» Viagem ao Amapá: APA Quilombo do Curiaú - Daniele Barreto
03
novembro
2016
Viagem ao Amapá: APA Quilombo do Curiaú

O que estão achando dos posts sobre a viagem ao Amapá? Eu amei e hoje conto mais sobre a Área de Proteção Ambiental que é um dos maiores remanescentes de quilombo do país. ;-)

A Área de Proteção Ambiental o Riu Curiaú fica localizada na foz do rio Curiaú, no estado do Amapá, distante 14 quilômetros da capital Macapá. Com o objetivo de proteger e conservar os recursos naturais e ambientais da região, a APA é local de resistência e preservação da memória dos antigos escravos, que chegaram à região no século XVIII, para a construção da Fortaleza de São José do Macapá.

Eles originaram o Quilombo do Curiaú, constituído pelas comunidades: “Curiaú de Dentro” , “Curiaú de Fora“, “Casa Grande” e o “Curralinho“, totalizando 1.500 pessoas e constituindo-se em dos raros remanescentes de quilombo existentes no Brasil.

Não foi fácil chegar! Como eu estava no Mercado de Pescado Igarapé das Mulheres, pedi informação em uma venda e o dono, super mega atencioso, anotou todo o meu itinerário para chegar no Curiaú. Lá passa Ônibus para a APA, mas ele me explicou que é apenas um, então tem que esperar ele ir e voltar (14km cada percurso). Aí demoraria muito. Então, primeiro fui andando até a Avenida FAB (caminhada dazorra, num sol que olha…), lá pegue um ônibus e desci na estrada, já na entrada da APA, de onde peguei um táxi. (que demorou quase uma hora para passar) Na volta, retornei com o ex-Secretário de Cultura do Estado, aí foi rapidinho.

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Com área 23 mil hectares de área verde, rio e córregos, na APA há economia voltada para:

  • cultivo de peixes
  • criação de búfalos

Subsistência:

  • mandioca
  • frutas
  • pequenos animais
  • casa de farinha

Vale lembrar que têm surgido problemas sociais devido à expansão da periferia da cidade sobre as terras do quilombo. Os moradores já fizeram protestos para a desocupação de moradias irregulares e as áreas foram destinadas a filhos de quilombolas.

Há vários bares e restaurantes que, pela beleza e tranquilidade do local, atraem turistas e moradores de Macapá. Nas pesquisas na internet, li alguns textos que informam sobre o descontentamento dos moradores do quilombo com festas que, proibidas na cidade, são realizadas na APA, varando a madrugada, trazendo insegurança e causando acidentes com pessoas e animais.

Há uma Associação dos Moradores do Quilombo, um posto médico, um posto policial, dois postos de guarda, um museu/centro cultural, duas igrejas, uma escola que vai até a 8ª série, o Conselho Comunidades Quilombolas – CECADA , Associação de Mulheres, o grupo cultural Raízes do Bolão de músicas regionais, e há projetos como de Orquestra,  Ponto de Cultura, Esportes e Ponto de Leitura.

Terras do quilombo

“A terra é de todos” – essa é a filosofia dos moradores. No vídeo abaixo, um descendente de escravo explica como seu a posse da terra inicialmente e que se trata de herança para filhos e netos dos quilombolas.

Há histórias de que os primeiros moradores foram negros e negras escravizados/as que fugiram da construção do Forte de São José e se esconderam na região. Outros contam que na verdade foram negros do Mazagão que não eram escravizados, vindos do Marrocos para povoar a região.

Aproveitei a ida ao Quilombo para almoçar em um restaurante na beira do lago (que nesse período de estiagem está seco, mas que atrai muitos turistas quando as chuvas enchem os mananciais).

Além de uma comida deliciosa (pedi um “pf” de peixe frito dos deuses, que dava para servir duas pessoas tranquilamente), o valor é bem acessível: R$ 15,00. Os restaurantes estavam fechados, devido à festa de Nossa Senhora da Conceição (8 de dezembro), esse era o único aberto na APA, mas são muitos e espalhados por diferentes pontos.

As mesas são embaixo de árvores e de madeira local, com animais caminhando soltos! (fiquei meio com nojinho dos porcos, mas depois me acostumei hahahaha). O interior do restaurante é super limpo e a comida muito bem feita. Deu água na boca só de olhar a foto. kkkkk
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Criação de búfalos

No local há criação de búfalos, que podemos ver passando pela estrada. Há muito leite e queijo para vender na região, inclusive coloquei uma foto no post sobre o Porto de Santana mostrando o embarque de queijos de búfala enormes. ;-)

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Marabaixo

Antes de viajar para o Amapá, eu já tinha pesquisado muito sobre o estado (até por já ter ido outras vezes e não conseguir tempo para alguns passeios). A APA de Curiaú estava na lista de prioridades desse passeio e lá eu queria conhecer o marabaixo (dança e música típicos que amo). E poder ver a confecção dos instrumentos, que são produzidos no remanescente de quilombo por pessoas que ajudam a manter viva a tradição.

O Marabaixo e o Batuque são ritmos e danças locais que animam as muitas festas. O Marabaixo compõem várias festas católicas populares nas comunidades negras da área metropolitana de Macapá e Santana. “São danças de negros!” O marabaixo é um lamento, e até a dança mostra sofrimento do escravo no arrastar dos pés (a corrente não deixava que eles mudassem o passo). (pesquisas na net)

Fiz alguns vídeos no local, mas nenhum ficou como esse (ótimo) que encontrei no Youtube e compartilho com vocês:

Instrumentos em confecção que conheci na visita ao remanescente de quilombo!

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Adorei conhecer a APA Quilombo do Curiaú!

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