» Entrevista do novo ministro da Educação Cid Gomes (e meus comentários) - Daniele Barreto
05
janeiro
2015
Entrevista do novo ministro da Educação Cid Gomes (e meus comentários)

Bom dia, galera!!!!!

Se puder… porque depois da entrevista que acabei de assistir do nosso Excelentíssimo ministro da Educação, sei não se o nosso dia vai ser bom! Já vamos começar o primeiro post do ano falando sobre um dos iluminados escolhidos de Dilma para compor o novo quadro de Ministros. Hoje cedo, corri para a frente da TV para me decepcionar assistir à entrevista de Cid Gomes no Bom Dia Brasil.

Foi uma entrevista sofrível! Faltou segurança ao falar, faltou conhecimento, faltou legitimidade, faltou propriedade na área. Faltou tudo! Falta tudo!

Que se loteie o Governo entre partidos políticos e “aliados” em conchavos a gente até entende – porque essa é uma tradição nossa, e o PT fez questão de manter e aprimorar a prática -, mas não se pode fazer isso com a Educação – que, segundo Dilma, será prioridade em seu segundo mandato. Não será.

Com a escolha do Cid, ao contrário do que apregoou no discurso de posse (vai ter post aqui sobre isso, daqui a pouco – na verdade, ainda não vi o discurso na íntegra), o governo explicita que vai continuar negligenciando daquele que é o ponto nevrálgico do nosso país desde sempre.

Além de passar o tempo TODO dizendo que vai seguir apenas o que Dilma o mandar fazer, já deixando claro que vai botar sua má gestão no colo da Presidente (sim, porque não há dúvidas de que será uma atuação ruim e que terminará em confusão e baixaria – como tudo que envolve a família Gomes), o Cid não falou nada de realmente aproveitável (mesmo com o Jornal sendo camarada nas perguntas). Nenhuma novidade, nada além de frases pré-fabricadas e de (pouco) efeito.

Sobre o salário dos professores, sentenciou: quem quer ganhar dinheiro, vá para o serviço privado, professor tem que trabalhar por vocação. Depois tentou consertar a segunda frase, dizendo que tem que ter remuneração e que não quis dizer que professor deve trabalhar só por amor. Mas não conseguiu remediar as bobagens que falou não. Prevejo dias ruins para os amigos professores!

Prevejo dias piores para os alunos.

Abaixo, trago a entrevista do Ministro na íntegra (negrito e itálico), meus comentários estão em letra cursiva (*normal) azul.

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A entrevista foi disponibilizada na página da Globo:

(QUEM NÃO QUISER LER, PODE ASSISTIR AQUI)

São muitos os problemas a serem resolvidos na educação. O Bom Dia Brasil conversou ao vivo com o novo ministro da Educação, Cid Gomes, em Brasília. A entrevista foi feita por Ana Paula Araújo, Chico Pinheiro, Fábio William e Alexandre Garcia.

Bom Dia Brasil: A gestão do senhor como prefeito de Sobral e como governador do Ceará teve avanços na alfabetização, mas agora no Ministério esses desafios são muito maiores. A tão prometida mudança no currículo do Ensino Médio, nos quatro anos do primeiro governo Dilma, não avançou. O senhor pretende fazer em dois anos. Como o senhor pretende fazer isso? Isso vai reduzir, de fato, um dos maiores problemas do Ensino Médio, que é o de muitos estudantes que abandonam a escola nessa etapa?

Nosso comentário: Não temos dúvida de que ser prefeito de uma cidade do interior do Ceará e ser Governador não capacita – tampouco legitima – ninguém a ser Ministro numa pasta que demanda imenso conhecimento técnico. Exige-se ampla experiência para qualquer quadro que pleiteie a vaga de ministro da Educação. Enquanto ministérios forem distribuídos ao bel prazer da Presidente, tendo como critério único conchavos políticos (que nesse governo recebeu o apelido nobre de “governabilidade”) não veremos nenhum avanço que não seja maquiagem institucional. Em relação às mudanças no currículo do Ensino Médio, Cid informou em seu discurso na sexta-feira passada, após a solenidade de transmissão de cargo, que vai propor amplo debate sobre a proposta, e que a revisão curricular deve ocorrer simultaneamente com as definições de bases para o ensino fundamental e médio (veja matéria completa sobre o pronunciamento do Ministro AQUI).

