» Ataque terrorista na França na manhã de hoje - Daniele Barreto
07
janeiro
2015
Ataque terrorista na França na manhã de hoje

Oi, gente,

O primeiro post do dia hoje seria outro, mas mudei…

Estava tentando (desde segunda-feira de tarde estou empenhada nessa missão) terminar o post sobre os ministros de Dilma, quando meu Twitter começou a ser inundado de mensagens sobre a revista #CharlieHebdo. Mais uma vez o mundo se choca com um ataque terrorista. E nessa tarde de quarta-feira, enquanto acompanho as notícias em tempo real no Google, não poderia deixar de falar com vocês do assunto.

Vu reproduzir abaixo a matéria do G1 e fazendo comentários sobre o ocorrido (como sempre fazemos por aqui: o conteúdo da matéria em negrito e itálico, comentários em azul).

 A matéria original foi publicada no G1, que você clicando AQUI

Ataque em sede de revista em Paris deixa mortos

Polícia francesa disse que 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas.
Alvo foi sede de revista satírica que já foi atacada por muçulmanos.

Homens armados são vistos saindo de um carro e apontando armas a um carro da polícia perto do escritório da revista satírica 'Charlie Hebdo', em Paris (Foto: Anne Gelbard/AFP)Homens armados são vistos saindo de um carro e apontando armas a um carro da polícia perto do escritório da revista satírica Charlie Hebdo, em Paris (Foto: Anne Gelbard/AFP)

Pelo menos 12 pessoas morreram e 11 ficaram feridas em um tiroteio em Paris nesta quarta-feira (7). O crime aconteceu no escritório da revista satírica “Charlie Hebdo”, que já havia sido alvo de um ataque no passado após publicar uma caricatura do profeta Maomé.

Comentário: Importante lembrar que a revista satirizava outras religiões, além da mulçumana, já tendo exibido charges envolvendo otras autoridades religiosas, como o Papa Francisco, que, após a barbárie, expressou sua “firme condenação” ao que chamou de um “horrível atentado”.

Todos os mortos foram identificados. São eles: o editor e cartunista Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, o lendário cartunista Wolinski, o economista e vice-editor Bernard Maris e os cartunistas Jean Cabu e Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, além do também desenhista Phillippe Honoré, do revisor Mustapha Ourad e da psicanalista Elsa Cayat, que escrevia uma coluna quinzenal para a “Charlie Hebdo” chamada “Divan”.

Comentário: Vários veículos de comunicação da França colocaram-se a disposição do Charlie Hebdo para ceder material de trabalho para que mesmo após o atentado, a revista continue funcionando. Muitos compararam o atentado ao ocorrido em 11 de setembro nos Estados Unidos.

Cartunistas de vários lugares do mundo já se manifestaram sobre o atentado, condenando o fato e enfatizando a coragem dos profissionais mortos (alguns dos quais figuravam na lista dos maiores cartunistas do mundo). ‘Eu sempre temi por eles’, diz Ziraldo sobre cartunistas mortos em ataque.

Entre as outras vítimas fatais, segundo o jornal “Le Monde”, estão o policial Franck Brinsolaro, morto dentro da redação, e o agente Ahmed Merabet, que morreu já na rua, durante a fuga dos atiradores. No ataque também morreram um funcionário da Sodexo que trabalhava no prédio, Frédéric Boisseau, de 42 anos, e um convidado que visitava a redação, Michel Renaud.

Ainda de acordo com o jornal, o jornalista Philippe Lançon é uma das vítimas gravemente feridas. Crítico literário do jornal “Libération”, ele escreve crônicas para a “Charlie Hebdo”. A agência Reuters, citando a polícia, diz que 11 pessoas ficaram feridas, sendo quatro em estado grave.

A cartunista Corinne Rey, que afirma ter sido forçada a deixar os atiradores entrarem na redação, diz que eles falavam francês fluentemente. Em uma entrevista ao jornal “l’Humanite”, ela contou que conseguiu se esconder embaixo de uma mesa durante a ação, que durou cerca de cinco minutos.

