidade de Brasília, é concursado do Banco Central e já ocupou vários cargos
  • Histórico na áreacargo de assessor sênior do FMI. Em 2010 foi nomeado presidente do Banco Central, em 2011 substituído por Henrique Meireles. Foi assessor especial da Câmara de Comércio Exterior e da Casa Civil de 1995 a 1998, e trabalho na Secretaria de Política Econômica.

Casa Civil

Mercadante

Aloizio Mercadante

  • Idade: 61
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: o coordenador de sua campanha (2006, SP) havia sido filmado com uma mala no hotel onde seriam presos dois “aloprados”. Foi quando rolou aquele falso dossiê contra Serra. Dizem que Mercadante foi mentor e um dos arrecadadores do dinheiro para montar a farsa. Para a PF, o dinheiro saiu do caixa 2 de sua campanha ao governo, mas o STF anulou seu indiciamento.
  • Formação Técnica: graduado em Economia pela USP, mestre em Ciência Econômica e doutor em Teoria Econômica pela Unicamp. É professor licenciado da PUC-SP e da Unicamp. Foi ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação. Foi Senador e é escritor
  • Histórico na área: Basta ser de confiança para ocupar o cargo de Ministro da Casa Civil, vide Dirceu

 

Cidades

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Gilberto Kassab

  • Idade: 55
  • Partido ao qual é filiado: PSD
  • Curiosidade: Ex-prefeito de São Paulo e anti-PT, ao criar o PSD, se aliou ao Governo. Ou melhor: criou o PSD para se aliar ao Governo. Será um dos articuladores da base aliada na Câmara dos Deputados, para garantir bom fluxo à Dilma. Inventou o “apoio divergente”, dizendo-se “nem de direita, nem de esquerda ou de centro”, acreditando que “apoiar é divergir construtivamente”.
  • Formação Técnica: Engenheiro Civil, empresário, corretor de imóveis
  • Histórico na área: Foi prefeito de São Paulo duas vezes, ligado a José Serra, em gestões muito criticadas pelos petistas

Ciência, Tecnologia e Inovação

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

Aldo Rebelo

  • Idade: 58
  • Partido ao qual é filiado: PC do B
  • Curiosidade: foi da UNE e já se candidatou pelo PMDB (quando o Partido Comunista ainda estava na ilegalidade)
  • Formação Técnica: Jornalista. Ex-deputado federal, ex-Presidente da Câmara dos deputados, ex-Ministro dos Esportes
  • Histórico na área: Uma pessoa que ocupa dois ministérios tão distintos, mostra que não é referência nem numa área nem na outra. Ah, quando ele era o líder do governo na Câmara, ajudou o Palácio do Planalto a obter votos para as reformas prioritárias do início do governo Lula (seu amigo pessoal). Mais caiu por escândalos e pela ineficácia no comando da base aliada. (veja como esse lance de política é cíclico: vários indivíduos que já foram afastados com suas imagens manchadas voltaram agora de fininho e ninguém percebe, né?)

Comunicações

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Ricardo Berzoini

  • Idade: 55
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: Berzoini foi coordenador da campanha de reeleição de Lula (2006), mas foi substituído por Marco Aurélio Garcia devido ao Escândalo do Dossiê; isso também o afastou da presidência do partido (mas ele voltou depois, é mole?)
  • Formação Técnica: Bancário concursado
  • Histórico na área: começou a trajetória política em sindicato e foi deputado federal. Foi ministro da Previdência Social e Ministro do Trabalho e Emprego. Foi presidente do PT

Controladoria-Geral da União

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Valdir Simão

  • Idade: 55
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: Berzoini foi coordenador da campanha de reeleição de Lula (2006), mas foi substituído por Marco Aurélio Garcia devido ao Escândalo do Dossiê; isso também o afastou da presidência do partido (mas ele voltou depois, é mole?)
  • Formação Técnica: Bancário concursado
  • Histórico na área: começou a trajetória política em sindicato e foi deputado federal. Foi ministro da Previdência Social e Ministro do Trabalho e Emprego. Foi presidente do PT

Cultura

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Juca Ferreira

  • Idade: 66
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: baiano, assume o ministério em um momento delicado, com a saída desonrosa de Marta Suplicy, que está atirando para tudo quanto é lado. Ah, vale lembrar que se trata de um cara muito querido pelo meio político petista na Bahia e na militância jovem. (vou ver se consigo com algum amigo do PT uma entrevista com ele para o blog).
  • Formação Técnica: sociólogo, foi líder estudantil, exilado na Suécia, França e Chile (chique!)
  • Histórico na área: Trabalhou na Fundação Cultural do Estado da Bahia, ajudou na fundação do Projeto Axé, foi Ministro no Governo Lula

Defesa

Jaques-Wagner

Jaques Wagner

  • Idade:64
  • Partido ao qual é filiado: PT
  • Curiosidade: é judeu, mas não pode ver uma movimentação na Bahia que corre pra aparecer. Embora tenha começado a vida política em sindicatos, suas gestões conflituosas com o funcionalismo público. Andou dizendo que vai ser uma espécie de super Ministro de Dilma, articulador geral e tals… vamos ver, né?
  • Formação Técnica:  começou engenharia civil, mas não concluiu (PUC-RJ), ingressou no Polo Petroquímico de Camaçari, atuou no sindicato, conheceu Lula num congresso de petroleiros, foi um dos fundadores do PT e da CUT
  • Histórico na área:  Nenhum. Foi Ministro do Trabalho e Ministro das Relações Institucionais

(leia mais…)


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27
janeiro
2015
Parteiras da Floresta: incentivo ao parto normal e parteiras no Amapá

Oi, galera, bom dia!!!!!!

Como vocês sabem, fiz uma viagem ao Amapá no mês de dezembro e venho contar mais sobre as descobertas que vivenciei por lá.

E hoje queria falar com vocês sobre um assunto que tenho enorme curiosidade, mas que só recentemente comecei a ler mais: as parteiras.

Claro que parece, a primeira vista, um tema ultrapassado, tendo em vista a tradição de partos cesárias em hospitais e a evolução da medicina convencional. Mas o tema volta ao cenário nacional depois que Dilma resolveu estimular os partos normais, através de ações do Ministério da Saúde.

Óbvio que se tratam de duas questões que não são idênticas. O estímulo ao parto normal e o parto com doulas e parteiras são coisas diferentes. Mas resolvi abordar no mesmo post por ser, em geral, questões relacionadas ao parto humanitário. Então, vamos conhecer, juntos, um pouco mais sobre o Amapá, as novas políticas adotadas pelo Governo sobre o parto, a função das parteiras e doulas, e a tradição do Amapá (onde as Parteiras da Floresta realizam milhares de partos).

Incentivo ao parto normal

No dia 07 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Complementar publicaram uma resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e diminuição das cesarianas (cujo número é considerado alto). Muito vem sendo discutido sobre os planos de saúde empurrarem as gestantes para a cesariana (cujo procedimento é mais caro e, portanto, o plano ganha mais dinheiro), num país em que cerca de 23,7 milhões de mulheres são beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no país.

O Governo, na apresentação das medidas, afirmou se tratar de uma epidemia de cesarianas. E não será fácil reverter a tradição de partos cesarianas.

