Arquivo para Feminismo - Daniele Barreto
07
dezembro
2015
Feminismo capa de revista

Pessoal,

Ontem à noite (pra falar a verdade já umas 3h da manhã de hoje), dando uma olhada em um grupo do Facebook que faço parte, o Clube do Livro da Noelle, vi que Stephanie Noelle, a criadora da página, escreveu um artigo incrível no site Petiscos, da Julia Petit, no qual ela trabalha, sobre a capa da revista Elle de dezembro, que fecha o ano tratando do assunto mais falado de 2015: feminismo.

Super inspirada no post da Noelle (cujos blog e canal do Youtube adoro, leio e assisto diariamente, diga-se), resolvi compartilhar com vocês as capas, e as opiniões minha e a da Ste.

beyonce feminista

Explicando…

A Revista Elle

Elle é uma revista de moda feminina – a maior revista de moda do mundo em circulação desde 1945, em 60 países. A revista é uma referência no setor e lança modas e tendências.

As capas

Dia 30.11, a revista Elle Brasil divulgou as quatro capas de sua edição de dezembro. A revista publicou modelos com atitude e frases comuns entre as feministas. A campanha de divulgação será veiculada em 30 pontos de ônibus digitais de São Paulo – atingindo milhões de pessoas com os dizeres e a mensagem feminista. <3

Como engajamento nas redes sociais faz parte de qualquer boa campanha publicitária hoje, a revista criou hashtags #JuntasSomosMais e #MexeuComUmaMexeuComTodas que devem ser compartilhadas pelos leitores em fotos ou postagens sobre as capas – no Instagram, Facebook e Twitter.

Confira as quatro capas diferentes:

elle feminista elle feminista 2

As revistas já estão nas bancas e amanhã vou comprar para discutir com vocês sobre o conteúdo! Mas vamos aproveitar a oportunidade para falar mais de feminismo e empoderamento.

Como vocês puderam acompanhar aqui no blog, o feminismo em minha vida é algo bem recente. Até uns 18 meses atrás, eu reproduzia o machismo sem me dar conta do quão problemáticas eram minhas posturas e posicionamentos; assim como sem uma visão mais geral das consequências do machismo (inclusive, na minha vida). Foi a partir de problemas pessoais (incluindo profissionais) vividos por mim que, ao ler o texto de uma colega feminista no Facebook, eu me identifiquei e me abri à possibilidade de estudar mais, ler, interagir e desconstruir conceitos e padrões de comportamento que me limitavam, envenenavam e, e, acima de tudo, me feriam e silenciavam.

No início, eu não sabia se queria “aderir” e fiquei bem confusa, pela falta de base teórica.

Eu era a pessoa que dizia: “não sou nem feminista nem machista”, “eu concordo com muita coisa do machismo”, “feminismo é coisa de mulher mal resolvida”, “feminismo é o oposto do machismo”, “tudo que é radical é ruim”, “desnecessário ir para manifestações sem sutiã”, “isso é coisa de menina piriguete que quer se esconder atrás de militância”. Sim!, é uma vergonha que eu tenha passado mais de duas décadas dizendo isso. Só que eu confesso. Confesso e me envergonho. E confessar isso, me fortalece para eu seguir evoluindo (e pode ser que ajude você a encarar seus medos e receios de SE TORNAR FEMINISTA). E ter vergonha disso me faz perceber o quanto, em qualquer que seja o assunto, eu tenho que, SEMPRE, ler e estudar mais antes de me posicionar (para não me envergonhar posteriormente de outras posturas e comentários). Essa cautela vou levar para a vida!

Nesse processo de auto descoberta (vou falar mais num vídeo que vou gravar para o canal no Youtube) e de empoderamento, me deparei com várias meninas, coletivos, revistas, grupos do Facebook que, aos poucos, me ensinavam mais e mais com cada experiência, relato e texto.

Se identificar com o que cada menina escreve é inevitável.

E por aqueles desígnios do destino, abri muito minha percepção, em 2014, para a necessidade de me aproximar do feminismo – mas, infelizmente, não o suficiente para compreender conceitos e fortalecer-me.

Fechei o ano de 2014 mais confusa do que com novas convicções. É, galera, sair da zona de conforto dói. Por mais que nessa zona as coisas estejam ruins, sair dela exige muitos sacrifícios. E como lidar com a mudança do status quo? Como lidar com ouvir coisas que você sempre ouviu e concordou, mas que agora te machucam mais? Como lidar com a insatisfação em pensar: que bobagem está sendo dita, mas eu já pensei assim? Como lidar com trabalhar ou estudar obrigatoriamente com reacionários retrógrados enquanto você está em pleno processo de desconstrução. Sim!, porque não dá para viver numa bolha, o feminismo vem justamente para nos fortalecer possibilitando empoderamento para uma (sobre) vivência NESSA sociedade. E acredite: quanto mais você lê e estuda, mais frases problemáticas começa a identificar, e mais desagradáveis e repugnantes ficam os machistas ao seu redor (alguns que você até lidava sem tanto problema há uns meses atrás)… É doloroso! Há uma transição dolorosa. Mas é libertadora!

Mas aí veio 2015 (algo só comparado a um tsunami em minha vida hehehe), e numa bela coincidência das deusas, meu janeiro já começou ampliando a amizade com feministas baianas, frequentando novos e empoderadores lugares (sim!, encantos do Rio Vermelho, festas de blocos afro, palestras em Salvador, disciplinas como aluna especial do mestrado de Ciências Sociais no campus de São Lázaro / UFBA), para logo depois o tema virar manchete nos noticiários nacionais. Uma doce coincidência: a medida em que eu dava meus pequenos passos, via o assunto inundar páginas de revistas, sites e as redes sociais. Me proporcionando, assim, mais conteúdo sobre o tema.

Eu só não leria e aprenderia, só não refletiria sobre meus (pré) conceitos, só não redirecionaria meu posicionamento, só não desconstruiria SE NÃO QUISESSE, porque a cada dúvida que surgia, textos brotavam sobre o assunto, meninas postavam sobre o tema, garotas escreviam artigos. E eu caminhava devorando tudo. Algumas vezes sem entender direito o que elas escreviam, outras vezes mandando mensagem privadas para as autoras me ajudarem a compreender e outras varando noites lendo relatos (sozinha mesmo). Uma experiência muito agradável (a não ser pelo coletivo feminista que me impediu de entrar num evento porque… pasmem… presto consultoria para um político que elas simplesmente não gostam. AHÃ?! E elas me disseram isso. E me impediram… mas esse vai ser um outro post, ainda esse ano, tá?)

A cada pequeno passo que eu dava, percebia o quanto tinha (tenho!) a aprender e o quão importante entrar nesse processo de desconstrução exatamente nesse momento do cenário político nacional. (especialmente por ser alguém que trabalha com política, escreve sobre isso e é considerada formadora de opinião – portanto, que maravilha passar pelo processo de mudança de opinião, passar por uma desconstrução tão salutar, podendo compartilhar com vocês e trocar informações, angústias, dúvidas, crescimento)

“O ano começou com ele (teve #askhermore, teve discurso da Patricia Arquette no Oscar…) e termina com ele, com a revista brasileira Elle fazendo um manifesto feminista em sua edição de dezembro, com quatro capas diferentes fotografadas por Nicole Heiniger e dizeres iguais aos que clamamos todos os dias, nas ruas ou em posts das redes sociais. O ano foi bem intenso.” Stephanie Noelle

Quando a Patricia Arquette fez seu discurso, eu mal sabia o que era sororidade – um conceito ainda pouco sedimentado em minhas relações. Mas a identificação sutil e sensorial indicava que deveria estudar mais sobre aquilo, ler mais, me abrir mais. E um misto de certeza e insegurança me indicava que muitas das soluções para problemas que vivo diariamente – que me adoecem, e que já me fizeram perder  posições profissionalmente, e que me deixam desesperançosa de alcançar meus objetivos e sonhos em um meio tão machista/misógino/homofóbico/racista – estavam (estão) no fortalecimento como mulher, como alguém que vivencia esses problemas não de uma forma individual (como eu achava antes, que se tratavam de problemas “meus”, direcionados a mim e que me faziam questionar meus comportamentos e competência), mas um problema de gênero.

E na área na qual trabalho isso, por si só, já é tão reconfortante. Saber que “não é culpa minha”, saber que “não dei motivo”, saber que “não vou conseguir certos benefícios não por ser incompetente, mas, justamente, por ter competência e dignidade”…

“Muita gente ‘saiu do armário feminista’ e se assumiu ativista, engajada, encontrou sua voz pra falar do assunto, pra reclamar seus direitos e apontar machismos do dia a dia. Muita gente parou de torcer o nariz e começou a entender que feminismo não é o oposto de machismo, muito pelo contrário. E a noção de que uma feminista é alguém que luta pela igualdade política, social e econômica de gêneros foi se espalhando, tímida no começo, sem vergonha nenhuma no final.” Stephanie Noelle

Feminismo foi a palavra do meu 2015! me assumi, encontrei minha voz, reclamei meus direitos, adotei outra postura na vida, compreendi o que significa a luta pela igualdade, identifiquei privilégios em relação às meninas negras/gordas.

Feminismo foi a palavra do meu mundo particular – e, como coloquei acima, vou gravar um vídeo falando das mudanças que implementei na minha vida pessoal, no meu trabalho (especialmente por trabalhar, ao longo da vida, para políticos reacionários, enquanto Consultora Política e Advogada). Se você não buscar um processo sólido de empoderamento, você pira!

E Feminismo foi a palavra dos debates políticos nas redes sociais, jornais, revistas, sites! Que bom!

