» Migrantes são obrigados a lutar por comida (comentando a matéria do Estadão) - Daniele Barreto
11
setembro
2015
Migrantes são obrigados a lutar por comida (comentando a matéria do Estadão)

Oi, pessoal, bom dia! Tudo bem?

Vamos falar de um assunto que me comove bastante: a situação dos refugiados! Vou gravar vídeo esse final de semana sobre a situação de muitos deles no Brasil, e as experiências que tive na fronteira, com um imigrante ilegal no ônibus (já comentei em outro vídeo) e refugiados que levamos água, em um bote que seguiria para o alto mar. Mas, no texto de hoje, queria convocar a uma reflexão sobre a situação de pessoas que chegam da Sérvia na Hungria nos últimos dias.

refugiados brasil

Como base para nossas reflexões e comentários, vou usar a matéria do Estadão (publicada hoje) em mais uma postagem da série “Comentando a matéria” – que sempre faço aqui no blog, quando você encontra: abaixo em azul, o texto do Estadão e em itálico preto meus comentários.

Em cena de caos, migrantes em campo de acolhida são obrigados a lutar por comida

ONU alerta que “milhões” de sírios podem se somar ao fluxo de refugiados

GENEBRA – O campo de refugiados de Roszke, na Hungria, vive cenas de caos, com um número cada vez maior de pessoas chegando da Sérvia. Hoje, milhares de pessoas disputavam sacos de comidas que eram atirados pelos policiais e entidades caritativas. Para a entidade Human Rights Watch, o tratamento dado a essas pessoas é “desumano”.

A Hungria possui 10 milhões de habitantes e localiza-se no centro da Europa. Por ser signatário do Acordo de Schengen, libera a circulação de habitantes do continente sem exigência de visto – tornou-se, assim, um destino para milhares de migrantes que chegam do Oriente Médio e de outras regiões ao continente pelos Bálcãs. Tendo registrado nos últimos dias recorde de : 3241 pessoas. Essa semana, o país terminou de erguer a barreira de arame farpado para impedir a entrada dos migrantes que se concentram em sua fronteira com a Sérvia.

Uma vez no país, os imigrantes são cadastrados pelo Governo e conduzidos aos campos de refugiados, onde são atendidos e recebem alimentação. Nesses campos, são detidas para não ingressarem no país através de sistemas de ferrovia e carros.

Estado esteve no campo de Roszke nesta semana e se deparou com o desespero de milhares de pessoas, mantidas em campos de detenção por policiais armados. Para a ONU, um plano para construir residências e abrigos começa a ser implementado. “Mas as condições ainda estão distantes dos padrões internacionais”, disse William Spindler, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados.

No último dia 08, os migrantes aguardaram horas no ponto de encontro para refugiados perto da passagem fronteiriça de Roszke para que chegassem os carros que os levariam para os locais nos quais seriam registrados pelo Governo. Na ausência do transporte, invadiram a fronteira. Outro incidente que deixou os migrantes indignados foi a estratégia que as autoridades húngaras usaram usou para enganá-los. Os sérvios pensavam que iam de comboio até à Áustria e à Alemanha, mas afinal foram levados para um centro de refugiados.

 Esses acontecimentos fizeram com que as pessoas abandonassem os campos e seguissem pela estrada, fugindo em direção à Áustria. Também impedidos de usar os trens, as famílias seguem pelas estradas a pé, com centenas de crianças.

Nesta sexta-feira, um vídeo produzido por uma ativista austríaca, Michaela Spritzendorfer, revela como os refugiados estão sendo tratados pela polícia húngara como “animais”, com comida atirada. 

Segundo ele, cerca de 300 abrigos serão construídos na região nos próximos dias, fornecidos pela empresa Ikea. Mas o governo da Hungria vinha rejeitando a oferta, sob a justificativa de não querer ver o surgimento de uma estrutura permanente.

Zoltán Kovács, porta-voz do governo húngaro, insistiu que o local abriga os refugiados por “apenas algumas horas e em condições ótimas”. Quando o Estado visitou o centro na quarta-feira, refugiados revelaram à reportagem que eram mantidos sob vigilância da polícia por três dias. 

Os refugiados são mantidos a força nas dependências dos campos de concentração, impedidos de seguir a viagem paraoutros países da União Europeia.

“Os policiais estão cumprindo sua tarefa e não há a cooperação por parte deles (refugiados)”, disse Kovacs, apontando que as pessoas “não conseguem fazer fila por comida”. Cerca de 3,6 mil pessoas passaram pela fronteira apenas na quinta-feira.

Assista ao vídeo:


O Estado esteve presente em uma conversa mantida entre um grupo de refugiados e os policiais locais, que insistiam que a Hungria adotava “um padrão europeu” e que era “o mais alto do mundo, em termos de direitos humanos”.

O governo húngaro não esconde que quer militarizar a fronteira, com o envio de 4 mil homens e a criação de “zonas especiais” para os refugiados. A meta seria impedir que eles cheguem às cidades. 

Na avaliação da ONU, a crise pode se aprofundar rapidamente e nem muros vão deter as pessoas. “Milhões e milhões de pessoas” poderão ainda se somar ao fluxo de refugiados caminhando em direção à Europa. O alerta é de Peter Salama, diretor regional da Unicef para Coordenação Humanitária no Oriente Médio, e que indica que a falha dos serviços da ONU na região e a continuidade da guerra devem expulsar populações inteiras da Síria nos próximos meses. 

A ONU critica a reação da UE denunciando que o mundo está “fracassando em dar proteção” aos refugiados sírios – isso porque muitos países estão fechando suas portas para a tentativa. Liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, a Comissão de Inquérito da ONU para os Crimes na Síria, alertou que as crianças sírias vivem um “terror” e 2 mil pessoas já morreram afogadas.

“Há milhões de pessoas na Síria fora de suas casas e, à medida que vida fica intolerável, elas poderão seguir caminho para a região e, eventualmente, para a Europa. Poderemos ter milhões e milhões de novos refugiados indo para a Europa”, disse. 

A imigração só cessará quando o conflito armado tiver fim. O Paulo Sérgio Pinheiro também reclamou do cinismo dos governos que enviam ajuda humanitária, mas ignoram que o conflito precisa findar para que se dê uma solução efetiva à vida dos que fogem da morte refugiando-se em outros países. 

Nos últimos dois dias, a tensão nas as fronteiras europeias ganhou uma nova dimensão, com crise na Dinamarca, Grécia, Macedônia e Sérvia. Desde janeiro, mais de 360 mil pessoas entraram na Europa. Mas apenas nas últimas 36 horas, mais de 5 mil pessoas chegaram na fronteira entre a Sérvia e a Hungria, um novo recorde. A ONU estima que até segunda-feira, um total de 40 mil pessoas terão desembarcado na Hungria.

Ah, na sexta-feira passada uma lei anti-imigrantes foi aprovada na Hungria e deverá entrar em vigor depois de 15 de setembro. 

Uma outra cena que chocou o mundo foi a jornalista que dá rasteira em pai (sírio) que corria com um filho no colo e atinge com pontapés outras duas pessoas. Demitida do periódico para o qual trabalhava, poderá responder criminalmente. Segue a cena no vídeo abaixo:

E você, o que acha do assunto?

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