Ministro da Educação, Cid Gomes: Bom dia Chico, bom dia Ana, bom dia Alexandre, bom dia. O Ensino Médio é, sem dúvida, o setor da educação que tem os piores resultados e ainda tem um desafio de acesso. Um percentual significativo de jovens estão fora da escola. O meu papel, ao longo desse mandato como presidente (sic), é seguir orientações da presidenta Dilma, que aponta para um compromisso de rever o currículo do Ensino Médio. Esse é um dos caminhos. E acrescentar, na medida da proporção possível dos recursos e dos orçamentos dos estados, porque o Ensino Médio é um serviço prestado pelos estados, mais vagas de Ensino Médio. Mais vagas de Ensino Médio em tempo integral. Esse será o nosso desafio, dialogando e estimulando governadores a adotarem essas práticas.

Nosso comentário: O Ministro estava nitidamente desconfortável na entrevista (veja vídeo AQUI), tropeçando nas afirmações e inseguro. Ao que me consta, foi sua primeira entrevista oficial após posse no cargo. Não só nessa primeira resposta, mas durante todo o tempo, enfatizou que seguirá as orientações da Presidente. Não pode, tal menção repetida, passar despercebida, especialmente por se tratar de um Gomes – que nada dizem sem razão e que sempre terminam suas parcerias (conchavos) políticos em confusão.

Bom Dia Brasil: Ministro, mas fala-se também de mudar o currículo do Ensino Médio. Isso é possível fazer sem mexer no ciclo básico. O aluno tem chegado ao Ensino Médio com deficiências muito grandes, muita gente sendo aprovada automaticamente pelo Brasil afora.

Nosso comentário: Aprovar os alunos indiscriminadamente é a “política” que vem sendo executada por esse Governo.

Cid Gomes: A educação é um sistema integrado. Para que uma modalidade de ensino funcione bem, a outra tem que ter cumprido a sua parte. Isso começa desde a creche, passa pela pré-escola, vai pelo Ensino Fundamental. O processo de alfabetização é fundamental, porque é a ferramenta básica da educação, e qualidade no Ensino Fundamental. O Ensino Médio certamente repercutirá o bom andamento dessas fases iniciais. Além desses problemas, nós temos que imaginar alternativas de, já no Ensino Médio, você permitir aos jovens a possibilidade de currículos diferenciados. Algumas disciplinas que sejam base do currículo e outras disciplinas que possam ser opcionais, segundo já a vocação e o gosto de cada estudante.

Nosso comentário: Morro de medo disso de “currículos diferenciados” num país que não oferece condições mínimas de estudo nos ensinos médio e fundamental. Veja bem: mal temos aulas sem greves (a Bahia que o diga) e professores (mal remunerados), imagine o aluno ainda escolher as disciplinas baseado em vocação e, possivelmente, inserção no mercado de trabalho e faculdades. Gente, vamos ser francos, não adianta sonhar com uma realidade improvável e atrapalhar, ainda mais, o aprendizado. Para essa escolha diante de um currículo diferenciado, seria necessário que as escolas dispusessem de assistentes sociais, pedagogos, psicólogas, terapeutas ocupacionais, que orientassem os alunos de forma séria e individualizada.

Me parece que os Governos no Brasil querem sempre mostrar mais do que conseguem efetivamente executar. No lugar de promover uma educação mínima de qualidade, já vem com invencionices que exigiriam o cumprimento de etapas de evolução da educação que ainda não alcançamos. Eu, para citar um exemplo, tive orientação vocacional na escola particular que estudava e entrei num curso universitário na área de saúde (Odontol0gia). Não me identifiquei (porque a teoria é bem diferente da prática) e larguei o curso para fazer um na área de Humanas (Direito). Como se daria a complementação das disciplinas? Haveria currículos tão diferenciados ao ponto de limitar áreas de atuação profissional?