Números divulgados pelo Governo Federal:

❋ o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar

❋ as cesáreas são 40% dos partos na rede pública

taxa recomendada pela OMS é de 15%

❋ a cesariana sem indicação médica aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe

❋ 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade

Obrigações das operadoras de saúde:

❋ dar acesso às consumidoras de planos de saúde às informações sobre cirurgias cesáreas e de partos normais, em 15 dias após a solicitação

❋ fornecer o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal (qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação)

❋ as operadoras devem orientar que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico que detalha como foi o parto, processo necessário para o pagamento do parto (com ele é possível saber quais complicações justificaram as decisões tomadas pela equipe médica)

Prazo para implementação:

❋ as regras passam a ser obrigatórias em 180 dias

“Não podemos aceitar que as cesarianas sejam realizadas em função do poder econômico ou por comodidade. O normal é o parto normal. Não há justificativa de nenhuma ordem, financeira, técnica, científica, que possa continuar dando validade a essa taxa alta de cesáreas na saúde suplementar. Temos que reverter essa situação que se instalou no país. É inaceitável a epidemia de cesáreas que há hoje e não há outra forma de tratá-la senão como um problema de saúde pública”, Arthur Chioro.

Parteiras do Amapá

Trouxe esse assunto do parto normal para falar mais um pouco da viagem que fiz ao Amapá, na qual, inclusive, aproveitei para conhecer cidades do interior como Santana e Tartarugalzinho.

Em Tartarugalzinho, numa viagem com a equipe da Natura, conheci algumas mulheres fortes e guerreiras que transformam a vida de milhares de pessoas no meio da Floresta. Dentre elas, algumas parteiras que já realizaram centenas de Amazônia.

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Foto Internet

Claro que o parto natural de que trata o Governo não é com parteira; trata-se, na recomendação visando o aumento de partos normais, em hospitais, por procedimentos médicos pagos por planos de saúde. Mas como eu já estava absolutamente encantada com as parteiras que conheci e também fiquei curiosa pelo assunto trazido à baila pelo Ministério da Saúde, aproveitei para juntar os dois assuntos nesse post, que, na verdade, reflete minha preocupação e interesse em saber mais sobre o parto humanitário (seja ele realizado por médicos com estrutura hospitalar ou mulheres em casas simples no meio da floresta).

A parteira é a profissão feminina mais antiga do mundo, surgiu com o nascimento dos primeiros bebês – quando mulheres passaram a auxiliar outras nesse momento. A profissão volta a ter visibilidade com o movimento em favor do parto humanizado. A parteira trás bons resultados nos partos sem risco e sua principal preocupação é o bom andamento do trabalho de parto.

Elas podem ser parteiras tradicionais (que são aquelas que não possuem estudo técnico e vivem em regiões rurais ou afastadas – o que é o caso das que conheci no interior do Amapá), enfermeiras obstetras ou obstetrizes, formadas em cursos específicos e reconhecidos.

As parteiras podem ter formação técnica ou conhecimento prático, e com sua experiência podem usar como: manobras e posições, chás e alimentos, medicamentos, banhos de ervas, massagens e rezas, usar oxigênio, medicamentos para conter hemorragias, fazer suturas e reanimações.

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

O Amapá é o Estado brasileiro onde mais se faz partos normais. As mulheres na Amazônia são responsáveis por ajudar milhares de outras mulheres a dar à luz. E assim povoaram o Estado por gerações. São pescadoras, donas de casa, agricultoras, extrativistas que são chamadas a qualquer hora do dia ou da noite para invadir ruas e florestas a dentro para auxiliar as parturientes. Algumas recebem como pagamento valores de R$ 10 a R$ 40 reais, ou cereais e galinha, mas a maioria se nega a qualquer auxílio pois acreditam que foram escolhidas por Deus para “puxar barriga” e “pegar menino”.

Eu conversei com uma das parteiras do município de Tartarugalzinho, veja o vídeo:

foto

Fonte Internet

Nas pesquisas que fiz na internet após voltar de viagem, me deparei com a figura da Mãe Luzia – uma uma mulher surpreendente, que nasceu em 1854; era descendente de escravos e pelas suas mãos nasceram milhares de crianças de várias gerações.

O coronel Coriolano Jucá (espécie de prefeito de Macapá em 1895) a convidou para trabalhar como parteira, com remuneração. Além de trabalhar como lavadeira e passadeira durante o dia. Lavava roupa com os seios expostos, como seus ancestrais, porque sempre aparecia um filho de parto para amamentar, e vestia uma bata branca quando autoridades chegavam a sua casa para receber conselhos.

Parteiras da Floresta, por Eliane Brum

Aproveito para compartilhar trechos desse texto lindo da Eliane Brum:

Parteiras da Floresta, Por Eliane Brum

Elas nasceram do ventre úmido da Amazônia, no extremo norte do Brasil, no Estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas.

Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocuruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.

Encarapitadas em barcos ou tateando caminhos com os pés, a índia Dorica, a cabocla Jovelina e a quilombola Rossilda são guias de uma viagem por mistérios antigos. Unem-se todas pela trama de nascimentos inscritos na palma da mão. Pegar menino é ter paciência“, recita Dorica, a mais velha parteira do Amapá. Aos 96 anos, mais de 2 mil índios conheceram o mundo pelas suas mãos. “Mulher e floresta são uma coisa só“.  “A mãe-terra tem tudo, como tudo se encontra no corpo da mulher. Força, coragem, vida e prazer.”

Das entranhas do corpo feminino Dorica nada arranca, apenas espera. “Puxa” a barriga da mãe endireitando a criança, lambuzando o ventre com óleo de anta, arraia ou mucura (gambá) para apressar as dores. Perfura a bolsa com a unha se for preciso e corta o cordão umbilical com flecha se faltar tesoura. Pegar menino é esperar o tempo de nascer. Os médicos da cidade não sabem e, porque não sabem, cortam a mulher.”

As parteiras da floresta comungam da religião católica. Algumas adotaram as pentecostais. Outras são espíritas, batuqueiras. Mas no coração vive uma religião antiga, em que a grande deidade era feminina. Aquela que governa o nascimento-vida-morte, presente-passado-futuro. Hoje, mesmo invocando um deus masculino, o Espírito Santo ou os orixás, elas guardam uma herança silenciosa em que o feminino é fonte de toda a vida, e cada mulher é a guardiã do mistério. Quando remam quilômetros por rios ou vão “de pés” para auxiliar uma igual a consumar o milagre da vida.

O parto é símbolo de resistência, uma lembrança subversiva de que cada mulher guarda um pouco da deusa.

O que essa mulherada sofre na maternidade é um golpe. Aqui, se o menino acomodou de mau jeito, a gente vai e dobra. Vou puxando até ele se ajeitar, botar a cabeça no lugar. Aí não precisa cortar. Médico, coitado, não sabe dobrar menino.” Parto é mistério de mulher. Feito por mulheres, entre mulheres.

Está além da compreensão das parteiras da floresta que a vida se desenrole no hospital, como se doença fosse. Parto não é sofrimento. É festa. Rossilda, 63 anos, do quilombo do Curiaú, pega o rumo de cada parto acompanhada de outra parteira, Angelina. Em espírito invocado, porque Angelina deixou este mundo há muito. Vencidas as nove luas, os homens são despachados para não fazer zoada. Parto é festa feminina. Rindo um pouco, rezando outro tanto, de branco dos pés à cabeça, Rossilda vai ajeitando a criança, vigiando a dor. Quando se vê, “lá vem o menino escorregando pro mundo“.

