» Relembre a série "A Juventude Politizada": entrevista com Tiago Assis - Daniele Barreto
13
junho
2013
Relembre a série “A Juventude Politizada”: entrevista com Tiago Assis

Olá, amigos, bom dia!

Você conhece a coluna “Política à Flor da Pele”? Em 2011 e 2012, publiquei – nos veículos parceiros da coluna – a série “A Juventude Politizada” e hoje venho relembrar as entrevistas com os jovens que militam por causas nobres e engrandecem a política baiana. Aos que gostam de política, com certeza, os depoimentos desses jovens são uma grande inspiração. [pula] Nosso entrevistado é sobre Tiago Assis!

Tiago Assis – um jovem militante tucano

Ele tem a política no sangue, mas relutou em se render à vocação. Estudioso, extremamente dedicado à leitura e

inicialmente resistente à trajetória política – embora filho de ex-prefeito de cidade no interior da Bahia – nosso entrevistado de hoje optou por uma consistente formação acadêmica.

Graduado em Direito, pós-graduado em Direito do Estado e professor universitário, o jovem militante tucano fala com desenvoltura sobre políticas públicas, filosofia, ciência política, humanidades… Aguerrido defensor da social democracia, o baiano Tiago Assis faz do conhecimento técnico um instrumento na elaboração e implementação de um projeto político norteado por nobres causas.

Tiago é o quarto entrevistado da série “A Juventude Politizada!”, da coluna “Política à Flor da Pele”.

Daniele Barreto, “Política À Flor da Pele”: O que faz Tiago Assis, além da militância partidária?

Tiago Assis – PSDB: Sou advogado, graduado em Direito pela Universidade Católica do Salvador, pós-graduado em Direito do Estado, pela Universidade Federal da Bahia. Gosto de realizar leituras sobre filosofia, política, psicologia, lingüística… Adquiri a paixão pela leitura em função do incentivo do meu pai, que é médico e sempre gostou de literatura, cinema, arte.

Colunista: Como a atuação política surgiu?

Tiago – PSDB: Sempre tive interesse pela política, mas não pela prática política. Minha família é tradicionalmente de militantes. Tenho um primo vereador e um ex-vereador, um preside o PSDB de Cairú. Após os encontros com os amigos na campanha presidencial de Serra, em 2010, tentamos montar um grupo voltado para as grandes discussões políticas do cenário nacional. Meu intuito é fazer uma prática política diferenciada, inovadora.

Colunista: O que é essa “prática inovadora”?

Tiago – PSDB: O analista político Bertold Brecht diz que nenhum homem é uma ilha. Então, eu acho que ser político é, essencialmente, ser solidário. O que me motivou a entrar na política foi a possibilidade de colaborar com o crescimento de minha cidade, do Estado, do país. E me sinto capacitado tecnicamente.

Colunista: O que norteou sua escolha por um partido de direita?

Tiago – PSDB: O PSDB não é um partido de Direita. Muita gente pensa assim pelo fato do PSDB não agregar políticas de natureza socialista. Como se viveu num mundo com uma bipolaridade política: capitalismo de um lado e socialismo soviético de outro, criou-se a ideia de que o partido que não é de esquerda, é de direita. A ruína do socialismo e as correções do capitalismo possibilitaram o surgimento de uma nova perspectiva política. Surgiu a social democracia! A minha escolha pelo PSDB se dá por uma questão ideológica: eu acredito na social democracia. Se eu primasse pelo crescimento na carreira política, talvez a escolha fosse um partido da base aliada do governo.

Colunista: O aliado histórico do PSDB é um partido de extrema direita, o DEM…

Tiago – PSDB: A questão das alianças é circunstancial. E as alianças que o PSDB fez foi sempre tendo como foco o que era melhor para o país. O PSDB se aliou ao Democratas, por exemplo, porque precisava aprovar o Plano Real – que é o maior projeto do país nos últimos 30 anos. E deu certo! Foi uma aliança em prol do país, diferentemente das alianças que o PT cultiva, mediante aparelhamento do estado e loteamento de órgãos públicos.

Colunista: São alianças que visam apenas um projeto de poder.