“Foi pé na porta mesmo, tanto que semana após semana era uma polêmica nova. Também pudera: nossa sociedade é extremamente machista (homens e mulheres) e os comportamentos abusivos e que tentam naturalizar e perpetuar a desigualdade de gêneros estão intrincados ao nosso dia a dia. Da hora que a gente acorda até a hora que vai dormir, vivenciamos ou ao menos presenciamos -física ou virtualmente- algum tipo atitude, comentário, notícia que provam que sim, o feminismo tem muito que existir e muito o que fazer pela frente. Nós estamos só começando.” Stephanie Noelle

Noelle foi muito feliz com suas afirmações. Minha sensação é exatamente essa, de que o machismo permeia todo o nosso dia. No meu caso especificamente, não me dava conta de que uma série de problemas profissionais que vivia dava-se pelo fato de lidar – diuturnamente – com machistas (não raro, misóginos), cujos critérios de avaliação profissional e de crescimento são conduzidos por mentes perversas cujas atitudes e forma de pensar fariam corar qualquer coronel do século XIX. (sim!, Bahia)

E quando se trata de falar sobre política, analisar cenários políticos, posicionar-se, ter voz ativa, pensar… ah, aí realmente o incomôdo que causamos nos machistas é grande. Não vou colocar as dificuldades da minha área de atuação acima de qualquer outra: o machismo é muito democrático nesse sentido, não pouca nenhuma de nós, seja qualquer idade, classe social, profissão. Mas não é fácil lidar com reacionários assumidos (olha Cunha aí, geeeente!)

“Durante esse ano todo eu refleti bastante sobre ser feminista e sobre como esse movimento foi tomando a internet. De repente nenhuma pessoa pública estava livre de ser questionada sobre ser feminista. Uma pergunta que até dois anos atrás nem era cogitada se tornou praticamente obrigatória. Eu, você, os sites, as personalidades, a publicidade, a mídia, todo mundo se viu confrontado, meio que sem esperar, a se posicionar. A falar sobre. A ter uma opinião, a fazer alguma coisa a respeito. Todos esses birôs de tendência, que analisam o comportamento da sociedade, bateram o martelo: empoderamento é a palavra da vez. E todo mundo comprou a ideia.
Comprou.
Porque também tem a ver com vender.” Stephanie Noelle

E a partir daqui, a Noelle trás reflexões em seu texto que eu ainda não tinha pensado! Abordagens sobre as quais eu ainda não tinha me debruçado, então, vou escrever pouco (para esse post não ficar gigante) e deixar vocês na companhia dessa linda que levanta questionamentos importantes. Segue a Noelle:

“Se uma marca _seja de produto, seja de mídia_ vai contra a maré do feminismo, pode apostar que isso vai respingar na sua imagem. Ao menos na sua imagem online. Logo, as mais rápidas sacaram que quanto antes adotassem o discurso, menos problemas elas teriam. E aos trancos e barrancos, com muitas tentativas e alguns acertos, muita gente se embrenhou na selva feminista pra poder vender seu produto, seja qual ele fosse, com um pouco mais de paz.

Não me entendam mal: óbvio que é muito melhor uma propaganda ou uma revista que adote uma postura empoderadora do que o que estávamos acostumados a ver até então. De fato, muito mais legal ser tratada com respeito e como um ser pensante, múltiplo, do que apenas o famigerado sexo frágil que é apenas um objeto sexual e se importa apenas com sapatos e roupas.
Mas de novo, há todo um interesse por trás. E a gente sabe disso, não somos ingênuas.” Stephanie Noelle

Eu compreendo que é melhor uma abordagem publicitária visando a imagem da empresa, do que nada! Se dessa forma conseguirmos alcançar milhares de pessoas (como eu fui alcançada), excelente! Se fizermos homens refletir, mulheres se empoderar, ótimo que a marca tenha se engajado, ainda que, implicitamente, seu desejo seja a venda ou as meras curtidas e compartilhadas nas redes sociais para divulgação da empresa.

Só que precisamos ultrapassar essa visão simplista. E é isso que Noelle nos convida:

Quando bati o olho, gostei do que li. Fiquei feliz de ver quem eram as pessoas que escreviam o manifesto feminista, da Juliana de Faria, do Think Olga, passando pela Coletivo Blogueiras Negras até a Sofia Soter, da Capitolina.

Mas não me convenceu. E fiquei me perguntando por quê. O porquê de ultimamente eu estar -e mais um monte de gente com quem eu converso e convivo- com pé atrás com tudo que se apropria do discurso feminista.” Stephanie Noelle

Eu tive essa sensação de felicidade quando vi as capas, mas depois de ler o texto da Noelle, percebi que foi uma empolgação juvenil, e que a análise carecia de mais profundidade. Vocês também tiveram esse sentimento, de “preciso avaliar por outros ângulos?”. Eu tive! Aí vim dividir isso com vocês. Me contem aqui ou nas redes sociais o que vocês acham do texto, e desse momento em especial, no qual Noelle nos trás argumentos sólidos sob os quais precisamos :

“Por um lado é ótimo que as pessoas sejam expostas a um outro discurso, diferente daquele que sempre ouviram. E muitas a gente começa a se questionar e entender coisas a partir de iniciativas assim.

Mas acho que temos que ir além. Não queremos que eles peguem esse discurso de luta de um gênero que foi visto como menor durante boa parte da história da humanidade e usem pra ganhar nosso like e nossas palmas nas redes sociais. Na real, não é mais do que a obrigação da publicidade e da imprensa tratar mulher com respeito. Mas a gente ficou tanto tempo presa pelos paradigmas machistas que sim, qualquer coisa diferente parece algo grandioso. Todo mundo se sente assim. Respira aliviada quando uma marca, pra variar um pouquinho, não mostra a mulher como um ser sem cérebro. Mas isso é o mínimo.
A gente quer mais, muito mais.

O problema é estrutural, não superficial. É fácil se apropriar de um discurso que fala sobre poder feminino. Quem é que não quer levantar a bandeira do ‘girl power’ hoje?

Mas tem que falar disso. E falar das trans. E falar das negras. E falar do machismo. E falar dos padrões de beleza (reparou que só tem modelos magras na capa?). E falar das lésbicas. E discutir. E questionar. E aceitar quando tiver errado. E não calar. Não oprimir. Não tirar o protagonismo. E entender, até mudar. Não pontualmente. Não só pra vender mais absorvente ou mais revista na banca. Isso é demagogia. O pensamento feminista tem que estar na estrutura (de novo…) e não só como palavra forte pra chamar atenção porque, afinal, ‘estão todos falando sobre isso’. Na essência, não na aparência.

O caminho é longo e vai doer. Em todo mundo.” Stephanie Noelle

Uau! Como a gente tem um caminho longo pela frente ainda, né? Mudar o status quo, dissolver diferenças salariais e medos, ocasionar mudanças na estrutura de uma sociedade patriarcal… temos muito a fazer! Eu vou comprar a revista para ler os textos das feministas convidadas (uma delas eu não conhecia, então, justiça seja feita, a revista já me acrescentou rs). E vou compartilhar o conteúdo aqui com vocês (em post ou vídeo, aviso nas redes sociais assim que terminar de ler).

É isso, meninas. Deixem a opinião de vocês e vamos seguir o assunto!

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08
abril
2015
Sejamos todos feministas (vídeo do TEDxEuston) – dica mestrado UFBA

Olá, amigos,

Na semana passada, a professora Paula Barreto (sou aluna dela na disciplina Gênero, Gerações e Raça, que faço como aluna especial no Mestrado em Ciências Sociais na UFBA) exibiu um vídeo “Nós deveríamos todos ser feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie.

Confesso que embora me interesse cada vez mais pelo feminismo, tenho tido pouco tempo para me dedicar ao tema como gostaria. Estou acompanhando as aulas da disciplina, e tenho recebido uma alta quantidade de informações e nomes de autores que não estou dando conta de ler. Confesso! Os textos obrigatórios, tenho estudado com habitualidade e conseguido cumprir as obrigações, mas a cada texto que leio, recebo uma série de referências a outros autores e textos que não consigo acompanhar. Queria ler tudo!!! hahaha Férias, socorroooo, por favor apareça!!! hahaha

Eu já venho lendo algum material de Chimamanda na internet, embora não tenha lido nenhum dos seus livros ainda (pecado do qual não me perdoo), mas o vídeo dá uma dimensão clara dos posicionamentos da escritora nigeriana, uma das mais jovens e talentosas africanas.

Aperta o play:


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06
abril
2015
Natal: Conhecendo mais sobre economia, cultura, geografia e meio ambiente

Oi, pessoal!

Tenho tantaaa coisa para contar sobre o Curso de Formação de Lideranças para Mulheres, que aconteceu em Natal e eu pude participar a convite do partido Solidariedade (Bahia). Foram 2 dias e meio que valeram por muitos e muitos, porque pude aprender sobre um estado que nunca tinha visita, sua cultura, tradições, economia, meio ambiente, história, política!!! Muita coisa! :-) E estava ansiosa para dividir esse conhecimento com vocês, louca para sentar, me concentrar e elaborar os posts do blog. E vocês, estão gostando de conhecer um pouco mais desse estado?

Olha, uma das coisas que me deixaram mais impressionada na viagem foi a lista de atividades elaborada pela organização. Não sei dizer ao certo quais as responsáveis pelas escolhas dos temas estudados, mas parabenizo à presidente Eunice pela equipe. Mais do que aqueles cursos chatos teóricos que ninguém presta atenção e pouco apreende do conteúdo, o Curso promovido pelo Solidariedade foi de uma riqueza de aulas e conhecimento que me alegrou e me deu mais esperança em uma política diferenciada (sem nenhum puxa-saquismo aos organizadores ou ao partido, tá? hahahaha).