Assim como a criança, o dia nasce sem outra força que não seja a da natureza. Surge em hora precisa, sem que ninguém tenha de arrancá-lo do ventre da noite.

Do útero circular, a índia Nazira aviva a chama: “Índia, crioula, brasileira, é uma dor só. O mesmo coração de mulher“. Aos 92 anos, Juliana é a mais antiga parteira de Macapá: “Nasci em 20 de janeiro de 1908, dia de São Sebastião. Casei com 15 anos, por amor e mais nada. Comecei a partejar com fé em Deus e sozinha. Fiquei com as mãos aleijadas pelo sangue da mulher. Este sangue é muito forte, vai encaroçando sem que a gente faça fé. Minha única filha não quis que eu aparasse o menino, morreu de parto por sua vontade. Quando me chamaram já era tarde, minha filha estava perdida. Neste mundo fiz 339 filhos de pegação. Era importante a vida antiga porque de tudo se entendia. Agora não se entende é mais nada“.

Aproveitem para assistir o vídeo com entrevista de Eliana Brum com as parteiras! Aperta o play:

Sua opinião 

Ressalto que conheço muitooo pouco sobre o assunto. Não tenho formação na área de saúde, tampouco sou pesquisadora ou estudiosa do tema. Inclusive, nunca pari. O que despertou meu interesse inicialmente foi a conversa que tive com as parteiras em dezembro do Amapá. Voltei bem curiosa sobre o assunto. Como em menos de um mês, Dilma lançou as recomendações para estimular o parto normal, juntei as duas coisas e resolvi escrever esse post para dividir essa minha descoberta com vocês.

Se você é profissional de saúde, lê sobre o tema, ou é mulher e gostaria de contar sua experiência, fique a vontade. Mande suas dúvidas também, para discutirmos juntas. Será maravilhoso para mim poder conhecer mais!!! :-)

(leia mais…)


06
janeiro
2015
Entrevista da ministra Kátia Abreu (e meus comentários)

Oi, gente!!!!!

Feliz por acordar hoje, abrir os olhos e saber que não tem mais latifúndio no Brasil, segundo Kátia Abreu! Oh, Glória! (estou aplaudindo com os pés porque com as mãos estou digitando). Mas pera, quem disse isso? Kátia AbreEEEIIII PERAÍ!!!!! Kátia Abreu?????

(observação: na verdade acordei feliz por outro motivo hihihi)

Kátia Abreu abriu o verbo e a frase virou a polêmica do dia nas rodinhas políticas (que não frequento, porque não sou disso) e nas redes sociais (onde a ministra foi alvo de todo tipo de brincadeira, crítica e chacota)! Vou reproduzir a entrevista dela à Folha de São Paulo, com comentários meus, como sempre fazemos aqui no blog. (lembrando: a íntegra da entrevista na Folha de São Paulo estará em letra preta, itálico e negrito; e os meus comentários estarão em letra normal azul, ok?)

Quem quiser ler a original da matéria da Folha de São Paulo, clica AQUI

Não existe mais latifúndio no Brasil, diz nova ministra da Agricultura

O Brasil precisa de uma reforma agrária pontual, já que o latifúndio deixou de existir no país. Os conflitos fundiários com indígenas ocorrem porque eles “saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção”.

Recém-empossada ministra da Agricultura, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) não abandonou o discurso ligado ao agronegócio que a tem colocado em rota de colisão com movimentos sociais e com setores do PT.

Nesta entrevista à Folha, ela disse que recebeu da presidente Dilma Rousseff a missão de “revolucionar” a pasta e que não teme a contenção de gastos para este ano.

Alan Marques/Folhapress
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), recém-empossada ministra da Agricultura, com a presidente Dilma Rousseff
A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), recém-empossada ministra da Agricultura, com a presidente Dilma

Folha de São Paulo – A senhora assume o ministério no momento em que grandes importadores de alimentos, como a China, crescem menos ou até enfrentam crise, como a Rússia. Como será o ano para o agronegócio?

Kátia Abreu – Há dificuldades, mas não temos muitos temores em relação às commodities de alimentos. A China, que importa 23% dos nossos produtos, pode parar de investir em uma porção de coisas. Mas 1,3 bilhão de pessoas lá seguem precisando almoçar, jantar e lanchar. Está havendo uma queda de preços [dos alimentos exportados], mas não creio em alteração de volume. Mesmo com o embargo [de potências internacionais], os russos continuam se alimentando de frango. As pessoas têm de comer. E a gente não exporta produtos muito agregados, consumidos por pessoas ricas. Exportamos é carne, que a massa come, um produto processado por lá.

Comentário: Desde que se iniciaram as especulações em torno do nome de Kátia Abreu que alas do PT e outros partidos de esquerda se manifestaram contrariamente à indicação. O MST considerou, logo que o nome foi divulgado, equivocada a nomeação de Kátia Abreu para o ministério. (matéria completa aqui) Em novembro, o deputado federal Valmir Assunção chegou a afirmar que “se os nomes forem confirmados, Dilma sepulta a esperança dos movimentos sociais que lutam pela reforma agrária”. (leia)

Por óbvio que existem petistas satisfeitos com a nomeação, como o suplente da senadora, o petista Donizete Nogueira que vai assumir o cargo deixado por ela no Senado. (veja)

Kátia Abreu é latifundiária e líder do agronegócio.

Folha de São Paulo – A sua primeira viagem internacional será a esses países. Qual será a pauta?

Kátia Abreu – Vamos assinar acordos firmes e claros para a habilitação, por exemplo, de novas fábricas frigoríficas no Brasil, para que elas possam exportar para esses países. Os chineses e os russos verbalizam: “Não queremos ficar na mão de JBS, Marfrig, Minerva [os maiores frigoríficos do país]”. Eles querem ter mais opções de compra. Vamos ampliar as possibilidades.

Folha de São Paulo – Não haverá reação dos frigoríficos que já têm esse mercado?

Kátia Abreu – Ninguém gosta de dividir nada, né? As pessoas, quanto mais ganham, mais felizes ficam. Mas cabe ao Estado brasileiro abrir oportunidades e fazer o jogo da nação. E não de corporações. Eu não posso focar o privilégio de alguns em detrimento dos demais.

Folha de São Paulo – Ainda sobre a crise: o ano será de contenção de gastos. Como ficará o orçamento do Ministério da Agricultura?

Kátia Abreu – Todo mundo me fala: “Você vai brigar com o [ministro da Fazenda] Joaquim Levy”. Gente, tenho uma tranquilidade tão grande! O setor [do agronegócio] é tão consolidado e dá respostas tão rápidas que é perigoso até ele me dar mais do que peço. É verdade! Ele não quer que o país se recupere? Vai recuperar com que, gente? Fabricando o que, a não ser comida? Então não tenho medo dos cortes do Levy. Ele vai investir em carne boa. Não vai investir em carne podre. O agronegócio não é carne podre.

Folha de São Paulo – Movimentos sociais que apoiaram a reeleição de Dilma Rousseff afirmam que a nomeação da senhora foi um tapa na cara deles.

Kátia Abreu – Se eles me apoiassem, aí era difícil, né?

Folha de São Paulo – O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) diz que a senhora criminaliza os movimentos e até já pediu CPI contra eles.

