» Relembre a série "A Juventude Politizada": entrevista com Nelsinho Fontes - Daniele Barreto
13
junho
2013
Relembre a série “A Juventude Politizada”: entrevista com Nelsinho Fontes

Olá, amigos, bom dia!

Você conhece a coluna “Política à Flor da Pele”? Em 2011 e 2012, publiquei – nos veículos parceiros da coluna – a série “A Juventude Politizada” e hoje venho relembrar as entrevistas com os jovens que militam por causas nobres e engrandecem a política baiana. Aos que gostam de política, com certeza, os depoimentos desses jovens são uma grande inspiração. [pula] Nosso entrevistado é sobre Nelsinho Fontes!

Nelsinho Fontes: um jovem militante pepista

Para definir o entrevistado de hoje com apenas uma palavra, eu uso a baianíssima expressão: “retado”. Por se tratar de um vocábulo com vários significados, já explicito a minha intenção: “resolvido”, “decidido”, “agitado”.

O militante pepista é a mais fiel representação dessas acepções da palavra que permeia os diálogos nas ruas das cidades da Bahia. Aguerrido defensor do seu partido – mesmo quando o prefeito de Salvador, líder do Partido Progressista na Bahia, tem altíssimos índices de rejeição – esse jovem é um dos mais conhecidos representantes do Subúrbio de Salvador.

 E não é pra menos! Desde a manutenção de um site que revela as belezas naturais, cultura, entretenimento e gastronomia de alguns soteropolitanos bairros populares, passando pela intensa militância política, Nelsinho (como é carinhosamente chamado, inclusive no meio político) é “só realizações”. Ele congrega – em torno de ideias que valorizam a dignidade de uma população que apenas é lembrada pela grande mídia nos noticiários policiais – artistas famosos, políticos de diversas legendas, apresentadores de televisão, badalados cantores, aguerridos líderes comunitários…

 E a agenda de Nelsinho é intensa: o pepista não perde uma só reunião que objetive exigir melhorias para o Subúrbio, comparece às manifestações e negociações com líderes locais, e ainda apresenta o webprograma “Conexão Subúrbio”; que você pode assistir acessando o site http://suburbionews.com.br/2011/index.php… Assistir DEPOIS de ler nossa entrevista, claro… (rs)

Nelson é o quinto entrevistado da série “A Juventude Politizada”, da coluna “Política à Flor da Pele”.

Daniele Barreto (Coluna“Política à Flor da Pele”): Quem é Nelson Fontes?

Nelson Fontes (PP): Um suburbano sonhador, que acredita muito na vida. Eu moro no bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Além da Política, trabalho com produção de eventos e dirijo o site de notícias Subúrbio News.

Colunista: Qual a posição que você ocupa dentro do PP?

Nelson (PP): Sou o presidente da Juventude representando Salvador, com muito orgulho.

Colunista: Mas, como começou essa trajetória política?

Nelson (PP): Começou com o convívio com políticos, pois minha família sempre foi ligada à política. Acredito que a Juventude é a responsável pela transformação deste país, então luto para fazer a minha parte contribuindo com o partido para que essas pessoas venham a se inserir no grupo e fortalecê-lo.

Colunista: E o que o estimula nessa militância partidária, nessa luta?

Nelson (PP): O que me estimula é o desafio de, ao lado do presidente Municipal do partido, o prefeito João Henrique, fortalecer o PP em Salvador, e em especial no Subúrbio Ferroviário. O que me move é a possibilidade de ajudar a construir um estado, uma cidade e um país dignos de seu povo.

Colunista: Nelson, qual a ideologia do seu partido?

Nelson (PP): Resumidamente: É um partido voltado a realizar serviços da Democracia, e não a atender interesses particulares ou de grupos. Isso faz com que ele se sustente e se torne respeitado não só pelos seus filiados, mas pelos eleitores e por todos os demais partidos.

Colunista: Foi por isso que você escolheu o PP?

Nelson (PP): Escolhi o PP por que é um partido formado por pessoas íntegras e que têm o objetivo de crescer junto com os cidadãos que dele fazem parte. Ou seja, é um partido “família”. Aceitei imediatamente o convite feito pelo prefeito João Henrique, juntamente com o deputado federal João Leão.

Colunista: O que o PP representa no cenário político nacional? A bancada é forte?

Nelson (PP): O PP, hoje, representa a terceira maior bancada do país, e já possuí mais de 1.406.000 filiados. São 27 diretórios estaduais, 4 vices governadores, 5 senadores, 44 deputados federais, 49 deputados estaduais, e 5.135 vereadores; logo, é um partido que tem que ser respeitado.

Colunista: Isso faz do PP o terceiro partido em número de filiados. Ficando atrás apenas do PMDB e do PT. O PSDB perde para PP, ficando em 5º lugar. Ao que você credita essa preferência de muitos militantes pelo PP? Um dos motivos seria o flexível posicionamento ideológico do partido, com consequente adesão a governos das mais diversas legendas?

