» Relembre a série "A Juventude Politizada": entrevista com Gabriel Oliveira - Daniele Barreto
13
junho
2013
Relembre a série “A Juventude Politizada”: entrevista com Gabriel Oliveira

Olá, amigos, bom dia!

Você conhece a coluna “Política à Flor da Pele”? Em 2011 e 2012, publiquei – nos veículos parceiros da coluna – a série “A Juventude Politizada” e hoje venho relembrar as entrevistas com os jovens que militam por causas nobres e engrandecem a política baiana. Aos que gostam de política, com certeza, os depoimentos desses jovens são uma grande inspiração. [pula] Nosso primeiro post é sobre Gabriel Oliveira!

Gabriel Oliveira – Um jovem militante petista
No cenário, incomum para alguém com menos de um ano de vida, predomina a cor vermelha.

Novembro de 2011, o pequeno garoto Omin, no colo da mãe, sorri para as fotos e rouba as atenções! No cenário, incomum para alguém com menos de um ano de vida, predomina a cor vermelha. Omin – por certo mais habituado ao debate político (pelo menos a ouvi-lo) do que muitas pessoas que ostentam décadas a mais – participa de seu primeiro evento partidário: o Congresso da Nova Tendência da Esquerda do PT, na Bahia.

Lutar por um mundo melhor para o seu Omin é (mais) uma mola propulsora para a militância política e social do pai… Omin é filho de Gabriel Oliveira. E a popularidade dos dois no PT não é fruto do acaso: a do primeiro deve-se a sua simpatia e sorriso fácil; a do segundo, a sua trajetória no Centro Acadêmico, DCE da UFBA e militância político-partidária. Gabriel, 27 anos, é filiado ao Partido dos Trabalhadores, ex-Secretário da Juventude do PT/BA e atua na Coordenação de Políticas de Juventude do Governo do Estado da Bahia.

Gabriel é o entrevistado que inaugura a série “A Juventude Politizada!”, da coluna “Política à Flor da Pele”.

Daniele Barreto, “Política À Flor da Pele”: Gabriel, como começou sua trajetória política?

Gabriel Oliveira – Partido dos Trabalhadores: Comecei na política antes de entrar na universidade; não era filiado, mas tinha atuação partidária nas eleições. Ingressei na Universidade Federal da Bahia em 2003, fiz parte do Centro Acadêmico – na época cursava História, depois fui para o curso de Comunicação -, e fui Coordenador Geral do Diretório Central dos Estudantes. A partir do movimento estudantil, passei a atuar organicamente no PT, assumindo a Secretaria Estadual da Juventude (três anos de gestão). Quando saí – hoje a Secretária é Poliana Rebouças – fui para a Coordenação de Políticas de Juventude no Governo do Estado da Bahia, na SERIN [Secretaria Estadual de Relações Institucionais]. A criação desta Coordenação tem a ver com um processo histórico de pautar a juventude diante do estado, com políticas públicas… Eu faço parte dessa equipe!

Colunista: Os partidos de Esquerda são mais próximos dos movimentos da juventude?

Gabriel (PT): Isso está mudando! Os partidos de Direita começaram a assimilar o tema, reconhecendo a importância de ter um setor específico bem representado e organizado dentro do partido; já existe essa dinâmica no PSTU, PSDB, PMDB, DEM… Mas, o PT é o partido que tem mais relação direta com os movimentos, inclusive com os movimentos da Juventude (sobretudo com o movimento estudantil).

Colunista: As redes sociais são um ambiente legítimo para o engajamento político?

Gabriel (PT): Há duas opiniões: uma, de que as redes sociais afastam o jovem da militância real; e outra, de que as redes sociais são a principal frente de atuação política atualmente. Não concordo com nenhuma! As redes sociais, por si só, não dão conta da complexidade que é o processo de convencer uma pessoa a reivindicar uma pauta. Mas, uma organização social que não as ocupa, perde um espaço importante. As redes sociais são um instrumento de circulação de ideias. Mas, ninguém se convence pela rede social. As pessoas se convencem pelo que está na rede social. E o que está na rede social é o conteúdo! As redes sociais são uma potência; mas nem aumentam nem diminuem a mobilização.

Colunista: Os partidos de Esquerda sempre incitavam os jovens a reivindicar. Uma vez no poder [governo federal e estadual na Bahia], esses partidos cumprem o que outrora exigiam ou o discurso mudou?