Kátia Abreu – Quero dialogar com eles. Diálogo sempre. E condenar invasão, sempre. Tem MST que invade, isso é ilícito, sim, e vai continuar sendo. Está na Constituição.

Folha de São Paulo – A senhora trabalha com a possibilidade de haver invasão em terras de sua família?

Kátia Abreu – O que? O Ministério do Trabalho já pediu [documentos de propriedades] de 1987 para trás, quando o meu marido ainda era vivo. Eles vão à minha casa 24 horas por dia. Não acham nada. Meu filho não aguenta mais. Já invadiram também. Eu te falo com franqueza: não tenho nada contra assentamentos.

No Tocantins, sentei com o MST, eles me pediram ajuda. Tive audiência com o [então ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel] Rossetto para arrumar dinheiro para eles comprarem a fazenda de um cidadão. Se eu quero terra, por que eles não podem querer? Agora, não invade, pelo amor de Deus, porque não dá.

Folha de São Paulo – O país não necessita acelerar a reforma agrária?

Kátia Abreu – Em massa, não. Ela tem de ser pontual, para os vocacionados. E se o governo tiver dinheiro não só para dar terra, mas garantir a estrutura e a qualidade dos assentamentos. Latifúndio não existe mais. Mas isso não acaba com a reforma. Há projetos de colonização maravilhosos que podem ser implementados. Agora, usar discurso velho, antigo, irreal, para justificar reforma agrária? A bancada [ruralista] vai trabalhar sempre, discutir, debater.

Comentário: Essa, com certeza, foi a frase de maior repercussão na mídia. Primeiro porque negar a existência de latifúndios no Brasil é uma inverdade sem cabimento, e depois porque afronta diretamente movimentos ligados à própria presidente, como o MST que sustenta apoio aos mandatos petistas, embora não se tenha avançado como o movimento gostaria. Em relação à essa afirmação, antigos sem-terra, hoje deputados federais, Valmir Assunção (BA), Marcon (RS) reagiram. Inclusive o primeiro informou que vai buscar no Instituto de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) a relação dos latifúndios improdutivos e entregar pessoalmente para Kátia Abreu. Segundo ele, “tem quase 200 fazendas no Brasil, acima de 100 mil hectares cada uma, todas improdutivas. É um dado oficial do governo. É ignorância política a ministra dizer que latifúndio não há mais. É público e notório no Brasil que quem produz alimento é o pequeno agricultor, responsável por 70% do que consumimos. O grande produtor produz monocultura para exportação, como soja e eucalipto. E a Constituição é clara e diz que terra improdutiva deve ir para reforma agrária, cumprir sua função social, como reforçou o Patrus Ananias (novo ministro do Desenvolvimento Agrário)”. (veja matéria completa no Globo) Na Bahia, o site Bahia Notícias repercutiu que o deputado vai pegar o relatório da Comissão da Verdade – também elaborado pelo Governo – que tratem do massacre ao povo indígena diante da invasão ao seu território pelo latifúndio e pelo agronegócio”. (matéria completa aqui)

Folha de São Paulo – A senhora vai chamar os movimentos para dialogar?

Kátia Abreu – Conflitos em outras áreas não são da alçada do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento]. Meus colegas do Desenvolvimento Agrário, do Incra, podem mediá-los com competência. Agora, passou o pé para dentro da terra, tô dentro. Inclusive índio. Se quiser ajudar os índios a produzirem, sou a parceira número um. Faço isso no meu Estado.

Folha de São Paulo – A proposta da PEC 215, em discussão no parlamento, de passar a responsabilidade por demarcação de terras indígenas para o Congresso não traz o risco de que não se demarque mais nada no país?

Kátia Abreu – Não. Porque não vai sair mais nada nunca do jeito que está. O STF já decidiu que terra demarcada não pode ser ampliada. Até então tinham saído várias, de forma equivocada, empurradas pela Funai [Fundação Nacional do Índio] a toque de caixa.

Enquanto os índios reivindicavam áreas na Amazônia, a gente nunca deu fé do decreto de demarcação [em vigor]. É um decreto inconstitucional, unilateral, ditatorial, louco, maluco. “E por que vocês só foram ver isso depois?” Porque os índios saíram da floresta e passaram a descer nas áreas de produção.

Não temos problema com terra indígena, a nossa implicância é com a legalidade. Se a presidenta entender que os pataxós estão com a terra pequena, arruma dinheiro da União, compra um pedaço de terra para eles e dá. Ótimo. Eu só não posso é tomar terra das pessoas para dar para outras.

Folha de São Paulo – As terras dos índios também foram tomadas.

Kátia Abreu – Então vamos tomar o Rio de Janeiro, a Bahia. Por que [o raciocínio] só vale em Mato Grosso do Sul? O Brasil inteiro era deles. Quer dizer que nós não iríamos existir.

Folha de São Paulo – E os pequenos agricultores, haverá alguma política específica para eles?

Kátia Abreu – Nós precisamos criar uma grande classe média rural brasileira. Ela hoje não existe. Dos cinco milhões de produtores do país, 300 mil são das classes A e B e só 796 mil da C. Nas classes D e E estão 70%, que contam com financiamento barato, mas não têm assistência técnica. Nós precisamos pegar essas pessoas, identificá-las, fazer editais e leilões para dar a elas assistência continuada. Eu tenho que fazer igual babá, decidir o que vai produzir. Não existe terra ruim. Tendo água, até na Arábia Saudita as pessoas plantam.

Folha de São Paulo – Haverá um “Proer” para o setor sucroalcooleiro?

Kátia Abreu – Este é um assunto gravíssimo, que deve envolver todo o governo. A crise é total. Precisamos, em primeiro lugar, conhecer o endividamento do setor, que está alavancado em dólar. Não tenho a solução mágica. Mas temos de encontrar um mecanismo de estabilidade desse biocombustível [o etanol] que não seja só a ligação com o petróleo.

Folha de São Paulo – Uma das queixas do setor é a de que a Agricultura depende de tantos outros ministérios que acaba limitada.

Kátia Abreu – A presidente Dilma me disse, de pronto, a minha missão: “Kátia, é para revolucionar”. Nós não podemos mais ficar só anunciando Plano Safra todo ano, cento e tantos bilhões para isso, cento e tantos bilhões para aquilo. É muito pouco. Ela quer que o Ministério da Agricultura tenha uma interlocução forte com o Ministério dos Transportes para discutir logística, PAC 2, PAC 3.

Folha de São Paulo – Mas não haverá tantos recursos para os investimentos.

Kátia Abreu – Temos de apostar tudo na privatização. A presidente inclusive enviará proposta ao Congresso mudando a legislação de hidrovias. Temos vários “Mississippi” maravilhosos. O correto é o governo fazer as hidrovias e depois concessionar para a iniciativa privada tocar.

Folha de São Paulo – A senhora é tida como ministra da cota pessoal de Dilma. Considera-se amiga dela?

Kátia Abreu – Falar que é amiga de presidente pega mal. Não sou amiga da presidente. Sou fã da presidente. Ela é um ser humano bom. Ela tem espírito público. Ela vai para a luta. Ela não quer saber. Ela vai, nestes quatro anos, escrever uma bela biografia. E eu quero colaborar para escrever uma biografia maravilhosa para ela na minha área.

O que vocês acharam da entrevista da ministra? (aproveitem para ler a entrevista de Cid Gomes e comentários)

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Bjo.