Obviamente que sou leiga no assunto (assim como o Ministro, portanto, me sinto a vontade para opinar), mas gostaria muito de ouvir a opinião de amigos que trabalham na área de educação, pedagogia etc.

Bom Dia Brasil: Agora, ministro, é lei e o Brasil vai ter que colocar, até o fim desse ano, todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos na escola. Um levantamento feito pelo Estadão na semana passada mostrou que esse número chega a 2,9 millhões de crianças. Como o senhor pretende fazer isso?

Cid Gomes: Cada setor do ensino tem o seu desafio. No Ensino Fundamental, nós temos 98,4% das crianças ou jovens na escola. Não é problema de oferta de vaga. O que há é uma questão territorial, nas zonas rurais, haver um esforço redobrado para universalizar. O ensino infantil, a modalidade que é exigência de universalização, pré-escola, de 4 e 5 anos, nós já temos hoje algo em torno de 4 em cada 5 jovens. Então é razoável que, em um horizonte de médio prazo, isso significa um mandato, a gente universalize. No Ensino Médio, há um grande problema de abandono. Também no acesso, cinco sextos dos jovens está na escola. Há um problema de manutenção da escola. Isso nos impõe uma estratégia de dar mais qualidade à escola e implantar oferta nas áreas periféricas, mais pobres, onde há indicadores de violência maior, o ensino em tempo integral.

Nosso comentário: Reduzir a questão dos alunos fora da escola a “questão territorial, nas zonas rurais” é patético! Temos graves problemas sociais, econômicos, territoriais, de segurança pública que limitam o acesso dos alunos ao colégio. E o pior: eles até começam o ano matriculados, mas abandonam durante o ano letivo por fatores como: crises familiares, pais violentos e alcóolatras, dificuldade de acesso, falta de transporte público escolar (nessas prefeiturinhas pelo interior do país, nas quais o dinheiro é desviado sem pudor) etc. Para mim, o Ministro foi muito simplista, o que me passa mais a ideia de alguém que quer maquiar a realidade do que um indivíduo que quer escancará-la para resolver.

Bom Dia Brasil: Ministro, outro dia, mediando debate em São Paulo entre presidentes de grandes empresas de todos os setores – indústria, comércio, serviço -, a principal queixa foi que há uma falta de formação das pessoas, dos empregados, que mal leem e entendem mal as instruções. E, com isso, a produtividade cai e cai a capacidade de competir no mercado. Como que vai se resolver essa questão da qualidade para formar, enfim, a pessoa para o trabalho.

Nosso comentário: Óbvio, nossas escolas formam uma legião de analfabetos funcionais.

Cid Gomes: O governo, a presidenta Dilma, tem um projeto que é voltado especificamente para essa área de formação para o trabalho, que é o Pronatec. Ao longo desses quatro anos do primeiro mandato, oito milhões de brasileiros tiveram essa possibilidade. E a meta que a presidente Dilma estipulou para esses próximos quatro anos é de que a gente possa capacitar para o trabalho 12 milhões de brasileiros. Isso não exclui a necessidade de a gente ter o ciclo básico, Ensino Fundamental e Ensino Médio de boa qualidade. Isso permitirá um melhor desempenho na capacitação para o trabalho.

Nosso comentário: Pronatec não resolve porque se trata de enfrentamento equivocado do problema. O Ministro o utilizou em sua resposta para fugir do arguição feita. A questão não é de conhecimento técnico, mas de falta de cognição, de operações matemáticas básicas, de ler frases e não palavras isoladas, de compreender um trecho com sujeito, verbo e predicado. O nosso maior problema no país é que o Governo foca em números de alunos que saem do ensino médio, mas não em sua condição ao sair. E a condição é, em geral, de analfabetismo funcional.