Gabriel (PT): Naturalmente tem uma mudança. Você milita porque defende um projeto! Primeiro você defende um projeto, depois você se torna militante de um partido… Eu era dirigente do DCE nas gestões de Lula e Jaques Wagner e, como militante, reconhecia que o governo representa um projeto que eu defendo; mas, como representante de uma entidade organizada da sociedade civil, era obrigado – ou pelo menos deveria ser – a estabelecer uma autonomia em relação ao governo. As pautas do movimento não podem jamais deixar de ser levantadas em nome da sua defesa do governo! Tanto que a principal mobilização que fizemos, em 2007 (sobre a Universidade Nova), foi questionando o governo; ocupamos a Reitoria da UFBA e a polícia prendeu quatro de nós – inclusive eu. Não tem problema: ser militante do PT; defender o projeto do PT; defender o governo; saber o que significa prá nós o PT estar no governo; mas, também, manter a autonomia e pressionar, aprofundando o projeto.

Colunista: A militância partidária atrai muitos jovens em busca de cargos no governo…

Gabriel (PT): É uma possibilidade. O processo de democratização do Brasil é recente. A Democracia está inconclusa! A Juventude precisa se apropriar dos espaços políticos institucionais. Na Coordenação que ocupamos no Governo da Bahia, somos todos jovens e entendemos o cargo como um espaço de empoderamento da Juventude! O cargo não nós atrai simplesmente pelo cargo, nos atrai pela perspectiva de cumprir o papel de aproximar o governo do tema da Juventude. Os jovens mais politizados percebem a relevância desse espaço. Agora, obviamente que pessoas são atraídas pela possibilidade de exercer um cargo, porque nossa sociedade tem diversos problemas no que diz respeito à ética, à corrupção…

Colunista: Os discursos petistas de ética caíram por terra com o Mensalão!

Gabriel (PT): É inegável que o Mensalão causou impacto grande no partido. Foi uma ofensiva da direita e da imprensa. Mas, o tema do Mensalão não preocupa! As ações realizadas pelo governo Lula deram conta de dissolver a questão. Fazemos um balanço altamente positivo do governo Lula que, no quesito de distribuição de renda, tirou milhões de pessoas da linha da pobreza. E a pauta do governo Dilma é erradicar a pobreza: ainda não consiga, é uma pauta ousada e nos estimula.

Colunista: Hoje, quem são as referências para a nova juventude do partido?

Gabriel (PT): Lula é uma grande liderança da juventude. É um fenômeno mundial; como ele, nós temos Nelson Mandela e mais uns dois ou três. Obama teve aquela pilha na eleição, mas seu governo está sendo “mais do mesmo”. Lula é uma referência não só para a juventude, mas para toda a sociedade. E esse é um dos principais dilemas da Direita no Brasil: o que Lula se tornou é algo impenetrável, a Direita não conseguiu desconstruir…

Colunista: As alianças que Lula constituiu decepcionaram os jovens petistas? Especialmente pela aproximação com lideranças que o PT combatia – o que prova que os discursos são apenas uma estratégia de poder, para convencer a militância…

Gabriel (PT): O discurso pode ser muita fantasia, ter muita espuma, mas também representa uma síntese política. A política de alianças implementada pelo PT começou em 2002, quando o partido se aliou com o Partido Liberal (PL) – de José Alencar – cujo nome já demonstra contradição conosco, pois passamos a vida inteira lutando contra o neoliberalismo. O PL não tinha importância eleitoral, mas trazia o setor empresarial – que o PT nunca teve uma relação muito bem constituída.

Colunista: A aliança com o Partido Liberal abriu caminho para outras… Gabriel (PT): Há muitas críticas e resistências. Alguns setores do PT afirmam que as alianças só deveriam existir com os partidos que defendem a nossa causa máxima. Mas, a principal opinião é que o PT deve priorizar seus aliados históricos (como o PCdoB) e criar abertura com os setores da Direita que possibilitem o fortalecimento do nosso projeto. Posso afirmar que, com os setores que nós somos aliados, não vamos conseguir alcançar o que queremos, porque existem grupos dentro do governo que não defendem o mesmo projeto que nós. O PT esvaziou, em alguma medida, o conteúdo ideológico.

Colunista: Como assim?

Gabriel (PT): Por exemplo: não haverá Reforma Agrária! Por um simples motivo: 170 deputados federais ruralistas são aliados e votam a pauta do governo na Câmara. A Reforma Agrária nunca será pauta! Esse é um limite concreto! Tem vários outros… Mas, somos nós que estamos na Presidência e uma parte da Direita se soma ao nosso projeto. Nós atraímos os partidos aliados e não o contrário! Nós não somos atraídos pela Direita.

