» Comentando a matéria: Imigrantes morrem em naufrágio no Mar Mediterrâneo - Daniele Barreto
21
abril
2015
Comentando a matéria: Imigrantes morrem em naufrágio no Mar Mediterrâneo

Olá, pessoal, como foi o dia de vocês? (postado 00h23, de 21 de abril)

Muitos foram liberados do trabalho, né? Aquele famoso “enforcar” típico dos feriados que ousam, não cair em dia de segunda-feira ou sexta-feira. rsrsrs Eu trabalhei o dia todo (desde cedinho até às 18h) no gabinete do deputado que assessoro. Depois corri para casa para elaborar alguns roteiros de vídeos que vou gravar amanhã (no meu único dia de feriado realmente) e dar uma “geral” nas notícias do dia (que nem pra isso tinha conseguido tempo).

Então, nessa noite, uma notícia me chamou atenção: o naufrágio de uma embarcação com imigrantes, no Mar Mediterrâneo, que – segundo a ONU o acaba de anunciar nessa madrugada – deixou mais de 800 mortos. A conclusão foi baseada em relatos de sobreviventes. O naufrágio ocorreu no domingo, mas eu ainda não tinha parado para ler o assunto com mais atenção (só visto nos noticiários mesmo); e nessa madrugada de segunda para terça-feira, resolvi me debruçar mais sobre o assunto e tecer alguns comentários para vocês que acompanham o blog.

A nosso matéria base no “Comentando a matéria” será a reportagem da Globo com agências internacionais que segue abaixo (em azul) e vocês podem acompanhar juntamente os meus comentários em preto itálico.

Navio com cerca de 700 imigrantes naufraga no Mar Mediterrâneo

Sobrevivente afirma que no total 950 estavam na embarcação, dentre elas 50 crianças

POR O GLOBO, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS



Imigrantes chegam ao porto de Messina, na Itália, após serem resgatados por operação em 18 de abril este ano – GIOVANNI ISOLINO / AFP

ROMA — Entre 700 e 950 imigrantes ilegais podem ter morrido no naufrágio de um barco perto da costa da Líbia na madrugada deste domingo, no que pode ser a pior tragédia ocorrida no Mediterrâneo no pós-guerra — o naufrágio na Lampedusa, em 2013, deixou 366 mortos e 20 desaparecidos. Se confirmado o desastre, o número total de mortos desde o começo do ano subirá para mais de 1.500 — somente na semana passada, cerca de 400 pessoas morreram tentando chegar a Itália.

Segundo noticiários posteriores a essa matéria de O Globo, a ONU calcula – baseada em relatos de testemunhas – que cerca de 800 pessoas morrerem no naufrágio. A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para refugiados, Carlotta Sami, disse que nesses 800 existiam crianças de 10 a 12 anos, que partiram 8h do sábado de Trípoli. Os sobreviventes são de Mali, Somália, Senegal, Gâmbia, Bangladesh. 27 pessoas sobreviventes chegaram a Catânia, no sul da Itália, na noite dessa segunda-feira. 2 desses foram detidos por serem os condutores da embarcação que naufragou.

O naufrágio aconteceu depois de uma semana já marcada por centenas de mortes no mar, ocorridas em acidentes semelhantes nos dias anteriores. Inicialmente, falava-se de até 700 pessoas a bordo, mas um sobrevivente elevou o número a 950, incluindo 50 crianças e 200 mulheres. Só 28 pessoas foram resgatadas, além de 24 corpos. Os passageiros vinham de países como Argélia, Egito, Somália, Nigéria, Senegal, Gana e Bangladesh, entre outros.

— Muitos migrantes foram trancados em porões em níveis mais baixos do barco — disse um sobrevivente, segundo a imprensa local. — Os traficantes fecharam as portas para impedi-los de sair.

O acidente mergulha em uma crise política a Europa, que vive um momento de imigrações de proporções “épicas”, considerada um novo tráfico de escravos. Esse é o segundo naufrágio de grandes proporções em uma semana: há 8 dias, morreram 400 pessoas em outro acidente com barco repleto de passageiros buscando chegar na Europa.

Depois do naufrágio de domingo, Ministros do Interior e Exterior se reuniram para tentar resolver o tráfico e a imigração ilegal. A taxa de 1.500,00 mortos já é 30 vezes maior do que em 2014.

A tragédia levou o Papa Francisco a fazer o segundo apelo à comunidade internacional em menos de 24 horas.

— São homens e mulheres como nós, em busca de uma vida melhor. Famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas da guerra. Eles estão procurando a felicidade — disse, a milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, para a oração do Angelus.

Defensores dos Direitos Humanos protestaram durante a chegada dos sobreviventes contra a lei que torna crime a imigração ilegal. O Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Hussein, criticou duramente as políticas migratórias da União Européia, acusando Bruxelas de transformar o Mediterrâneo num “cemitério”. Acusa os governos de ceder ao movimento populista xenófobo que cresce e toda a Europa.