Tiago – PSDB: Exatamente.  Qual o projeto do PT e sua base aliada? Algumas alianças já começam a ruir. O próprio PT já deu sinais de que pode comprar briga com o PSB de Eduardo Campos em 2014. O PSB é parceiro do PSDB em algumas cidades. O prefeito de Curitiba é do PSDB com o apoio do PSB. O prefeito de Belo Horizonte é do PSB com apoio do PSDB. O PSDB faz alianças em torno de projetos políticos que sejam bons para o país.

Colunista: E como você observa o nascimento do PSD?

Tiago – PSDB: O PSDB deixou de ser governo para ser oposição quando lideranças do MDB decidiram fundá-lo. Diferentemente do PMDB que aderiu a prática fisiologista, o PSDB optou por construir uma ideologia partidária própria e conseguiu êxito! Já o PSD deixa de ser oposição para ser governo. Então, você percebe a diferença entre um partido que nasce com uma posição ideológica e um partido que nasce com a intenção de realizar composição com o governo e fazer parte do poder, beneficiando-se.

Colunista: Essas alianças são típicas do presidencialismo?

Tiago – PSDB: O sistema presidencialista se reflete nesses anacronismos políticos. O PSDB defendeu o parlamentarismo que, embora não seja um sistema perfeito, possibilita podar alguns efeitos do presidencialismo. Quando o Parlamento elege o Primeiro Ministro, dá uma segurança e credibilidade para quem vai governar, evitando desgastes que ocorrem no Presidencialismo Brasileiro – a exemplo do impeachment de Collor, que se deu muito mais pela relação desgastada com o Congresso do que pela própria corrupção. Haja vista que o Mensalão talvez tenha sido o maior escândalo de corrupção deste país e não gerou o impeachment de Lula.

Colunista: Como um partido elitista e encastelado pode conseguir combater o populismo petista?

Tiago – PSDB: Mais um estigma: partido elitista. O partido que firmou os pilares para o desenvolvimento do país não pode ser considerado um partido elitista. O PSDB não desenvolveu políticas voltadas para a elite e sim os principais programas sociais do país. Agora, de fato, o PSDB se posiciona distante das comunidades. Deveria se aproximar mais. Houve, por exemplo, uma filiação de sindicalistas que o partido pretende lançar candidatos em 2012. O partido vem dando sinais de mudança, mas é muito pouco! Precisa investir, sobretudo, na sua militância jovem.

Colunista: É um partido de intelectuais?

Tiago – PSDB: É um partido de academicistas! E que bom que os demais partidos fossem assim; porque isso mostra que o PSDB tem qualificação técnica. Quando foi fundado, era chamado de “partido de tecnocratas”, por causa do perfil: pessoas com formação acadêmica para pensar o desenvolvimento do país, inclusive o Plano Real. É um partido que procura reunir qualificação técnica. Eu desafio qualquer um a me apontar um partido que tenha quadros políticos melhores do que o PSDB! Com todos os defeitos que o partido tem.

Colunista: A juventude está bem representada hoje?

Tiago – PSDB: A juventude nunca esteve bem representada. Quando a juventude se mobilizou foi na época da Ditadura. A juventude não foi incitada, ela se sentiu incitada a ir para as ruas combater o regime ditatorial. No Brasil, os jovens não têm uma atuação muito aprimorada.

Colunista: Mas o PT mobiliza a sua juventude pelas causas do partido…

Tiago – PSDB: O PT sempre investiu na sua militância, mas, nunca a qualificou. A juventude do PT segue cartilhas. No PSDB não seguimos cartilhas, temos liberdade para divergir de nossos líderes e espaço para manifestar opiniões.

Colunista: O PSDB tem perdido muito espaço na Bahia, em função do olhar equivocado dos líderes Jutahy e Imbassay no tocante às necessidades da militância…

Tiago – PSDB: O maior problema do PSDB da Bahia é que nossos parlamentares infelizmente não assumem uma postura partidária e não apoiam os setores do partido. Após anos de existência do PSDB da Bahia, somente agora conseguimos fundar a juventude. E fizemos isso sem apoio das nossas lideranças políticas.

Colunista: Diferentemente do PT na Bahia.