Bom Dia Brasil: O senhor de desempenho, que o senhor quer avaliar. O senhor falou no seu discurso de posse que quer avaliar o desempenho dos professores. Agora, como fazer isso? Primeiro, é inevitável falar nesse salário de R$ 1,6 mil. O senhor não conhece nenhum assessor de político que está ganhando isso, todo mundo ganha mais do que isso. O professor é que ganha pouco. Agora, como avaliar esse desempenho sem envolver com isso sindicatos, que muitas vezes têm resistências? O senhor sabe que eles têm muita força no governo do PT. Muitas vezes se opõem à avaliação por avaliação. Como é que envolve sociedade, como é que envolve família, como é que envolve todo mundo neste projeto? Senão fica mais um discurso de que educação é fundamental, educação é prioridade, mas professor continua ganhando mal, escola continua desaparelhada. Enfim, como vai avaliar esse desempenho? Só cobrando os professores?

Nosso comentário: Muitos dos avanços que a categoria poderia ter não se desenvolvem porque os sindicatos são vendidos aos governos. A maioria dos dirigentes sindicais hoje ou saem a cargos eletivos (fazendo de suas gestões à frente do sindicato massa de manobra) ou recebem cargos com altos salários em governos (o que cria uma série de compromissos que os impede de representar com legitimidade a sua categoria).

Cid Gomes: Olha Chico, em educação é fundamental que a gente estabeleça metas, metas de acesso, metas de regularidade, metas de aprendizado e avaliações permanentes. Eu, por exemplo, pretendo fazer com que as avaliações, hoje feitas de dois em dois anos, possam ser feitas anualmente. Isso a partir do nosso instituto, que é o Inep, mas também muito em parceria com estados e municípios. É fundamental que a gente coloque sempre que o papel do Governo Federal é um papel normativo, é um papel regulativo, é um papel de estímulo, é um papel de ajudar no financiamento, mas o Ensino Médio é feito pelos estados e o Ensino Fundamental e Infantil é prestado, na sua maioria, pelos municípios. Então, tudo que for de programa, que for implementado, seguindo a orientação da presidenta Dilma, eles devem ter, como premissa fundamental, a voluntariedade. Não haverá nada imposto, não haverá nada que não seja pela via do diálogo, pela via do convencimento. Começando com diretores. É fundamental escola com bons diretores, fazem diferença. Uma das áreas que nós pretendemos, com avaliações, estimular os estados a adotarem e o Governo Federal poder ajudar no financiamento, melhorar o salário, e na sequência fazer isso com professores.

Nosso comentário: Muita frase pré-fabricada, de efeito, e obviedades; mas sem dizer exatamente como se implementará. E sem enfrentar a verdade: são 12 anos de Governos sem avanços na área.

Bom Dia Brasil: Falando de avaliação…

Cid Gomes: Sempre pensando que a adesão é voluntária, nada será imposto. Até porque o papel é do município e do estado.

Bom Dia Brasil: Perdão por interromper o senhor. Mas ainda falando nesse assunto, o senhor estava falando do Inep e dessas avaliações que têm que ser feitas, na opinião do senhor. O ex-ministro Fernando Haddad chegou a encomendar do Inep uma prova que seria uma espécie de Enem dos professores e que poderia até substituir o concurso tradicional em algumas prefeituras pequenas. É isso que o senhor pretende fazer? O senhor pretende desengavetar uma proposta desse tipo?

Cid Gomes: Eu sigo orientações. Todas as missões que tive até hoje eu era o chefe do Executivo. Agora eu sou um auxiliar da presidente Dilma. Tenho que cumprir, em primeiro lugar, compromissos que ela assumiu, que são muito claros: ampliar a oferta de creches, ampliar a oferta de ensino em tempo integral, valorizar o professor – ninguém faz educação sem valorizar os professores -, e fazer a revisão do currículo do Ensino Médio. Traduzindo tudo isso, melhorando a qualidade do ensino no nosso país. Qualquer ação que tenha por objetivo avaliar professores, ela deverá ser feita por opção do professor, e aí deve-se imaginar alternativas, estímulos que levem os professores a fazerem esse tipo de avaliação. Uma delas pode ser essa já colocada pelo ex-ministro Haddad. Você, tendo um professor passado por uma avaliação nacional, ele já fica com, vamos dizer assim, um Enem, um passaporte para o ingresso no magistério de um município ou de um estado.