Segundo fontes policiais, os autores do ataque gritaram “Vingamos o Profeta!”, em referência a Maomé, alvo de uma charge publicada há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo muçulmano.

Os jornais franceses “Le Monde” e “Metro News” dizem que três suspeitos foram identificados, mas ainda não há informações oficiais.

Comentário: Já há confirmação, mas não se sabe ao certo se mais de 3 terroristas participaram da ação.

De acordo com fontes policiais ouvidas pela agência Reuters, dois dos suspeitos seriam irmãos que moram em Paris e o terceiro seria de Reims.

Vigília pelas vítimas
Mais de 100 mil pessoas foram às ruas de várias cidades da França em uma vigília às vítimas da “Charlie Hebdo”.

Comentário: Alguns veículos de comunicação alertaram para o perigo da mobilização na França, tendo em vista que os terroristas também têm por método agir em locais com grande concentração humana, como homens bomba – o que põe em risco os manifestantes. (mas milhares de pessoas continuam nas ruas na França)

Em Paris, convocados por vários sindicatos, associações, meios de comunicação e partidos políticos, cerca de cinco mil pessoas se reuniram a partir das 17 horas (14 horas de Brasília) na praça da República, centro da capital, perto da sede do semanário.

Comentário: Em vários lugares do mundo estão sendo realizadas manifestações pelas vítimas do atentado e contra o terror. No mapa disponível na internet, você fica sabendo em quais locais haverá a manifestação para participar.

Alguns usavam adesivos e cartazes onde se podia ler a mensagem “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”), que também circula nas redes sociais.

Manifestantes se reúnem na Praça de la Republique, em Paris, para protestar contra o atentado à sede da revista (Foto: Christophe Ena/AP)Manifestantes se reúnem na Praça de la Republique, em Paris, para protestar contra o atentado à sede da revista (Foto: Christophe Ena/AP)

O procurador da República, François Molins, precisou os detalhes dos acontecimentos em coletiva de imprensa.

Segundo disse, dois indivíduos entraram na sede da revista e perguntaram a dois funcionários da manutenção onde era a entrada. Em seguida, atiraram em um dos funcionários e renderam o outro no segundo andar do prédio, onde acontecia a reunião de pauta dos funcionários da publicação. Lá, atiraram e mataram 10 pessoas, sendo 8 jornalistas, um convidado e um policial encarregado da segurança.

Comentário: Eu achei estranho o fato  dos terroristas (até onde se tem informações) saberem o andar e/ou sala onde se encontravam os jornalistas reunidos. E o fato de, coincidentemente, estarem todos os cartunistas mais importantes da redação reunidos naquele momento em um único espaço. Como obtiveram essas informações de horário e local?

Molins confirmou a informação de fontes policiais de que os autores do ataque afirmaram “vingar o profeta” durante o atentado. Segundo ele, os suspeitos fugiram de carro em direção ao norte de Paris, bateram em outro veículo e então abandonam o carro em que estavam. Depois, renderam um motorista e fugiram em outro carro.

O número de suspeitos envolvidos no crime ainda é incerto e não foi confirmado pela polícia. Eles ainda são procurados e são perigosos, segundo as autoridades.

O Ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse que três suspeitos são procurados.

Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista ‘Charlie Hebdo’ mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut – o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier – o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)

Mais cedo, Rocco Contento, porta-voz do sindicato dos policiais local, disse a jornalistas que três suspeitos fugiram em um carro dirigido por um quarto homem, segundo informações do jornal “The Guardian”.

‘Ataque terrorista’
O presidente francês, François Hollande, acrescentou que “40 pessoas foram salvas”. Ele classificou o caso como um “ataque terrorista”, e disse que a França está em estado de choque. Os autores do ataque são procurados pela polícia.