Colunista: O governo petista é refém de velhos caudilhos do PMDB.

Gabriel (PT): Não vou ser ingênuo. O PT recua em várias pautas, no sentido de entender que essa aliança é importante para constituir uma hegemonia na sociedade. Avaliar se Dilma seria eleita sem o apoio do PMDB é um exercício de adivinhação… Que ficaria muito mais difícil Dilma se eleger, eu tenho absoluta certeza! Outro exemplo: somos contundentes quanto ao fortalecimento do Estado; ou seja, mais políticas públicas e estagnação da venda das empresas públicas para a iniciativa privada. O PMDB aderiu ao nosso projeto! Então, citei um limite que temos por causa das alianças e um exemplo de uma pauta importante que é mantida… Prá mim, o nome disso é hegemonia.

Colunista: E qual a importância política dessa hegemonia?

Gabriel (PT): Deslocar um partido do tamanho do PMDB da Direita é importante porque a enfraquece. Na medida em que enfraquecemos a Direita, mantemos o nosso projeto em voga. Aqui na Bahia, será difícil tirar o PT do governo. É importante a gente conseguir re-configurar a correlação de forças no Brasil e fortalecer nosso projeto – ainda que não seja um projeto máximo. A hegemonia do PT esgota qualquer possibilidade da Direita se reorganizar e instalar outro processo histórico de nos marginalizar.

Colunista: Fortalecimento do Estado? Mas o PT realiza privatizações…

Gabriel (PT): O debate das privatizações não é apenas acerca de quem fez ou não fez. ‘Privatização’ parte de uma concepção de Estado, uma concepção de poder… Apesar do PT realizar privatizações, não é o discurso ideológico do partido. E não há contradição em praticar e não defender. É apenas um sintoma de que governar o Brasil é uma tarefa difícil. Mas, foi a Direita quem instalou um processo de deslegitimação do Estado e implantou a ideia de que o Estado é frágil, burocrático e torna lento o desenvolvimento, porque não permite que a economia se movimente com a dinâmica necessária. Lula provou que é possível priorizar política social, aumentar a distribuição de renda e não sair do ciclo de desenvolvimento. Tanto que o Brasil cumpre papel de alta relevância no cenário mundial: embora atingido pela crise, empresta dinheiro para o FMI. Não tem como comparar o montante das privatizações nos governos Lula e FHC. Nós não privatizamos as grandes empresas públicas – o que era uma tendência, no governo anterior.

Colunista: E a privatização das estradas?

Gabriel (PT): O governo do PT na Bahia privatizou estradas para alcançar objetivos a curto prazo: agilizar o processo de reestruturação e dinamizar o escoamento. Privatizar depende das circunstâncias e do problema que você quer resolver… Se as estradas estão destruídas, o mundo passa por uma crise e o orçamento enxuga, não deixando perspectiva real de resolver o problema: você tem que colocar a iniciativa privada para cobrar pedágios. As privatizações do PT são residuais. Falo das estradas estaduais, porque as federais estão sendo inauguradas “a rodo” na Bahia. Vamos ao exemplo da educação: na era de FHC houve o maior índice de criação de faculdades privadas no Brasil e não se priorizou o fortalecimento da universidade pública.

Colunista: E Lula deu continuidade a esse ciclo.

Gabriel (PT): Lula não impediu que as universidades fossem criadas, mas adotou o programa de reestruturação e expansão das universidades públicas, ampliando vagas e cursos nas universidades federais. O governo fortaleceu a educação pública (um dos braços do Estado)! No entanto, FHC foi responsável pela aparição de um setor político, no Congresso Nacional, denominado “os tubarões do ensino”. Essa pauta não existe mais, porque a bancada deixou de ter força. A privatização é o resultado de uma compreensão de que o Estado tem que ser enfraquecido, passando suas responsabilidades para a iniciativa privada. Brecamos as privatizações, mas ainda existem porque a iniciativa privada é uma força no mundo e o capital gira em torno de si próprio e se apropria dos bens – inclusive dos bens públicos.

Colunista: O PT critica as privatizações de FHC; mas não as investigou oficialmente. Agora, nutre o debate em torno da obra “A Privataria Tucana”, posando de paladino da justiça. É falso moralismo, porque o PT não coaduna discurso e prática…

Gabriel (PT): De fato, o governo não priorizou as investigações sobre as privatizações no Brasil. Isso é um problema! A CPI é uma boa oportunidade para investigar. 80% dos deputados federais do PT aderiram. Pelo que li, o processo de venda dessas empresas tem a ver com o enriquecimento das famílias de dirigentes e representantes da Direita que estavam no governo de FHC. Esse livro do Amauri Jr. pode ser o maior golpe que o PSDB já tomou, mesmo estando fora do governo.