Vou explicar porque: além de aula teórica (naquele formato data show e todo mundo dentro de uma sala prestando atenção e anotando tudo), tivemos a oportunidade de conhecer o que, na minha humilde opinião, falta, E MUITO, aos nossos políticos… Cultura! Educação! Novos projetos! Cidadania! História! Conhecimentos gerais! Então… Vocês sabem que aqui no blog o jogo é aberto, né? Pois é, vou ser sincera então: pra ficar sentado em uma cadeira ouvindo APENAS sobre prestação de contas, marketing político, administração pública, legislação… Não precisaria tirar as quase 60 mulheres que estavam lá e deslocar até outro estado, né? Aliás, sejamos mais honestos inda: em regra essas atividades, na prática, nem competem ao candidato. E mais: candidato endinheirado com condições para, sem nunca ter tido atuação política, pagar uma equipe para fazer tudo isso e bancar campanha milionária é o que não falta no país. O que falta são políticos que entendam de economia, de sociedade, de vivência prática, de integração local, de cultura (eitaaa, esse, então, é ponto nevrálgico), de realidade do país. Não que não tenha acontecido debate teórico. Houve sim! Mas a programação do curso se expandiu, e, ao lado de dois guias que se revezavam, pudemos ter aulas de BRASIL! Aulas sobre nossa GENTE! Aulas sobre O NORDESTE!

Nada de passeio, praia ou conversinha fiada. Cada segundo ao lado dessas mulheres era de conhecimento e a cada informação do guia, preciosa. E é disso precisamos muito: políticos (especialmente mulheres) que conheçam o país, que conheçam nosso povo, nossas desigualdades, nossa cultura, nossas condições diversas de desenvolvimento.

Então, vamos ao nosso 2º momento do curso: enquanto nos dirigíamos do hotel para a Assembleia Legislativa, como citei no post anterior, o guia nos dava informações sobre a cidade.

Conhecimento sobre cultura, economia, geografia e meio ambiente

Mais sobre Natal:

Fundada em 1599, às margens do Rio Potenji, tem importantes praias como Ponta Negra e dos Artistas.

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Segundo o IBGE em 2014, sua população é de 862 044 habitantes, sendo 19º município mais populoso do país.

Foi fundada em 25 de dezembro de 1599 e já foi habitada pelos índios tapuias.

Parque das Dunas

No caminho, também passamos pelo Parque das Dunas, não descemos no local, mas achei interessante algumas informações que o guia passou. O Parque Estadual Dunas do Natal ”Jornalista Luiz Maria Alves” possui uma área de 1.172 hectares e faz parte da reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira. É o maior parque urbano sobre dunas do Brasil e segundo maior parque urbano do país. Contribui para renovação do lençol freático da cidade (porque a vegetação ajuda a absorver a água). 5 Melhor Parque da América do Sul. No Parque das Dunas há centro de visitantes, biblioteca, centro de pesquisas, viveiro, unidade de mostra de vegetação, anfiteatro, lago artificial, posto de comando ambiental, parque infantil e anel viário para atividades físicas e caminhadas. Existem laboratórios e viveiros, onde são estudados e cultivados plantas nativas. 4 dunas 2 4 dunas 1

Vale lembrar que além das belezas naturais que citei, Natal possui bons índices socioeconômicos, sendo uma das menores desigualdades sociais do país.

Relevo:

  • constituído pela planície costeira
  • solo com baixo nível de fertilidade e excessiva drenagem

Clima:

  • tropical chuvoso quente com verão seco
  • temperatura média anual de 26 °C a 30 °C
  • Cidade do Sol porque o tempo ensolarado pode chegar a até quinze horas
  • ar natalense é o mais puro de todo o continente americano

Vegetação:

  • Mata Atlântica

Centro de Turismo de Natal

O Centro de Turismo fica sediado na antiga casa de detenção. Localizado no bairro de Petrópolis, faz parte do Centro Histórico de Natal (cuidado pelo Governo do Estado, cedido a uma cooperativa de artesanato). O prédio foi construído no século XIX. Já serviu de abrigo para mendigos, de orfanato e, posteriormente, cadeia pública. Em 1976 foi reformado e deu lugar ao centro de turismo. Nela, centenas de boxes dispõem de artesanatos, peças de vestuário, utensílios para casa e decorativos, bebidas e doces típicos. Se prioriza matérias-primas regionais como frutos e palha de coqueiro e palmeiras. Artesãos de diversos locais do estado do Rio Grande do Norte comercializam suas confecções, expondo e vendendo sua arte. Eu fiquei encantada com as cores e beleza das roupas, chapéus, saídas de praia, além de jogo americano e toalhas de mesa. Tudo feito à mão e vendido a preços justos. As cachaças, licores e doces não passam despercebidos, pelos sabores, cores e aromas. Destaco o de abacaxi com hortelã e doce de coco verde em lascas. Divinos!

É o melhor lugar para conhecer a cultura e tradições populares, em Natal.

Alimentos – doces típicos de leite, coco verde, de frutas tropicais (caju, goiaba, manga, banana, mamão).

Cerâmica – massapé (preto), tauá (amarelo) e caulim (branco). São Gonçalo do Amarante é o município de maior produção.

Cestarias e Trançados – de palhas.

Couro – de origem caprina ou bovina, empregados como matérias-primas.

Rendas e Bordados – Caicó é o mais tradicional pólo produtor de rendas e bordados.

Tecelagem – Acari, Jardim do Seridó, Florânia, Arez, Ipanguaçu, São Paulo do Potengi e São Tomé produzem utilizando o tear.

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Maior cajueiro do mundo

O maio cajueiro do mundo é surpreendente. Eu achava que se tratava apenas de uma árvore com tronco grosso, mas é muito mais do que isso. (rsrs) Conhecido como cajueiro de Pirangi, é uma árvore gigante que fica no município vizinho, em Parnamirim (a 12 kms de Natal). Ele possui uma área de aproximadamente 8500 m², com perímetro de 500 m. É uma imensidão que ocupa mais de uma quadra. Produz cerca de 70 a 80 mil cajus por safra e equivale a 70 cajueiros. O que justifica o tamanho são anomalias genéticas pois seus galhos crescem para os lados e não para cima. Ao tocar o solo, crescem novas raízes e o cajueiro continua a ter sua dimensão ampliada. De tão grande, já invadiu a pista da Rota do Sol. e começa a crescer em outra quadra.

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Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

A Barreira do Inferno é a base da Força Aérea Brasileira para lançamento de foguetes, sendo a primeira da América do Sul. Como está localizada na beirinha da estrada da Rota do Sol, tirei as fotos abaixo, mas não descemos do ônibus para visitar não. Fiquei super curiosa e com certeza será minha escolha de passeio na próxima viagem ao estado, mas o guia que nos acompanhou passou algumas informações bacanas, e – devido a curiosidade que citei – pesquisei mais um pouquinho quando cheguei de volta a Salvador. Na Barreira do Inferno se concentram operações de lançamento de foguetes de pequeno e de médio porte. Questões climáticas como baixo índice pluviométrico e condições favoráveis d eventos foram fundamentais para a escolha do local. Além de ser próximo do equador magnético. A área que fica voltada para o mar é cuidada pelo Projeto Tamar, para reprodução de tartarugas marinhas. Nas fotos, vocês percebem a réplica de um foguete Sonda na Barreira do Inferno, de onde já foram lançados mais de 400 foguetes.

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Acompanhe todos os posts sobre o Curso de Liderança para Mulheres:

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30
março
2015
1º dia (conhecimento sobre política local) – Visita técnica à Assembleia Legislativa do RN

Oi, pessoal, boa tarde!

Como vocês sabem, na semana passada viajei para Natal a convite do partido Solidariedade (Bahia) para acompanhar os trabalhos do Curso de Formação de Lideranças para Mulheres. O curso visa empoderar mulheres com conhecimento acerca dos direitos, marketing político, liderança, gestão de pessoas, para uma melhor atuação política em suas bases eleitorais, contribuindo, assim, para melhoria da quantidade e qualidade da presença feminina nos cenários políticos.

Chegada ao RN

Cheguei em Natal no domingo no final da tarde, em um voo de Salvador para São Gonçalo do Amarante, onde fica localizado o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, inaugurado em 31 de maio de 2014 e o primeiro no Brasil administrado 100% pela iniciativa privada, o Consórcio Inframerica. Lá, fomos recepcionados pela agência responsável e viajamos uns 40 minutos até Natal.

Já em Natal, à noite, no hotel, tive oportunidade de conhecer algumas das participantes, mulheres de todos os estados do Nordeste. Interagimos num jantar descontraído, trocando experiências acerca de cada estado e dialogando sobre problemas e soluções locais.

1º momento do curso

Conhecimento sobre política local: estadual e municipal

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Na segunda-feira pela manhã, logo cedo, partimos para uma visita técnica à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A comitiva de mulheres do Solidariedade/Nordeste seguiu em ônibus fretado para a praça Sete de Setembro, onde se localiza o prédio do Poder Legislativo. No caminho, um guia especializado nos contava mais sobre a política local. Curiosa, também aproveitei para ir pesquisando no Google e complementando em minhas anotações na agenda.

8 praça 3

Esse primeiro momento do curso foi focado na absorção de conhecimento sobre política local. Então, antes de contar sobre a visita à Assembleia, vou situa-los sobre informações que recebi e o que aprendi no caminho.