06
janeiro
2015
Dilma planeja troca de ministros recém-anunciados

Oi, gente, bom dia!!!

Governo animado é assim, tem nem 8 dias que a equipe foi anunciada e a presidente já planeja mudanças. NÃO PERA, DILMA, NEM ESCREVI O POST DO BLOG FALANDO SOBRE TODOS OS MINISTROS!

(abaixo trago a matéria completa da Folha de São Paulo em letra preta negrito itálico, e os meus (poucos, dessa vez) comentários, em letra azul.

A matéria é da Folha, quem quiser ler a original, clica AQUI

Dilma planeja trocas em equipe ministerial recém-anunciada Dilma planeja trocas em equipe ministerial recém-anunciada

ANDRÉIA SADI
Apesar de ter acabado de anunciar a escolha dos ministros para seu segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff poderá fazer trocas em algumas pastas já no começo deste ano. Para isso, aguarda apenas a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre políticos envolvidos no esquema de desvio de recursos da Petrobras.

Nosso comentário: Mas gente, se os políticos não estivessem envolvidos nos esquemas, bastaria a palavra deles afirmando que “nada têm a ver com isso” para que Dilma os nomeasse. Se estão esperando a manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre os nomes dos denunciados, a questão é muito clara e óbvia: o critério não será “não envolvimento” e sim “não descoberta do envolvimento”. Sim, porque se não tivessem envolvidos, estaria tudo resolvido com a mera palavra deles. Se estão aguardando as investigações, é porque sabem que estão envolvidos, mas querem aguardar para ver se foram descobertos. Simples assim. 

Durante as tratativas para compor o novo governo, no fim de 2014, Dilma avisou ao vice-presidente, Michel Temer, que Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) será ministro se ele não estiver implicado na investigação do esquema de corrupção na estatal.

Nosso comentário: Então pergunta ao Henrique Eduardo se ele está envolvido. A palavra dele não bastaria? Então ou Dilma não confia em seu provável ministro, ou estão aguardando para ver se ele foi descoberto nas investigações da Operação. 

A informação foi confirmada à Folha por dois ministros e dois integrantes do PMDB que acompanharam as negociações para a formação do novo governo da petista.

A presidente cogitou nomear Alves para o primeiro escalão já em dezembro, mas recuou depois que órgãos de imprensa publicaram que ele teria sido citado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, como um dos beneficiários do esquema desbaratado pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

Nosso comentário: Opa, então o que vai resolver tudo é a palavra do Paulo Roberto Costa? Que vale mais do que a de Henrique Eduardo então! Se Paulo Roberto o citou, não será nomeado ministro. Se não o citou, será. O diretor da Petrobrás decidirá sobre quadros relevantes (comprometidos, segundo uma análise óbvia da movimentação política) o ministério de Dilma.

Segundo um peemedebista, Dilma e Temer não quiseram arriscar e combinaram de aguardar a denúncia a ser feita pela Procuradoria-Geral da República, prevista para fevereiro, antes de contemplar o deputado com algum ministério.

Se Alves não for denunciado, seu destino deve ser o Ministério do Turismo, hoje ocupado por Vinicius Lages, um indicado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Mas gente…

Se o Ministério Público não citar Alves, o acerto entre Dilma e Temer prevê que ele assuma a pasta possivelmente já em fevereiro, quando toma posse o novo Congresso e ele deixa a presidência da Câmara dos Deputados.

“Não citar” significa “não envolvimento”? Gente????? O indivíduo já será nomeado com essa nuvem de desconfiança relevante sobre sua cabeça.

Derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande Norte em outubro, Alves não disputou a reeleição para deputado e estará sem mandato a partir do próximo mês.

  Editoria de Arte/Folhapress  
ministros provisórios
 

IRRITAÇÃO

A articulação envolvendo uma pasta para Henrique Eduardo Alves gerou controvérsia no PMDB. Renan Calheiros ficou irritado ao ser avisado que seu indicado para o Turismo pode ser obrigado a ceder a cadeira para a ala peemedebista da Câmara. Alves é ligado a Temer e ao líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ).

A perspectiva de ter o poder no governo reduzido levou o PMDB do Senado a estudar formas de “dar o troco” em Dilma no Congresso.

Nosso comentário: fica tipo assim: se não nomear nosso indicado, mesmo com o nome dele citado nas investigações, vamos dar o troco. Okay!

Renan avisou a Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Comunicações) e Pepe Vargas (Relações Institucionais) que o partido poderá assumir uma postura independente no Senado caso seja prejudicado.

Renan reclamou aos ministros do Planalto que o PMDB foi reduzido a um partido de ‘secretarias”, com o comando de Portos, Aviação Civil e Pesca. Oficialmente, no entanto, ele nega divergências.

COMANDO INTERINO

Outra pasta que, segundo assessores presidenciais, está sob comando “interino” é a da Integração Nacional.

O ministério está nas mãos de Gilberto Occhi, um técnico indicado pelo PP. Mas Dilma tem apreço por outro integrante do partido, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PB). Ele foi ministro das Cidades no primeiro mandato e líder da legenda na Câmara, o que garantiria à presidente apoio no Congresso.

Além disso, conta com apoio do presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), que não teria problemas em trocar o titular da pasta.

Comentário: então para que nomeou Gilberto Occhi? Oxe! (trocadilho infame kkkk)

Assim como no caso do Turismo, Dilma aguarda a lista de políticos envolvidos na Lava Jato para fazer a troca na Integração. Em depoimento à Justiça, Paulo Roberto Costa afirmou que o esquema de corrupção na estatal irrigou campanhas de PP, PT e PMDB.

Uma excelente terça-feira a todos!!! Siga-nos nas redes sociais e debata política interaja conosco:

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Bjo.


05
janeiro
2015
Entrevista do novo ministro da Educação Cid Gomes (e meus comentários)

Bom dia, galera!!!!!

Se puder… porque depois da entrevista que acabei de assistir do nosso Excelentíssimo ministro da Educação, sei não se o nosso dia vai ser bom! Já vamos começar o primeiro post do ano falando sobre um dos iluminados escolhidos de Dilma para compor o novo quadro de Ministros. Hoje cedo, corri para a frente da TV para me decepcionar assistir à entrevista de Cid Gomes no Bom Dia Brasil.

Foi uma entrevista sofrível! Faltou segurança ao falar, faltou conhecimento, faltou legitimidade, faltou propriedade na área. Faltou tudo! Falta tudo!

Que se loteie o Governo entre partidos políticos e “aliados” em conchavos a gente até entende – porque essa é uma tradição nossa, e o PT fez questão de manter e aprimorar a prática -, mas não se pode fazer isso com a Educação – que, segundo Dilma, será prioridade em seu segundo mandato. Não será.

Com a escolha do Cid, ao contrário do que apregoou no discurso de posse (vai ter post aqui sobre isso, daqui a pouco – na verdade, ainda não vi o discurso na íntegra), o governo explicita que vai continuar negligenciando daquele que é o ponto nevrálgico do nosso país desde sempre.

Além de passar o tempo TODO dizendo que vai seguir apenas o que Dilma o mandar fazer, já deixando claro que vai botar sua má gestão no colo da Presidente (sim, porque não há dúvidas de que será uma atuação ruim e que terminará em confusão e baixaria – como tudo que envolve a família Gomes), o Cid não falou nada de realmente aproveitável (mesmo com o Jornal sendo camarada nas perguntas). Nenhuma novidade, nada além de frases pré-fabricadas e de (pouco) efeito.