Colunista: Franklin Martins defende que “regulação de conteúdo não é censura”. Lula diz que a imprensa tem direito de dizer a “verdade”. A “verdade do governo”? Os discursos que rodeiam a “regulamentação da mídia” mostram que se trata de uma estratégia voltada à manipulação da informação.

Gabriel (PT): Provavelmente Franklin Martins não se refere ao conteúdo que afronta o governo. A regulamentação da mídia tem um grande desafio: desconstituir o monopólio. Existe um grande poder sobre a circulação, elaboração e impressão da informação, que é concentrado em poucos atores políticos, poucas famílias. Quanto ao conteúdo, por exemplo, em 12 meses de governo, 07 ministros foram afastados; boa parte relacionada com denúncias que apareceram na Revista VEJA. A cada ministro que caía, a revista esquecia e partia para o próximo…

Colunista: Muitas dessas denúncias resultaram inquéritos.

Gabriel (PT): E porque a revista parou de dar pauta para estes inquéritos? A movimentação da mídia é quase que exclusivamente política.

Colunista: A sociedade não ganha?

Gabriel (PT): Ganha. As denúncias devem ser apuradas – a Presidenta exprime essa opinião. Nunca se apurou tanto como no governo do PT. Mas, o padrão de comportamento da mídia é: adota uma pauta, o governo se pronuncia acerca da apuração e o Ministro nega os fatos. Na semana seguinte: capa da VEJA novamente! A dinâmica é essa até o ministro cair. Quando o ministro cai, a revista da semana seguinte é sobre outro Ministério. Como é que as denúncias que eram consideradas graves pela revista simplesmente saem de pauta?

Colunista: Se a VEJA for acumulando as denúncias, a publicação terá trezentas páginas!

Gabriel (PT): Ou a pauta era apenas tirar o Ministro? Porque coincide de mudar a pauta exatamente quando ele sai do Ministério? Existe um ponto de partida dessa pauta: a denúncia. Um ponto final: a queda do ministro. Isso mostra o interesse absoluto do editorial no objetivo de tirar o ministro!

Colunista: Mas, a forma como a Carta Capital aborda as denúncias, explicita que há uma questão editorial dos dois lados…

Gabriel (PT): O editorial funciona! Estou mostrando a você que o interesse existe. Não adianta entendermos esse processo como simplesmente o objetivo da VEJA na apuração das denúncias. Não é! A revista deixa claro que quer a queda do ministro; depois que ele cai, se o inquérito vai chegar ou não a alguma solução, não é interesse da revista…

Colunista: A própria sociedade não cobra essas respostas…

Gabriel (PT): Exatamente! Veja só: as denúncias contra os ex-ministros só voltarão a ser pauta se forem reais. Se não forem, a revista não tocará no assunto – eu e você vamos ficar sabendo, mas o conjunto da sociedade não. Por dois motivos: a revista já atingiu o objetivo que é derrubar o ministro; para ela, não é relevante se o que publicou é verdade. A VEJA nunca vai colocar na capa que Orlando Silva foi absolvido – supondo que as denúncias contra o ex-ministro não sejam reais, porque eu não sei se são ou não… Acho que não são!

Colunista: Muitos veículos de comunicação – especialmente no Norte e Nordeste – estão nas mãos de aliados do governo. Não é ingenuidade achar que a “regulamentação” é democratizar e mexer nesse sistema de negociação das concessões?

Gabriel (PT): Essa ligação do governo com as famílias que hegemonizam os meios de comunicação é novidade para mim… Sei o contrário! O livro “A Privataria Tucana” não foi pauta no Jornal da Globo, Jornal Nacional, Revista VEJA, Folha de São Paulo, O Globo… Zero de pauta! Nós pautamos nas redes sociais – que têm papel importante no acesso e elaboração da informação. Quando estava prestes a virar CPI, não teve mais como a mídia ignorar. Não se trata de opção de um veículo, mas do conjunto da mídia! E não é coincidente por acaso! A compreensão é de que a mídia cumpre o papel de representar um setor político no Brasil. Mas, claro que uma parte da mídia tem relação com o governo. A grande mídia se comporta assumindo as pautas contrárias ao governo; adota um comportamento de partido político. É o PIG – Partido da Imprensa Golpista.