Tiago – PSDB: Exato. O PT planejou ocupar esse espaço. Ainda que eu reprove as condutas do PT, é um partido de ação. O PSDB da Bahia é um partido de omissão, de inação. A gente não tem apoio nenhum do partido! Salvo honrosa exceção: o Presidente Municipal, José Fernandes. O deputado estadual Adolfo Viana começa a desenvolver um trabalho nesse sentido, mas existe um caminho muito longo a percorrer…

Colunista: Como os líderes do PSDB não atentam para essa demanda?

Tiago – PSDB: O PSDB é um partido relativamente novo e com apenas 7 anos de idade assumiu a Presidência da República. Não se preparou para atuar em todas as vertentes. O PT é um partido antigo e surgiu com o propósito de se inserir nos movimentos sociais e estudantis… Mas nossa juventude nunca foi tão organizada. Em 2011, fizemos o maior congresso da história da juventude do partido, que vai investir na candidatura de 400 jovens, em 2012. O PSDB sinaliza com algumas mudanças; tem muito a crescer ainda.

Colunista: Quando você afirma que seguem cartilhas, se refere à manipulação da militância?

Tiago – PSDB: O PT se inseria nos movimentos sociais para incitá-los a ir contra o governo, qualquer que fossem as circunstâncias. O PT foi chamado a votar as “Diretas Já” e votou contra. Quando foi intimado a subscrever a Constituição Federal de 1988, se recusou. Quando foi intimado a votar o Plano Real, chamou o plano de estelionato eleitoral e votou contra. Quando o PT foi instado a votar a favor da Lei de Responsabilidade Fiscal, votou contra. Quando foi chamado a aprovar o Programa Nacional de Desestatização, votou contra. E sua militância estava na rua; pedindo, inclusive, a cassação do mandato de Fernando Henrique! E hoje que o PT está no Governo, não reestatizou nenhuma estatal, não revogou a Lei de Responsabilidade Fiscal, não revogou o Plano Real – que é regido por uma lei – e não trabalhou contra a Constituição de 88… Então, eu pergunto: a juventude se posiciona de que forma?

Colunista: E a UNE?

Tiago – PSDB: A juventude do PT e da base aliada se apropriou da UNE, que foi flagrada gastando recursos repassados pelo governo com bebida, e o prédio nunca foi construído. Essa é a juventude da esquerda brasileira: uma juventude corrompida.

Colunista: A UNE foi cooptada pelo governo?

Tiago – PSDB: Há muito tempo. E isso dobra a responsabilidade da juventude do PSDB, porque é o maior partido de oposição do Brasil.

Colunista: A mobilização da juventude tem diminuído?

Tiago – PSDB: O jovem brasileiro não é engajado na política. No impechment de Collor houve uma mobilização midiática. Onde estão os “caras pintadas” de hoje? Nossa juventude não lê; está, em sua maioria, preocupada em fazer farra, ingressar numa faculdade, se formar e entrar no mercado do trabalho. E passar pela faculdade como se não existisse responsabilidade social. Esse, inclusive, é um desafio que eu acho que a juventude partidária tem que ter: ir às faculdades e escolas e incentivar o jovem a atuar politicamente.

Colunista: Há uma virtualização do debate político?

Tiago – PSDB: As redes sociais são um movimento recente; preenchem um pouco, mas incentivam o comodismo. Um amigo elogiou a postura de Walter Pinheiro e Lídice da Matta, porque estavam perguntando aos internautas sobre temas políticos. É cômodo suscitar questionamentos nas redes sociais; eu quero saber o que Walter Pinheiro acha da Reforma Tributária que não saiu e de todas as reformas que o partido dele não fez, mesmo tendo a maioria no Congresso. É fácil posar de bom moço nas redes sociais. Difícil é ter uma prática política efetiva, de transformação.

Colunista: Qual a herança da presidência tucana?

Tiago – PSDB: Existem projetos que vão perdurar 50 anos com a marca do PSDB: o Plano Real, o Programa Nacional de Desestatização, Lei de Responsabilidade Fiscal, os programas sociais (como o programa Luz no Campo, o Bolsa Escola).

Colunista: Você é contra programas de distribuição de renda?

