» Tribuna da Bahia - Daniele Barreto
08
setembro
2014
Tribuna da Bahia

Oi, genteee, tudo bem?

Vocês devem ter visto nas redes sociais que estou numa correria com a Eleição, não é? Nem tinha conseguido postar o artigo de minha autoria que o Jornal Tribuna da Bahia publicou. Fiquei mega feliz, porque é um jornal referência para mim e a primeira vez que publica um texto meu! FELIZ DEMAIS!!!

Vamos ao tema do artigo: tratei do “vagão rosa”, que vem sendo instituído em alguns municípios e alvo de muita polêmica e manifestações de feministas.

Quer saber mais e debater conosco? Confira o texto: 

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O vagão rosa: segregação e reforço do machismo

Desde sempre o brasileiro apregoa – e orgulha-se – da cultura do machismo. Fingindo não bem compreender as consequências sociais e psíquicas do sexismo, misógina e machismo para gerações de mulheres (e homens), gestores públicos (muitos eleitos representantes desta mesma cultura) escusam-se diante da necessidade de executar políticas públicas que protejam a mulher de crimes sexuais e abusos decorrentes dessa mentalidade.

Muitas vezes encarados como tabus pela sociedade, não admitir a existência desse mal social ou buscar paliativos (bizarros) são as soluções mais comuns no Brasil. Uma das formas de evitar ou diminuir o número de assédios em trens e metrôs tem sido a implementação dos “vagões rosas” em alguns estados do país. Em cada composição, destina-se um vagão para uso exclusivo das mulheres nos trens e Metrô, nos horários de pico.

A discursão ganhou força nas últimas semanas após a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovar o projeto de lei de autoria do deputado Jorge Caruso (PMDB/SP). No último dia 12, Alckmin vetou e justificou que haverá maior investimento na segurança das mulheres no sistema metroferroviário (contratação de seguranças mulheres e câmeras de vídeo nos trens e plataformas).

O veto aconteceu após movimentos feministas promoverem protestos contra a sanção da lei, questionando que a separação causaria a segregação das mulheres, restringindo o direito de ir e vir (embora o uso do vagão não fosse obrigatório),e não a proteção. Acreditam as feministas que muito mais eficaz seria a realização de campanhas de conscientização e punição mais rigorosa para os assediadores.

No Rio de Janeiro, há 7 anos tem um vagão exclusivo para mulheres no metrô. Esse ano, o governo do DF adotou a mesma medida, que já foi implementada no Japão, Egito, Índia, Irã, Indonésia, Filipinas, México, Malásia e em Dubai. Em Salvador, com o recém-inaugurado metrô, as discussões acerca do vagão começam a invadir o meio acadêmico. 

Em regra, o vagão existe em países de cultura predominantemente machista, onde, por vezes, as mulheres são encaradas com as “culpadas” pelo assédio. A ideia do vagão vem nesse mesmo sentido, muito mais como uma punição do que de uma proteção à mulher.

Assediadores que se aproveitam da superlotação dos trens e metrôs continuariam agindo – pela ineficiência do estado em assegurar segurança e proteção – com o aval da sociedade perversa que encararia a vítima como alguém que “deveria estar no vagão”.

Óbvio que a ideia de um local com maior proteção para a mulher é eivada de boas intenções e aprovada por muitas mulheres. Mas essas mesmas “boas” intenções estão por trás de princípios machistas que aceitam como normais: cantadas bizarras;abordagem masculinas que limitam o direito de ir e vir de uma mulher nas ruas e em transportes públicos; padrão de vestimentas para ser mais bem aceita em “ambientes masculinos” no mercado de trabalho etc.

Aceitar que haja vagões exclusivos para mulheres, é culpabilizar as vítimas pelo próprio assédio, pois as compreende como o problema. Na mesma medida, ficam livres aos algozes, que continuam a agir nos trens, metrôs e em outros ambientes sociais sem a educação necessária para a convivência em sociedade.

Não se pode aceitar essa inversão de papeis, com a limitação da liberdade da vítima e manutenção/ampliação da liberdade do criminoso.E digo “ampliação” porque a partir do momento em que se implanta um vagão exclusivo para mulheres, aquelas que forem assediadas em outros vagões logo se culparão por “não terem procurado seu lugar”, ou terão que ouvir do próprio algoz (e da sociedade em geral) que se não quisesse ser assediada se dirigisse ao vagão destinado a quem se sente ofendida diante de tal investida masculina.

Compreender o vagão como algo necessário é também afirmar que os homens não controlam seus desejos e é encarrar o assédio muito mais como uma questão sexual do que como o que de fato é: um crime aceito pela sociedade.

Portanto, o vagão exclusivo para mulheres segrega e se apresenta como reforço do machismo, trazendo um retrocesso a um campo que avança a curtos passos devido à cultura machista e sexista que predomina em nossa sociedade. Vamos esperar que nossos políticos, em busca de holofotes e polêmica, não resolvam encampar ideias semelhantes em Salvador.

Aguardo vocês nas redes sociais!!!

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Beijo.