Dados políticos

Rio Grande do Norte

O Rio Grande do Norte (RN) é situado no Nordeste (isso é óbvio, né, minha gente? hahaha mas não custa lembrar) e quem nasce no estado é chamado potiguar ou norte-rio-grandense. O RN tem 167 municípios e sua área total é de 52 811,047 km², o que equivale a 3,42% da área do Nordeste e a 0,62% da superfície do Brasil. A população de 3.408.510 habitantes em 2014 faz do estado o  16° mais populoso do Brasil.

Possui melhor IDH do Nordeste, maior renda per capita do Nordeste e a melhor expectativa de vida do Norte-Nordeste (74 anos).

Natal

Município do Rio Grande do Norte, Natal é a segunda capital brasileira com a menor área territorial e recepcionou o evento do Solidariedade. Fundada em 1599, é banhada pelo Rio Potenji (que margeamos no percurso de ida do hotel para a Assembleia Legislativa). É conhecida como Cidade do Sol, Noiva do Sol e Capital Espacial do Brasil. Sua população total é de 862.044, tendo 127.273 km².

Mulher na Política

Importância do Rio Grande do Norte para as mulheres na política

A realização do Curso de Liderança para Mulheres no Rio Grande do Norte tem um sabor especial, que deixou tudo ainda mais interessante: o estado foi o primeiro a conceder voto à mulher (primeira eleitora feminina: Celina Guimarães Viana). (vou contar mais sobre a história do voto feminino em um post amanhã)

Além disso, teve a primeira prefeita da América do Sul, Alzira Soriano, no município de Lajes.

Eu fiquei eufórica antes da viagem (hahaha e durante), por saber que teria uma oportunidade única: conhecer mais sobre a política, cultura, geografia locais, ao lado de mulheres que possuem forte atuação em seus estados e com sede de conhecimento, em uma terra que marca a história da mulher na política.

Praça Sete de Setembro

Sim, agora que contextualizei o estado e a capital, vamos à nosso “passeio-aula”.

Como comentei, logo cedo saímos do hotel rumo à Assembleia Legislativa. Tivemos muitas informações no caminho, e então chegamos na Praça Sete de Setembro, localizada no Bairro da Cidade Alta, que foi criada em 23 de março de 1914 e abriga:

  • Sede da Prefeitura Municipal, o Palácio Felipe Camarão
  • a antiga sede do Governo do Estado, o Palácio da Cultura (conhecido como Palácio Potengi)
  • o Prédio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte
  •  o Tribunal de Justiça do Estado

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Assembleia Legislativa

Exposição

Ao chegarmos na Assembleia, fomos recepcionados por funcionários do cerimonial. E ainda no saguão de entrada tivemos a primeira grata surpresa do dia: conhecemos uma exposição com obras de artistas locais, em homenagem ao mês da mulher.

1 exposição 3 1 exposição 2 1 exposição 1

(sempre há exposições de artistas locais nesse espaço e cada um dos que têm a oportunidade de divulgar seu trabalho no local, doa uma obra para o acervo permanente, como uma forma de retribuir à sociedade, que passa a conhecer mais sobre sua cultura e desfrutar da arte)

Plenário

Seguimos para o Plenário, onde aconteceu 90% das nossas atividades no prédio da Assembleia.

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A estrutura física do Plenário não é muito espaçosa. Achei pequena comparada a outras Assembleias, mas é confortável e as galerias são envidraçadas e com grande quantidade de cadeiras para receber o povo nas sessões e audiências públicas. No telão ao lado da Mesa Diretora, pudemos acompanhar a exibição de vídeos explicativos mostrando a elaboração e execução de projetos inovadores da Casa Legislativa.

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Projetos

  • Projeto de Inclusão

Projeto que agregou ao quadro de funcionários da Casa três portadores de Síndrome de Down (desde agosto de 2011). Manu, responsável por anotar a presença e ausência dos deputados nas sessões, Felipe e Kalina, que fazem parte do cerimonial.

Inicialmente, os funcionários enfrentaram preconceitos e desconfianças, mas o trabalho que desenvolvem é elogiado na Casa por todos. A inclusão é fruto de um convênio entre a Associação Síndrome de Down (ASD/RN), a Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil (APABB) com a Assembleia.

Não é fácil para pessoas na nossa condição conseguir conquistar um emprego, experiência, ser aceito” – Manu, na Revista da Assembleia.

  • Parlamento Jovem

Um dos momento que me deixou mais FELIZZZ foi conhecer o projeto Parlamento Jovem. O projeto aproxima jovens de escolas públicas e privadas da vida política do estado, tornando-os deputado-mirins. Eles passam a conhecer o funcionamento da Casa, debatem temas e elaboram peças de comunicação oficial, além de projetos de lei. Tudo como “manda o figurino”.

Não se trata de mera simulação, mas de atuação real em prol de mudanças nas comunidades, escolas e meios em que os jovens vivem.

Os jovens são eleitos pelas suas escolas, depois, elegem a Mesa Diretora. Momento a partir do qual passam a receber cursos e aulas (oratória, cerimonial, elaboração de ofícios, requerimentos e projetos de lei) para se inteirarem dos procedimentos e processos que envolvem o Legislativo Estadual. Debatem sobre: saúde, segurança, transporte, educação, emprego e renda etc.

É sempre maravilhoso ver jovens que deixam o discurso pessimista de lado e partem para a prática, buscando soluções para mudar a realidade em que vivem, sejam seus bairros, suas escolas, suas comunidades… Os “deputados jovens” (até 19 anos, são eleitos em suas escolas, através do voto direto) aplicam rigorosamente o Regimento Interno e passam por um curso no Instituto do Legislativo.

Muitas das mulheres do Solidariedade solicitaram à Casa cópia da Lei que criou o projeto para que possam avaliar, adaptar às suas realidades locais e implementar nos municípios de origem.

  • Assembleia na COPA

Como o estado sediou 4 jogos da Copa de 2014 e recebeu cerca de 170 mil turistas, a Assembleia promoveu cursos, durante cerca de 3 anos antes do Mundial, nos quais 1.600 potiguares fizeram aulas de línguas estrangeiras, com ênfase para aspectos da história do Rio Grande do Norte e turismo religioso. Foram taxistas, camareiras, recepcionistas, garçons, enfermeiros (treinados nos próprios hospitais), seminaristas, médicos, psicólogos, policiais, que passaram a ter conhecimento de outras línguas (devido a necessidade de capacitação para atendimento ao público). Os cursos oferecidos: inglês, espanhol, segurança no trabalho, gestão pública, graduações e pós-graduações. Os cursos aconteceram no Instituto do Legislativo Potiguar (cursos disponíveis hoje) e se constituíram em importante legado da Copa do Mundo.

Memorial

O Memorial do Legislativo Potiguar é um espaço de preservação de Memória, possibilitando aos cidadãos revisitar e compreender fatos da história, em diversos momentos. Foi implantado pela Resolução 055/2009. Nele, é possível conhecer o papel dos Poderes Legislativos Estaduais e visualizar as transformações ocorridas no Rio Grande do Norte, pois o acervo dissemina e resguarda a história da Casa Legislativa. É projeto de grande contribuição para o desenvolvimento da cidadania.

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Também há a preservação da história oral (com gravações de depoimentos sobre a história da Assembleia), gravações com os ex-deputados (testemunhas de episódios que marcaram a história), Projeto de Ação Educativa (estudos do período do Império até os dias atuais, para educadores e alunos).

Acompanhe todos os posts sobre o Curso de Liderança para Mulheres:

Confira também a série sobre a viagem ao Amapá:

Chegada no estado e Balneário de Fazendinha, Riachuelo na viagem ao Amapá: abacaxi é a fruta do verão, Riachuelo na viagem ao Amapá: sapatilhas de verão, As parteiras do Amapá, Natura no Amapá: viagem a Tartarugalzinho e conhecendo a orquestra Florescer; Natura no Amapá: sessão de maquiagem e autoestima, Natura no Amapá: conhecendo a Orquestra Florescer, Viagem ao Amapá: escolhido batom da Natura, Fortaleza de São José e Rio Amazonas, 1° look Riachuelo, Marco Zero e Linha do Equador, Conhecendo o Porto de Santana, 2° look da viagem Riachuelo, 3° – look Negrif, 4° look Riachuelo, Mercado de Pescado Igarapé das Mulheres e Porto, CETA Eco Hotel

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03
março
2015
Curso “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres”, na UnB

Oi, gente,

Como comentei mais cedo, resolvi fazer um resumo do curso da UNB Modalidade A Distância “Introdução Crítica ao Direito das Mulheres”.

Como muitas de vocês não conseguiram se inscrever ou não possuem tempo para um curso que exige bastante e tem avaliações, então, achei bacana dividir alguns aprendizados aqui no blog de forma resumida. Acredito que será importante para mim – para que eu possa fixar melhor o que estou estudando – bem como para passar o conteúdo e debatermos mais.

Empoderamos uma a outra debatendo, trocando informação, compartilhando conhecimento!

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O projeto

O Projeto de Extensão de Atuação Contínua “Direitos Humanos e Gênero: Capacitação em Noções de Direito e Cidadania – Promotoras Legais Populares” foi criado em 2005 na Faculdade de Direito da UnB, e promove há 9 anos o curso “Promotoras Legais Populares do Distrito Federal” (inspirado num projeto que existe em São Paulo desde 1994).

Assim, em 2014 foi lançado o curso “Introdução ao Direito Crítico das Mulheres”, na modalidade a distância, que tem sua primeira turma em aulas agora. O objetivo, segundo o Guia do Estudante, é que tenhamos noção dos direitos para libertação de todas, seja em casa ou na rua. E possibilita formação mais crítica no enfrentamento à violência à mulher, com uma atuação de cada aluna de forma a constituir-se como uma multiplicadora (o que, inclusive, faço agora) dos conhecimentos trabalhados no curso.