Tiago – PSDB: Toda conduta é motivada por um fim. O que se deve questionar nos programas sociais não é a existência, mas a finalidade. Quando o PSDB criou os programas sociais, a finalidade era inserir os cidadãos excluídos nas escolas, possibilitando qualificação e ingresso no mercado de trabalho. O que se vê hoje é uma finalidade completamente antagônica. O Bolsa Família não visa erradicar a pobreza, mas administrá-la, mantendo cidadãos à margem da sociedade com o único e exclusivo fim de depender do governo. O governo se beneficia eleitoralmente disso. O Bolsa Família, do modo como está sendo gerido é inconstitucional. Não atende ao objetivo que a Constituição traça que é erradicar a pobreza.

Colunista: A pobreza não está diminuindo?

Tiago – PSDB: O Brasil teve um acréscimo, em 2011, de 12 milhões de pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família. O PT explora a notícia que o Brasil está crescendo, o número de empregos aumentando e que a pobreza está diminuindo… E ao mesmo tempo o número de concessões do Bolsa Família aumenta?! É uma matemática que não fecha…

Colunista: E como isso interfere na formação de uma legião de analfabetos funcionais?

Tiago – PSDB: O Brasil registra os piores índices de educação na América Latina. Nossos governantes escondem a realidade: enquanto não investir em educação, ciência e tecnologia, o Brasil não se desenvolve. O Governo Federal se orgulha de ter batido recordes na exportação de matéria prima, o que mostra que o Brasil é um país neocolonial. Quando fomos descobertos exportávamos cana-de-açúcar, pau brasil. Hoje, exportamos matérias primas mais refinadas, mas não existe desenvolvimento científico e tecnológico.

Colunista: O PSDB vê algo positivo no governo Dilma?

Tiago – PSDB: Para destacar o ponto positivo de um governo, ele tem que ter uma marca. No governo FHC tivemos as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Plano Real… No governo de Lula houve a ampliação do Bolsa Família. Os escândalos não podem ser considerados uma marca positiva. Eu gostaria que tivesse algum ponto positivo no governo de Dilma, porque muito maior do que o meu partido é o meu país. A única marca de Dilma foi enquanto ministra e foi pífia: o PAC – que não saiu do papel.

Colunista: Ao que você credita essa execução pífia do PAC?

Tiago – PSDB: O orçamento público requer planejamento, que se materializa através do Plano Plurianual, cuja finalidade é estabelecer metas prioritárias do governo. Qual a meta prioritária do governo do PT? Nenhuma. O PAC carece de execução orçamentária, porque o planejamento foi mal feito e não se levou em consideração a estrutura precária do país. As empresas não conseguem investir porque a carga tributária é elevada e com péssima distribuição. No Brasil se tributa o consumo, onera a folha de pagamento do trabalhador, inviabiliza maior geração de emprego e renda e a poupança das empresas. Isso também impede o desenvolvimento social. Só mudará se houver vontade política aliada à capacitação técnica. O PSDB tem as duas coisas, pois fez as maiores reformas do país, como consequência de sua equipe bem capacitada.

Colunista: E como o PSDB se posiciona frente a uma CPI da Corrupção?

Tiago – PSDB: Sou a favor. Mas a CPI perdeu sua finalidade e se transformou em palanque de promoção política. Não é um efetivo instrumento de controle. Mas defendo as investigações, inclusive em relação aos membros do PSDB. Quando existem corruptos dentro do seu partido, eles trabalham contra a ideologia que o partido prega e devem ser afastadas para servir de exemplo.

Colunista: Paulo Henrique Amorim coloca que muitos tucanos deveriam ter sido presos, com base no livro “A Privataria Tucana”. O que você acha?

Tiago – PSDB: Como José Serra, que goza de autoridade intelectual, disse que o livro é “lixo”, eu não me preocupei em perder meu tempo para ler. Até porque o autor não goza do prestígio de José Serra ou Fernando Henrique, pois é indiciado por diversos crimes pela Polícia Federal, dentre eles o uso de documento falso. O livro tenta reviver um suposto escândalo da privatização e é pura especulação. E não há coisa mais prejudicial na politica do que você ficar especulando. Um país que quer ser levado a sério tem que fazer política de forma profissional e não especulativa.