Nosso comentário: O ministro não enfrentou a pergunta, não discorreu sobre o mérito da indagação. E ainda diz uma inconsistência absurda: substituir concursos públicos por uma prova (seja ela qual for). Ou o Ministro não leu o artigo 37 da Constituição da República ou quer fazer do Ministério o “balcão de jeitinhos” que geriu no Ceará. Está faltando mais embasamento nas respostas. Mais realidade, menos teoria e frases prontas.

Bom Dia Brasil: O senhor falou em qualidade, e há muita queixa quanto a isso. O governo oferece números, mas também há uma queixa de qualidade desde o Ensino Superior até o Básico. As pessoas reclamam que falta qualidade para o professor, e a consequência é que falta qualidade para o aluno. O ex-ministro da Educação Cristovam Buarque me disse outro dia que dinheiro não é tudo, que dinheiro não resolve. Que além do dinheiro, precisa de outra coisa. O que é necessário para melhorar a qualidade, ministro?

Nosso comentário: Gente, vamos encarar a realidade de frente: o Brasil é pensado para dar errado. Não há desdém na educação, não há falta de investimentos, há um orquestramento para dilapidar o patrimônio intelectual. Há uma bem orquestrada engrenagem para fazer funcionar mal a educação (que seria a salvação desse povo). A educação é pensada para dar errado. A educação pública é gerida para dar errado. Primeiro porque não pode competir com a educação privada: sendo que a maioria dos donos de grandes instituições de ensino são políticos ou empresários ligados a eles. A educação pública tem que ser ruim, sempre. Essa é a função dela. Afinal, os colégios particulares precisam sobreviver da demanda que se forma pela “fuga” dos cidadãos do ensino ruim (que “não lhes garantirá um futuro”). Além disso, não se quer aqui que a massa de pobres descendentes do ensino público venha a competir com os filhos da elite intelectual no mercado de trabalho, né? Jamais.

Gente, o discurso da educação tem que se “deshipocrisado” (com o perdão do neologismo), tem que perder seu conteúdo falacioso e hipócrita. Quem aqui acredita que o ensino público vai ser melhorado? Não vai! Para que professores bem pagos, com auto-estima? Amando suas profissões? Dedicados a ensinar? Dedicados a fazer aprender? Para que alunos motivados a compreender seus direitos? A ler mais do que palavras? A compreender textos? Não é interessante para o mercado nem para o governo que a escola pública tenha qualidade. Por isso, nunca terá nem currículos decentes, nem professores dignamente pagos. É a lógica do mercado. É a lógica da corrupção. É a lógica da manutenção do poder. É a lógica de formar uma massa de manobra cada vez mais fácil de conduzir. É a lógica do Brasil. O resto que o ministro disse é hipocrisia e discurso para povo desempoderado ouvir/acreditar.

Cid Gomes: Eu disse isso uma vez, e quase me cruxificaram porque eu falei isso. Acho que no serviço público, que atua no serviço público, seja um ministro, um vereador, um médico ou um professor, tem que ter vocação. Tem que ter vocação. Isso é fundamental.

Nosso comentário: Crucificaram porque, ao contrário de Cristovam Buarque, ele não tem legitimidade para falar em salários de professores com um histórico familiar que tem. E mais: cargo eletivo é muito diferente de um cargo efetivo concursado para dar aulas no nível fundamental e básico. Primeiro: pela natureza do cargo (lá vem eu mandar o tal ministro ler a Constituição Federal novamente), segundo porque cargo eletivo é escolha (muito diferente de ser professor, uma tarefa que cabe a muitos pela impossibilidade de fazer outros cursos – mas aqui nem vou ingressar nesse mérito).