Além disso, devemos inserir o conhecimento na prática cotidiana e atuar como fiscalizadora frente aos órgãos públicos de saúde, de segurança, e do Poder Judiciário, responsáveis pelo cuidado, segurança e garantia de justiça à mulher.

Eu achei excelente se tratar de curso a distância porque adapto as atividades a minha correria do dia a dia e tenho mais flexibilidade nos estudos (em regra à noite ou de madrugada), além de poder reler os comentários dos alunos, pesquisar sobre a opinião, livros e links indicados por cada um.

As avaliações valem nota e o curso é divido em módulos temáticos; é necessário também participar dos fóruns de discussão para obter boa pontuação. No último módulo, será exigida a entrega de um projeto de enfrentamento à violência contra a mulher, aplicável a sua realidade de atuação.

Dificuldades

Para mim, não tem sido fácil acompanhar esses primeiros 20 dias de curso.

Como já comentei aqui no blog, o feminismo em minha vida é algo muito recente e falta-me conhecimento básico sobre a matéria. Ao contrário de muita gente que teve os primeiros contatos na adolescência ou na faculdade. Eu não tinha ideia do que era o feminismo até agosto de 2014. E a primeira vez que ouvi a palavra “sororidade” foi em novembro de 2014. Imagine! rsrs Isso dificulta a compreensão de determinados raciocínios. Mas além das alunas ajudarem, os monitores tiram todas as dúvidas e interagem constantemente, facilitando o aprendizado.

Módulo 1

Apresentação

O primeiro módulo apresentou o tema e tratou da linguagem inclusiva.

Com o texto “Linguagem Inclusiv@: O que é e para que serve?” (de Rayane Noronha, Ana Paula Duque e Luana Medeiros), abordou a forma como comumente vemos textos escritos na internet, com palavras que substituem os radicais de gênero (letras ‘a’ e ‘o’ por ‘@’, ‘x’, ‘is’ etc). Eu já tinha visto e muitas vezes já escrevi assim, mas não sabia o que buscava com essa ação exatamente.

É que as palavras escritas dessa forma visam retirar o gênero ou incluir os dois. Partindo do princípio que a linguagem não é apenas  uma forma de comunicação, ela é a expressão cultural de determinada sociedade. E a forma como escrevemos guarda preconceitos arraigados em nosso contexto histórico.

A linguagem inclusiva de gênero visa desconstruir:

  • a ideia de masculino como universal
  • o sexismo estabelecido na linguagem

As mulheres sempre são incluídas nos termos masculinos (ex.: se vc entrar em um local e tiver 30 mulheres e um homem, vc irá se referir a “eles”) e acostumaram-se a se sentir assim. Os homens não se sentem a vontade com os termos femininos. Isso perpetua posições hierárquicas, o patriarcado e o machismo. Ou seja, além de demonstrar a forma de nos comunicarmos, a linguagem é importante para criar nosso imaginário e gerar papeis diferenciados na sociedade.

A proposta, no entanto, não é impor o feminino como universal, mas construir socialmente espaços que não estabeleçam posições distintas entre homens (superiores) e mulheres (inferiores), prezando domínio de um sobre o outro.

Hoje, nossa linguagem estabelece que o universal é o feminino e esse pensamento sujeita as mulheres deixando-as à margem, respaldando uma sociedade patriarcal e sexista.

“A linguagem não é só símbolo, ela é mais, ela representa uma realidade criada por nós mulheres e homens. A reconstrução da linguagem apresenta-se como forma de buscar uma transformação no imaginário coletivo, mudança essa que permitirá as mulheres se ‘historicizarem’ e se ‘existenciarem’, gerando um novo tipo de consciência na população. O discurso que prega que não podemos escrever fora do padrão ‘culto’ é sustentado pelxa mesmxs que julgam que não podemos modificar a nossa realidade em busca de um mundo mais justo. Sempre que a parcela da sociedade insatisfeita com as ideias hegemônicas manifesta-se é comum este tipo de reação dxs satisfeitxs que as desigualdades são ‘naturais’ e não impostas injustamente.

Sabemos que não é fácil utilizar linguagem inclusiva, mas ninguém disse que mudar o mundo seria uma tarefa simples.”

Módulo 3

Fundamentos Sociopolíticos das lutas das mulheres

No terceiro módulo, tivemos como norte o texto “Feminismos e justiça social: as lutas das mulheres negras não cabem em uma única palavra“, de Ana Cláudia Pereira.

Ela inicia citando que  no século XVIII, negras alforriadas formavam, no Brasil, domicílios compostos basicamente por mulheres e deixavam suas heranças para escravas, ex-escravas e filhas. Mas para elas não existia a palavra “feminismo”, que só surgiu como termo mundialmente conhecido na luta das mulheres pela emancipação, a partir da mobilização de europeias e norte-americanas. Elas queriam melhor condição de vida e de trabalho nas fábricas; já as ricas brancas, queriam os privilégios sociais dos homens brancos.

Hoje o discurso anti racista já tomou conta da ideologia. Embora se admita que nunca haverá uma sobreposição total entre o feminismo branco e negro, ao menos enquanto houver racismo na sociedade.

Para a autora, é difícil levantar questões sobre raça diante do feminismo branco sem que surjam conflitos acirrados (possivelmente por medo de se identificar na situação da opressora). A autora destaca que muitas brancas afirmam que o racismo é um problema “da sociedade” e não do feminismo, o que resulta no privilégio racial em favor da mulher branca. Por isso, é importante pensar sempre como a cor da nossa pele nos confere privilégios ou nos subordina às dinâmicas de opressão.

Outro ponto abordado é a necessidade de visibilizar a produção política e intelectual das mulheres negras. E compreender a produção como conhecimento e não como vitimização. Aleta também que no discurso da democracia racial, as negras são colocadas como brutas, agressivas, feias, excessivamente sexualizadas.

“O feminismo que não combate privilégios raciais é o feminismo que tem como pauta de mobilização questões que invisibilizam as mulheres negras e reproduzem todas as formas de violência que o racismo gera. Como podemos concordar que os avanços das mulheres brancas no mercado de trabalho continuem a ocorrer com a exploração do trabalho doméstico das mulheres negras?”

E vocês, o que acharam dos textos e opiniões?

Não deixe de compartilhar suas impressões conosco.

Na próxima semana, trago mais resumo de textos estudados no curso da UnB e links com matérias importantes para nosso conhecimento.

Amigos, quem acompanha o blog sabe que dou palestras em escolas sobre cidadania, jovens na política e importância do engajamento político! Então, se você tiver interesse de levar as palestras para sua escola, associação de bairro, grupo de amigos, faculdade, entre em contato pelo e-mail: contato@danielebarreto.com.br. A Democracia avançará com nossa troca de conhecimento e com Educação Política! Aguardo você!

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27
janeiro
2015
Parteiras da Floresta: incentivo ao parto normal e parteiras no Amapá

Oi, galera, bom dia!!!!!!

Como vocês sabem, fiz uma viagem ao Amapá no mês de dezembro e venho contar mais sobre as descobertas que vivenciei por lá.

E hoje queria falar com vocês sobre um assunto que tenho enorme curiosidade, mas que só recentemente comecei a ler mais: as parteiras.

Claro que parece, a primeira vista, um tema ultrapassado, tendo em vista a tradição de partos cesárias em hospitais e a evolução da medicina convencional. Mas o tema volta ao cenário nacional depois que Dilma resolveu estimular os partos normais, através de ações do Ministério da Saúde.

Óbvio que se tratam de duas questões que não são idênticas. O estímulo ao parto normal e o parto com doulas e parteiras são coisas diferentes. Mas resolvi abordar no mesmo post por ser, em geral, questões relacionadas ao parto humanitário. Então, vamos conhecer, juntos, um pouco mais sobre o Amapá, as novas políticas adotadas pelo Governo sobre o parto, a função das parteiras e doulas, e a tradição do Amapá (onde as Parteiras da Floresta realizam milhares de partos).

Incentivo ao parto normal

No dia 07 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Saúde Complementar publicaram uma resolução que estabelece normas para estímulo do parto normal e diminuição das cesarianas (cujo número é considerado alto). Muito vem sendo discutido sobre os planos de saúde empurrarem as gestantes para a cesariana (cujo procedimento é mais caro e, portanto, o plano ganha mais dinheiro), num país em que cerca de 23,7 milhões de mulheres são beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no país.

O Governo, na apresentação das medidas, afirmou se tratar de uma epidemia de cesarianas. E não será fácil reverter a tradição de partos cesarianas.

Números divulgados pelo Governo Federal:

❋ o percentual de partos cesáreos chega a 84% na saúde suplementar

❋ as cesáreas são 40% dos partos na rede pública

taxa recomendada pela OMS é de 15%

❋ a cesariana sem indicação médica aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe

❋ 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade

Obrigações das operadoras de saúde:

❋ dar acesso às consumidoras de planos de saúde às informações sobre cirurgias cesáreas e de partos normais, em 15 dias após a solicitação

❋ fornecer o cartão da gestante, de acordo com padrão definido pelo Ministério da Saúde, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal (qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação)

❋ as operadoras devem orientar que os obstetras utilizem o partograma, documento gráfico que detalha como foi o parto, processo necessário para o pagamento do parto (com ele é possível saber quais complicações justificaram as decisões tomadas pela equipe médica)

Prazo para implementação:

❋ as regras passam a ser obrigatórias em 180 dias

“Não podemos aceitar que as cesarianas sejam realizadas em função do poder econômico ou por comodidade. O normal é o parto normal. Não há justificativa de nenhuma ordem, financeira, técnica, científica, que possa continuar dando validade a essa taxa alta de cesáreas na saúde suplementar. Temos que reverter essa situação que se instalou no país. É inaceitável a epidemia de cesáreas que há hoje e não há outra forma de tratá-la senão como um problema de saúde pública”, Arthur Chioro.