Sobre o salário dos professores, sentenciou: quem quer ganhar dinheiro, vá para o serviço privado, professor tem que trabalhar por vocação. Depois tentou consertar a segunda frase, dizendo que tem que ter remuneração e que não quis dizer que professor deve trabalhar só por amor. Mas não conseguiu remediar as bobagens que falou não. Prevejo dias ruins para os amigos professores!

Prevejo dias piores para os alunos.

Abaixo, trago a entrevista do Ministro na íntegra (negrito e itálico), meus comentários estão em letra cursiva (*normal) azul.

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A entrevista foi disponibilizada na página da Globo:

(QUEM NÃO QUISER LER, PODE ASSISTIR AQUI)

São muitos os problemas a serem resolvidos na educação. O Bom Dia Brasil conversou ao vivo com o novo ministro da Educação, Cid Gomes, em Brasília. A entrevista foi feita por Ana Paula Araújo, Chico Pinheiro, Fábio William e Alexandre Garcia.

Bom Dia Brasil: A gestão do senhor como prefeito de Sobral e como governador do Ceará teve avanços na alfabetização, mas agora no Ministério esses desafios são muito maiores. A tão prometida mudança no currículo do Ensino Médio, nos quatro anos do primeiro governo Dilma, não avançou. O senhor pretende fazer em dois anos. Como o senhor pretende fazer isso? Isso vai reduzir, de fato, um dos maiores problemas do Ensino Médio, que é o de muitos estudantes que abandonam a escola nessa etapa?

Nosso comentário: Não temos dúvida de que ser prefeito de uma cidade do interior do Ceará e ser Governador não capacita – tampouco legitima – ninguém a ser Ministro numa pasta que demanda imenso conhecimento técnico. Exige-se ampla experiência para qualquer quadro que pleiteie a vaga de ministro da Educação. Enquanto ministérios forem distribuídos ao bel prazer da Presidente, tendo como critério único conchavos políticos (que nesse governo recebeu o apelido nobre de “governabilidade”) não veremos nenhum avanço que não seja maquiagem institucional. Em relação às mudanças no currículo do Ensino Médio, Cid informou em seu discurso na sexta-feira passada, após a solenidade de transmissão de cargo, que vai propor amplo debate sobre a proposta, e que a revisão curricular deve ocorrer simultaneamente com as definições de bases para o ensino fundamental e médio (veja matéria completa sobre o pronunciamento do Ministro AQUI).

Ministro da Educação, Cid Gomes: Bom dia Chico, bom dia Ana, bom dia Alexandre, bom dia. O Ensino Médio é, sem dúvida, o setor da educação que tem os piores resultados e ainda tem um desafio de acesso. Um percentual significativo de jovens estão fora da escola. O meu papel, ao longo desse mandato como presidente (sic), é seguir orientações da presidenta Dilma, que aponta para um compromisso de rever o currículo do Ensino Médio. Esse é um dos caminhos. E acrescentar, na medida da proporção possível dos recursos e dos orçamentos dos estados, porque o Ensino Médio é um serviço prestado pelos estados, mais vagas de Ensino Médio. Mais vagas de Ensino Médio em tempo integral. Esse será o nosso desafio, dialogando e estimulando governadores a adotarem essas práticas.

Nosso comentário: O Ministro estava nitidamente desconfortável na entrevista (veja vídeo AQUI), tropeçando nas afirmações e inseguro. Ao que me consta, foi sua primeira entrevista oficial após posse no cargo. Não só nessa primeira resposta, mas durante todo o tempo, enfatizou que seguirá as orientações da Presidente. Não pode, tal menção repetida, passar despercebida, especialmente por se tratar de um Gomes – que nada dizem sem razão e que sempre terminam suas parcerias (conchavos) políticos em confusão.

Bom Dia Brasil: Ministro, mas fala-se também de mudar o currículo do Ensino Médio. Isso é possível fazer sem mexer no ciclo básico. O aluno tem chegado ao Ensino Médio com deficiências muito grandes, muita gente sendo aprovada automaticamente pelo Brasil afora.

Nosso comentário: Aprovar os alunos indiscriminadamente é a “política” que vem sendo executada por esse Governo.

Cid Gomes: A educação é um sistema integrado. Para que uma modalidade de ensino funcione bem, a outra tem que ter cumprido a sua parte. Isso começa desde a creche, passa pela pré-escola, vai pelo Ensino Fundamental. O processo de alfabetização é fundamental, porque é a ferramenta básica da educação, e qualidade no Ensino Fundamental. O Ensino Médio certamente repercutirá o bom andamento dessas fases iniciais. Além desses problemas, nós temos que imaginar alternativas de, já no Ensino Médio, você permitir aos jovens a possibilidade de currículos diferenciados. Algumas disciplinas que sejam base do currículo e outras disciplinas que possam ser opcionais, segundo já a vocação e o gosto de cada estudante.

Nosso comentário: Morro de medo disso de “currículos diferenciados” num país que não oferece condições mínimas de estudo nos ensinos médio e fundamental. Veja bem: mal temos aulas sem greves (a Bahia que o diga) e professores (mal remunerados), imagine o aluno ainda escolher as disciplinas baseado em vocação e, possivelmente, inserção no mercado de trabalho e faculdades. Gente, vamos ser francos, não adianta sonhar com uma realidade improvável e atrapalhar, ainda mais, o aprendizado. Para essa escolha diante de um currículo diferenciado, seria necessário que as escolas dispusessem de assistentes sociais, pedagogos, psicólogas, terapeutas ocupacionais, que orientassem os alunos de forma séria e individualizada.

Me parece que os Governos no Brasil querem sempre mostrar mais do que conseguem efetivamente executar. No lugar de promover uma educação mínima de qualidade, já vem com invencionices que exigiriam o cumprimento de etapas de evolução da educação que ainda não alcançamos. Eu, para citar um exemplo, tive orientação vocacional na escola particular que estudava e entrei num curso universitário na área de saúde (Odontol0gia). Não me identifiquei (porque a teoria é bem diferente da prática) e larguei o curso para fazer um na área de Humanas (Direito). Como se daria a complementação das disciplinas? Haveria currículos tão diferenciados ao ponto de limitar áreas de atuação profissional?

Obviamente que sou leiga no assunto (assim como o Ministro, portanto, me sinto a vontade para opinar), mas gostaria muito de ouvir a opinião de amigos que trabalham na área de educação, pedagogia etc.

Bom Dia Brasil: Agora, ministro, é lei e o Brasil vai ter que colocar, até o fim desse ano, todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos na escola. Um levantamento feito pelo Estadão na semana passada mostrou que esse número chega a 2,9 millhões de crianças. Como o senhor pretende fazer isso?

Cid Gomes: Cada setor do ensino tem o seu desafio. No Ensino Fundamental, nós temos 98,4% das crianças ou jovens na escola. Não é problema de oferta de vaga. O que há é uma questão territorial, nas zonas rurais, haver um esforço redobrado para universalizar. O ensino infantil, a modalidade que é exigência de universalização, pré-escola, de 4 e 5 anos, nós já temos hoje algo em torno de 4 em cada 5 jovens. Então é razoável que, em um horizonte de médio prazo, isso significa um mandato, a gente universalize. No Ensino Médio, há um grande problema de abandono. Também no acesso, cinco sextos dos jovens está na escola. Há um problema de manutenção da escola. Isso nos impõe uma estratégia de dar mais qualidade à escola e implantar oferta nas áreas periféricas, mais pobres, onde há indicadores de violência maior, o ensino em tempo integral.