Colunista: Expressão cujo criador, Paulo Henrique Amorim, é tão “imparcial” quanto a VEJA. [risos] Rechaçar veículos de comunicação e taxar todas as denúncias como um complô não é camuflar a corrupção?

Gabriel (PT): Paulo Henrique Amorim é um jornalista competente. Uma prova do comportamento de partido político adotado pela mídia: divulgam uma suposta relação de ONG’s com o ex-ministro Orlando Silva; mas o denunciante responde a diversos processos criminais, inclusive por desvio de verbas públicas. Quando a Presidenta adota o comportamento de não defender o ministro e a mídia está em cima, ele tem que pedir para sair. Muitas pessoas não têm entendido que é uma opção valorosa de Dilma. Mas, Orlando Silva é uma referência para a militância e viu comprometida sua atuação política num momento importante (COPA e Olimpíadas). Não estou afirmando que os fatos não aconteceram… Porque amanhã podem descobrir que aconteceram e eu estou aqui defendendo o cara… Mas, o único indício foi: ele é militante do PCdoB e financiamentos do Ministério do Esporte foram para projetos de ONG’s que tinham militantes do partido. Não há irregularidade nisso! A imprensa cumpre um papel altamente relevante quando apresenta denúncias, mas não pode se valer de sua condição para mentir.

Colunista: Na política, a “verdade” é subjetiva.

Gabriel (PT): Mas a subjetividade tem um limite. Tem uma frase de Franklin Távora: na notícia, a denúncia vira fato e o fato vira julgamento antes de qualquer processo ser instaurado. A imprensa não pode antecipar a instauração do processo pelo poder público, cumprindo o papel de Poder Executivo, do Ministério Público e do Poder Judiciário. É isso que precisa ser regulado. Ninguém defende uma regulação de conteúdo no sentido de restringir a liberdade de expressão. Mas um veículo não pode infringir a liberdade de outra pessoa.

Colunista: O controle posterior, pelo Judiciário, corrige desvios e garante indenizações, direito de resposta…

Gabriel (PT): Não acho que funciona!

Colunista: Então o problema é o funcionamento do Judiciário…

Gabriel (PT): Com a regulamentação, funcionará melhor.

Colunista: Excepcionando-se as bravatas, os “perseguidos” não adotam as medidas judiciais cabíveis contra os “veículos golpistas”. Atacar a mídia é mero subterfúgio?

Gabriel (PT): Precisaríamos ter a certeza de que não adotaram efetivamente. Mas, o papel da imprensa não é averiguar. A imprensa deve: formar opinião e divulgar informação. Não investigar! Porque senão, não precisamos do Estado. Se é o repórter quem vai descobrir se é verdade ou não, não precisa de Ministério Público. Jornalista não pode investigar para além do Estado, porque as provas precisam ser oficiais, se exige um processo de investigação formal… Porque um determinado documento é prova? Quem analisou a veracidade do documento? Mas, ele aparece na televisão, grifado de amarelo, seguido de uma fala do repórter que o coloca como verdadeiro. É perigoso deixar sob a responsabilidade da mídia – que tem o direito de eleger as pautas – o papel de investigar e julgar. O comportamento de partido político é adotado pela mídia no momento em que a Direita está esvaziada de projeto e de representação. Quem representa a Direita? Aécio Neves? Aécio pode até ser o pretenso representante da Direita, o potencial representante…

Colunista: Aécio Neves não se posiciona acerca dos temas relevantes para a sociedade…

Gabriel (PT): Exatamente! Aécio Neves até defende o partido, mas não se posiciona sobre a agenda política do país! Ele tem potencial e está no cenário político, mas não é uma liderança da Direita atualmente. Se Aécio não é, quem é? Álvaro? Álvaro Dias defende o conteúdo da oposição, mas não tem destaque na opinião pública – é uma figura irrelevante. Ninguém o conhece nas ruas. Diferente de Serra! Mas Serra é outra questão… A Direita não tem lideranças nacionais que possam sair em defesa do seu projeto. Como a Direita tem essa carência de lideranças, naturalmente, a mídia assume uma posição que se assemelha a de um partido político de oposição. A Direita não tem um projeto de nação. O DEM se esvaziou, depois das eleições de 2012, entrará num processo de mudanças de estratégias porque não tem perspectiva de crescer. E o PSDB, ainda que seja um partido que mais tem governos estaduais, tem se enfraquecido.

Entrevista realizada pessoalmente, em 22 de dezembro de 2011, em Salvador, Bahia.

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Veja as demais entrevistas que já realizei: http://danielebarreto.com.br/category/entrevistei/

Beijos, Dani.  [love]