E mais: ele cita cargos com um salário absolutamente incompatível com o de professor. E que, por estarmos no Brasil, têm uma série de facilidades para roubar (ou alguém aqui acredita em salário de vereador, prefeito, ministro etc), facilitações (concedidas pelo empresariado e pelo serviço público, como cartões corporativos, indicações para licitações, legião de cargos indicados – boa parte fantasmas e apadrinhados -, mil diárias), poder e prestígio (também junto ao empresariado).

Comparar ser professor a ter um cargo eletivo no Brasil é tão patético, tão revoltante e uma afronta tão grande que nem sei porque estou escrevendo sobre isso! É desumano. Deslegitima o discurso do tal ministro ainda mais. E só comprova o caráter politiqueiro de suas palavras, sem conteúdo e sem critério.

Bom Dia Brasil: O professor tem que nascer professor?

Cid Gomes: Lógico que ninguém deve trabalhar de graça, as pessoas têm uma vida difícil e têm que ter uma remuneração digna. No caso do magistério, O Brasil tem que avançar muito para efetivamente dar aos professores uma boa remuneração. Só ratificando com o que disse o ministro Cristovam: Sobral é uma cidade do semiárido nordestino, com orçamento percapta bem inferior a muito municípios brasileiros, e tem hoje um Ideb – fruto de políticas continuadas, foco, avaliação, metas definidas – que não tem cinco municípios no Brasil com esse número. Nós estamos com 7,8 no Ideb do quinto ano.

Bom Dia Brasil: Ministro, o senhor citou essa declaração de 2011 em que o senhor falou que o professor tem que trabalhar por amor, e não por dinheiro. O senhor como ministro agora anunciou um aumento no piso salarial do professor. Agora como fazer que os estados cumpram a lei que criou o piso para professor?

Cid Gomes: Bom, primeiro vamos repor. Eu não disse que o professor tem que trabalhar por amor, e não por dinheiro. É o contrário. Ou não é o contrário. O que eu disse é que remuneração é fundamental, mas é principio básico, é pre-requisito para atuar em todas as áreas públicas que se tenha vocação. O Mujica, ex-presidente do Uruguai, disse agora uma coisa semelhante: quem quer ganhar dinheiro não vai para o serviço público, não vai para a vida pública. Vai para a iniciativa privada, que paga melhor. Isso foi o que eu falei e sou comprometido com a melhoria do salário dos professores. Agora mesmo, nesta quarta-feira, devemos anunciar. Poucos lugares não pagam o piso. Nós temos alguns problemas no Rio Grande do Sul, por exemplo, por causa de uma carreira que está toda vinculada. E nós vamos procurar, o ministério já vem fazendo um programa, um software para fazer simulação de planos de cargos e carreiras em magistério, quer seja de um município ou quer seja de um estado. Nós vamos procurar os magistérios para dar ajuda, assessoria e enfim, o Ministério Público, a sociedade brasileira deve cobrar judicialmente para que todos os entes públicos cubram o piso que deverá ser anunciado agora nesta quarta-feira.

Bom Dia Brasil: Da mesma maneira que se tem que avaliar o desempenho de professores, tem que se avaliar o desempenho de secretários, de ministros. A sociedade tem que avaliar e tem que cobrar, senão não dá certo.

Cid Gomes: Concordo.

Nosso comentário: Aiai, veja só se a carga horária e exigência aos quais estão submetidos um professor é a mesma de um ministro, secretário! Rhum! Achei o final ainda mais aviltante. Mas, vamos aguardar o início da gestão, o aumento prometido e ver o que a classe – que muito mais legitimidade tem do que as minhas palavras sobre o assunto – vai dizer sobre a escolha da Presidente.

Aliás, como sou leiga no assunto (embora filha de ex-professores e sou também ex-professora) gostaria que os amigos da área se posicionassem sobre o assunto para podermos avançar no debate. Será uma contribuição valiosa para mim, e acredito que para quem lê o blog também. :-) 

Bom Dia Brasil: Obrigada pela participação, ministro. Boa sorte.

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Bjo.