Nosso comentário: Reduzir a questão dos alunos fora da escola a “questão territorial, nas zonas rurais” é patético! Temos graves problemas sociais, econômicos, territoriais, de segurança pública que limitam o acesso dos alunos ao colégio. E o pior: eles até começam o ano matriculados, mas abandonam durante o ano letivo por fatores como: crises familiares, pais violentos e alcóolatras, dificuldade de acesso, falta de transporte público escolar (nessas prefeiturinhas pelo interior do país, nas quais o dinheiro é desviado sem pudor) etc. Para mim, o Ministro foi muito simplista, o que me passa mais a ideia de alguém que quer maquiar a realidade do que um indivíduo que quer escancará-la para resolver.

Bom Dia Brasil: Ministro, outro dia, mediando debate em São Paulo entre presidentes de grandes empresas de todos os setores – indústria, comércio, serviço -, a principal queixa foi que há uma falta de formação das pessoas, dos empregados, que mal leem e entendem mal as instruções. E, com isso, a produtividade cai e cai a capacidade de competir no mercado. Como que vai se resolver essa questão da qualidade para formar, enfim, a pessoa para o trabalho.

Nosso comentário: Óbvio, nossas escolas formam uma legião de analfabetos funcionais.

Cid Gomes: O governo, a presidenta Dilma, tem um projeto que é voltado especificamente para essa área de formação para o trabalho, que é o Pronatec. Ao longo desses quatro anos do primeiro mandato, oito milhões de brasileiros tiveram essa possibilidade. E a meta que a presidente Dilma estipulou para esses próximos quatro anos é de que a gente possa capacitar para o trabalho 12 milhões de brasileiros. Isso não exclui a necessidade de a gente ter o ciclo básico, Ensino Fundamental e Ensino Médio de boa qualidade. Isso permitirá um melhor desempenho na capacitação para o trabalho.

Nosso comentário: Pronatec não resolve porque se trata de enfrentamento equivocado do problema. O Ministro o utilizou em sua resposta para fugir do arguição feita. A questão não é de conhecimento técnico, mas de falta de cognição, de operações matemáticas básicas, de ler frases e não palavras isoladas, de compreender um trecho com sujeito, verbo e predicado. O nosso maior problema no país é que o Governo foca em números de alunos que saem do ensino médio, mas não em sua condição ao sair. E a condição é, em geral, de analfabetismo funcional.

Bom Dia Brasil: O senhor de desempenho, que o senhor quer avaliar. O senhor falou no seu discurso de posse que quer avaliar o desempenho dos professores. Agora, como fazer isso? Primeiro, é inevitável falar nesse salário de R$ 1,6 mil. O senhor não conhece nenhum assessor de político que está ganhando isso, todo mundo ganha mais do que isso. O professor é que ganha pouco. Agora, como avaliar esse desempenho sem envolver com isso sindicatos, que muitas vezes têm resistências? O senhor sabe que eles têm muita força no governo do PT. Muitas vezes se opõem à avaliação por avaliação. Como é que envolve sociedade, como é que envolve família, como é que envolve todo mundo neste projeto? Senão fica mais um discurso de que educação é fundamental, educação é prioridade, mas professor continua ganhando mal, escola continua desaparelhada. Enfim, como vai avaliar esse desempenho? Só cobrando os professores?

Nosso comentário: Muitos dos avanços que a categoria poderia ter não se desenvolvem porque os sindicatos são vendidos aos governos. A maioria dos dirigentes sindicais hoje ou saem a cargos eletivos (fazendo de suas gestões à frente do sindicato massa de manobra) ou recebem cargos com altos salários em governos (o que cria uma série de compromissos que os impede de representar com legitimidade a sua categoria).

Cid Gomes: Olha Chico, em educação é fundamental que a gente estabeleça metas, metas de acesso, metas de regularidade, metas de aprendizado e avaliações permanentes. Eu, por exemplo, pretendo fazer com que as avaliações, hoje feitas de dois em dois anos, possam ser feitas anualmente. Isso a partir do nosso instituto, que é o Inep, mas também muito em parceria com estados e municípios. É fundamental que a gente coloque sempre que o papel do Governo Federal é um papel normativo, é um papel regulativo, é um papel de estímulo, é um papel de ajudar no financiamento, mas o Ensino Médio é feito pelos estados e o Ensino Fundamental e Infantil é prestado, na sua maioria, pelos municípios. Então, tudo que for de programa, que for implementado, seguindo a orientação da presidenta Dilma, eles devem ter, como premissa fundamental, a voluntariedade. Não haverá nada imposto, não haverá nada que não seja pela via do diálogo, pela via do convencimento. Começando com diretores. É fundamental escola com bons diretores, fazem diferença. Uma das áreas que nós pretendemos, com avaliações, estimular os estados a adotarem e o Governo Federal poder ajudar no financiamento, melhorar o salário, e na sequência fazer isso com professores.

Nosso comentário: Muita frase pré-fabricada, de efeito, e obviedades; mas sem dizer exatamente como se implementará. E sem enfrentar a verdade: são 12 anos de Governos sem avanços na área.

Bom Dia Brasil: Falando de avaliação…

Cid Gomes: Sempre pensando que a adesão é voluntária, nada será imposto. Até porque o papel é do município e do estado.

Bom Dia Brasil: Perdão por interromper o senhor. Mas ainda falando nesse assunto, o senhor estava falando do Inep e dessas avaliações que têm que ser feitas, na opinião do senhor. O ex-ministro Fernando Haddad chegou a encomendar do Inep uma prova que seria uma espécie de Enem dos professores e que poderia até substituir o concurso tradicional em algumas prefeituras pequenas. É isso que o senhor pretende fazer? O senhor pretende desengavetar uma proposta desse tipo?

Cid Gomes: Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma. Tenho que cumprir, em primeiro lugar, compromissos que ela assumiu, que são muito claros: ampliar a oferta de creches, ampliar a oferta de ensino em tempo integral, valorizar o professor – ninguém faz educação sem valorizar os professores -, e fazer a revisão do currículo do Ensino Médio. Traduzindo tudo isso, melhorando a qualidade do ensino no nosso país. Qualquer ação que tenha por objetivo avaliar professores, ela deverá ser feita por opção do professor, e aí deve-se imaginar alternativas, estímulos que levem os professores a fazerem esse tipo de avaliação. Uma delas pode ser essa já colocada pelo ex-ministro Haddad. Você, tendo um professor passado por uma avaliação nacional, ele já fica com, vamos dizer assim, um Enem, um passaporte para o ingresso no magistério de um município ou de um estado.

Nosso comentário: O ministro não enfrentou a pergunta, não discorreu sobre o mérito da indagação. E ainda diz uma inconsistência absurda: substituir concursos públicos por uma prova (seja ela qual for). Ou o Ministro não leu o artigo 37 da Constituição da República ou quer fazer do Ministério o “balcão de jeitinhos” que geriu no Ceará. Está faltando mais embasamento nas respostas. Mais realidade, menos teoria e frases prontas.