Parteiras do Amapá

Trouxe esse assunto do parto normal para falar mais um pouco da viagem que fiz ao Amapá, na qual, inclusive, aproveitei para conhecer cidades do interior como Santana e Tartarugalzinho.

Em Tartarugalzinho, numa viagem com a equipe da Natura, conheci algumas mulheres fortes e guerreiras que transformam a vida de milhares de pessoas no meio da Floresta. Dentre elas, algumas parteiras que já realizaram centenas de Amazônia.

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Foto Internet

Claro que o parto natural de que trata o Governo não é com parteira; trata-se, na recomendação visando o aumento de partos normais, em hospitais, por procedimentos médicos pagos por planos de saúde. Mas como eu já estava absolutamente encantada com as parteiras que conheci e também fiquei curiosa pelo assunto trazido à baila pelo Ministério da Saúde, aproveitei para juntar os dois assuntos nesse post, que, na verdade, reflete minha preocupação e interesse em saber mais sobre o parto humanitário (seja ele realizado por médicos com estrutura hospitalar ou mulheres em casas simples no meio da floresta).

A parteira é a profissão feminina mais antiga do mundo, surgiu com o nascimento dos primeiros bebês – quando mulheres passaram a auxiliar outras nesse momento. A profissão volta a ter visibilidade com o movimento em favor do parto humanizado. A parteira trás bons resultados nos partos sem risco e sua principal preocupação é o bom andamento do trabalho de parto.

Elas podem ser parteiras tradicionais (que são aquelas que não possuem estudo técnico e vivem em regiões rurais ou afastadas – o que é o caso das que conheci no interior do Amapá), enfermeiras obstetras ou obstetrizes, formadas em cursos específicos e reconhecidos.

As parteiras podem ter formação técnica ou conhecimento prático, e com sua experiência podem usar como: manobras e posições, chás e alimentos, medicamentos, banhos de ervas, massagens e rezas, usar oxigênio, medicamentos para conter hemorragias, fazer suturas e reanimações.

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

Encontro Internacional das Parteiras Tradicionais (Amapá) / Foto Internet

O Amapá é o Estado brasileiro onde mais se faz partos normais. As mulheres na Amazônia são responsáveis por ajudar milhares de outras mulheres a dar à luz. E assim povoaram o Estado por gerações. São pescadoras, donas de casa, agricultoras, extrativistas que são chamadas a qualquer hora do dia ou da noite para invadir ruas e florestas a dentro para auxiliar as parturientes. Algumas recebem como pagamento valores de R$ 10 a R$ 40 reais, ou cereais e galinha, mas a maioria se nega a qualquer auxílio pois acreditam que foram escolhidas por Deus para “puxar barriga” e “pegar menino”.

Eu conversei com uma das parteiras do município de Tartarugalzinho, veja o vídeo:

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Fonte Internet

Nas pesquisas que fiz na internet após voltar de viagem, me deparei com a figura da Mãe Luzia – uma uma mulher surpreendente, que nasceu em 1854; era descendente de escravos e pelas suas mãos nasceram milhares de crianças de várias gerações.

O coronel Coriolano Jucá (espécie de prefeito de Macapá em 1895) a convidou para trabalhar como parteira, com remuneração. Além de trabalhar como lavadeira e passadeira durante o dia. Lavava roupa com os seios expostos, como seus ancestrais, porque sempre aparecia um filho de parto para amamentar, e vestia uma bata branca quando autoridades chegavam a sua casa para receber conselhos.

Parteiras da Floresta, por Eliane Brum

Aproveito para compartilhar trechos desse texto lindo da Eliane Brum:

Parteiras da Floresta, Por Eliane Brum

Elas nasceram do ventre úmido da Amazônia, no extremo norte do Brasil, no Estado esquecido do noticiário chamado Amapá. O país pouco as escuta porque perdeu o ouvido para os sons do conhecimento antigo, para a música de suas cantigas. Muitas não conhecem as letras do alfabeto, mas são capazes de ler a mata, os rios e o céu. Emersas dos confins de outras mulheres com o dom de pegar criança, adivinham a vida que se oculta nas profundezas. É sabedoria que não se aprende, não se ensina nem mesmo se explica. Acontece apenas.

Esculpidas por sangue de mulher e água de criança, suas mãos aparam um pedaço ignorado do Brasil. O grito ancestral ecoa do território empoleirado no cocuruto do mapa para lembrar ao país que nascer é natural. Não depende de engenharia genética ou operação cirúrgica. Para as parteiras, que guardaram a tradição graças ao isolamento geográfico do berço, é mais fácil compreender que um boto irrompa do igarapé para fecundar donzelas que aceitar uma mulher que marca dia e hora para arrancar o filho à força.

Encarapitadas em barcos ou tateando caminhos com os pés, a índia Dorica, a cabocla Jovelina e a quilombola Rossilda são guias de uma viagem por mistérios antigos. Unem-se todas pela trama de nascimentos inscritos na palma da mão. Pegar menino é ter paciência“, recita Dorica, a mais velha parteira do Amapá. Aos 96 anos, mais de 2 mil índios conheceram o mundo pelas suas mãos. “Mulher e floresta são uma coisa só“.  “A mãe-terra tem tudo, como tudo se encontra no corpo da mulher. Força, coragem, vida e prazer.”

Das entranhas do corpo feminino Dorica nada arranca, apenas espera. “Puxa” a barriga da mãe endireitando a criança, lambuzando o ventre com óleo de anta, arraia ou mucura (gambá) para apressar as dores. Perfura a bolsa com a unha se for preciso e corta o cordão umbilical com flecha se faltar tesoura. Pegar menino é esperar o tempo de nascer. Os médicos da cidade não sabem e, porque não sabem, cortam a mulher.”

As parteiras da floresta comungam da religião católica. Algumas adotaram as pentecostais. Outras são espíritas, batuqueiras. Mas no coração vive uma religião antiga, em que a grande deidade era feminina. Aquela que governa o nascimento-vida-morte, presente-passado-futuro. Hoje, mesmo invocando um deus masculino, o Espírito Santo ou os orixás, elas guardam uma herança silenciosa em que o feminino é fonte de toda a vida, e cada mulher é a guardiã do mistério. Quando remam quilômetros por rios ou vão “de pés” para auxiliar uma igual a consumar o milagre da vida.

O parto é símbolo de resistência, uma lembrança subversiva de que cada mulher guarda um pouco da deusa.

O que essa mulherada sofre na maternidade é um golpe. Aqui, se o menino acomodou de mau jeito, a gente vai e dobra. Vou puxando até ele se ajeitar, botar a cabeça no lugar. Aí não precisa cortar. Médico, coitado, não sabe dobrar menino.” Parto é mistério de mulher. Feito por mulheres, entre mulheres.

Está além da compreensão das parteiras da floresta que a vida se desenrole no hospital, como se doença fosse. Parto não é sofrimento. É festa. Rossilda, 63 anos, do quilombo do Curiaú, pega o rumo de cada parto acompanhada de outra parteira, Angelina. Em espírito invocado, porque Angelina deixou este mundo há muito. Vencidas as nove luas, os homens são despachados para não fazer zoada. Parto é festa feminina. Rindo um pouco, rezando outro tanto, de branco dos pés à cabeça, Rossilda vai ajeitando a criança, vigiando a dor. Quando se vê, “lá vem o menino escorregando pro mundo“.

Assim como a criança, o dia nasce sem outra força que não seja a da natureza. Surge em hora precisa, sem que ninguém tenha de arrancá-lo do ventre da noite.

Do útero circular, a índia Nazira aviva a chama: “Índia, crioula, brasileira, é uma dor só. O mesmo coração de mulher“. Aos 92 anos, Juliana é a mais antiga parteira de Macapá: “Nasci em 20 de janeiro de 1908, dia de São Sebastião. Casei com 15 anos, por amor e mais nada. Comecei a partejar com fé em Deus e sozinha. Fiquei com as mãos aleijadas pelo sangue da mulher. Este sangue é muito forte, vai encaroçando sem que a gente faça fé. Minha única filha não quis que eu aparasse o menino, morreu de parto por sua vontade. Quando me chamaram já era tarde, minha filha estava perdida. Neste mundo fiz 339 filhos de pegação. Era importante a vida antiga porque de tudo se entendia. Agora não se entende é mais nada“.

Aproveitem para assistir o vídeo com entrevista de Eliana Brum com as parteiras! Aperta o play:

Sua opinião 

Ressalto que conheço muitooo pouco sobre o assunto. Não tenho formação na área de saúde, tampouco sou pesquisadora ou estudiosa do tema. Inclusive, nunca pari. O que despertou meu interesse inicialmente foi a conversa que tive com as parteiras em dezembro do Amapá. Voltei bem curiosa sobre o assunto. Como em menos de um mês, Dilma lançou as recomendações para estimular o parto normal, juntei as duas coisas e resolvi escrever esse post para dividir essa minha descoberta com vocês.

Se você é profissional de saúde, lê sobre o tema, ou é mulher e gostaria de contar sua experiência, fique a vontade. Mande suas dúvidas também, para discutirmos juntas. Será maravilhoso para mim poder conhecer mais!!! :-)

(leia mais…)


17
janeiro
2015
Comentário: clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar nariz

Oi, galera, bom dia, tudo bem? Animados para o final de semana?

Esses dias, zapeando no Facebook, me deparei com uma pergunta da Jade Almeida (veja aqui):

Clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar o nariz…… Mais bonitas ou mais brancas, meninas?