“A Europa dá as costas a alguns dos imigrantes mais vulneráveis do mundo. E corre o risco de transformar o Mediterrâneo em um vasto cemitério”, Zeid Hussein

O barco pesqueiro afundou levando mais de 700 pessoas a bordo, de acordo com os 28 sobreviventes resgatados por um navio mercante português. Sem citar números, as equipes de resgate italianas indicaram que a embarcação, de 20 metros de comprimento, tinha capacidade para transportar várias centenas de pessoas. No total, 17 navios da Marinha e da Guarda Costeira da Itália, navios mercantes e um barco de patrulha de Malta, bem como aeronaves militares, estavam envolvidos na operação de busca e salvamento.

— Eles estão literalmente tentando encontrar pessoas vivas entre os corpos flutuando na água — disse o premier de Malta, Joseph Muscat.

A embarcação, que partiu do Egito e pegou os imigrantes num porto da Líbia, perto da cidade de Zuwara, lançou um aviso de socorro durante a madrugada, captado pela Guarda Costeira italiana, que rapidamente alertou um cargueiro português na área. Quando o navio chegou ao local — a 110 quilômetros da costa da Líbia e cerca de 180 quilômetros ao sul da ilha italiana de Lampedusa —, a tripulação avistou o barco fazendo água. Segundo o porta-voz do Acnur, todas as pessoas correram para o mesmo lado, fazendo o barco virar.

Em alguns telejornais, foi informado que os dois tripulantes da embarcação, temendo serem reconhecidos e presos por estarem transportando pessoas ilegalmente, abandonaram o comando da embarcação e se misturaram aos passageiros. sem controle, a embarcação bateu no navio da Guarda Costeira, e as pessoas começaram todas a seguir para um lado só, como relatado na matéria de O Globo. A embarcação naufragou antes que conseguissem dar socorro a todos. 

ONDA DE IMIGRAÇÃO ILEGAL

A Europa enfrenta um desafio sem precedentes com a nova onda de imigração. Apenas no primeiro trimestre, quase 57,3 mil ilegais chegaram ao continente — praticamente o triplo do mesmo período de 2014, ano em que já haviam sido quebrados todos os recordes. Diariamente, a Guarda Costeira italiana ou navios mercantes resgatam uma média de entre 500 e mil pessoas. Em uma semana, mais de 11 mil chegaram a ser resgatados. Mas, segundo analistas, os líderes europeus continuam encarando o problema humanitário com uma resposta meramente policial.

Porque os imigrantes fogem de seus países em barcos clandestinos para a Europa?

  • a pobreza na África
  • guerra na Síria
  • guerra no Iraque
  • instabilidade na Somália
  • caos político no Iêmen

— Deter os barcos de imigrantes não acaba com o problema e provocará enormes custos humanitários. A Europa deveria unir forças com uma política externa e de segurança robusta num momento crítico para a coesão europeia — afirmou ao “El País” Giovanni Grevi, diretor do centro de estudos Fride.

A tragédia vem sendo tratada por organismos internacionais não como um problema da Itália, mas de toda a União Européia. Demagogia e burocracia para a imigração não resolverão o problema, tampouco proibições legais. O massacre é uma questão política séria, que toma proporções mundiais, e os países da União Européia, pressionados pelo mundo, precisam dar uma resposta. Ignorar o problema fará da Europa palco de mais um genocídio na história.

A UE mantém atualmente o Triton, novo programa de proteção de fronteiras substituto do Mare Nostrum, mais abrangente e que acabou cancelado no ano passado porque alguns políticos acreditavam que ele encorajaria os imigrantes a deixar seus países. O sistema atual funciona num limite de cerca de 50 quilômetros da costa da Itália.

— Este desastre confirma a urgência de restaurar uma operação de salvamento no mar e estabelecer vias legais críveis para chegar à Europa. Caso contrário, as pessoas que procuram segurança continuarão a morrer no mar — disse o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres.

Ah, alguns noticiários chamam a atenção para a necessidade de punição dos responsáveis por colocar as pessoas nos barcos e transportá-las. Estadistas europeus consideram que algumas medidas são emergenciais:

  • diálogo com o governo da Líbia para conter a saída de imigrantes (apenas 3 barcos fiscalizam a costa, mas saem 60 embarcações ilegais por semana)
  • lutar contra o novo tráfico de escravos
  • impedir que os barcos saiam dos portos (só mandar resgates não adianta, pois no momento do acidente já havia um barco resgatando as pessoas, o que não evitou a tragédia)
  • auxiliar na solução do caos político da Líbia

Essa arte da Folha de São Paulo explica melhor as correntes migratórias que envolvem o caso:

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