» Dany Barreto Entrevista... o deputado federal Cândido Vaccarezza - Daniele Barreto
09
outubro
2013
Dany Barreto Entrevista… o deputado federal Cândido Vaccarezza

Hoje no “Dany Barreto Entrevista” conversamos com o deputado federal Cândido Vaccarezza, do PT de São Paulo, um dos maiores articuladores do partido e coordenador do Grupo de Trabalho da Reforma Política.  É considerado o um dos políticos mais influentes do Congresso Nacional, conforme atesta pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, figura na lista dos “melhores deputados” do Prêmio Congresso em Foco, foi líder do governo na Câmara, sendo responsável por viabilizar os planos Brasil sem Miséria e Brasil Maior, a política de aumento real do salário mínimo, o Super Simples Nacional, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos (Funpresp), o marco civil da internet e a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Fundador do PT, já exerceu diversos cargos na direção nacional e estadual.

 

* Militância e trajetória política

Colunista: Deputado, você é baiano e médico, tendo se mudado para São Paulo para fazer residência. Como se deu o ingresso na política na capital paulista?

Vaccarezza: Quando vim para SP eu já era filiado ao PT, pela Bahia. Fui eleito pelo primeiro diretório regional do PT Baiano, mas renunciei porque me mudei. Vim completar o estudo de medicina. Transferi o titulo em 1983.

Colunista: E como você, que um dia protagonizou a re-fundação da UNE – em uma época em que a instituição realizava movimentos importantes – vê hoje a cooptação desta pelo governo federal, se transformando em apenas mais um braço do estado aparelhado?

Vaccarezza: Eu não concordo que a UNE esteja aparelhada pelo governo federal. A diretoria tem tido independência. Na divisão dos royalties, por exemplo, a posição da UNE é uma e do governo é outra.

* Reforma Política e Movimentos

Colunista: Deputado, após as inúmeras manifestações populares, pelo fim da corrupção e por melhor prestação de serviços públicos, o Planalto resolveu realizar uma reforma política. Você acha que este é realmente o clamor das ruas, foi isso que levou milhares de pessoas a se manifestarem por todo o país?

Vaccarezza: Não acho que as ruas pediam uma reforma política, o que dá pra afirmar que existiu um forte clamor na rua: manifestação contra a corrupção, contra o aumento das tarifas de transporte e pela melhoria de qualidade dos serviços públicos quando se dizia padrão Fifa. Ao lado disso, manifestação contra políticos e contra todos os partidos – do Psol ao DEM. Interpretar clamor das ruas como alguns políticos tem feito é tentar colocar nos movimentos bandeiras que não fizeram parte. Acho que existe muita instrumentalização na interpretação do movimentos este ano.

Colunista: Porque o seu partido lançou um manifesto rejeitando seu nome para presidente do Grupo de Trabalho da Reforma Política e Consulta Popular e afirmando que sua indicação é um movimento para impor à bancada petista preferências políticas que não são suas?

Vaccarezza: Primeiro: o partido nunca lançou manifesto contra meu nome. Quando o diretório nacional foi questionado por decidir da minha saída, 27 deputados votaram a favor e 43 contra. Houve um manifesto de um número minoritário de deputados, que eu atribuo à disputa política. Como disse na época, assumi o GT a convite do presidente na Câmara, não pedi, nem articulei. Fui convidado e aceitei.

Colunista: Na última semana, você afirmou que um dos principais pontos é desenvolver mecanismos de democracia direta, para consultar a população. Que mecanismos seriam esses?

Vaccarezza: Já na última reunião do grupo de trabalho definimos criar mecanismo que a cada eleição venha acompanhada de um plebiscito de consultas à população e pretendo incorporar na discussão da reforma política facilidades para leis de iniciativa popular, plebiscitos e referendos.

Colunista: Nas redes sociais você afirma estar atento aos anseios populares em relação à reforma, como deve proceder o internauta que lê essa entrevista agora e quer enviar sugestões para você?

Vaccarezza: O internaura pode entrar no e-democracia. ou entrar no meu site e enviar para vaccarezza@vaccarezza.com.br

Colunista: Quais os pontos que você considera mais importantes na Reforma Política?

Vaccarezza: A principal mudança deve ser no Sistema eleitoral.

Colunista: Esse Congresso – que, segundo a voz das ruas, não representa o povo – tem escopo moral para votar uma Reforma Política?

Vaccarezza: O que dá o escopo moral para o Congresso são as definições constitucionais do país. É o único que tem base moral e política para fazer a reforma política. Fora do congresso é ditadura. Não é porque houve manifestações que tira a legitimidade do Congresso, ela é originária na constituição brasileira que define o arcabouço jurídico e político do Brasil. Só quem pode aprovar a reforma politica é Congresso nacional. Não pode o Executivo, o Judiciário, nem as Forças Armadas ou os movimentos espontâneos.

* Governo Dilma

Colunista: Deputado, no governo Lula a base aliada cresceu enormemente e a oposição minguou. Como líder do PT / líder do governo na época, qual o segredo para cooptar tanto apoio e tantos partidos no Congresso?

Vaccarezza: Não houve nenhuma cooptação de partidos ou de deputados. Houve, sim, uma migração de apoio popular ao Lula e à base do governo. Deputados representando esses votos podem ter interpretado que o povo indicava apoio ao Lula, tanto é que a Dilma se elegeu e tivemos uma eleição em 2010 e o PFL que, no passado, já tinha conseguido compor por 110 deputados, elegeu menos de 50. E o PSDB que tinha chegado à aproximadamente 90, elegeu pouco mais de 50.

Colunista: Como um dos fundadores do PT, como você vê a condenação dos seus companheiros – que outrora fundaram o partido na sua companhia – no esquema do Mensalão?

Vaccarezza: No dizer de um dos atuais ministros foi um ponto fora da curva. Decisão do supremo todos somos obrigados a cumprir, mas podemos discordar. Eu acho que houve rigor exagerado e influência política nas decisões do supremo.

* Mensagem aos jovens

Colunista: No que um jovem vocacionado à política deve se inspirar na sua bem sucedida trajetória política em defesa do povo?

Vaccarezza: A política é o principal caminho para o desenvolvimento humano, social, cultural da sociedade. É   uma atividade nobre, então acho que aqueles jovens que discordarem dos políticos deverão entrar na política e mudar ela.

Colunista: E o que ele não deve repetir?

Vaccarezza: Tudo o que for errado.

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Clique AQUI  e leia a entrevista com o Deputado Federal Cândido Vaccarezza em um dos 29 jornais e sites que publicam a coluna “Política à Flor da Pele”.

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Espero que as entrevistas nos aproximem ainda mais da política e da cidadania.

Abraço a todos.  [^^]