Sempre questionadora, a Jade levanta um tema nada simples, e sobre o qual precisamos refletir: padrões de beleza e o quanto se constituem em uma busca pelo embranquecimento.

Eu fiquei alguns minutos pensando sobre o assunto e o quanto somos, inclusive EU, vítimas desse processo de busca pela beleza e/ou embranquecimento que nos alienia desde muito pequenas.

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  • Beleza X Política

Embora possa parecer um tema alheio à discussão política, não é. Não se trata apenas de discussão sobre beleza, mas de saúde pública (porque muitas garotas sofrem processos como depressão, baixa estima, pela necessidade de se adequarem à padrões estéticos) e porque também se trata de discutir racismo e negação da nossa história; além de objetificação da mulher e patriarcado.

  • Opinião

Vamos ao que penso, sobre a pergunta de Jade: em relação às axilas, acredito que muita garota clareia para não destoar da cor da pele, já que a depilação às vezes escurece. Eu não clareio por que não me incômodo com a minha e por que tenho mais o que fazer com meu (suado) dinheiro. rsrs

Em relação a afinar o nariz com técnicas de maquiagem, pra mim vale o mesmo que outras mudanças como alisar o cabelo, não tomar sol para ficar mais clara (muitas blogueiras, inclusive, estão nesse processo de clareamento), roupas que “emagrecem”… Acho que tem tudo a ver com a busca pelo ideal de beleza imposto como mais aceitável. Então , eu responderia que “afinar o nariz com maquiagem” é uma busca pelas duas coisas: ficar mais bonita e ficar mais branca.

  • Padrão de beleza branco

Isso por que os padrões de beleza impostos por propagandas , filmes, novelas, são, historicamente, ligados às características brancas.

Então, a tentativa de “ficar mais bonita” termina recaindo (consciente ou inconscientemente ), necessariamente, na busca por se aproximar das características físicas do branco. Se observamos, a maioria dos negros que são modelos ou são artistas, obrigatoriamente, têm traços mais “finos”, cabelo “menos crespo”. Salvo raríssimas exceções como Lázaro Ramos (um em um milhão), a maioria se assemelha aos padrões que não são maioria na raça. tanto que não raro ouvimos a frase racista: “ela é uma negra bonita”, “que negra bonita”. Como se a regra fosse não ser bonita e que aquela se destacaria. Dificilmente ouvimos “que branca bonita”, “essa é uma branca bonita”. Tudo fruto de um padrão de beleza europeu imposto e que há séculos predomina (sem nenhuma expectativa real de mudança drástica – o que seria necessário).

Sendo assim, acredito que os ideais de beleza perseguidos se confundem com os de “brancura” – numa sociedade que valoriza isso.

  • Falando de mim

Trazendo a discussão para meu exemplo, eu já quis operar o nariz – não pensava em outra coisa, foi uma obsessão que me acompanhou por, pelo menos 15 anos. Não aceitava ter traços mais grossos; e o nariz, especificamente, era motivo de mil traumas e dificuldades. Quanto à operar, não acredito que me submeteria a uma cirurgia para isso, hoje. Mas confesso que quando não estou com pressa ao me maquiar, costumo fazer contorno para afinar o nariz e o rosto (e parecer mais magra). Não faço para parecer “mais branca” de forma objetiva; mas para parecer “mais bonita”, o que implica em “afinar” e implica em “aproximar-se de um padrão branco”.

Embora fisicamente (falando no sexo oposto kkkkk) me sinta mais atraída e ache mais bonito rapaz com traços mais fortes, menos padrão branquinho-mídia. Kkkk

  • Sair da zona de conforto

É… muitos questionamentos a pergunta de Jade me trouxe (relacionados à insatisfações pessoais , inclusive). E me faz refletir sobre determinados objetivos estéticos que perseguimos. Se seriam nossos ou impostos (e aí reagimos inconscientemente).

Rever nossos padrões (nem que seja para reafirmá-los) é sair dessa zona de conforto de aceitar o que é “bonito” por determinação da mídia, família, meio social etc e buscar se ouvir mais e descobrir o que a faz se sentir melhor consigo.

Aliás, acho que a fuga de algumas pessoas do debate ou a agressividade (o que aconteceu em alguns comentários de meninas no Face da Jade) às vezes se dá por se verem diante de perguntas que tiram da zona de conforto. Essa pergunta me tira dessa zona. Me faz refletir, avaliar (os outros, a “sociedade” e a mim).

Um ótimo final de semana a todos!!! Siga-nos nas redes sociais e debata política interaja conosco:

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Bjo.


15
janeiro
2015
Seja você! #ComoUmaGarota

Olá, meninxs, queria falar com vocês sobre uma questão pessoal!

(post-desabafo-pessoal)

Olha, a partir de agora vão ter mais textos sobre feminismo e empoderamento feminino. Ainda não me sinto nem um pouco a vontade para escrever textos sobre o tema, pelo pouco (ou quase nenhum) conhecimento que possuo na área (fora o laaaaaaargo conhecimento prático de “machismo na pele”), então vou passar a dividir com vocês o que leio, textos, links, livros (na verdade ainda não comprei nenhum), páginas no Face para seguir (leio algumas beeem interessantes diariamente), canais no Youtube. Enfim, o que eu for descobrindo e me ajudar nesse processo, vou passar para vocês, tá? Quem sabe não conseguimos nos ajudar mutuamente, né?

Mas queria começar o ano mostrando uma campanha belíssima de Always Brasil (que talvez algumas de vocês já conheçam porque não é uma campanha recente) e que me fez refletir e sentir muita coisa relacionada à forma como ainda se encara a mulher no mercado de trabalho (especialmente em minha área de atuação: a política)!

Antes de postar o vídeo, explico o que me tocou: a campanha da Always mostra como, especialmente na adolescência, nossa concepção de “ser menina” muda. Não raro, somos vítimas (no colégio, com parentes e amigos) de frases e comportamentos que limitam nosso desenvolvimento. Dentre diversas formas de limitação, uma delas se dá mediante frases que imprimem desconfiança sobre as nossas capacidades e que se constituem em jargões muito comuns na adolescência.

Quem nunca ouviu, por exemplo, que não queria sua companhia no time (de futebol, basquete, o que for), porque você joga “como menina”? Essa expressão “como menina” vem sendo usada sempre pejorativamente para tentar passar a ideia de fraqueza, incapacidade, impossibilidade, delicadeza extrema (e limitadora).

Esses conceitos vão sendo arraigados em nossas cabeças. E com o passar do tempo, com o ingresso na faculdade e no mercado de trabalho, vamos, cada vez mais, tendo que ou se limitar aos espaços que são concedidos (ao “lugar de mulher”) ou lutar feito loucas para “mostrar que podemos”, “mostrar que somos competentes” etc.

Eu que lido com política escreveria um tratado aqui sobre as dificuldades que essa mentalidade imprimem no meu dia a dia, permeado pela misoginia e machismo típicos dessa área. E o quanto, inclusive, as mulheres reproduzem esse machismo também (e eu o reproduzia em alta até 1 ano e meio atrás). Não querendo vitimizar, mas nessa minha área, o assunto é, particularmente, ponto nevrálgico em meu desenvolvimento profissional (vou abordar isso em outros post mais adiante). Além de lidar com todo tipo de assédio e submissão, muitas ainda passam a existência tentando provar a sabe-se lá quem sabe-se lá o que. Siiim, porque nada que se faça é suficiente para provar sua competência em determinados círculos. Ah, e “assediar para constranger e limitar” tem sido uma máxima no meio político em nosso país (e ressalto a Bahia nesse cenário).

Mas nem vou falar apenas de trabalho prático no meio político… Vamos às questões relacionadas ao blog também.

Quando resolvi fazer o blog, não me identificava com o padrão preto-branco-azul/vermelho da maioria das páginas sobre política que leio diariamente. Nem me identificava com o formato e design das páginas de comentaristas e colunistas mulheres. Embora ame o conteúdo de algumas, a disposição da página não representava o que eu faria caso o blog fosse meu.

Mas aí, a partir do momento em que resolvi ter uma página própria, queria imprimir nela minhas vontades e personalidade! (aí começou o problema!!!) Isso porque amo outras cores, como o rosa, lilás, amarelo, azul também. Eu, no fundo no fundo, queria o óbvio: construir um blog pessoal que comunicasse comigo, que fosse minha cara e transmitisse o que sou. De aparências falsas já basta o que temos que viver por obrigações sociais; então não iria (em algo que deveria/deve me dar prazer) me esconder atrás de estereótipos e marcas impressas por outras pessoas. Se na vida já temos que omitir vontades, que pelo menos no nosso lazer, hobby, amor, possamos ser livres.

Então, pensei que se fosse para me adequar ao “politicamente esteticamente correto para uma página sobre política”, eu preferia não criar um blog!

Só gostaria de ter uma página se fosse para expressar o que sou e, inclusive, quebrar barreiras que impõem, por exemplo, que para ter “credibilidade” e mostrar “seriedade” devemos nos adequar ao que está imposto… No meu caso, a imposição social/profissional é: um blog com um layout clean, sério, cores neutras e esteticamente compatível com área (sem frufrus, basicamente).

Ou seja, nada de florzinha, rosinha, borboletinha, cores vibrantes, desenhos, sei lá mais o que.

Só que seguir esse padrão jamais seria possível, porque eu decidi por imprimir o que sou, independentemente das consequências. E passei a acreditar cada vez mais na necessidade de afirmar minha identidade diante da série de preconceitos, pré julgamentos e injustiças que ouvi de muita gente.