Nelson (PP): Acredito que essa posição se deve unicamente à seriedade e clareza das ações dos representantes do partido. Os outros partidos deveriam seguir a mesma linha do PP e colocar os interesses do povo brasileiro em primeiro lugar; e não seus interesses partidários. O PP busca contribuir para o crescimento e desenvolvimento do país, independente de quem esteja no poder. O PP não vive de picuinha política, vive de ações.

Colunista: E essa bancada que você citou está atenta às demandas da Juventude?

Nelson (PP): Os líderes procuram atender nossas demandas, e proporcionar condições de trabalho de forma democrática, sem nos tornar reféns.

Colunista: Quem são suas maiores referências políticas?

Nelson (PP): O prefeito João Henrique (PP), Lula (PT), João Durval (PDT), ACM Neto (DEM) e Lídice da Mata (PSB). São exemplos que devem ser seguidos. Lula significou a revolução dos humildes. João Henrique e João Durval, a revolução dos funcionários públicos e da periferia. ACM Neto é um político determinado e corajoso.

Colunista: Você cita o prefeito de Salvador como uma “referência”. Veja bem, a cidade está em péssimas condições: ruas esburacadas; orla mal cuidada; o metrô não sai; os corredores de ônibus não existem; a sinalização horizontal apagada; o trânsito caótico; cidade suja e canteiros destruídos; violência urbana; mendicância a cada esquina; escândalos na área da saúde; contas do prefeito rejeitadas; falta de praças e centros de lazer; Parque da Cidade vitimado pelos marginais; assistência social aos moradores de rua inexistente… Eu citaria os problemas de Salvador durante horas… Como um jovem militante consegue defender o partido, quando a atual experiência administrativa demonstra descompromisso com o povo?

Nelson (PP): É notório que Salvador passa por dificuldades. Mas é preciso encarar a situação de Salvador de frente. Muita coisa foi feita pelo prefeito João Henrique na cidade, mas infelizmente o problema de Salvador é histórico e não poderia ser resolvido em apenas oito anos. Na região do Subúrbio, o prefeito devolveu a alto estima a muitas comunidades. Iluminou toda a Avenida Suburbana com a mesma iluminação dos bairros nobres da cidade. Reativou a travessia Plataforma-Ribeira abandonada pela gestão anterior. Fez recapeamento asfáltico em várias ruas e tem investido pesado nas escolas da região.

Colunista: Então, João Henrique é um bom gestor?!?!

Nelson (PP): Hoje eu posso afirmar que o prefeito pode até não ser um bom gestor para os ricos, mas para os pobres é o melhor prefeito de todos os tempos. Prova disso é sua grande aprovação nessas áreas.

Colunista: Há muitas ações para o subúrbio, então…

Nelson (PP): O Subúrbio ganhou o seu primeiro Ginásio Municipal, e em breve ganhará outro no bairro de Periperi. Os 6km do metrô de Salvador estão prontos para operação, mas por motivo de politicagem do PT querem barrar o seu funcionamento.O prefeito construiu centenas de praças e reformou outras, infelizmente o vandalismo na cidade aumenta e se gasta milhões para reformá-las.

Colunista: E as contas rejeitadas?

Nelson (PP): As contas foram rejeitadas, mas não existe nenhum ato ilícito no processo, e os partidos que fizeram parte da administração são os mesmos que ameaçam reprová-las.

Colunista: Logo, João Henrique está aprovado pela sua militância jovem…

Nelson (PP): Tenho orgulho em dizer que João Henrique faz parte do meu partido. Salvador de hoje não é a mesma de oito anos atrás, quando era bancada totalmente pelo governo do estado. Hoje o prefeito tem que pegar a sua “cuia” e viajar para Brasília para mendigar recursos que são de direito de todos nós que pagamos impostos. Salvador é a penúltima capital em arrecadação, então qualquer um que venha a ocupar a cadeira passará pelas mesmas dificuldades.

Colunista: Nessa gestão, foram desenvolvidas políticas para a juventude? Porque o que vemos é um genocídio contra o jovem…

Nelson (PP): Foi feito muito pouco, até mesmo pela falta de recursos da PMS (Prefeitura Municipal de Salvador) e pela falta de atenção do próprio governo federal em relação à situação. É preciso deixar claro que problemas referentes à segurança são com o Governo do Estado. Assistimos o aumento assustador de jovens envolvidos com as drogas, assassinatos, e em assaltos por falta de oportunidade e perspectivas de um futuro mais digno. É a falta de uma saúde decente, de uma escola decente, de educação familiar, de trabalho, enfim são vários fatores que levam um jovem a se jogar no mundo do crime. É difícil suportar a ideia de que um amigo meu tenha escolhido a violência como meta para sua vida. Violência não combina com juventude. Uma pessoa de coragem e bem assistida não acredita na violência, e sim na Paz e no Amor.