Hollande reconheceu que o governo sabia que a França “estava ameaçada, como outros países do mundo”, e afirmou que “foram desbaratados vários atentados terroristas nas últimas semanas”.

Comentário: O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou o ataque terrorista e expressou solidariedade com a França na luta contra o terrorismo. “Os assassinatos em Paris são revoltantes. Estamos ao lado do povo francês na luta contra o terrorismo e na defesa da liberdade de imprensa”, declarou Cameron em sua conta no Twitter.

Uma reunião emergencial do gabinete da presidência foi convocada para as 14h locais (11h de Brasília). Após o ataque, a França elevou para o nível máximo o nível do alerta terrorista em Paris.

“Cerca de meia hora atrás dois homens usando capuz escuro entraram no prédio com duas armas”, disse a testemunha Benoit Bringer à rádio France Info. “Alguns minutos depois nós ouvimos os barulhos dos disparos”. Ele acrescentou que os homens foram vistos deixando o prédio.

Pessoas se abraçam em frente à sede da revista satírica 'Charlie Hebdo', após ataque terrorista em Paris (Foto: Remy de la Mauviniere/AP)Pessoas se abraçam em frente à sede da revista satírica ‘Charlie Hebdo’, após ataque terrorista em Paris (Foto: Remy de la Mauviniere/AP)

Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um pedestre com o carro roubado.

“Ouvi disparos, vi pessoas encapuzadas que fugiram em um carro. Eram pelo menos cinco”, declarou à AFP Michel Goldenberg, que tem um escritório vizinho na rua Nicolas Apert, onde fica a sede da revista.

Revista
A sede da revista foi alvo de um ataque a bomba em novembro de 2011 após colocar uma imagem satírica do profeta Maomé em sua capa.

Comentário: A Revista, pelas informações que li, me parece que não tinha um esquema de segurança compatível com as ações que poderia motivar pelas suas publicações polêmicas (envolvendo não só religiões, mas celebridades e políticos).

Coincidência ou não, a Charlie Hebdo fez a divulgação em sua edição desta quarta-feira do novo romance do controvertido escritor Michel Houellebecq, um dos mais famosos autores franceses no exterior. A obra de ficção política fala de uma França islamizada em 2022, depois da eleição de um presidente da República muçulmano.

“As previsões do mago Houellebecq: em 2015, perco meus dentes… Em 2022, faço o Ramadã!”, ironiza a publicação junto a uma charge de Houellebecq.

A revista de humor tem sido ameaçada desde que publicou charges do profeta Maomé em 2006.

Em novembro de 2011, a sede da publicação foi destruída por um ataque criminoso, já definido como atentado pelo governo na época.

Em 2013, um homem de 24 anos foi condenado à prisão com sursis por ter pedido na internet que o diretor da revista fosse decapitado por causa da publicação das caricaturas do profeta muçulmano.

Comentário: A luta que deve ser travada é a daqueles que defendem a liberdade de expressão e à Democracia (principais conquistas ocidentais) contra o fanatismo e o terror implementados pelos que não raciocinam a existência humana e a paz, sem conseguir dissociar de valores atrasados e de cunho fanático e fantasioso.

Vale lembrar que muitos, inclusive no Brasil, pregam a não banalização ou ridicularização de religiões por veículos de comunicação (como ocorreu com o Porta dos Fundos), numa dimensão de críticas extremamente menor, mas também lamentáveis.

O mundo precisa reagir ao atentado terrorista de hoje, que matou 11 pessoas na revista “Charlie Hebdo”, na França.

O mínimo para honrar a morte dos profissionais: os maiores jornais/revistas de cada país que se considera minimamente civilizado publicar charges do “Charlie Hebdo” (que motivaram a barbárie). Os “terroristas” precisam entender que ‘o mundo’ NÃO TEM MEDO e que eles não intimidarão a(o)(s) imprensa/povos/governos/Democracia/liberdade pela violência e fundamentalismo! (e que isso valha para todo e qualquer radical, de toda e qualquer religião)

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Bjo.