Colunista: O PT se omitiu durante 9 anos…

Tiago – PSDB: O PT ficou 9 anos no governo sem instalar CPI para investigar as privatizações. Esse livro foi lançado num momento peculiar em que a marca do governo de Dilma é a corrupção. Em que diversos ministros caem. E um dos ministros, Nelson Jobim, sai por um motivo que muita gente não deu importância: ter dito que estava cercado por idiotas. Isso é importante! A corrupção é um reflexo dessa idiotia que toma conta do Planalto Central. E o ex-ministro disse que tinha saudade da época de FHC porque esses idiotas que hoje tem acesso ao Planalto não passavam da porta. E mais: Paulo Henrique Amorim é muito tendencioso, é uma postura típica de alguém que se deixa levar pela emoção.

Colunista: A juventude do PSDB defende as privatizações tucanas?

Tiago – PSDB: Eu defendo. Ser de direita significa defender o estado mínimo. E ser um social democrata significa defender o estado necessário. São coisas distintas.

Colunista: Por exemplo…

Tiago – PSDB: A Vale do Rio Doce, quando não rendia prejuízos aos cofres públicos dava uma margem de dividendos muito baixa e servia a um propósito: cabide de emprego. Com a privatização, o poder público passou a ter dispêndio financeiro melhor, não tinha mais que investir e sobrou recursos para outras áreas. Além disso, a Vale do Rio Doce paga mais de 1 bilhão em tributos. Como a privatização é uma coisa ruim?  Houve acréscimo de receita e diminuição de despesas.

Colunista: Havia um momento histórico favorável?

Tiago – PSDB: As privatizações refletiram um momento de saída do extremismo político e busca por uma alternativa política para o mundo que estava surgindo. E a social democracia trazia alternativas políticas, dentre elas as privatizações, para o estado focar em atividades públicas e esquecer as empresariais.

Colunista: O que o país ganhou?

Tiago – PSDB: Foi um momento de uma reorganização financeira e orçamentária do país. O Brasil se reajustou para o desenvolvimento. Com as privatizações, o país passou a ter um orçamento maior para investir em outras áreas e começou a investir em projetos sociais. FHC assumiu o país com o orçamento de 300 milhões de reais. Como governar com um orçamento desses? Primeiro tinha que realizar reformas, gerar receita e partir disso investir no país. Foi o que ocorreu.

 Colunista: O PSDB defende o estado mínimo?

Tiago – PSDB: Do ponto de vista ideológico, o PSDB não fomenta o liberalismo – estado mínimo -, nem o socialismo – estado totalitário. Defende o equilíbrio: o estado necessário, no qual não há vinculação do poder público com a iniciativa privada. Existe o fomento à iniciativa privada, mas a criação de órgãos públicos de controle. O PSDB fortaleceu as Agências Reguladoras, que são autarquias, possuem personalidade jurídica própria para evitar a subordinação política.

 Colunista: O legado de FHC foi negado pelo próprio partido, que passou os últimos 8 anos se afastando da imagem dele e caindo na armadilha petista?

Tiago – PSDB: Faltou ousadia para defender o seu passado.

 Colunista: Parece que o PSDB agora esta resgatando FHC, e certamente por isso tenha aparecido esse livro como contrapartida.

Tiago – PSDB: Fernando Henrique foi o maior quadro político da história do PSDB, não só pelo perfil técnico, mas pela projeção e por ter conduzido de forma brilhante as negociações de projetos importantes na reforma do país. O PSDB caiu no conto do vigário e José Serra tem que assumir parte dessa responsabilidade porque era o candidato a Presidência da República em 2002. Mas ainda é tempo de resgatar o passado histórico de FHC, embora isso não seja a prioridade do partido. As novas gerações não acompanharam o governo de FHC e só vão compreender a política quando estudar. É obrigação do PSDB mostrar ao país o seu programa para o futuro.

 Colunista: Porque os jovens devem se filiar?

Tiago – PSDB: Mais interessante do que se filiar é o jovem buscar a cultura; tem que ler mais, se informar mais. Mais importante do que gostar de política é estudar e conhecer o meio no qual vive. A transformação social não ocorrerá de cima para baixo, porque o que está em cima é reflexo do povo. Se não houver conscientização, nada vai mudar. E se o jovem politizado se identificar com a social democracia, as portas do partido estão abertas. E os que não se identificarem, nós também estamos abertos ao diálogo.

Entrevista publicada no dia 05 de abril de 2012

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Beijos, Dani.  [love]