Bom Dia Brasil: O senhor falou em qualidade, e há muita queixa quanto a isso. O governo oferece números, mas também há uma queixa de qualidade desde o Ensino Superior até o Básico. As pessoas reclamam que falta qualidade para o professor, e a consequência é que falta qualidade para o aluno. O ex-ministro da Educação Cristovam Buarque me disse outro dia que dinheiro não é tudo, que dinheiro não resolve. Que além do dinheiro, precisa de outra coisa. O que é necessário para melhorar a qualidade, ministro?

Nosso comentário: Gente, vamos encarar a realidade de frente: o Brasil é pensado para dar errado. Não há desdém na educação, não há falta de investimentos, há um orquestramento para dilapidar o patrimônio intelectual. Há uma bem orquestrada engrenagem para fazer funcionar mal a educação (que seria a salvação desse povo). A educação é pensada para dar errado. A educação pública é gerida para dar errado. Primeiro porque não pode competir com a educação privada: sendo que a maioria dos donos de grandes instituições de ensino são políticos ou empresários ligados a eles. A educação pública tem que ser ruim, sempre. Essa é a função dela. Afinal, os colégios particulares precisam sobreviver da demanda que se forma pela “fuga” dos cidadãos do ensino ruim (que “não lhes garantirá um futuro”). Além disso, não se quer aqui que a massa de pobres descendentes do ensino público venha a competir com os filhos da elite intelectual no mercado de trabalho, né? Jamais.

Gente, o discurso da educação tem que se “deshipocrisado” (com o perdão do neologismo), tem que perder seu conteúdo falacioso e hipócrita. Quem aqui acredita que o ensino público vai ser melhorado? Não vai! Para que professores bem pagos, com auto-estima? Amando suas profissões? Dedicados a ensinar? Dedicados a fazer aprender? Para que alunos motivados a compreender seus direitos? A ler mais do que palavras? A compreender textos? Não é interessante para o mercado nem para o governo que a escola pública tenha qualidade. Por isso, nunca terá nem currículos decentes, nem professores dignamente pagos. É a lógica do mercado. É a lógica da corrupção. É a lógica da manutenção do poder. É a lógica de formar uma massa de manobra cada vez mais fácil de conduzir. É a lógica do Brasil. O resto que o ministro disse é hipocrisia e discurso para povo desempoderado ouvir/acreditar.

Cid Gomes: Eu disse isso uma vez, e quase me cruxificaram porque eu falei isso. Acho que no serviço público, que atua no serviço público, seja um ministro, um vereador, um médico ou um professor, tem que ter vocação. Tem que ter vocação. Isso é fundamental.

Nosso comentário: Crucificaram porque, ao contrário de Cristovam Buarque, ele não tem legitimidade para falar em salários de professores com um histórico familiar que tem. E mais: cargo eletivo é muito diferente de um cargo efetivo concursado para dar aulas no nível fundamental e básico. Primeiro: pela natureza do cargo (lá vem eu mandar o tal ministro ler a Constituição Federal novamente), segundo porque cargo eletivo é escolha (muito diferente de ser professor, uma tarefa que cabe a muitos pela impossibilidade de fazer outros cursos – mas aqui nem vou ingressar nesse mérito).

E mais: ele cita cargos com um salário absolutamente incompatível com o de professor. E que, por estarmos no Brasil, têm uma série de facilidades para roubar (ou alguém aqui acredita em salário de vereador, prefeito, ministro etc), facilitações (concedidas pelo empresariado e pelo serviço público, como cartões corporativos, indicações para licitações, legião de cargos indicados – boa parte fantasmas e apadrinhados -, mil diárias), poder e prestígio (também junto ao empresariado).

Comparar ser professor a ter um cargo eletivo no Brasil é tão patético, tão revoltante e uma afronta tão grande que nem sei porque estou escrevendo sobre isso! É desumano. Deslegitima o discurso do tal ministro ainda mais. E só comprova o caráter politiqueiro de suas palavras, sem conteúdo e sem critério.

Bom Dia Brasil: O professor tem que nascer professor?

Cid Gomes: Lógico que ninguém deve trabalhar de graça, as pessoas têm uma vida difícil e têm que ter uma remuneração digna. No caso do magistério, O Brasil tem que avançar muito para efetivamente dar aos professores uma boa remuneração. Só ratificando com o que disse o ministro Cristovam: Sobral é uma cidade do semiárido nordestino, com orçamento percapta bem inferior a muito municípios brasileiros, e tem hoje um Ideb – fruto de políticas continuadas, foco, avaliação, metas definidas – que não tem cinco municípios no Brasil com esse número. Nós estamos com 7,8 no Ideb do quinto ano.

Bom Dia Brasil: Ministro, o senhor citou essa declaração de 2011 em que o senhor falou que o professor tem que trabalhar por amor, e não por dinheiro. O senhor como ministro agora anunciou um aumento no piso salarial do professor. Agora como fazer que os estados cumpram a lei que criou o piso para professor?

Cid Gomes: Bom, primeiro vamos repor. Eu não disse que o professor tem que trabalhar por amor, e não por dinheiro. É o contrário. Ou não é o contrário. O que eu disse é que remuneração é fundamental, mas é principio básico, é pre-requisito para atuar em todas as áreas públicas que se tenha vocação. O Mujica, ex-presidente do Uruguai, disse agora uma coisa semelhante: quem quer ganhar dinheiro não vai para o serviço público, não vai para a vida pública. Vai para a iniciativa privada, que paga melhor. Isso foi o que eu falei e sou comprometido com a melhoria do salário dos professores. Agora mesmo, nesta quarta-feira, devemos anunciar. Poucos lugares não pagam o piso. Nós temos alguns problemas no Rio Grande do Sul, por exemplo, por causa de uma carreira que está toda vinculada. E nós vamos procurar, o ministério já vem fazendo um programa, um software para fazer simulação de planos de cargos e carreiras em magistério, quer seja de um município ou quer seja de um estado. Nós vamos procurar os magistérios para dar ajuda, assessoria e enfim, o Ministério Público, a sociedade brasileira deve cobrar judicialmente para que todos os entes públicos cubram o piso que deverá ser anunciado agora nesta quarta-feira.

Bom Dia Brasil: Da mesma maneira que se tem que avaliar o desempenho de professores, tem que se avaliar o desempenho de secretários, de ministros. A sociedade tem que avaliar e tem que cobrar, senão não dá certo.

Cid Gomes: Concordo.

Nosso comentário: Aiai, veja só se a carga horária e exigência aos quais estão submetidos um professor é a mesma de um ministro, secretário! Rhum! Achei o final ainda mais aviltante. Mas, vamos aguardar o início da gestão, o aumento prometido e ver o que a classe – que muito mais legitimidade tem do que as minhas palavras sobre o assunto – vai dizer sobre a escolha da Presidente.

Aliás, como sou leiga no assunto (embora filha de ex-professores e sou também ex-professora) gostaria que os amigos da área se posicionassem sobre o assunto para podermos avançar no debate. Será uma contribuição valiosa para mim, e acredito que para quem lê o blog também. :-) 

Bom Dia Brasil: Obrigada pela participação, ministro. Boa sorte.

Uma excelente segunda-feira a todos!!! Siga-nos nas redes sociais e debata política interaja conosco:

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Bjo.