Na época, não comentei (apenas com alguns amigos pessoais), mas hoje resolvi falar sobre isso. Vocês não imaginam as centenas de e-mails, mensagens privadas que recebi com críticas terríveis a meu respeito. Falavam que “achavam que eu tinha credibilidade” até eu fazer “isso”. (“isso”, no caso, era ser eu mesma e lançar um blog de política feminino, com design delicado e com minha cara) (obs.: não sou delicada, não faço o tipo fofinha, não tenho paciência com frescura, falo alto e sou ‘meio’ grossinha e firme; mas amo cores vibrantes, brilho e design over. Vou fazer o que? Parece contraditório? Mas é assim que é.)

Na época em que lancei o blog, recebi centenas de mensagens de pessoas dizendo que não leriam mais meus textos (em regra homens), que eu não passava mais credibilidade, que meu blog não passava seriedade, que eu destruiria minha carreira profissional passando uma ideia muito infantil e delicada da política. Em detrimento ao conteúdo, as pessoas criticavam a forma e o design do blog.

Óbvio que eu sei (como boa estudante de marketing político) que o design é quase tudo numa página. Óbvio que sei que 90% dos leitores são atraídos pelo estímulo visual (e que muita gente que lê sobre política se atrai por outro tipo de estética). Óbvio que sei que existem cores que passam sensações como delicadeza, força, credibilidade e seriedade, e não por outro motivo as pessoas exigiam que eu me adequasse a esse padrão, até porque, no cérebro delas, ao entrar na página eram – inconscientemente – levadas a sentimentos e sensações diferentes do que uma página de política deveria passar. (e o design e as cores influenciavam diretamente nisso)

Eu tinha, portanto, após 2 ou 3 meses de blog, colecionado torrentes de críticas, caixa de entrada cheia de e-mails falando mal e uma porção de amigos pessoais que ou riam quando falavam do blog ou me ridicularizavam. Siiiim, isso mesmo! Vários amigos me ridicularizaram em rodas de política, em festas e encontros. Alguns escondidinhos (mas muita coisa chegava aos meus ouvidos) e alguns, PASMEM, falavam na minha cara (#chocada). Ouvi coisas que me fizeram corar em mesas de bares, restaurantes e reuniões. Fui ridicularizada pessoalmente por políticos conhecidos na Bahia, que, inclusive, em uma reunião, gargalhavam falando que jamais daria certo um “blog tão feminino sobre política” e que eu era “louca e ingênua”. Já chorei e já achei que desistiria.

Mas o que mais me motivava a manter a página era que quando eu perguntava acerca do conteúdo, ouvia coisas como: criativo, bacana, importante, relevante, divertido, inteligente, maravilhoso etc. Ouvia demais: “o conteúdo é excelente, o problema é que o blog é rosa”, “o conteúdo eu adoro, mas o visual não passa credibilidade”, “eu gosto do conteúdo, mas o design me incomoda”.

Ou seja, as pessoas aceitavam/gostavam do conteúdo, mas se incomodavam porque se tratava de uma página que mexia com suas crenças e valores – ainda mais num meio complicado como o que eu sempre vivi.

Mas eu não tinha opção, tinha que encarar! Por dois motivos: primeiro porque não sabia ser de outro jeito (afinal, sou uma garota que tem esse gosto pessoal) e segundo porque os leitores sempre me mandaram tantas tantas tantas mensagens lindas e me deram tanta força que jamais eu desistiria de expressar meu entendimento sobre política de forma verdadeira e sendo eu mesma (e ser eu mesma perpassa por coisas como: não me vender, não alienar o conteúdo, pesquisar, virar noites lendo e estudando, ter um padrão estético que me identifica).

Minha sorte consistia no fato dos leitores do blog elogiarem muito (principalmente nas redes sociais) e me darem muito incentivo e força. Sem isso, acho que não teria prosseguido e chegado ao nível de segurança que tenho hoje!

Claro que num meio em que as mulheres têm que vestir com essa ou aquela roupa para não ser assediada, ou que tem que se comportar dessa ou daquela maneira porque senão será desrespeitada, encarar as críticas de frente não foi fácil.

Mas no fundo eu sabia que eu precisava encarar, por mim e por todas nós. Afinal, mais do que um julgamento acerca do design, o que estava em jogo era algo maior: a opressão, o machismo e necessidade de ‘masculinização’ da mulher para ser bem aceita no ambiente político (ressalto: não tô aqui cuspindo regra de feminilidade nem do que significa ser ou não masculina, ou sei lá o que… tô falando de uma experiência pessoal e de “ser eu mesma”, portanto, não quero impor qualquer tipo de regra, obviamente. Seja você mesma, da forma como quiser!). Um meio que exige que você se pareça com ELES para que ELES te aceitem. (ou então que tenha um “padrinho-de-cama” muito poderoso, que te banque no meio político.

Claro que, sendo feminina, será muuuuuito beeeem aceita, mas para outras finalidades (e falo bem mais da direita conservadora do que da esquerda), especialmente as sexuais (e não tenho nada contra quem faz disso um instrumento de crescimento profissional na política; APENAX não é minha pegada). Para a finalidade a qual eu me propunha, eu teria que mostrar algo mais aceitável aos olhos masculinos – tanto em roupas, como no design e cores – como premissa básica para que fosse considerada alguém com força, competência e personalidade. Resumindo: para ser aceita por eles, tem que se parecer o máximo possível com eles (e se submeter aos seus padrões de boa profissional).

Mas isso eu não queria. E segui do meu jeito. Porque uma hora teremos que acabar com tanto preconceito, abrir portas para uma nova mentalidade que possibilite que as pessoas não tenham suas “competência e credibilidade” mensuradas pela cor da roupa que usam, pelo decote do vestido ou pela cor do design de um blog.

Mas algo maravilhoso me incentivou (silenciosamente) a prosseguir dessa forma: o número de acessos aumentando a cada dia. E hoje, que temos aproximadamente 2 anos de blog, as estatísticas de visualização só aumentam, as curtidas, a interação e o apoio só aumentam. Então, vim aqui contar essa historinha para vocês e, com ela, AGRADECER a cada leitor do blog, que me faz prosseguir a cada dia e que não me deixa desistir de falar de política “do meu jeito”, do jeito que penso, que sou e que vivo. Vocês que me permitem viver a “política à flor da pele”, sem desistir de ser exatamente o que sou.

Nós, mulheres, não precisamos mudar nossa forma de ser para mostrar competência em áreas povoadas de machistas/misóginos, nem precisamos colocar nossa personalidade de lado para se adequar ao que o amiguinho preconceituoso ou a amiguinha que reproduz o machismo querem. E falo como alguém que, até 1 ano e maio atrás, reproduzia o machismo de forma brutal (aí é história para outro post… rsrs). (acredito que eu era uma das mulheres que conheço que mais reproduziam o machismo)

Então, quando vi esse vídeo da Always, logo pensei em compartilhar com vocês: o vídeo, minha história (da qual cada um de vocês faz parte) e minha alegria em, olhando para trás, saber como cada um de vocês contribuiu para que eu tivesse força e encarasse esse desafio de frente.

Obrigada a todos os leitores do blog e amigos das redes sociais; e saibam que para mim, vocês não são uma estatística do google analytics (rs), mas parte fundamental de minha vida e ferramenta basilar para que eu faça as coisas como sou: com dedicação, firmeza, empenho, disciplina, delicadeza e feminilidade. E que eu possa colorir a forma como falo de política, imprimindo no que faço o meu jeito de ser e viver.

E aos que não acham que o design da página, que minha aparência ou que usar o humor e a feminilidade não combinam com o conteúdo político, deixo alguns recados: vai ter análise política feita por uma garota; vai ter look do dia; vai ter dica de alimentação, esmalte e maquiagem; vai ter tudo que uma mulher que trabalha na política gosta; vai ter rosa e lilás; vai ter borboleta e Frida; vai ter fotinha em balada; vai ter crise de romantismo misturada com comentário político (porque mesmo quando faço uma análise fria, não deixo de ser quem sou e sentir o que estou vivenciando como mulher e ser humano no momento); vai ter indireta pro boy; e se reclamar eu deixo o cabelo do suvaco crescer, pinto de verde e posto aqui. Porque funciona assim, tá?

Então, vou seguir fazendo um blog “como uma garota”, falando de política “como uma garota”, escrevendo artigos políticos “como uma garota”, lutando “como uma garota”, crescendo “como uma garota”, estudando “como uma garota”, correndo atrás dos meus sonhos “como uma garota”, trabalhando “como uma garota”… porque eu sou uma garota!

Segue o vídeo:

#PolíticaComoUmaGarota #FaçaDoSeuJeito

E uma observação: estou relacionando o concento de “ser garota” à uma ideia mais feminina (em formas e cores), porque estou falando DE MIM. Mas não acho que uma coisa está atrelada a outra, obviamente. Quando falo sobre não me ‘masculinizar’ ou parecer mais velha ou mais séria, estou falando de minha experiência especificamente. Estou falando em ser obrigada a fazer o que não quero para me adequar a um meio no qual os homens (e as mulheres que reproduzem o machismo) exigem isso de mim. Se para você, ser garota tem um outro padrão estético, maravilha! Acho lindo qualquer padrão!!! Mas acho lindo nos outros… Em mim, acho lindo O MEU PADRÃO! O que eu quis com esse texto, em resumo, é explicitar o que é para mim “ser garota” é “fazer o do meu jeito”: ser aceita como você é e quer ser, é agir conforme suas vontades. Não estou aqui colocando como universal a forma como encaro meu corpo, minhas preferências, meu blog, minha profissão e minha vida, não. Estou apenas falando que estou aprendendo a fazer “do meu jeito” (aprendendo! aprendendo!)Faça do seu jeito!

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Bjo.