» Comentário: clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar nariz - Daniele Barreto
17
janeiro
2015
Comentário: clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar nariz

Oi, galera, bom dia, tudo bem? Animados para o final de semana?

Esses dias, zapeando no Facebook, me deparei com uma pergunta da Jade Almeida (veja aqui):

Clareamento para axilas/virilhas, truque de maquiagem para afinar o nariz…… Mais bonitas ou mais brancas, meninas?

Sempre questionadora, a Jade levanta um tema nada simples, e sobre o qual precisamos refletir: padrões de beleza e o quanto se constituem em uma busca pelo embranquecimento.

Eu fiquei alguns minutos pensando sobre o assunto e o quanto somos, inclusive EU, vítimas desse processo de busca pela beleza e/ou embranquecimento que nos alienia desde muito pequenas.

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  • Beleza X Política

Embora possa parecer um tema alheio à discussão política, não é. Não se trata apenas de discussão sobre beleza, mas de saúde pública (porque muitas garotas sofrem processos como depressão, baixa estima, pela necessidade de se adequarem à padrões estéticos) e porque também se trata de discutir racismo e negação da nossa história; além de objetificação da mulher e patriarcado.

  • Opinião

Vamos ao que penso, sobre a pergunta de Jade: em relação às axilas, acredito que muita garota clareia para não destoar da cor da pele, já que a depilação às vezes escurece. Eu não clareio por que não me incômodo com a minha e por que tenho mais o que fazer com meu (suado) dinheiro. rsrs

Em relação a afinar o nariz com técnicas de maquiagem, pra mim vale o mesmo que outras mudanças como alisar o cabelo, não tomar sol para ficar mais clara (muitas blogueiras, inclusive, estão nesse processo de clareamento), roupas que “emagrecem”… Acho que tem tudo a ver com a busca pelo ideal de beleza imposto como mais aceitável. Então , eu responderia que “afinar o nariz com maquiagem” é uma busca pelas duas coisas: ficar mais bonita e ficar mais branca.

  • Padrão de beleza branco

Isso por que os padrões de beleza impostos por propagandas , filmes, novelas, são, historicamente, ligados às características brancas.

Então, a tentativa de “ficar mais bonita” termina recaindo (consciente ou inconscientemente ), necessariamente, na busca por se aproximar das características físicas do branco. Se observamos, a maioria dos negros que são modelos ou são artistas, obrigatoriamente, têm traços mais “finos”, cabelo “menos crespo”. Salvo raríssimas exceções como Lázaro Ramos (um em um milhão), a maioria se assemelha aos padrões que não são maioria na raça. tanto que não raro ouvimos a frase racista: “ela é uma negra bonita”, “que negra bonita”. Como se a regra fosse não ser bonita e que aquela se destacaria. Dificilmente ouvimos “que branca bonita”, “essa é uma branca bonita”. Tudo fruto de um padrão de beleza europeu imposto e que há séculos predomina (sem nenhuma expectativa real de mudança drástica – o que seria necessário).

Sendo assim, acredito que os ideais de beleza perseguidos se confundem com os de “brancura” – numa sociedade que valoriza isso.

  • Falando de mim

Trazendo a discussão para meu exemplo, eu já quis operar o nariz – não pensava em outra coisa, foi uma obsessão que me acompanhou por, pelo menos 15 anos. Não aceitava ter traços mais grossos; e o nariz, especificamente, era motivo de mil traumas e dificuldades. Quanto à operar, não acredito que me submeteria a uma cirurgia para isso, hoje. Mas confesso que quando não estou com pressa ao me maquiar, costumo fazer contorno para afinar o nariz e o rosto (e parecer mais magra). Não faço para parecer “mais branca” de forma objetiva; mas para parecer “mais bonita”, o que implica em “afinar” e implica em “aproximar-se de um padrão branco”.

Embora fisicamente (falando no sexo oposto kkkkk) me sinta mais atraída e ache mais bonito rapaz com traços mais fortes, menos padrão branquinho-mídia. Kkkk

  • Sair da zona de conforto

É… muitos questionamentos a pergunta de Jade me trouxe (relacionados à insatisfações pessoais , inclusive). E me faz refletir sobre determinados objetivos estéticos que perseguimos. Se seriam nossos ou impostos (e aí reagimos inconscientemente).

Rever nossos padrões (nem que seja para reafirmá-los) é sair dessa zona de conforto de aceitar o que é “bonito” por determinação da mídia, família, meio social etc e buscar se ouvir mais e descobrir o que a faz se sentir melhor consigo.

Aliás, acho que a fuga de algumas pessoas do debate ou a agressividade (o que aconteceu em alguns comentários de meninas no Face da Jade) às vezes se dá por se verem diante de perguntas que tiram da zona de conforto. Essa pergunta me tira dessa zona. Me faz refletir, avaliar (os outros, a “sociedade” e a mim).

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Bjo.