Colunista: Como surgiu a ideia do site e web programa com pautas do Subúrbio?

Nelson (PP): Surgiu pela exploração negativa da mídia em relação ao Subúrbio Ferroviário de Salvador. Quando os veículos de comunicação abrem espaço para a região, só mostram acidentes, assassinatos, roubos, enfim… a miséria. E isso fez com que os nossos artistas e o nosso povo ficasse reféns de um sistema desfavorável. As pessoas têm medo de se deslocar até a região.

Colunista: É um trabalho voltado para a conscientização política também?

Nelson (PP): Pois bem, com o advento do Subúrbio News, mostramos aos nossos governantes os problemas enfrentados diariamente pelo nosso povo, e valorizamos a nossa região. As pessoas, hoje, conhecem o lado positivo do Subúrbio através das nossas publicações e do nosso programa – CONEXÃO SUBÚRBIO. Estamos exaltando o nosso povo, a nossa cultura e as nossas belezas naturais. Estamos quebrando paradigmas!!! Aos poucos, o Subúrbio está deixando de ocupar as páginas policiais para ocupar as páginas de cultura dos grandes veículos de comunicação da Bahia, graças ao trabalho sério que desenvolvemos há três anos.

Colunista: No governo Lula, milhares de pessoas saíram da miséria – que Dilma pretende erradicar. Você percebe melhorias nas condições de vida do povo?

Nelson (PP): Sinceramente, eu penso que o povo não precisa de esmolas, o povo precisa de condições para se tornar excelentes profissionais. O povo precisa de trabalho! Eu não consigo ver melhorias na saúde – que está cada dia pior. Se não acordamos a tempo o sistema vai mudar: no lugar de pessoas de bem circulando livremente nas ruas, encontraremos só os marginais, por que as pessoas de bem estarão presas em suas casas.

Colunista: E os programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família…

Nelson (PP): Ajuda a muita gente, mas não resolve o problema. O governo deveria investir em programas de qualificação profissional. Existem empregos, mas não existem pessoas qualificadas para ocupar os cargos.

Colunista: E as cotas? Você acredita que geram oportunidades ou fomentam ainda mais a segregação racial?

Nelson (PP): Eu sou negro e sou contra a cota para negros. As pessoas devem ocupar cargos e faculdades pela sua capacidade e não pela cor da pele. Quando uma pessoa entra na faculdade pela cota, pra mim representa uma verdadeira confirmação de discriminação, de racismo social. Mas, apoio leis que incentivem a contratação de pessoas com idade avançada, assim como os deficientes físicos.

Colunista: Você, que lida diretamente com a juventude, percebe aumento ou diminuição do interesse do jovem pela política?

Nelson (PP): Eu vejo um aumento insignificante. Os políticos são reprovados pela juventude, graças ao desgaste proporcionado por eles mesmos, principalmente em período eleitoral, pois prometem tudo e nada cumprem.

Colunista: E como observa irregularidades envolvendo membros da cúpula do seu partido, como o ex-ministro Mário Negromonte. Você fica desestimulado?

Nelson (PP): Veja bem, isto é o que foi noticiado; mas o deputado federal Mário Negromonte tem muitos anos na vida pública e nunca, em toda a sua história política, foi envolvido em escândalos. Infelizmente, vivemos em um sistema onde muitas vezes grupos políticos, por inveja e até mesmo por perseguição, plantam matérias com o objetivo de enfraquecer a pessoa, para que esta deixe de ocupar o cargo pleiteado por eles. O deputado saiu e até hoje nada foi comprovado contra o mesmo.

Colunista: Neste cenário político, no qual os jovens desacreditam da política, qual a responsabilidade de um presidente de Juventude partidária?

Nelson (PP): A nossa responsabilidade é a de atrair os jovens para o nosso partido fortalecendo sempre a ideia de que através da nossa união poderemos mudar o mundo, e reconstruir a política deste país.

Colunista: Qual a mensagem que você deixa aos jovens que não se interessam por política?

Nelson (PP): Espero que todos os jovens despertem para sua responsabilidade como cidadão, pois não adianta apontarmos apenas os erros dos políticos e sim fazermos também a nossa parte. Se os políticos não sabem e não querem cumprir com suas obrigações assumidas num palco eleitoral – faltando, assim, com o respeito com aqueles que os elegem – chegou o momento de ocuparmos os lugares deles e mostrarmos que somos nós que construíremos verdadeiramente o futuro político e social deste país.

Entrevista publicada no dia 20 de abril de 2012

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Veja as demais entrevistas que já realizei: http://danielebarreto.com.br/category/entrevistei/

Beijos, Dani.  [love]