» Luiza Erundina preside sessão da Câmara após afastamento de Cunha - Daniele Barreto
05
maio
2016
Luiza Erundina preside sessão da Câmara após afastamento de Cunha

Após Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ser afastado do cargo de deputado federal pelo ministro Teori Zavascki, assumiu o seu lugar o Waldir Maranhão. Como os parlamentares estavam ouriçados, agitados e alguns comemorando a decisão, o assecla de Eduardo Cunha simplesmente encerrou a sessão para impedir que os parlamentares se manifestassem.

As sessões na Câmara dos Deputados são transmitidas via TV para todo o país, e pela internet.

Para evitar que as comemorações ganhassem força e que os deputados usassem o seu direito constitucional de se manifestar na Tribuna contra seu “chefe” Cunha, o Waldir, que é igualmente investigado pela Lava Jato, encerrou a sessão plenária e cortou os microfones.

Não é de hoje que a turma de Cunha age com truculência, rasgando o Regimento Interno e fazendo valer suas vontades pessoais. De microfones cortados a votações até alcançar a decisão desejada, Eduardo Cunha flerta com um modelo ditatorial de comando e cinicamente se faz valer do temor que seus pares tem dele.

Mas Cunha não consegue intimidar a todos e o corte dos microfones não calou deputados coerentes que ocuparam a mesa diretora. A deputada Luiza Erundina sentou na cadeira de presidente da Câmara e seguiu a “sessão rebelde”.

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Mesmo com os microfones cortados, parlamentares se pronunciaram num dos importantes momentos de nossa história democrática: quando uma Suprema Corte afasta o presidente de um Poder.

Leia a opinião de alguns deputados nessa manhã:

“Maranhão cometeu um erro gravíssimo ao tentar calar a nossa voz num dia em que todos querem celebrar essa vitória. Fomos à Procuradoria-Geral da República pedir o afastamento de Cunha. Fomos ao Conselho de Ética pedir a cassação do mandato. Vamos lutar hoje para que a Câmara dos Deputados nunca mais seja presidida por um réu criminal. Ninguém vai nos calar” – deputado Alessandro Molon (Rede-RJ)

O deputado que chamou Cunha de gangster durante a votação do impeachment na Câmara dos Deputados também se pronunciou:

“Queremos o ‘Fora Cunha’, mas por que demorou mais de 140 dias, se todos os elementos já estavam à disposição? Não vamos aceitar o golpe e a farsa articulados por ele. Cunha continua em ação, o encerramento desta sessão foi determinado por ele, impedindo que a TV Câmara transmitisse ao vivo. O processo de impeachment nunca poderia ter sido conduzido por um corrupto como Eduardo Cunha. O senhor Temer não tem legitimidade depois de uma sessão presidida por um delinquente como Eduardo Cunha” – deputado Glauber Braga (PSOL-RJ)

Mais pronunciamentos contundentes:

“Cunha e Temer agiram juntos para o golpe. Como podemos dar legitimidade à sessão golpista dirigida por Cunha? O Brasil não pode se curvar. Não se submeterá a um governo espúrio e golpista a partir da conspiração de Temer. Por que só agora afastam Eduardo Cunha?” – deputada Maria do Rosário (PT-RS)

“O governo já anunciou que vai pedir nulidade de todos os atos relativos ao impeachment presididos por Cunha” – deputado Paulo Pimenta (PT-RS)

“Eles podem cortar o microfone, mas não podem calar a nossa boca” – deputado Paulo Pimenta (PT-RS)

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